domingo, 23 de setembro de 2018

O MAIOR DE TODOS É O QUE SERVE A TODOS

Páginas do Evangelho - Vigésimo Quinto Domingo do Tempo Comum


'Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más' (Tg 3, 16). Com efeito, toda sorte de males advém da inveja e das paixões desregradas do homem, que se pauta em ter cada vez mais e invejar no outro tudo aquilo que ainda não se tem. Não é esse o caminho da graça, nem a via da santidade. Jesus, no evangelho deste domingo, vai mostrar aos seus discípulos que a primazia da alma é forjada no cadinho da humildade.

Após a extraordinária experiência no Monte Tabor, Jesus seguia agora, rodeado apenas pelos seus discípulos e, mais uma vez, lhes anunciara o mistério de sua Paixão e Ressurreição: 'O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará' (Mc 9, 31). Mas os apóstolos ainda estavam demasiado presos à ideia de um reino terreno, pautado por poderes mundanos. E era a ambição de um poder maior em relação aos demais o que minava os sentimentos daqueles homens nos caminhos da Galileia.

Jesus vai interpelá-los sobre as murmurações de uns e outros pelo caminho; e o silêncio da resposta é o testemunho de que haviam estado até então submissos aos grilhões da inveja e das rivalidades. Estremecidos os corações diante da Verdade, são todos acolhidos na misericórdia do Bom Pastor que lhes revela: 'Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!' (Mc 9, 35). A primazia da graça é o serviço do bem desprovido de honras e vaidades humanas: o maior de todos é o que serve a todos; a humildade é a virtude que eleva o homem às vias mais plenas da santidade!

E, para ilustrar a dimensão da verdadeira humildade, Jesus a insere no contexto sublime da inocência pura de uma criança: 'Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou' (Mc 9, 37). Possuir uma inocência infantil é possuir a própria sabedoria de Deus, pois nela não prospera as ambições, nem a inveja, nem as rivalidades, nem as desordens ou qualquer espécie de obras más e porque 'a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento' (Tg 3, 17).

50 ANOS DA MORTE DO PADRE PIO

(1887 - 1968)

Francesco Forgione nasceu em Pietrelcina (Itália) no dia 25 de maio de 1887 e faleceu santamente como Padre Pio, em San Giovanni Rotondo (Itália), em 23 de setembro de 1968

Pais do Padre Pio: Grazio Mario Forgione (1860–1946) e Maria Giuseppa de Nunzio Forgione (1859–1929)

Batismo do Padre Pio (26/05/1887): Igreja de Santa Ana e pia batismal


(fotografia mais antiga conhecida do Padre Pio)

Ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1910, dedicou toda a sua vida ao ministério da confissão e à salvação das almas. 


Possuía dons extraordinários na forma de estigmas (feridas nas mãos, nos pés e no peito, como as recebidas por Nosso Senhor Jesus Cristo na crucifixão), de milagres diversos e o dom da bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo).

A santidade do Padre Pio é uma expressão da santidade de Deus, não apenas pelos seus tantos carismas particulares, mas pelas inúmeras perseguições que, desde que ele recebeu os estigmas, o acompanharam sempre até a morte (impedimentos e proibições de toda espécie, segregação e injúrias), aceitas com absoluta resignação: “Aceitar as provações que o Senhor permite ou suscita, para nos santificarmos e nos identificarmos com as injúrias sofridas por Cristo em toda sua vida, e particularmente na sua Paixão e Morte na Cruz, para salvar os homens até o fim dos séculos”. 


Pouco antes de morrer, ao lhe ser solicitado uma última orientação espiritual, assim o fez: 'Amate la Madonna. Fatela amare. Recitate la Coronna. Recitatela bene' (Amai a Nossa Senhora. Fazei-a amar. Rezai o Rosário. Rezai-o bem). 


Foi canonizado em 16 de junho de 2002 pelo Papa João Paulo II, na praça de São Pedro. Em 28 de fevereiro de 2008, seu corpo foi exumado – sendo encontrado incorrupto – e colocado numa urna de cristal, onde se encontra atualmente para exposição pública e veneração dos fiéis.


Ver no Blog - Especial Padre Pio:

(continua)

sábado, 22 de setembro de 2018

A SUBLIME VIRTUDE DA CASTIDADE

'Cuidai com esmero da castidade e também das virtudes que a acompanham e a salvaguardam: a modéstia e o pudor. Não olheis com ligeireza as normas, tão eficazes, que nos ajudam a conservarmo-nos dignos do olhar de Deus: a guarda atenta dos sentidos e do coração; a valentia de ser covarde para fugir das tentações; a frequência dos sacramentos, especialmente da confissão sacramental; a sinceridade total na direção espiritual pessoal; a dor, a contrição e a reparação depois das faltas. E tudo isto ungido com uma terna devoção a Nossa Senhora, de modo que ela nos obtenha de Deus o dom de uma vida limpa e santa'.

(São Josemaria Escrivá)


'Santo Ambrósio diz que a pureza nos eleva até ao Céu e nos faz deixar a Terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela eleva-nos por sobre a criatura corrompida e, pelos seus sentimentos e desejos, faz-nos viver da mesma vida dos anjos. Segundo São João Crisóstomo, a castidade de uma alma é de um preço aos olhos de Deus maior do que a dos anjos, pois os cristãos só podem adquirir esta virtude pelo combate, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. São Cipriano acrescenta que a castidade nos torna não apenas semelhantes aos anjos mas dá-nos ainda um caráter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.
(São João Maria Vianney)


'A juventude não vive para o prazer, vive para o heroísmo. É um fato: a um jovem é necessário heroísmo para resistir às tentações que o envolvem, para acreditar numa doutrina desprezada, para conseguir fazer face aos argumentos, à blasfêmia, aos gracejos dos livros, aos jornais, para resistir à sua família e aos seus amigos, para estar só contra todos, para ser fiel contra todos. Mas 'tende coragem, porque eu venci o mundo'. Não acredites que ficarás diminuído, antes pelo contrário ficarás aumentado.

É através da virtude que se é homem. A castidade tornar-te-á vigoroso, apto, vigilante, penetrante, claro como o toque da trombeta e esplêndido como o sol da manhã. A vida parecer-te-á cheia de encanto e de seriedade, um mundo de sentido e de beleza. À medida que avançares as coisas parecer-te-ão mais fáceis, os obstáculos que julgavas intransponíveis far-te-ão sorrir...

Há uma passagem na tua carta que me faz rir. É aquela em que me dizes que tens medo de encontrar na religião o fim da procura e da luta. Ah, caro amigo, no dia em que receberes Deus, terás contigo o hóspede que te não dará mais momento de repouso. Não vim trazer a paz mas a espada. Será o grande fermento que fará rebentar todos os vasos, será a luta contra as paixões, a luta contra as trevas do espírito, não aquela em que se é vencido, mas a de que se sai vencedor'.
(Paul Claudel, poeta francês)

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

FOTO DA SEMANA

'Aquele que me enviou está comigo; Ele não me deixa sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado' (Jo 8, 29) 

CATECISMO MAIOR DE PIO X (XI)

Guerra aberta contra Jesus 

101. Estes triunfos de Jesus desde o início despertaram a inveja dos escribas e fariseus, dos príncipes e sacerdotes e dos chefes do povo, inveja que se intensificou em extremo quando Ele começou a desmascarar sua hipocrisia e a reprovar seus vícios. Logo passaram a persegui-lo e a desacreditá-lo até acusá-lo de endemoninhado, procurando maneiras de fazê-lo cair em contradição, para desautorizá-lo diante do povo, e acusá-lo ao governador romano. Esta inveja foi sempre crescendo e se agravou ainda mais quando, depois da ressurreição de Lázaro, o número de judeus que creram nEle aumentou enormemente. Então, deliberaram matá-lo, e o pontífice Caifás terminou com estas palavras: 'É necessário que morra um homem pelo povo para que não pereça toda uma nação', confirmando assim, sem saber, uma profecia, porque, na verdade, através da morte de Jesus, o mundo seria salvo. 

Causa de ódio extremo - Traição de Judas 

102. Finalmente, o seu ódio veio à tona quando, perto da Páscoa (era a quarta que celebrava em Jerusalém depois de iniciada sua vida pública), a cidade estava repleta de visitantes de toda a parte para a festa. Jesus, sentado sobre um jumentinho, entrou triunfante e foi aclamado pelo povo que, com palmas e ramos de oliveira, havia saído a seu encontro, enquanto alguns estendiam suas vestes no chão e outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho. 

103. Então os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, reunindo-se em casa do pontífice Caifás concordaram em prender Jesus às escondidas, com medo de que a multidão se revoltasse. A ocasião não se fez por esperar. Judas Iscariotes, possuído pelo demônio da avareza, ofereceu-se para entregar-lhes o divino Mestre pela quantia de trinta moedas de prata.

Última ceia de Jesus Cristo e instituição do sacramento da Eucaristia 

104. Era o dia em que se deveria sacrificar e comer o cordeiro pascal. Chegando a hora marcada, veio Jesus para a casa onde Pedro e João, instruídos por Ele, haviam organizado todo o necessário para a ceia e sentaram-se à mesa. 

105. Nesta última ceia, Jesus deu aos homens a maior prova de seu amor, instituindo o Sacramento da Eucaristia. Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo 

106. Terminada a ceia, nosso divino Redentor deixou a cidade acompanhado de seus Apóstolos, dizendo-lhes pelo caminho as coisas mais ternas e dando-lhes os ensinamentos mais sublimes, foi, segundo seu costume, para o jardim do Getsêmani, onde, pensando em sua paixão próxima, orando e oferecendo seu sacrifício ao Pai Eterno, suou sangue vivo e foi confortado por um Anjo.

107. Veio Judas, o traidor, à frente de um esquadrão de bandidos armados com paus e espadas, e deu um beijo em Jesus, que era o sinal combinado para que fosse reconhecido. Jesus, abandonado pelos Apóstolos, que haviam fugido de medo, viu-se, em seguida, preso e amarrado por aqueles carrascos e, com todo tipo de maus tratos, foi arrastado primeiramente à casa de um príncipe dos sacerdotes chamado Anás, e depois à de Caifás, pontífice que naquela mesma noite reuniu o grande Sinédrio, declarando Jesus réu de morte. 

108. Dissolvido o conselho de juízes, Jesus foi entregue aos carrascos, que durante aquela noite O injuriaram e O ultrajaram com bárbaros tratamentos. Nessa mesma dolorosa noite, Pedro também amargurou o Coração de Jesus negando-O três vezes. Mas tocado pelo olhar de Jesus, caiu em si e chorou seu pecado por toda a vida. 

109. Depois do amanhecer, havendo mais uma vez se reunido o Sinédrio, Jesus foi levado para o governador romano Pôncio Pilatos, a quem o povo pediu, aos gritos, que o condenasse à morte. Pilatos reconheceu a inocência de Jesus e a perfídia dos judeus, e tentou salvá-lo; e devendo dar liberdade a um malfeitor por ocasião da Páscoa, deixou ao povo que escolhesse entre Jesus e Barrabás. O povo escolheu Barrabás. Sabendo, então, Pilatos que era galileu, enviou-o a Herodes Antipas, de quem foi desprezado e tratado como louco, e depois devolvido vestido em uma túnica branca por escárnio. Por fim, Pilatos o fez flagelar pelos algozes, que depois de haver feito dEle todo uma chaga, com insulto atroz cravaram-lhe em sua cabeça uma coroa de espinhos, sobre os seus ombros um pano de cor púrpura, uma cana na mão, e dEle escarneciam saudando-o por rei. Mas não sendo nada disto suficiente para abrandar a fúria de seus inimigos e da multidão amotinada, Pilatos condenou-o a morrer na cruz. 

110. Jesus, então, teve que carregar sobre as costas o duro madeiro da cruz e levá-lo até o Calvário, onde, despido, regado com fel e mirra, cravado na cruz e elevado entre dois ladrões, mergulhado num mar de angústias e dores, depois de três horas de penosíssima agonia, expirou rogando por todos que o crucificavam, que nem por isso cessavam sua crueldade para com Ele. Mesmo morto, traspassaram-lhe cruelmente o coração com uma lança. 

111. Nenhuma mente humana pode conceber, nenhuma língua é capaz de dizer o que Jesus teve que padecer na noite de sua prisão, nos diversos caminhos de um e outro tribunal, na flagelação e na coroação de espinhos, na crucificação, e, sobretudo, em sua prolongada agonia! Somente o amor, que foi a causa, pode despertar uma pálida imagem de tudo isso nos corações agradecidos. Maria Santíssima assistiu com sobre-humana fortaleza a morte de seu Filho, e uniu o martírio de seu coração às dores dEle para a redenção da raça humana. O Pai celestial fez que a divindade de Jesus Cristo resplandecesse em sua morte, como tinha feito em sua vida; estando na cruz o sol escureceu e a terra cobriu-se com espessíssimas trevas, e ao expirar, a terra tremeu com espantoso terremoto, rasgando-se de cima abaixo o véu do templo, e muitos mortos, saídos dos sepulcros, foram vistos em Jerusalém e apareceram a muitos... 

(Do Catecismo Maior de Pio X)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

VIDA DO PADRE PIO EM FATOS E FOTOS (VI)


Em certa ocasião, Padre Pio confidenciou ao Irmão Modestino Fucci, porteiro do convento, que padecia as dores mais terríveis quando tinha que trocar suas camisetas. Quando, em 4 de fevereiro de 1971, a Modestino foi atribuída a tarefa de fazer um inventário de todos os pertences do Padre há pouco falecido, o frade descobriu uma camiseta com uma grande mancha de sangue na região do ombro direito.


Naquela noite, pediu a Padre Pio em oração para esclarecê-lo sobre o significado da camiseta manchada de sangue. Ele acordou então de madrugada sentindo uma dor excruciante no ombro, como se tivesse sido ferido a faca até o osso. Ele sentiu que iria morrer da dor mas esta se esvaiu de repente e ele sentiu a cela cheia de perfume de flores e ouviu uma voz interior dizendo: Cosi ho sofferto io! - 'Era isso que eu sofria!'


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

PALAVRAS DE SALVAÇÃO


Se soubéssemos claramente em que lugar Deus coloca cada um de nós, aceitaríamos tal decisão sem nunca nos colocarmos nem acima nem abaixo desse lugar. Mas, no nosso estado presente, os decretos de Deus estão envoltos em trevas e a sua vontade nos está oculta. Por isso, o mais seguro, de acordo com o conselho da própria Verdade, é escolhermos o último lugar, de onde nos tirarão depois com honra, para nos darem um melhor. Ao passarmos debaixo de uma porta muito baixa, podemos baixar-nos tanto quanto quisermos sem nada temer; mas, se nos levantarmos um dedo que seja acima da altura da porta, bateremos com a cabeça. É por isso que não devemos recear nenhuma humilhação, mas antes temer e reprimir o menor movimento de auto-suficiência.

Não vos compareis, nem com os que são maiores que vós, nem com os vossos inferiores, nem com quaisquer outros, nem sequer com um só. Que sabeis sobre eles? Imaginemos um homem que parece o mais vil e desprezível de todos, cuja vida infame nos horroriza. Pensais que o podeis desprezar, não só por comparação convosco mesmos, que aparentemente viveis em sobriedade, justiça e piedade, mas até por comparação com outros malfeitores, dizendo que ele é o pior de todos. Mas sabeis se ele não será um dia melhor que vós e se o não é já aos olhos do Senhor? Por isso é que Deus não quis que ocupássemos um lugar intermédio, nem o penúltimo, nem sequer um dos últimos, mas disse: 'Toma o último lugar', a fim de ficarmos verdadeiramente sós na última fila. Desse modo não pensareis, já não digo em preferir-vos, mas simplesmente em comparar-vos com quem quer que seja.
(São Bernardo)