sábado, 11 de fevereiro de 2017

BREVIÁRIO DIGITAL (L) - AS VISÕES DE TONDAL (III)

A experiência além da morte de uma alma medieval percorrendo o Céu, o Inferno e o Purgatório, guiada pelo seu Anjo da Guarda.

VISÕES DE TONDAL - PARTE III


Atravessando a escuridão infernal, o anjo e a alma de Tondal chegam diante uma estrutura gigantesca em forma de um forno incandescente, tão alto quanto uma montanha. Do fogo emergem as almas dos condenados, que são espetados e desmembrados por demônios e lançados de volta à fornalha ardente. Nesta prisão de fogo indescritível, encontram-se as almas dos glutões, dos pervertidos e dos fornicadores. Cada alma ali padece horrivelmente de tormentos específicos em sua genitália. A alma de Tondal é severamente advertida que este será o seu destino final se não mudar radicalmente a sua vida de pecados.


Na parte do inferno reservada aos ladrões, a alma de Tondal é submetida a uma prova terrível. Uma ponte muito estreita atravessa uma cratera de fogo onde padecem as almas dos condenados por roubo. Por ter roubado uma vaca de um dos seus amigos, Tondal é forçado a atravessar a estreita ponte conduzindo o animal enquanto, em sentido contrário, outra alma é submetida a igual provação, carregando feixes de trigo, igualmente roubados. Ambas as almas se cruzam no meio da ponte e, de forma surpreendente, conseguem cumprir a penitência imposta, passando uma pela outra, sem se tocarem e se precipitarem mutuamente no redemoinho de fogo logo abaixo.


No Vale do Fogo, os demônios agarram de repente a alma de Tondal e a precipitam numa forja em chamas, na qual são calcinadas, numa fase preliminar, as almas dos condenados pelos prazeres e concupiscência da carne. Dominado pelo horror e depois de tormentos atrozes, a alma de Tondal é resgatada pelo anjo para continuar a sua viagem através do inferno.


O anjo conduz a alma de Tondal através de uma ponte estreitíssima, que mal permite a passagem de um deles. A ponte é de uma extensão interminável e sob ela, um caldeirão de fogo devora as almas dos condenados pelo orgulho e presunção. À medida que avança pela frágil ponte, a alma de Tondal acompanha o vozerio infernal das almas dos condenados abaixo dele e a precipitação sem fim de novas almas no abismo de fogo.