quarta-feira, 31 de julho de 2019

31 DE JULHO - SANTO INÁCIO DE LOYOLA


Ad Maiorem Dei Gloriam 


Para a Maior Glória de Deus

O fundador da Companhia de Jesus e autor dos 'Exercícios Espirituais' buscou a via da santidade pelo completo despojamento de si, pelo abandono completo de sua vontade aos desígnios da Divina Providência, abstraindo-se de todo comodismo humano na sua caminhada espiritual para Deus. Eis aí a santidade das atitudes extremas, das decisões moldadas por uma fé intrépida, pela ação de um 'sim' sem rodeios ou incertezas. Uma vida de conversão e de entrega generosa a Deus, testemunho eloquente da fé cristã coerente e tenaz, levada às últimas consequências. 

Inácio Lopez nasceu na localidade de Loyola, atual município de Azpeitia, no País Basco/Espanha, em 31 de maio de 1491. De família rica, levou vida mundana até ser ferido gravemente numa perna na batalha de Pamplona. Na longa convalescença e pela leitura da vida de grandes santos, decidiu abandonar os bens terrenos e viver para a glória de Deus, quando tinha então 26 anos. Entre 1522 a 1523, escreveu os chamados 'Exercícios Espirituais', uma síntese de sua própria conversão e método de evangelização para uma vida espiritual em plenitude. Em 1528, ingressou na Universidade de Paris e a 15 de agosto de 1534, com mais seis companheiros, entre eles São Francisco Xavier, fundou a Companhia de Jesus, tornando-se sacerdote e assumindo o cargo de superior-geral da ordem jesuítica em 1540, com a aprovação do Papa Paulo III. Santo Inácio morreu em Roma, em 31 de julho de 1556, aos 65 anos de idade. Foi canonizado em 12 de março de 1622 pelo Papa Gregório XV. Em 1922, o Papa Pio XI declarou Santo Inácio padroeiro dos Retiros Espirituais.

ORAÇÃO DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA

Tomai Senhor, e recebei
Toda minha liberdade,
A minha memória também.
O meu entendimento
E toda minha vontade.
Tudo que tenho e possuo,
Vós me destes com amor.
Todos os dons que me destes,
Com gratidão vos devolvo:
Disponde deles, Senhor,
Segundo vossa vontade.
Dai-me somente 
O vosso amor, vossa graça.
Isto me basta,
Nada mais quero pedir.

terça-feira, 30 de julho de 2019

ATO DE ABANDONO A DEUS (SÃO PIO X)


Ó meu Deus, creio na vossa infinita bondade; não somente nesta bondade que cobre o mundo, mas nesta bondade particular e muito pessoal que visa essa miserável criatura que sou eu, e que tudo dispõe para o meu maior bem.

Por isso, Senhor, mesmo quando não vejo, quando não entendo, quando não sinto, creio que o estado no qual me encontro e tudo o que me ocorre é obra de Vosso amor e, com todas as forças de minha alma, o prefiro a qualquer outro estado que me seria mais agradável, mas que me aproximaria menos de Vós.

Ponho-me entre vossas mãos, faça de mim o que quiseres, deixando-me como único consolo o de obedecer-vos sempre (São Pio X).

(100 dias de indulgência por oração e indulgência plenária uma vez por mês)

SUMA TEOLÓGICA EM FORMA DE CATECISMO (XXXV)

LIII

DA CLEMÊNCIA E DA MANSIDÃO — VÍCIOS OPOSTOS: A IRA, A CRUELDADE OU FEROCIDADE

Que entendeis por clemência e mansidão?
São duas virtudes, uma destinada a moderar os castigos que hajam de impor-se, para que não excedam os limites da Justiça, e a outra destinada a moderar os movimentos interiores da ira (CLVII, 1)*.

A clemência opõe-se à severidade e a mansidão à vindita?
De maneira alguma, porque não têm o mesmo objeto e também porque, por caminhos distintos, propendem para o mesmo fim (CLVIII, 2 ad 1).

Que vícios se opõem à clemência e à mansidão?
A ira, a crueldade e a ferocidade (CLVIII, CLIX).

Que é a ira?
Um movimento do apetite irascível, que nos arrasta a tirar vingança, sem motivo ou contra a ordem e a razão (CLVIII, 2).

Quantas espécies compreende?
Três: a cólera dos violentos, que se irritam pelo motivo mais insignificante; a dos rancorosos, que guardam por muito tempo a recordação das injúrias; a dos obstinados, que não descansam enquanto não tiram vingança (CLVIII, 5).

A ira é pecado capital?
Sim, Senhor; porque o seu fim, a vingança, com a aparência de justa reparação, seduz e arrasta com facilidade os homens (CLVIII, 7).

Quais são as suas filhas?
A indignação, o orgulho, a vociferação, a blasfêmia, a injúria e a rixa (CLVIII, 7).

Existe algum vício contrário ao vício da ira?
Sim, Senhor; a apatia e a indolência, que se revelam em deixar impunes faltas que merecem corretivo (CLVIII, 8).

Que entendeis por crueldade?
A dureza de alma, que se manifesta na imposição de castigos ou penas injustas e irracionais (CLXI, 1).

Em que consiste a ferocidade?
Numa alegria e complacência selvagens, brutais e desumanas, nos sofrimentos do próximo, não os considerando como castigos merecidos, senão como meios de satisfazer rancores ou objeto de diversão. A ferocidade opõe-se diretamente à virtude da piedade (CLIX, 2).

São possíveis tais excessos?
Ainda que pareça incompreensível, aí está a história para demonstrá-lo. Povos houve, e se contam entre os mais civilizados em aparência, que achavam o mais saboroso prazer nas horripilantes cenas do anfiteatro.

LIV

DA MODÉSTIA E DA HUMILDADE — VÍCIO OPOSTO: O ORGULHO — PECADO DOS NOSSOS PRIMEIROS PAIS — NATURALISMO E LAICISMO

Qual é a última virtude agregada à temperança?
A modéstia (CLX, CLXX).

Que entendeis por modéstia?
Uma virtude que serve para refrear e moderar o apetite em matérias mais fáceis do que as da temperança, da continência, da clemência e da mansidão (CLX, 1, 2).

Logo, sobre que coisas exerce o seu influxo?
Sobre o desejo imoderado de grandezas, de saber e aprender; sobre os ademanes e movimentos do corpo e a maneira de vestir (CLX, 2).

Que nomes têm as virtudes deputadas para regular os movimentos afetivos relacionados com cada uma destas matérias?
As de humildade, estudiosidade e modéstia (Ibid).

Que entendeis por humildade?
Uma virtude que inclina o homem a reprimir e disciplinar a ambição de honras e grandezas, de forma que não queira nem procure senão as correspondentes à hierarquia em que Deus o colocou (CLXI, 1, 2).

Que consequências práticas devemos tirar desta definição?
A convicção íntima de que, prescindindo dos dotes que Deus graciosamente nos concedeu, a nada temos direito, já que, de colheita própria, só recolhemos como frutos, pecados; e pelo contrário, todas as honras e excelências pertencem aos outros, na proporção da medida com que a Deus aprouve fazê-los participantes das suas perfeições; além disso, ao reconhecermos em nós mesmos as boas qualidades e dons de Deus, devemos procurar que os outros homens honrem em nós a Deus, como neles nós O honramos (CLXI, 3).

Logo, a humildade é inseparável da verdade, e apoiado na verdade, pode um homem considerar-se inferior a todos os outros?
Com as preditas delimitações, sim, senhor (Ibid).

Que nome tem o vício oposto à humildade?
O de soberba ou orgulho (CLXII).

Que entendeis por soberba?
Um vício especial e, em certo modo, também geral, por cujo impulso, esquecendo e desprezando a lei, o homem se inclina a dominar e submeter tudo ao seu capricho, considerando-se superior a tudo quanto o rodeia (CLXII, 1, 2).

Por que dizeis que, sendo um vício especial, também é de alguma maneira geral?
É especial porque tem como fim próprio o desejo de dominar e sobressair-se, sem levar em consideração a subordinação e o respeito devidos a Deus; e é geral, porque este mesmo desejo é aproveitado por todos os outros pecados.

É muito grave o pecado da soberba?
É o mais grave de todos os pecados, porque envolve desprezo direto de Deus e, neste conceito, aumenta a gravidade de todos os outros, qualquer que seja a que tenham por si mesmos (CLXII, 6).

É e tem sido sempre a soberba o primeiro pecado?
Sim, senhor; porque envolve primária e essencialmente desprezo, aversão e separação de Deus, que nos outros pecados não é elemento constitutivo, mas simplesmente resultado; portanto, não pode existir pecado mortal que não pressuponha o da soberba ainda que dele se distinga (CLXII, 7).

É pecado capital?
É mais do que pecado capital; é o chefe e rei de todos os vícios e pecados (CLXII, 8).

Qual foi o pecado dos nossos primeiros pais?
O da soberba, como antes o tinha sido dos anjos rebeldes (CLXIII, 1).

Não seria antes o pecado da gula, da desobediência, da curiosidade ou da falta de fé na palavra de Deus?
Todos estes pecados, que, com efeito, acompanharam a primeira falta, foram consequência do pecado de soberba, antes do qual não podiam ter-se cometido (CLXIII, 1).

Por que dizeis que, antes de se ter cometido o pecado de soberba, não se podia cometer nenhum outro?
Porque o estado de inocência era acompanhado do dom da integridade, em virtude do qual todas as potências e faculdades guardavam perfeita subordinação, enquanto o espírito permanecesse sujeito a Deus; logo, para romper o equilíbrio foi necessário que a razão sacudisse o jugo divino, obtendo uma independência que não lhe pertencia, e nisto consiste o pecado da soberba (CLXIII, 1, 2).

Os pecados do naturalismo e laicismo, tão difundidos depois da reforma protestante, da renascença pagã e da revolução francesa, são pecados de soberba?
Sim, senhor; e daí provém a sua gravidade, por serem a reprodução do grito de rebelião que proferiram, primeiro, Satanás e os seus anjos, e, depois, os nossos primeiros pais.

LV

DA ESTUDIOSIDADE — VÍCIO OPOSTO: A CURIOSIDADE

Que entendeis por estudiosidade, segunda virtude anexa à temperança, sob a influência da modéstia?
A que preside e modera a afeição ao estudo e ao desejo de saber (CLXVI, 1).

Como se chama o vício oposto?
Curiosidade (CLXVII).

Em que consiste?
No desejo imoderado de saber o que nos não interessa ou o que nos pode ser prejudicial (CLXVII, 1, 2).

Comete-se este pecado com muita frequência?
Sim, senhor; quer na aquisição de toda classe de conhecimentos, quer na daqueles que só podem servir para procurar prazeres para os sentidos e fomentar as paixões (Ibid).

Logo, é pecado de curiosidade a afeição desmedida à leitura, sobretudo à leitura de novelas e romances, o assistir a festas profanas e espetáculos como teatros, cinematógrafos e outros do mesmo gênero?
Sim, senhor; e costuma ser também pecado de luxúria e sensualidade.

LVI

DA MODÉSTIA EXTERIOR

Qual é a última das virtudes anexas à temperança e conhecidas com o nome geral de modéstia?
A propriamente chamada virtude da modéstia (CLXVII - CLXX).

Que entendeis por virtude da modéstia?
O ápice da perfeição nos movimentos afetivos, cujo resultado é que todas as ações exteriores, como sejam movimentos, gestos, palavras, tom de voz, atitudes, etc, convenham ao decoro da pessoa e se acomodem às suas circunstâncias, estado e situação, de forma que nada destoe, senão que resplandeça em tudo a mais perfeita harmonia. Neste conceito se relaciona a modéstia com a amizade ou afabilidade e com a verdade (CLXVIII, 1).

Pertencem também à virtude da modéstia os atos relacionados com o jogo, as diversões e os recreios?
Sim, senhor; e neste caso, toma a virtude o nome de eutrapélia, ou virtude que preside às diversões e aos recreios, evitando que se peque seja por excesso, seja por defeito (CLXVIII, 2-4).

Está a cargo da modéstia o que se refere à maneira de vestir?
Sim, senhor; e neste sentido, rigorosamente, se chama modéstia (CLXIX).

Que normas prescreve?
Não ter afeição desmedida aos vestidos caros e faustosos, nem fazer ostentação de pobres e desalinhados (CLXIX, 1).

Logo, pecam contra a virtude da modéstia as pessoas mundanas, escravas dos exageros a que chamam moda, incentivo e frequente ocasião de pecado?
Pecam contra a modéstia e contra a castidade e são dignas de severa repreensão (CLXIX, 2).

referências aos artigos da obra original

('A Suma Teológica de São Tomás de Aquino em Forma de Catecismo', de R.P. Tomás Pègues, tradução de um sacerdote secular)

segunda-feira, 29 de julho de 2019

8 AVISOS PARA O EXERCÍCIO DA MEDITAÇÃO

Primeiro Aviso

Seja, pois, este o primeiro aviso: que, quando nos pomos a considerar algumas das coisas que já mencionamos como matéria de meditação, em seus devidos tempos e exercícios, não devemos estar tão presos a estas matérias que consideremos como serviço mal feito deixarmos uma para tomarmos outra, quando nisto encontrarmos maior gosto ou maior proveito porque, como a finalidade de tudo é a devoção, o que mais servir para este fim será isto que se deve considerar como sendo o melhor.

Porém, isto não se deve fazer por motivos levianos, mas com vantagem conhecida. Sendo assim, se em alguma passagem de nossa oração, sentirmos maior gosto ou devoção do que em outro, detenhamo-nos nele por todo o espaço de tempo em que dure este afeto, mesmo que todo o tempo do recolhimento se gaste nisto. Porque, como o fim de tudo isto é a devoção, conforme já o explicamos, seria um erro buscar em outra parte, com esperança duvidosa, o que já temos como certo agora em nossas mãos. 

Segundo Aviso 

Seja o segundo aviso que trabalhe o homem para desculpar neste exercício a demasiada especulação do entendimento e procure deixar isso mais com afetos e sentimentos da vontade que com discursos e especulações do entendimento. Porque, sem dúvida, não acertam este caminho aqueles que, de tal modo, se põem na oração a meditar os Mistérios Divinos como se os estivessem estudando para pregar, o que seria mais derramar o espírito do que recolhê-lo e seria mais andar fora de si do que dentro de si. 

De onde nasce que, acabada a sua oração, ficam secos e sem suco de devoção, e tão fáceis e prontos para qualquer leviandade como o estavam antes. Porque a verdade é que tais pessoas de fato não oraram, mas falaram e estudaram, o que é coisa bem diversa da oração. Estes tais deveriam considerar que, no exercício da oração, mais nos aproximamos para escutar do que para falar. Para acertar, portanto, na meditação, aproxime-se dela o homem com o coração de uma velhinha ignorante e humilde, e mais com a vontade disposta e aparelhada para sentir e afeiçoar-se às coisas de Deus do que com o entendimento esperto e atento para esquadrinhá-las, pois isto é próprio dos que estudam para saber e não dos que oram e pensam em Deus para chorar. 

Terceiro Aviso 

O aviso anterior nos ensina como devemos sossegar o entendimento e deixar toda essa entrega à vontade; mas o presente põe também sua taxa e medida à própria vontade, para que não seja excessiva nem veemente em seu exercício, para o qual deve-se saber que a devoção que pretendemos alcançar não é coisa que se há de alcançar à força de braços, como alguns pensam, os quais, com demasiado afinco e tristezas forçadas e como que por encantamentos, procuram alcançar lágrimas e compaixão quando pensam na Paixão do Salvador, porque isto costuma mais secar o coração e torná-lo mais inábil para a visitação do Senhor, conforme ensina Cassiano. 

E ademais estas coisas costumam causar dano à saúde corporal e, às vezes, deixam a alma tão atemorizada com a falta de sabor que ali alcançou, que teme retomar outra vez ao exercício como a algo que experimentou ter-lhe dado muita pena. Contente-se, pois, o homem com fazer de boa vontade o que é de sua parte, que é encontrar-se presente ao que o Senhor padeceu, admirando com olhar simples e sossegado e, com um coração terno e compassivo e aparelhado para qualquer sentimento. o que Senhor lhe quiser conceder pelo que Ele padeceu, mais disposto para receber o efeito que sua misericórdia lhe conceder do que para expressá-lo à força de braços. E, feito isso, não se aflija pelo restante, quando isso não lhe for dado. 

Quarto Aviso 

De tudo quanto foi dito, podemos concluir qual é o modo da atenção que devemos ter na oração, porque aqui principalmente convém ter o coração não caído nem frouxo, mas vivo, atento e erguido para o alto. Mas assim como é necessário estar aqui com esta atenção regrada e moderada, para que não seja danosa à saúde nem impeça a devoção, porque há alguns que fatigam a cabeça com a demasiada força que empregam para estarem atentos ao que pensam, conforme já dissemos, assim também há outros que, para fugirem deste inconveniente, estão ali muito frouxos e remissos e muito fáceis de serem levados por todos os ventos. 

Para fugir destes extremos, convém conduzir um meio termo que nem com a demasiada atenção fatiguemos a cabeça, nem com o muito descuido e frouxidão fiquemos vagando com o pensamento por onde ele bem entenda. De modo que, assim como costumamos dizer ao homem que caminha sobre uma montaria caprichosa para que mantenha as rédeas firmes, isto é, nem muito apertada nem muito frouxa, para que nem volte para trás, nem caminhe com perigo, assim devemos procurar que nossa atenção siga com moderação e não forçada, com cuidado mas não com fadiga e aflição. Mas, particularmente, convém avisar que no princípio da meditação não nos fatiguemos com demasiada atenção, porque quando isto se faz, mais adiante costumam faltar as forças, como faltam ao caminhante quando no princípio da jornada se entrega a uma demasiada pressa para caminhar. 

Quinto Aviso 

Mas entre todos estes avisos, um dos principais é que não desanime aquele que ora, nem desista de seu exercício quando não sente imediatamente aquela suavidade da devoção que ele deseja. É necessário, com longanimidade e perseverança, esperar a vinda do Senhor, porque à glória de Sua Majestade e à baixeza de nossa condição e à grandeza do negócio que tratamos pertence que estejamos muitas vezes esperando e aguardando às portas de seu palácio sagrado. Pois, quando desta maneira tenhas aguardado um pouco de tempo, se o Senhor vier, dá-lhe graças por sua vinda e, se te parecer que não vem, humilha-te diante dEle, e conhece que não mereces o que não te deram e contenta-te com ter feito ali o sacrifício de ti mesmo e negado a tua própria vontade e crucificado o teu apetite e lutado com o demônio e contigo mesmo, e feito pelo menos o que era de tua parte. 

E se não adoraste o Senhor com a adoração sensível que desejavas, basta que o tenhas adorado em espírito e em verdade, como Ele quer ser adorado (Jo 4, 23). E creia-me, com certeza, que este é o caso mais perigoso desta navegação e o lugar onde se provam os verdadeiros devotos, e que se dele te saíres bem, em tudo o demais seguirás prosperamente. Finalmente, se mesmo assim te parecesse que fosse tempo perdido perseverar na oração e fatigar a cabeça sem proveito, neste caso não teria por inconveniente que, depois de ter feito o que está em ti, tomasses algum livro devoto e trocasses então a oração pela lição, contanto que a leitura não fosse corrida nem apressada, mas pausada e com muito sentimento quanto ao que estivesses lendo, misturando muitas vezes em seus lugares a oração com a leitura, o qual é coisa muito proveitosa e muito fácil de fazer para todo gênero de pessoas.

Sexto Aviso 

Não é documento diverso do anterior, nem menos necessário avisar que o servo de Deus não se contente com qualquer gostozinho que encontre em sua oração (como fazem alguns que derramando uma lagrimazinha ou sentindo alguma ternura de coração, pensam que já cumpriram com o seu exercício). Isto não basta para o que aqui pretendemos. Porque assim como um pequeno filete de água não basta para que a terra frutifique, que não faz mais do que tirar a poeira e molhar a terra por fora, mas é necessária tanta água que desça até o íntimo da terra e a deixe encharcada de água para que possa frutificar, assim também aqui é necessária a abundância deste rio e desta água celestial para que possa dar fruto de boas obras. É por isto que, com muita razão, se aconselha que tomemos para este santo exercício o maior espaço de tempo que pudermos. E melhor seria um tempo longo do que dois tempos curtos, porque se o espaço é breve, todo ele será gasto em sossegar a imaginação e aquietar o coração, e depois de já quieto nos levantaremos do exercício quando o teríamos de começar. 

E descendo a maiores detalhes no que diz respeito a delimitar este tempo, parece-me que tudo o que for menos de uma hora e meia ou duas horas é um tempo muito curto para a oração, porque muitas vezes se passa mais do que meia hora em moderar o caminho e acalmar a imaginação, e todo o restante do tempo é necessário para gozar do fruto da oração. É verdade que quando este exercício é feito depois de alguns outros santos exercícios, como depois do ofício das matinas ou depois de ter assistido ou celebrado missa ou depois de alguma leitura devota ou oração vocal, o coração se encontra mais disposto para este exercício e, assim como ocorre com a lenha seca, mais rapidamente se acende este fogo celestial. Também o tempo da madrugada costuma ser mais curto porque é o mais aparelhado que existe de todos quantos há para este ofício. Mas o que for pobre de tempo por causa de suas muitas ocupações, não deixe de oferecer seu quinhãozinho como a pobre viúva do Templo (Lc 21, 2) porque, se isto não ocorre por sua negligência, Aquele que provê a todas as suas criaturas conforme a sua necessidade e natureza, provê-lo-á também segundo a sua. 

Sétimo Aviso 

Conforme a este aviso se dá outro semelhante a ele, e é que quando a alma for visitada na oração, ou fora dela, com alguma visita particular do Senhor, que não a deixe passar em vão, mas que se aproveite daquela ocasião que se lhe oferece, porque é certo que, com este vento, navegará o homem mais em uma hora que sem Ele durante muitos dias. Assim se diz que o fazia São Francisco, de quem escreve São Boaventura em sua vida, que era tão especial o cuidado que tinha nisto que ,se ao andar pelo caminho, Nosso Senhor o visitasse com algum favor especial, fazia ir adiante todos os companheiros e permanecia quieto até acabar de ruminar e digerir aquele bocado que lhe vinha do céu. Os que assim não o fazem costumam comumente ser castigados com esta pena, a de que não encontram a Deus quando o buscarem, porque quando Ele os buscava, não os encontrou. 

Oitavo Aviso 

O último e principal aviso seja que procuremos, neste santo exercício, juntar em uma só coisa a meditação com a contemplação, fazendo da primeira a escada para subir até a segunda, para o que deve-se saber que o ofício da meditação consiste em considerar com estudo e atenção as coisas divinas, discorrendo de umas para as outras para mover o nosso coração a algum efeito e sentimento das mesmas, que é como quem fere uma pedra para arrancar dela alguma centelha. 

Mas a contemplação consiste em já ter arrancado esta centelha, quero dizer, já ter encontrado este efeito e sentimento que se buscava, e estar em repouso e silêncio em seu gozo, não com muitos discursos e especulações do entendimento, e sim com uma simples vista da verdade, por causa do que diz um santo doutor que a meditação discursa com trabalho e com fruto, mas a contemplação o faz sem trabalho e com fruto; a primeira busca, enquanto que a segunda encontra; a primeira rumina a comida, enquanto que a segunda a degusta; a primeira discorre e tece considerações, enquanto que a segunda se contenta com uma simples vista das coisas, porque já possui o amor e o gosto das mesmas; finalmente, a primeiro é como um meio, enquanto que a segunda é como um fim; a primeira é como caminho e movimento, enquanto a segunda é como o término deste caminho e movimento. 

(São Pedro de Alcântara)

domingo, 28 de julho de 2019

VIDA DE ORAÇÃO

Páginas do Evangelho - Décimo Sétimo Domingo do Tempo Comum


Jesus em oração. Nos Evangelhos, são inúmeros os exemplos que mostram Jesus em silente oração na intimidade com o Pai. O Filho de Deus Vivo feito homem mostra e reafirma, em sua condição humana, a necessidade da oração contínua e suplicante a Deus. Nestas ocasiões, Jesus se afastava do burburinho dos homens, para rezar com piedade, recolhimento e devoção, no exemplo do modelo da oração perseverante que se eleva da terra e encontra acolhida e reflexos nos céus. É preciso rezar sempre, é preciso sempre rezar bem.

E Jesus ensina aos discípulos a Oração do Pai Nosso, síntese da perfeição da oração cristã. Em São Lucas, os Evangelhos transcrevem uma versão mais resumida da forma integral da oração como expressa por São Mateus (Mt 6, 9-13). Nas suas sete petições, suplicamos e louvamos de forma perfeita a glória e a misericórdia de Deus, assumimos a condição de criaturas necessitadas de alimento físico e espiritual para ascendermos à eternidade com Deus, definitivamente libertados do pecado e de todas as insustentáveis fragilidades da nossa natureza humana. 

Rezar bem, com perseverança, insistentemente, oportuna e inoportunamente, como Abraão diante o perdão de Sodoma (Gn 18, 20-32), como Jesus ilustra com a parábola do pedido inoportuno do amigo insistente em plena madrugada: 'Amigo, empresta-me três pães...' (Lc 11,5). Deus não se cansa, Deus não se aflige, Deus não reclama de horários inapropriados ou da falta de cortesias humanas. Deus quer ouvir a nossa oração sempre, a qualquer hora, em qualquer lugar: 'Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá' (Lc 11, 9-10). A oração bem feita é a certeza concreta de que nossas súplicas tocaram o Coração de Deus.

A insistência e a perseverança da oração rendem frutos de graças. O poder da oração agradável a Deus é capaz de remover montanhas, obstáculos julgados intransponíveis, e de superar todos os limites conhecidos da condição humana; é capaz de realizar milagres: 'Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!' (Lc 11, 13). O tempo de Deus conosco é a nossa vida em oração.

sábado, 27 de julho de 2019

QUANDO É PRECISO SER HOMEM... DE FÉ!

Vivemos a era do triunfo aparente do mal, sobejamente despejado em todos os momentos contra os princípios universais da moral católica. A meta é uma só, exclusiva: a destruição completa da Igreja Católica e de tudo o que ela representa. Tal propósito não é passível de sequer ser tentado pela mente humana, pois é fruto de um ato absurdo de degenerescência diabólica. A origem do mal, catalisado ao extremo da desordem e da liquefação moral, é absolutamente satânica. 

Não se trata apenas de um mero aumento, ainda que fosse exponencial, das atividades satânicas em todo o mundo. Isso é óbvio e, mais que óbvio, totalmente previsível. Em Fátima, Nossa Senhora alertou, de forma cristalina, sobre a necessidade de entendimento universal da hora tremenda que estava por vir, na história da humanidade, do embate final e decisivo a ser travado entre a Virgem e o demônio e suas legiões. Poucos, muito poucos inclusive na própria Igreja, tomaram tais palavras como farol de suas vidas: os bons se fragilizaram sob a tutela da tibieza e do indiferentismo e os maus culminaram a síntese de todos os seus males na busca e na entrega total ao domínio do maligno, arregimentando para si e para todos uma multidão de todo tipo de pecados, blasfêmias e sacrilégios.

Esse tsunami de iniquidades varre e arrasta sem dó toda a pobre humanidade, alimentada, catalisada e impulsionada pela mídia, pela internet e pelas redes sociais, despejando, a preço vil, o vômito do maligno sobre todos os valores cristãos bimilenarmente incorporados à vida, à família, ao casamento, aos sacramentos, a tudo que é sagrado e a tudo que procede de Deus. O mal se alastra ao passo que a reação ao mal cambaleia e se acovarda. A ideologia do gênero, o aborto e a pornografia não são exemplos da mera variedade das desmedidas propensões humanas, mas a brutal compunção satânica concreta e deliberada pelo aniquilamento da obra divina da salvação.

Sufocados diariamente por essa temática avassaladora, corremos o sério risco de nos deixarmos levar pelos redemoinhos da rebentação e quantos cristãos já não não estão entregues a um crescente indiferentismo, a uma tácita rendição, ao conformismo diante dos fatos e notícias deprimentes do dia-a-dia, à tibieza dos vencidos? Vencidos não estão apenas os que estão mortos, mas também os que não mais lutam. E estes não são poucos, nem alguns de muitos, são quase todos. E há muitos de muitos que não apenas pararam de lutar, mas se venderam ao inimigo e lutam agora contra nós, muitos abertamente e, muitos de muitos, como lobos vorazes travestidos em ovelhas. 

A Igreja, toda a Igreja, vacila e cambaleia. A Verdade é distorcida e manipulada, a palavra de Deus não é una e inquebrantável; não, agora pairam sobre os telhados arrufos da Verdade, o joio diabólico mistura-se ao trigo da doutrina católica, as trombetas das graças desperdiçadas aos ventos mais alardeiam e distorcem do que semeiam vinhas. As feridas da Igreja sangram abertas, autoridades eclesiásticas promovem ambiguidades e incertezas que estercam a glutoneria das agendas de esquerda; sacerdotes, religiosos e leigos sucumbem ao desvario das tarefas mundanas; o avassalador poder do mal e da ação demoníaca parece não ter fim.

Não lutamos contra homens. Lutamos contra homens enlameados até a alma pelo maligno. Não existe acordo possível ou convivência pacífica entre Deus e o demônio no meio de uma humanidade corrompida e dividida, não existe meio termo entre o bem e o mal em termos da salvação das almas, não existe um patamar ecumênico entre o Céu e o Inferno. Não interessa o que somos ou quantas vezes caímos ou levantamos; nós seremos apenas os salvos ou os não salvos na eternidade com Deus. E, para alento ou profundo desgosto de tantos, a misericórdia de Deus é o triunfo portentoso dos fortes e nunca, nunca mesmo, o sufrágio dos fracos.

Também em Fátima, Nossa Senhora nos legou a mensagem definitiva do triunfo final da Igreja: 'Por fim o meu Imaculado Coração triunfará!' A mesma promessa foi feita pelo próprio Cristo ao primeiro papa: 'E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela' (Mt 16,18). Levantai-vos, portanto, que almas tíbias, acovardadas e titubeantes apenas induzem a repulsa de Deus; levantai-vos e ponde mãos às armas: oração, oração e oração, penitência, conversão. Com o terço na mão, com o Santo Rosário, com o amor incondicional às coisas de Deus e sem concessão alguma à perda da Fé, seremos, com efeito, cristãos num mundo não cristão, mas com certeza outros Cristos num outro mundo onde o mal não grassa e nem existe desde a eternidade. 

COMPÊNDIO DE SÃO JOSÉ (XVII)


81. Dentro da liturgia existem referências a São José? 

Além daquelas nas missas, São José tem seu nome lembrado na 'Ladainha dos Santos' e Leão XIII aprovou a recitação do 'Ofício votivo de São José' nas quartas-feiras. Seu nome está incluído também nas orações rezadas depois da missa desde 1884; assim como o mesmo papa prescreveu uma belíssima oração em honra a ele: 'A vós, São José, recorremos', a ser rezada no mês de outubro após a reza do Rosário. Em 1921, Bento XV inseriu o seu nome no prefácio da missa e acrescentou sua invocação na oração 'Bendito seja Deus'. Pio XI, em 1922, incluiu-o nas orações pelos moribundos no Ritual Romano. João XXIII em 1962 incluiu o seu nome no Cânon da missa. 

82. Existem algumas orações ou práticas de piedade josefinas indulgenciadas? 

São muitas, basta lembrar apenas algumas, tais como: a 'Ladainha a São José', indulgenciada em 1909 por Pio X . Da mesma forma, Bento XV em 1921 concedeu indulgências especiais para a recitação do 'Pequeno Ofício de São José'. Existem muitas outras orações indulgenciadas como aquela bastante conhecida 'Jesus, José e Maria, eu vos dou meu coração…'. O importante é salientar que todas estas orações exaltam a sua santidade, dignidade e a sua missão específica no mistério da nossa redenção.

83. Quais são as devoções mais características nas práticas de piedade josefina ao longo dos séculos? 

Uma devoção bastante difundida desde o século XIV e presente até hoje é a prática 'As sete dores e sete alegrias de São José'. No final do século XV, encontramos o 'Rosário de São José' e ainda hoje existem vários. Em 1597, ficou conhecida a 'Ladainha de São José', publicada em Roma e atribuída a Jerônimo Graziano da Mãe de Deus; também esta até hoje é muito rezada. Desde 1850, multiplicaram-se diversas formas do 'Rosário de São José; Rosário Perpétuo de São José: Rosário do devoto de São José; Terço a Maria Santíssima e a São José'… Em 1649, surgiu a devoção do 'Cordão de São José', com as Agostinianas da Bélgica, como forma de curar as doenças e livrar os fieis das ciladas do demônio. Esta devoção foi enriquecida por Pio IX com indulgências. Os padres capuchinhos difundiram a devoção nascida com a Ordem Terceira Franciscana na França do chamado 'Escapulário de São José'; da mesma forma, desde 1865, os Camilianos divulgaram o 'Escapulário da Bem-aventurada Virgem Maria, São José e São Camilo'. Em 1875, surgiu no México a devoção de benzer as velas na festa de São José assim como, ainda neste mesmo país, a partir de 1903, implantou-se o costume de benzer a 'Água de São José'. Em Milão, desde 1854, implantou-se o 'Culto Perpétuo a São José”, dedicando ao santo um dia a cada mês do ano. Surgiram depois “A Novena Perpétua a São José'; 'Os sete domingos de São José'; 'As dezenove quartas-feiras de São José' e 'As sete quartas-feiras de São José'. A prática das 'quartas-feiras dedicadas a São José' é muito comum ainda hoje, assim como a 'dedicação do mês de março a São José', também muito celebrado atualmente. 

84. São José foi lembrado também na música? 

A música foi da mesma maneira uma forma utilizada para honrar o nosso santo. Alguns músicos famosos compuseram missas em honra do nosso santo, tais como: Johann G. Albrechtsberger, que compôs a Missa Sancti Josephi; Flor Peeters, a Missa in honorem Sancti Joseph; Pergolesi com o '“Oratório sobre a morte de São José', assim como inumeráveis outras músicas e cânticos nascidos em vários países que contribuíram para exaltar São José. 

85. Existiram outras formas de honra tributadas a São José? 

Uma das mais características foi a coroação canônica de suas imagens. A primeira delas deu-se em Bogotá em 1779; depois, na cidade do México, em 1788; também em Guanajuato no México em 1790. Em Kalisz, na Polônia, São José foi coroado em 1796 e recoroado em 1985. Dezenas de outras coroações aconteceram no século XX em Barcelona, Montreal, Buenos Aires, Ávila, Santa Ana (El Salvador). Atestam-se ainda o culto a São José as suas aparições, dentre as quais as de 1448 em Novara (Itália), em Knock (Irlanda) em 1879 e em Fátima (Portugal) em 1817.

('100 Questões sobre a Teologia de São José', do Pe. José Antonio Bertolin, adaptado)

sexta-feira, 26 de julho de 2019

26 DE JULHO - SÃO JOAQUIM E SANTA ANA

Sagrada Família com São Joaquim e Santa Ana (Nicolás Juarez, 1699)

De acordo com a Tradição Católica e documentos apócrifos antigos, os pais de Maria foram São Joaquim e Santa Ana. Ana, em hebraico Hannah, significa 'Graça' e Joaquim equivale a 'Javé prepara ou fortalece'. Ambos os nomes indicam, portanto, a  missão divina de realização das promessas messiânicas, com o nascimento da Mãe do Salvador. Segundo a mesma Tradição, os pais de Maria teriam nascido na Galileia, transferindo-se depois para jerusalém, onde Maria nasceu e onde ambos morreram e foram enterrados.

O culto aos pais de Maria Santíssima é antiquíssimo na Igreja Oriental (como revelados nos escritos de São Gregório de Nissa e Santo Epifânio, em hinos gregos e em homilias dos Santos Padres). Os túmulos de São Joaquim e Santa Ana em Jerusalém foram honrados até o final do Século IX, numa igreja construída no local onde viveram. No Ocidente, o culto de Santa Ana é muito mais recente, com sua festa litúrgica tendo início na Idade Média, sendo formalizada no Missal Romano apenas em 1584, no tempo de Gregório XIII. A devoção a São Joaquim foi ainda mais tardia no Ocidente.

Como pais de Nossa Senhora, São Joaquim e Santa Ana são nossos avós espirituais e o calendário litúrgico instituiu a festa conjunta destes dois santos em 26 de julho, que ficou também conhecida como 'dia dos avós'. Eles são também os santos protetores da Ordem dos Carmelos Descalços (fundada no Século XVI por Santa Teresa de Ávila). No dia dos avós, o blog presenteia os nossos irmãos mais velhos com estas duas orações.

Oração a Santa Ana

Santa Ana, mãe da Santíssima Virgem, pela intercessão da Vossa Filha e do Meu Salvador, dai-me obter a graça que Vos peço, o perdão dos meus pecados, a força para cumprir fielmente os meus deveres de cristão e a perseverança eterna no amor de Jesus e de Maria. Amém.

Oração a São Joaquim

Senhor! Pela intercessão de São Joaquim, pai da Santíssima Virgem, velai pelos Vossos filhos idosos, especialmente... (nomes) que, tendo cumprido na Terra uma vida longa, possa(m) merecer de Vós a Vida Eterna no Céu. Senhor, dai-lhes o conforto de uma idade avançada, saúde do corpo e da alma, a sabedoria de envelhecer e um coração inquieto enquanto não repousar em Vós. Amém.  

quinta-feira, 25 de julho de 2019

OS DOIS PRINCÍPIOS DA VIDA EM INTIMIDADE COM DEUS

PRIMEIRO PRINCÍPIO

A vida de intimidade, sendo uma aspiração de nossa alma, já é uma antecipação da vida do céu. Em geral, a vida de intimidade é uma das aspirações mais urgentes de nossa natureza. Ensina a psicologia que o homem traz em si quatro inclinações sociais. Estas inclinações são as seguintes: a sociabilidade, ou o amor aos outros homens em geral; as afeições familiares, que não são mais que o amor aos nossos pais; as afeições patrióticas ou o amor aos nossos concidadãos e, finalmente, as afeições eletivas, particulares, como a amizade, o amor (Compayé: Psicologia aplicada à educação).

Não temos que analisar cada inclinação em particular; todas elas são uma aspiração à intimidade. Nós amamos os homens, amamos os nossos concidadãos, amamos os nossos pais, mas todos estes amores ainda são muito vagos; a alma, porém, aspira a uma vida mais íntima, que se esforça por realizar, seja pela amizade, seja pelo amor propriamente dito. O amor quer intimidade. Ele a quer, aqui na terra ou lá no céu. O amor terreno só pode ser parcial, imperfeito; contudo, ele pode atingir o cume, a plena realização de suas aspirações.

O amor do céu, não encontrando aqui na terra nada que o satisfaça, dá-se a Deus, entrega-se ao Bem supremo, desejando uma intimidade perfeita, intimidade ideal, sem nuvens, para realizá-la pouco a pouco, pela lembrança, pelo coração e pelo espírito. Se a vida de intimidade é uma necessidade para toda alma racional, a vida de união a Deus é uma aspiração de toda alma sinceramente cristã.

É esta necessidade que colocava nos lábios do imortal gênio de Hiponna, Santo Agostinho, estas palavras tão amorosas e tão cheias de saudade divina: 'Vós nos fizestes para Vós, meu Deus, e nosso coração está inquieto, enquanto não descansar em Vós'. Já aqui na terra Deus se dá a nós. Ele se dá, mas não se deixa ver ainda. Esta doação do tempo é envolvida em trevas e combatida por mil imperfeições. Ora, o que nos é necessário é um conhecimento que sacie o nosso espírito, repouse o nosso coração e dê à nossa alma o seu verdadeiro alimento - o próprio Deus: 'nós havemos de vê-lO, não mais através de um espelho, como aqui na terra, mas face à face, tal qual Ele é' (Jo 3, 2).

Desejamos pois o céu, porque ele é posse de Deus, é a intimidade com Deus, intimidade perfeita, sem sombras. Aspiramos por ele, porque somos feitos à imagem de Deus. E, trazendo em nós esta imagem divina, desfigurada pelo pecado, nós aspiramos contemplar-lhe o arquétipo, em toda a sua beleza, em toda a sua pureza e em toda a sua glória. Deste modo a vida de intimidade se torna uma das aspirações mais irresistíveis e mais atraentes de nosso ser. É uma necessidade de nosso coração, feito para amar e, que não encontrando na terra nenhum amor capaz de saciá-lo, eleva mais alto o seu ideal, procurando-o na beatitude eterna.

Esta aspiração é reconhecida, não somente pelas almas piedosas, mas também por todos os psicólogos, que a unem às inclinações ideais. Com efeito, estas inclinações ideais ou superiores referem-se a quatro objetivos: a ideia do verdadeiro, a ideia do belo, a ideia do bem e a ideia de Deus. Esta ideia de Deus, que geralmente chamamos o sentimento religioso, resume as três primeiras aspirações, abrange-as todas e lhes comunica todo o seu valor.

Nada mais verdadeiro, mais belo e mais nobre do que Deus. Eis porque o sentimento religioso exerce sobre o homem uma influência muito mais extensa e mais forte que qualquer uma das três primeiras aspirações. E é este sentimento, elevado a um grau intenso, que faz os santos, os verdadeiros heróis, pois todos eles souberam vencer o mundo e a vencer a si próprios. 

Ora, o sentimento religioso é essencialmente uma aspiração à vida de intimidade com Deus. O santo sente que por si mesmo nada pode: por conseguinte, apoia-se sobre Deus, a fim de alcançar tudo e todo poder por Aquele que o fortifica: omniapossum in eo qui me confortat [tudo posso naquele que me fortalece], dizia o grande Apóstolo.

Só no céu esta aspiração será plenamente satisfeita, porque lá somente é que poderemos possuí-lo, sem receio de nunca mais perdê-lo. Lá viveremos com Ele, viveremos dEle, seremos verdadeiramente de sua família: - será isto à verdadeira vida de intimidade que se chamará então 'visão beatifica'! Mas, até que a morte venha desligar os laços que nos prendem à terra, até que nos desembaracemos de tudo o que em nós existe de corruptível, já aqui na terra podemos fazer um esboço e de certo modo ir colocando os fundamentos de nossa intimidade já enunciado.

SEGUNDO PRINCÍPIO

Sendo a glória o aperfeiçoamento da graça, quanto mais estreita tiver sido nossa intimidade sobre a terra, tanto mais, com as devidas proporções, ela será intensa no céu. No céu todas as almas possuirão a Deus, todas vê-lo-ão, todas banhar-se-ão neste oceano de amor e de eterna felicidade, mas não todas elas em igual medida, nem em iguais profundidades: 'há muitas moradas na casa de Meu Pai', disse Nosso Senhor.

Na verdade compreende-se que a visão de Deus, a glória e a felicidade de uma seráfica Teresa de Jesus, de um apóstolo como São Francisco Xavier, de um amante da Cruz como São Pedro de Alcântara, de um pobre voluntário como São Francisco de Assis, de um apaixonado pela Santíssima Virgem como os santos Bernardos, Ligórios, Eudes, beatos de Montfort... compreende-se, digo, que a glória, seja superior a de um pecador convertido na última hora.

No céu, entre as moradas de um e de outro, deve haver uma distância incalculável. Aquele, cujo coração já era na terra qual chama ardente e brilhante, cuja ambição era amar e fazer amar a Deus, receberá uma coroa mais bela, ocupará um trono mais cintilante, gozará de uma visão divina mais intensa e mais clara, do que aquele que viveu em uma espécie de apatia, não dando a Deus senão os estritos deveres, quase sem fazer obras de maior superação.

É assim que, desde agora, nós podemos e devemos por os fundamentos de nossa vida de intimidade no céu. Podemos até, com o socorro da graça, fazê-la atingir uma intensidade tal que seja verdadeiramente uma antecipação da vida celestial. 'Prometendo um céu para a eternidade', diz muito bem São João Crisóstomo, 'Deus já nos deseja um céu sobre a terra'. E qual é este céu?

É a vida de intimidade, como ela existia antes do pecado entre Deus e nossos primeiros pais. 'O prazer (a vontade) de Deus', diz uma santa alma (Mère M. de Salles Chappuis) 'é fazer conosco o que Ele queria fazer antigamente antes do pecado'. 'A intimidade da terra conduz verdadeiramente à intimidade do céu' (F. Maucourant - Vida de intimidade com o bom Salvador).

E, além disso, 'a felicidade do céu não é outra coisa que uma grande familiaridade com Deus, elevada a um grau que ultrapassa toda a compreensão humana' (R.P. Coulé)  e, em outras palavras, como diz Santo Tomás, 'toda graça é um gérmen do que existirá na glória' e, consequentemente, segundo observa Santo Afonso de Ligório, 'a caridade nos bem-aventurados revestirá a forma que o amor tinha durante a vida terrena'.

Ao entrar no céu, o cristão não muda o coração; conserva-o somente concluído e aperfeiçoado. Lá Jesus se nós dá, como Ele o havia entrevisto e desejado aqui na terra: 'o que começardes aqui na terra', diz Bossuet, 'continuá-lo-eis na eternidade'. É o que o Espírito Santo nos faz compreender por estas conhecidas palavras: 'Cada um será premiado conforme tiver trabalhado' (Is 53, 2).

(Excertos da obra 'Princípios da vida de intimidade com Maria Santíssima, segundo os Santos, os Doutores e os Teólogos', pelo Pe. Júlio Maria)

quarta-feira, 24 de julho de 2019

GUIA ILUSTRADO DOS EVANGELHOS (JEROME VIDAL)

Nova publicação de página na Biblioteca Digital do blog: Guia Ilustrado dos Evangelhos, de autoria de Jerome Vidal. Jerome Nadal (1507-1580), espanhol de Maiorca, foi um dos dez primeiros membros da Sociedade de Jesus e atuou, em várias missões, como representante direto do fundador da ordem, Santo Inácio de Loyola (1491-1556). O próprio santo solicitou a Nadal compilar um guia ilustrado para meditação orante sobre as cenas e os eventos dos Evangelhos, numa mesma concepção dos seus Exercícios Espirituais. 

A obra, que ficou inacabada, comportou 153 ilustrações, publicadas originalmente em 1593, em um um volume intitulado Evangelicae Historiae Imagines - Ilustrações das Histórias do Evangelho, organizado então em ordem cronológica da vida e do ministério de Jesus. Em 1595, foram novamente publicados em um volume maior, com textos mais extensos e rearranjados de acordo com a ordem das leituras do calendário litúrgico prescrito pelo Missal Romano à época, com o título de Adnotations and Meditationes in Evangelia  - Notas e Meditações sobre os Evangelhos (o título completo desta obra é Adnotations and Meditationes in Evangelia quae in sacrosancto Missae sacrificio toto anno leguntur; cum Evangeliorum concordantia historiae integritati sufficienti).

                                                  (edição de 1593)                          (edição de 1595)

A página apresenta as 153 ilustrações de Nadal, publicadas na obra de 1595 e com a sequência original de 1593, ou seja, de acordo com a ordem cronológica da vida e do ministério de Jesus. 

PALAVRAS DE SALVAÇÃO


Aos sacerdotes:

Queres que te ensine a caminhar de virtude em virtude e como seres mais atento ao ofício, ficando assim teu louvor mais aceito de Deus? Escuta o que digo. Se ao menos uma fagulha do amor divino já se acendeu em ti, não a mostres logo, não a exponhas ao vento! Mantém encoberta a lâmpada, para não se esfriar e perder o calor; isto é, foge, tanto quanto possível, das distrações; fica recolhido junto de Deus, evita as conversas vãs... 

Entendei, irmãos, nada mais necessário aos eclesiásticos do que a oração mental que precede, acompanha e segue todos os nossos atos: 'salmodiarei e entenderei' (Sl 100,1), diz o Profeta. Se administras os sacramentos, ó irmão, medita no que fazes; se celebras a missa, medita no que ofereces; se salmodias no coro, medita a quem e no que falas; se diriges as almas, medita no sangue que as lavou e, assim, tudo o que é vosso se faça na caridade (1Cor 16,14). Deste modo, as dificuldades que encontramos todos os dias, inúmeras e necessárias (para isto estamos aqui), serão vencidas com facilidade. Teremos, assim, a força de gerar Cristo em nós e nos outros.

(São Carlos Borromeu)

JURAMENTO PAPAL

Juramento feito por todos os papas no ato de sua coroação:


'Ego promitto nihil de traditione quod a probatissimis praedecessoribus meis servatum reperi, diminuere vel mutare, aut aliquam novitatem admittere; sed ferventer, ut vere eorum discipulus sequipeda, totia viribis meis conatibusque tradita conservare ac venerari.

Si qua vero emerserint contra disciplinam canonicam, emendare; sacrosque Canones et Constituta Pontificum nostrorum ut divina et coelestia mandata, custodire, utpote tibi redditurum me sciens de omnibus, quae profiteor, districtam in divino judicio rationem, cuius locum divina dignatione perago, et vicem intercessionibus tuis adjutus impleo. Si praeter haec aliquid agere praesumsero, vel ut praesumatur, permisero, eris mihi, in illa terribili die divini judicii, depropitius (...)

Unde et districti anathematis interdictionis subjicimus, si quis unquam, seus nos, sive est alius, qui novum aliquid praesumat contra huiusmodi evangelicam traditionem, et orthodoxae fidei Christianaeque religionis integritatem, vel quidquam contrarium annintendo immutare, sive subtrahere de integritate fidei nostrae tentaverit, vel auso sacrilego hoc praesumentibus consentire'.


*************

'Eu prometo não diminuir ou mudar nada daquilo que encontrei conservado pelos meus probatíssimos antecessores e de não admitir qualquer novidade, mas de conservar e de venerar com fervor, como Vosso verdadeiro discípulo e sucessor, com todas as minhas forças e com todo empenho, tudo aquilo que me foi transmitido.

De emendar tudo quanto esteja em contradição com a disciplina canônica e de guardar os sagrados Cânons e as Constituições Apostólicas dos nossos Pontífices, os quais são mandamentos divinos e celestes, consciente de que deverei prestar contas diante do juízo divino de tudo aquilo que eu professo, por ocupar o Vosso lugar por divina designação e o exercer como Vosso Vigário, assistido pela Vossa intercessão. Se pretendesse agir diversamente ou de permitir que outros o façam, Vós não me sereis propício naquele tremendo dia do divino juízo... 

Portanto, nós submetemos ao rigoroso interdito do anátema, se porventura qualquer um, nós mesmos ou um outro tiver a presunção de introduzir qualquer novidade em oposição à Tradição Evangélica ou à integridade da Fé e da Religião, tentando mudar qualquer coisa concernente à integridade da nossa Fé ou consentindo, a quem quer que seja, que pretendesse fazê-lo com ardil sacrílego'.

(Juramento estabelecido pelo papa Santo Agatão, ano 678, em Liber Diurnus Romanorum Pontificum, p. 54)

terça-feira, 23 de julho de 2019

SUMA TEOLÓGICA EM FORMA DE CATECISMO (XXXIV)

L

DA SOBRIEDADE — VÍCIO OPOSTO: A EMBRIAGUEZ

Existe, além da abstinência, alguma outra virtude que ajude o homem a evitar tão desastrosos resultados?
Sim, Senhor; a virtude da sobriedade (CXLIX)*.

Que entendeis por sobriedade?
Uma virtude cujo fim é moderar o uso das bebidas alcoólicas (CXLIX, 1, 2).

Como se peca contra ela?
Excedendo-se no uso desta classe de bebidas até chegar ao estado de embriaguez (CL).

Que entendeis por estado de embriaguez?
O estado físico no qual, por abusar da bebida, se chega a perder o uso da razão (CL, 1).

Constitui sempre pecado?
Quando provém, como consequência de não se tomarem precauções, nem reparar nos resultados que podia trazer o excesso da bebida, sim, Senhor (CL, 2).

Quando será pecado mortal?
Quando, previsto o resultado, se prefere o estado de embriaguez ao de privar-se do prazer da bebida (CL, 2).

É a embriaguez um vício repugnante e embrutecedor?
Sim, Senhor; porque priva o homem do uso da razão e o rebaixa a um nível inferior ao dos animais que sempre conservam expedito o instinto para se governarem. (CL 3).

LI

DA CASTIDADE E VIRGINDADE — VÍCIO OPOSTO: A LUXÚRIA

Além da abstinência e sobriedade, qual é a outra grande virtude de que forma por si só uma das espécies da temperança?
A virtude da Castidade (CLI).

Que entendeis por virtude da castidade?
A que faz o homem senhor de todos os movimentos do apetite sensitivo em matéria venérea (CLI, 1).

Em que virtude se compendiam e resumem todas as perfeições da castidade?
Na Virgindade (CLII).

Que entendeis por virgindade?
O propósito firme, confirmado com voto, de renunciar para sempre aos prazeres do matrimônio (CLII, 1-3).

Que vício se opõe à castidade?
O vício da luxúria (CLIII).

Em que consiste?
Em procurar, por obras, desejos ou pensamentos consentidos, os prazeres dos atos destinados à propagação da espécie, prescindindo do que exige a honestidade ou impõe a natureza (CLIII, 1-3).

Tem a luxúria várias espécies?
Sim, Senhor; tantas quantas as maneiras de cair nela (CLIV).

Quais são?
A simples fornicação, contrária ao fim do matrimônio, que é a criação e educação dos filhos; os pecados contra a natureza, os mais graves nesta matéria, opostos ao fim primário do matrimônio, isto é, à procriação; o incesto, adultério, estupro e rapto, que consistem: o primeiro, em abusar dos parentes próximos; o segundo, de pessoas casadas; o terceiro, dos que vivem sob a tutela de seus pais ou encarregados e tutores e o quarto, em enganar ou violentar a qualquer pessoa com fins libidinosos (CLIV, 1-12).

O vício da luxúria, base e trama de todos os enumerados, é pecado capital?
Sim, Senhor; por ser o que, com maior força e veemência, fustiga os homens (CLIII, 4).

Quais são as filhas da luxúria?
A cegueira do espírito, a precipitação, a inconsideração, a inconstância, o amor de si mesmo, o ódio a Deus, o apego a esta vida e o horror à futura (CLIII, 5).

Têm estes vícios alguma qualidade ou traço comum?
Sim, Senhor; concordam na propensão para sobrepor a carne ao espírito, como para aniquilá-lo; e a sua torpeza, como a de sua mãe, a luxúria, consiste em degradar o homem, reduzindo-o à condição dos brutos (CLIII, 5).

LII

DAS VIRTUDES ANEXAS À TEMPERANÇA: A CONTINÊNCIA  VÍCIO OPOSTO: A INCONTINÊNCIA

Além das virtudes que constituem espécies da temperança, não há outras que se relacionam com ela na qualidade de agregadas?
Sim, Senhor; aquelas cujos atos são análogos aos da temperança, ainda que elas sejam diferentes, não só por terem objetos mais dóceis e fáceis, mas também porque os seus atos não se lhe igualam em perfeição (CLV).

Quais são?
A continência, a clemência, a mansidão e a modéstia (CLV-CLXX).

Que entendeis por continência?
A virtude, ainda que como tal imperfeita, de resistir às cadeias e encantos das paixões, com os olhos postos no dever (CLV, 1).

Por que dizeis que como virtude é imperfeita?
Porque a virtude perfeita avassala e domina as paixões e a continência delimita-lhes a ação (Ibid).

Opõe-se-lhe algum vício?
Sim, senhor; a incontinência (CLVI).

Em que consiste?
Em ceder à paixão e deixar-se por ela dominar e arrastar (CLVI, 1).

Qual é o pecado mais grave, o da intemperança ou o da incontinência?
O da intemperança, porque assim como a temperança é virtude mais perfeita do que a continência, o vício oposto a ela é mais grave pecado (CLVI, 3).

referências aos artigos da obra original

('A Suma Teológica de São Tomás de Aquino em Forma de Catecismo', de R.P. Tomás Pègues, tradução de um sacerdote secular)