quinta-feira, 23 de março de 2017

CAMPANHAS DA FRATERNIDADE NO BRASIL (II)

SEGUNDA FASE: 1973 - 1984

A partir de 1973, os temas centrais da Campanha da Fraternidade passam a ser concentrados em questões e problemas sociais em detrimento dos temas de renovação do cristão e da Igreja, muito em função da opção pelos pobres e condenação expressa do chamado pecado social, premissas fortemente consagradas pelas Conferências Episcopais de Medellin (1968) e de Puebla (1979) e pela implantação da Teologia da Libertação na América Latina (1971). 

Em 1978, a Campanha da Fraternidade consolida a sua formatação atual com base na implantação do método 'ver-julgar -agir' e na proposição de um texto-base para a campanha. O método consiste basicamente em ver e identificar previamente os problemas sociais que afligem mais diretamente o povo brasileiro; o segundo passo consiste em julgar e correlacionar estes fatos à luz dos textos das Sagradas Escrituras, permitindo, desta forma que, numa última fase do processo, as pessoas possam agir e atuar de uma maneira diferente, como povo cristão renovado, diante destas realidades difíceis do mundo. Nesta perspectiva, é elaborado um texto-base que passa a subsidiar todas as ações e iniciativas no âmbito da respectiva Campanha da Fraternidade.


10. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1973


Tema: Fraternidade e Libertação

Lema: O egoísmo escraviza, o amor liberta

Objetivo Geral: À luz do Mistério Pascal e no espírito penitencial da Quaresma, a CF quer ser um movimento de evangelização extraordinária e maciça, um privilegiado momento de unidade pastoral em todos os recantos do País.



11. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1974


Tema: Reconstruir a Vida

Lema: Onde está teu irmão?

Objetivo Geral: A vida é o dom que mais fortemente ambicionamos e mais desesperadamente defendemos, a partir do próprio instinto de sobrevivência. A vida é o dom que mais devemos respeitar e promover em nossos irmãos.



12. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1975


Tema: Fraternidade é repartir

Lema: Repartir o Pão

Objetivo Geral: Trata-se de uma fraternidade afetiva e efetiva, que terá inúmeras formas de expressão, mas que deverá levar a atitudes concretas e sinceras. Fraternidade é repartir.



13. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1976


Tema: Fraternidade e Comunidade

Lema: Caminhar juntos

Objetivo Geral: Insistir na ideia de comunidade, dizendo sempre de novo e de muitas maneiras que só seremos irmãos se nos convertermos em comunidades vivas. O ser humano precisa da comunidade, tende para a comunidade, personaliza-se na comunidade.



14. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1977



Tema: Fraternidade na Família

Lema: Comece em sua casa

Objetivo Geral: A Campanha visou, por todos os meios, promover os valores da família e curar suas feridas. De maneira especial, foi posta em relevo a influência que tem a família sobre a verdadeira fraternidade entre os homens.




15. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1978


Tema: Fraternidade no mundo do trabalho

Lema: Trabalho e Justiça para Todos

Objetivo Geral: o tema discutiu uma atitude de justiça com os outros, uma corajosa contribuição para a promoção do trabalhador e um esforço para reanimar a pastoral do mundo do trabalho.

16. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1979


Tema: Por um mundo mais humano

Lema: Preserve o que é de todos

Objetivo Geral: Basicamente a ecologia conclama todos a uma nova mentalidade; trata-se de superar o egoísmo, a ganância de possuir mais a qualquer preço; trata-se de ser escrupulosamente preocupado em preservar e conservar o ar, a água, a flora e a fauna, que são elementos necessários ao próximo.


17. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1980


Tema: Fraternidade no mundo das migrações, exigência da Eucaristia

Lema: Para onde vais?

Objetivo Geral: a intensificação da mobilidade humana em geral e mais particularmente das migrações internas, a existência de imigrantes e mesmo a emigração de brasileiros propõem à Igreja, como primeira atitude, uma mudança de mentalidade.


18. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1981


Tema: Saúde e Fraternidade


Lema: Saúde para todos


Objetivo Geral: Todo empenho na melhoria das condições de saúde do povo, que se pode traduzir em múltiplas e generosas ações pessoais e comunitárias de pequeno ou grande alcance.




19. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1982



Tema: Educação e fraternidade


Lema: A verdade vos libertará


Objetivo Geral: Criar condições para a prática de uma educação libertadora, a serviço da construção de uma sociedade fraterna.






20. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1983



Tema: Fraternidade e violência


Lema: Fraternidade Sim;Violência Não


Objetivo Geral: Mostrar como a fraternidade está necessariamente ligada à vitória sobre a violência. A CF 83 pretende levar a comunidade cristã a refletir sobre a seguinte questão: 'o que se pode e se deve fazer diante da atual escalada da violência nas suas diversas formas?'



21. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1984


Tema: Fraternidade e vida

Lema: Para que todos tenham vida

Objetivo Geral: quer ser um sinal de esperança para as comunidades cristãs e para todo o povo brasileiro, a fim de que, dentro de um panorama de sombras e de atentados à vida, sintam a luz de Cristo, que vence o egoísmo, o pecado e a própria morte.

quarta-feira, 22 de março de 2017

AS TRÊS VIAS DA SANTIFICAÇÃO

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza. Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração,jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.

Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: 'sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado' (Sl 50,19). Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.

(Dos Sermões de São Pedro Crisólogo)

terça-feira, 21 de março de 2017

21 DE MARÇO - SÃO NICOLAU DE FLÜE



Nicolau de Flüe, conhecido também com Bruder Klaus (Irmão Klaus), nasceu em Sachseln, na Suíça, em 1417. Desde muito cedo, manifestou claramente uma vida de oração e mortificação. Em obediência aos pais, casou-se com Dorotéia Wyss e tiveram dez filhos, sendo cinco homens e cinco mulheres. No âmbito da vida matrimonial, continuou a desenvolver, com redobrado fervor, a sua prática religiosa e de oração cotidiana intensa, agora junto a uma numerosa família.

Em torno dos 50 anos, tomou a decisão que iria percorrer até a morte na via da santificação pessoal pelo ascetismo. Com o consentimento da esposa (mas não de todos os seus familiares) abandonou todo e qualquer afeto humano para viver em absoluto isolamento do mundo, dedicando-se exclusivamente a uma vida de oração e contemplação. Vivendo inicialmente numa pequena cabana e, mais tarde, numa ermida de pedra construída especialmente para ele, com acesso diário ao Santo Sacrifício, o santo foi personagem de um milagre impressionante: passou os últimos 20 anos de sua vida sem se prover de água ou de alimentos, mas vivendo somente da Sagrada Eucaristia!

Neste período, praticou intensamente a catequese espiritual a seus concidadãos, manifestando, em várias ocasiões, o dom da profecia. Em certa ocasião, atuou, de forma decisiva, para evitar conflitos associados a uma potencial divisão do território suíço, pelo que é celebrado também como padroeiro da Suíça. Após a sua morte, o culto pessoal estendeu-se não apenas na Suíça, mas também na Alemanha, França e Países Baixos. São Nicolau de Flüe faleceu no dia 21 de março de 1487, data do seu nascimento, aos setenta anos de idade. Foi canonizado por Pio XII em maio de 1947.

São Nicolau de Flüe, rogai por nós!

segunda-feira, 20 de março de 2017

ORAÇÃO: ATTENDE DOMINE



Attende Domine

Attende Domine, et miserere, quia peccavimus tibi.

1. Ad te Rex summe, omnium redemptor, oculos nostros sublevamus flentes: exaudi, Christe, supplicantum preces.
Attende Domine, et miserere, quia peccavimus tibi.

2. Dextera Patris, lapis angularis, via salutis, ianua caelestis, ablue nostri maculas delicti. 
Attende Domine, et miserere, quia peccavimus tibi.

3. Rogamus, Deus, tuam maiestatem: auribus sacris gemitus exaudi: crimina nostra placidus indulge. 
Attende Domine, et miserere, quia peccavimus tibi.

4. Tibi fatemur crimina admissa: contrito corde pandimus occulta: tua Redemptor, pietas ignoscat. 
Attende Domine, et miserere, quia peccavimus tibi.

5. Innocens captus, nec repugnans ductus, testibus falsis pro impiis damnatus: quos redemisti, tu conserva, Christe. 
Attende Domine, et miserere, quia peccavimus tibi.

Ouvi Senhor

Ouvi, Senhor, e tende piedade, porque pecamos contra Vós.

1. A Vós, ó Rei Soberano, Redentor do Universo, erguemos os nossos olhos em pranto: ouvi, ó Cristo, as nossa preces e súplicas.
Ouvi, Senhor, e tende piedade, porque pecamos contra Vós.

2. Mão direita do Pai, pedra angular, caminho da salvação, porta do Céu, lavai as manchas dos nossos pecados. 
Ouvi, Senhor, e tende piedade, porque pecamos contra Vós.

3. Imploramos à Vossa majestade, ó Deus: com ouvidos atentos escutai os nossos gemidos; por Vossa bondade, perdoai os nossos crimes.
Ouvi, Senhor, e tende piedade, porque pecamos contra Vós.

4. A Vós confessamos as faltas cometidas; de coração contrito manifestamos os pecados ocultos; para que, por Vossa piedade, sejam perdoados, ó Redentor. 
Ouvi, Senhor, e tende piedade, porque pecamos contra Vós.

5. Intimado como inocente e levado sem resistência, condenado pelos ímpios sob testemunho falso, conserva para Vós aqueles que redimistes, ó Cristo.
Ouvi, Senhor, e tende piedade, porque pecamos contra Vós.

PALAVRAS DE SALVAÇÃO

Desde que cometeste um pecado, por que recusas confessá-lo, alma cristã? 'Eu me envergonho', dizes. 'Ouve, desgraçada', exclama Santo Agostinho, 'pensas unicamente na vergonha e não pensas na condenação eterna que te espera se te não confessares'. Envergonhas-te, dizes. Mas por quê? 'Que loucura', continua o santo, 'não te envergonhas de ferir mortalmente a tua alma e envergonhas-te de deixá-la examinar para que seja curada? Se o médico não vê a ferida e não conhece bem o mal, não poderá curá-lo'.

Um discípulo de Sócrates entrou uma vez na casa de uma mulher de má vida. Querendo sair, avistou o mestre, que por aí passava, e tornou a entrar depressa, para não ser visto. Sócrates, porém, havia-o visto e, aproximando-se da casa, disse: 'Meu filho, é uma vergonha entrar nesta casa, não, porém, sair dela'. É também o que te digo: 'Meu filho, é uma vergonha cometer o pecado; não, porém libertar-se dele pela confissão'.

Escuta o que diz o Espírito Santo: 'Há uma vergonha que traz consigo o pecado e há uma vergonha que consigo traz a glória e a graça' (Ecli 4, 25). Devemos fugir da vergonha que nos leva ao pecado e nos torna inimigos de Deus; não, porém, da que, ligada à confissão dos pecados, nos granjeia a graça de Deus e a glória do céu.

(Santo Afonso Maria de Ligório)

domingo, 19 de março de 2017

A FONTE DA ÁGUA VIVA

Páginas do Evangelho - Terceiro Domingo da Quaresma


O Evangelho deste domingo nos apresenta um Jesus fatigado, cansado de uma longa viagem, prostrado pelo calor sufocante do meio dia, estrangeiro de uma árida região da Samaria. Em sua humanidade, Jesus tem sede, muita sede. Em sua divindade, Jesus tem sede de levar o evangelho e a salvação a todos os seus filhos, em todos os lugares. Jesus não se curva ao deleite das sombras e nem à saciedade imediata da água fresca tão perto: sentado sozinho à beira do poço de Jacó, Jesus espera pela resposta humana ao seu convite de conversão à ovelha desgarrada: 'Dá-me de beber' (Jo 4, 7). 

Eis o chamado da graça manifestado pelo Filho de Deus Vivo a uma humilde mulher samaritana daquelas longínquas paragens. Tal como as águas que encheram as talhas de Caná para serem convertidas em vinho, a graça de Deus depende da nossa aceitação, da nossa contrapartida, da nossa 'água' espiritual. Jesus quer a salvação daquela mulher samaritana, como quer a tua alma e a minha na eternidade com Ele. Este chamamento é para todos: a sede de Jesus é plena, é verdadeira, é absoluta, quando almeja a água que jorra intermitente do coração humano.

E Deus saciado faz jorrar nas almas humildes e generosas ao seu chamamento cascatas da água viva que nos leva às moradas eternas: 'Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna' (Jo 4, 13). Eis aí a mensagem do Evangelho deste domingo: Jesus é a fonte da água viva que sacia eternamente a alma sedenta de Deus.

A mulher samaritana pôde compartilhar a graça e a glória de Deus naquele dia ensolarado à beira do poço de Jacó. Certamente vacilou, certamente mostrou desconfiança, mas acreditou. Ao aceitar, encontrou perdão e misericórdia; ao oferecer a água do poço, recebeu a água viva, não mais como a jorrante da pedra em Massa e Meriba (Ex 17, 6 - 7), mas aquela derramada do próprio Coração de Deus. É este empenho no chamado da graça que Jesus está sempre esperando de nós à beira dos poços de Jacó ao longo dos caminhos e atalhos de nossas vidas.

19 DE MARÇO - SÃO JOSÉ


São José, esposo puríssimo de Maria Santíssima e pai adotivo de Jesus Cristo, era de origem nobre e sua genealogia remonta a Davi e de Davi aos Patriarcas do Antigo Testa­mento. Pouquíssimo sabemos da vida de José, além de suas atividades de carpinteiro em Nazaré. Mesmo o seu local de nascimento é ignorado: poderia ser Nazaré ou mesmo Belém, por ter sido a cidade de Davi. Ignora-se igualmente a data e as condições da morte de São José, mas existem fortes razões para afirmar que isso deve ter ocorrido an­tes da vida pública de Jesus. Com certeza, José já teria falecido quando da morte de Jesus, uma vez que não se explicaria, então, a recomendação feita aos cuidados mútuos à mãe e ao filho, dados, da cruz,  por Jesus a Maria e a São João Evangelista.

Não existem quaisquer relíquias de São José e se desconhece o local do seu sepultamento. Muitos pais da Igreja defendiam que, devido à sua missão e santidade, São José, a exemplo de São João Batista, teria sido consagrado antes do nasci­mento e já gozava de corpo e alma da glória de Deus no céu, em com­panhia de Jesus e sua santíssima Esposa. As virtudes e as graças concedidas a São José foram extraordinárias, pela enorme missão a ele confiada pelo Altíssimo. A dig­nidade, humildade, modéstia e pobreza, a amizade íntima com Je­sus e Maria e o papel proeminente no plano da Redenção, são atributos e méritos extraordinários que lhe garantem a influência e o poder junto ao tro­no de Deus. Pedir, portanto, a intercessão de São José, é garantia de ser ouvido no mais alto dos céus. Santa Tereza, ardorosa devota de São José, dizia: 'Não me lembro de ter-me dirigido a São José sem que tivesse obtido tudo que pedira'.

A devoção a São José na Igreja Ca­tólica é antiquíssima. A Igreja do Oriente celebra-lhe a festa, desde o século nono, no domingo depois do Natal. Foram os carmelitas que in­troduziram esta solenidade na Igreja Ocidental; os franciscanos, já em 1399, festejavam a comemoração do Santo Pa­triarca. Xisto IV inseriu-a no bre­viário e no missal; Gregório XV ge­neralizou-a em toda a Igreja. Cle­mente XI compôs o ofício, com os hinos, para a celebração da Festa de São José em 19 de março e colocou as missões na China sob a proteção do Santo. Pio IX introdu­ziu, em 1847, a festa do Patrocínio de São José e, em 1871, declarou-o Pa­droeiro da Igreja; muitos pontífices promoveram solenemente a devoção a São José, por meio de orações, homilias, encíclicas e devoções diversas.

sábado, 18 de março de 2017

FÁTIMA EM FATOS E FOTOS (IV)

16. Como se deu a segunda aparição do Anjo da Paz?

A segunda aparição do Anjo ocorreu poucas semanas depois da primeira, num dia muito quente do verão de 1916. Nestes dias de muito calor, as crianças deixavam o rebanho pastar na Cova da Iria e retornavam às suas casas, para só buscá-lo de volta à tardinha. Neste dia em particular, sob o sol a pino, por volta do meio dia, as crianças foram brincar nos fundos da casa dos pais de Lúcia. Este local, cercado de árvores e com muita sombra e onde existia um poço raso que era utilizado para acumular as águas das chuvas (chamado Poço do Arneiro), era muito utilizado pelas crianças para brincar e descansar do calor.

De repente, o Anjo estava com eles e lhes disse:

'Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios'.

Tolhida pela aparição repentina, Lúcia respondeu ao Anjo: 'Como nos havemos de sacrificar?'

O Anjo lhe respondeu:

'De tudo o que puderdes, oferecei a Deus sacrifício, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar'.

E, dizendo isso, desapareceu.

(Poço do Arneiro)

(monumento local em memória da segunda Aparição do Anjo)

17. Quais foram as impressões das crianças diante esta segunda aparição do Anjo?

A mesma atmosfera sobrenatural envolveu os pastorzinhos depois da aparição e, como da primeira vez, Francisco, embora tenda visto perfeitamente o Anjo, nada ouvira do que ele havia dito, no seu diálogo com Lúcia. Questionando insistentemente sobre isso, o menino queria que Lúcia explicasse em detalhes o significado de palavras como 'Altíssimo', 'desígnios de misericórdia', 'súplica' e, muito particularmente, sobre 'fazer sacrifícios'. Uma vez adquirida a percepção dos ensinamentos do Anjo, ele, bem como as duas meninas, adotaram, a partir de então, uma contínua e perseverante prática de renúncia a pequenos prazeres e constantes atos de mortificação pela conversão dos pecadores. E, entre uns e outros, passaram a repetir exaustivamente a oração ensinada pelo Anjo em sua primeira aparição.

18. Qual é a natureza do Anjo de Portugal?

A autodenominação da aparição angélica como 'Anjo de Portugal' revela a natureza de um Anjo da Guarda associado a um país, sendo esta a única manifestação histórica de sua existência na história dos homens. E o Anjo de Portugal tem uma referência histórica bem conhecida e documentada. Com efeito, por um pedido especial do rei Dom Manuel e dos bispos portugueses, o Papa Leão X instituiu, em 1504, a festa do 'Anjo Custódio do Reino', cujo culto já era antigo pelos portucalenses, assumido como sendo o Arcanjo São Miguel. Desde então, a celebração tornou-se tradicional em Portugal, permeando os séculos XVI, XVII e XVIII e decaindo fortemente ao longo do século XIX. Existem inúmeras evidências que atestam esta generalizada devoção ao Anjo de Portugal ao longo de séculos, sendo especialmente notáveis as imagens existentes no mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, no convento de Cristo em Tomar, a pintura da Misericórdia em Évora e a iluminura do chamado 'Livro de Horas de Dom Manuel'. Na época do Papa Pio XII, a festa do Anjo de Portugal foi restaurada em todo o país, passando a ser comemorada conjuntamente com o Dia de Portugal, no dia 10 de junho. 

(imagens do Anjo de Portugal)

Nesta data, os portugueses pedem a intercessão do Anjo de Portugal sobre a sua pátria com invocações como estas:

Vinde, Anjo de Portugal, livrar a Pátria e os portugueses de todo o mal.

* * *
Vinde, Anjo de Portugal, afastar da Pátria a vós confiada os males espirituais assim como tudo o que puder perturbar a paz dos portugueses.

* * *
Deus eterno e onipotente, que destinaste a cada nação o seu Anjo da Guarda, concedei que, pela intercessão e patrocínio do Anjo de Portugal, sejamos livres de todos os adversários. Por nosso Senhor. 

19. Como se deu a terceira aparição do Anjo de Portugal?

No fim do verão ou princípio do outono (meados de setembro a início de outubro) de 1916, ocorreu a terceira aparição do Anjo às crianças, novamente no lugar chamado 'Loca do Cabeço'. As crianças tinham deixado o rebanho pastar (e já não retornavam à casa como na época do verão) e decidido irem até para rezar. Logo que chegaram, prostrados de joelhos e rostos em terra, começaram a rezar repetidas vezes a oração do Anjo: 'Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e Vos amo...' quando viram uma luz resplandecente e, em seguida, o Anjo suspenso no ar.

Desta vez, trazia na mão esquerda um cálice e, sobre ele, segurava com a mão direita uma hóstia, da qual caíam algumas gotas de sangue dentro do cálice. Deixando, então, o cálice e a hóstia suspensos no ar, o Anjo prostrou-se em terra e rezou:

'Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos de seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores'.


Repetiu três vezes esta oração com as crianças. Em seguida, levantou-se e tomando novamente o cálice e a hóstia nas mãos, lhes disse:

'Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus'.


O Anjo deu, então, a hóstia à Lúcia e ofereceu o cálice para Jacinta e Francisco beber. Prostrou-se em terra, mais uma vez, e rezou novamente, mais três vezes, a oração à Santíssima Trindade, no que foi acompanhado pelas crianças. Como Francisco não ouvia o que o Anjo dizia, acompanhava a oração após ouvir as repetições feitas por Lúcia e Jacinta. Ao final, o Anjo desapareceu em meio à mesma luz resplandecente da sua aparição.

20. Quais são as mensagens explícitas a todos os homens na terceira aparição do Anjo?

O Anjo oferece ao Pai o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presentes no Santíssimo Sacramento, em expiação e reparação dos pecados dos homens, uma vez isso só é possível e agradável a Deus por meio dos méritos infinitos de Nosso Senhor. E, depois, vai suplicar pela conversão dos pecadores invocando as graças dos Corações Imaculados de Jesus e de Maria.

E exorta às crianças e a todos nós, como Filhos de Deus, a praticar insistentemente orações de súplica, desagravo e reparação, por Cristo, com Cristo e em Cristo, aos pecados cometidos contra Nosso Senhor Jesus Cristo presente no Santíssimo Sacramento. Estes pecados que demandam atos incessantes de reparação e desagravo pelas nossas orações podem ser de três naturezas:

- os ultrajes cometidos pelas nossa falta de zelo, desatenção e impiedade à sacrossanta dignidade de Nosso Senhor Eucarístico;

- os sacrilégios demandados pelas comunhões indignas, pela profanação das sagradas espécies, pelas aberrações do rito litúrgico, pela imodéstia dos trajes e do comportamento durante a procissão eucarística;

- os pecados da indiferença no recebimento do Senhor na Eucaristia com desmazelo, frieza e negligência, sem quaisquer anelos de contrição, penitência, agradecimento, louvor e adoração.

As mensagens do Anjo de Portugal são cristalinas e endereçadas, de forma explícita e contundente, aos homens de todos as ápocas mas, principalmente, aos homens perseverantes na fé destes tristes tempos em que vivemos!

sexta-feira, 17 de março de 2017

DO LIVRO DAS CINTILAÇÕES (VII)

Do Livro das Cintilações*- VII/Final

LXIV - A amizade e a inimizade

213. Disse Jesus, filho de Sirach: Volta-te para teus amigos e afasta-te de teus inimigos. Um amigo fiel é uma poderosa proteção; quem o encontra, encontra um tesouro. Nada se pode comparar a um amigo fiel (Eclo 6,13-15).

214. Disse Jesus, filho de Sirach: Quando tudo corre bem, não se conhece quem é amigo de verdade; em tempos de desgraça, manifesta-se quem é inimigo (Eclo 12,8).

215. Disse Jerônimo: Nos amigos não se buscam os bens, mas o querer (Ep. 68, 1; PL 22, 651).

216. Disse Jerônimo: Não há distância que separe aqueles que estão unidos pelo amor (Epist. 71, 7, 2; PL 22, 672).

217. Disse Isidoro: O amigo é verdadeiramente amado somente se é amado, não por ele mesmo, mas por Deus. Quem não sabe amar verdadeiramente ama para seu próprio proveito e não por Deus (Sent., III, 28, 53; PL 83, 702).

218. Disse Isidoro: Há alguns que quando atingem altas posições, desdenham ter por amigos aqueles que, antes, tinham por íntimos (Sent., III, 29, 6; PL 83, 703).

LXV - Os conselhos

219. Disse Jesus, filho de Sirach: Que sejam muitas as pessoas com quem tenhas boas relações; conselho, porém, toma de uma em mil (Eclo 6,6).

220. Disse Jesus, filho de Sirach: Não faças nada sem conselho e não te arrependerás (Eclo 32,24).

221. Disse Jesus, filho de Sirach: Não dês conselho aos que te invejam (Eclo 37,7).

222. Disse Basílio: Em toda ação que pretendes realizar, antes considera atentamente diante de Deus se ela está de acordo com Deus. Se estiver, realiza-a; se não, arranca-a do teu espírito (Adm. ad fil. 12; PL 103, 694)

LXVI - Os mortos

223. Disse João Apóstolo: Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor (Apoc 14,13).

224. Disse Isidoro: O amor leva-nos a chorar pelos fiéis defuntos; a fé, porém, leva a não nos afligirmos por eles (Sent., III, 62, 12; PL 83, 738)

LXVII - O auxílio de Deus

225. Disse Paulo Apóstolo: Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Rom 8,31).

226. Disse Paulo Apóstolo: a escolha não depende do homem que quer ou do homem que corre, mas da misericórdia de Deus (Rom 9,16).

227. Disse Jerônimo: Feliz aquele para quem a esperança é Deus e toda ação, oração.

LXVIII - Os velhos e os jovens

228. Disse o Senhor no Evangelho: Deixai vir a mim os pequeninos, pois deles é o reino dos céus (Mt 19,14).

229. Disse Salomão: A alegria dos jovens, sua força; a dignidade dos velhos, suas cãs (Prov 16,31).

LXIX - As desavenças

230. Disse Gregório: Todos os hereges, querendo agradar a Deus, ofendem-nO (Moral., 11, 1, 1; PL 75, 953).

231. Disse Isidoro: Por nenhuma razão entres em discussão, pois as discussões conduzem ao litígio. As discussões geram as rixas. A discussão deflagra o ódio e dissolve a concórdia (Syn., II, 39; PL 83, 854).

LXX - A vida alheia

232. Disse Agostinho: Ah, quão irrepreensíveis seríamos se cuidássemos de evitar nossos próprios vícios com o mesmo empenho com que bisbilhotamos os dos outros! Mas porque esquecemos dos nossos é que nos ocupamos dos defeitos alheios.

233. Disse Jerônimo: Guarda-te de cometer o mesmo erro que te propões corrigir.

234. Disse Jerônimo: Ao investirem contra os erros alheios, manifestam os seus próprios.

235. Disse Gregório: Menos devemos nos atrever a censurar o que os outros têm no coração quanto mais conscientes estamos de que nosso olhar é incapaz de penetrar na intimidade dos pensamentos alheios (Moral. I, 9,; PL 75, 533).

LXXI - A mansidão e a temeridade

236. Disse o Senhor no Evangelho: Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração (Mt 11,29).

237. Disse Agostinho: Há alguns que, sendo inferiores por sua iniquidade, ainda se julgam superiores a todos os homens (En. in Ps. 124, 1; PL 37, 1648).

LXXII - Os juízes e os governantes

238. Disse o Senhor no Evangelho: Não julgueis e não sereis julgados. Pois, segundo o julgamento que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, sereis medidos (Mt 7,1-2).

239. Disse Jerônimo: Não nos alegremos com os elogios dos homens; não temamos as críticas dos homens.

240. Disse Jerônimo: Se queremos agradar a Deus, não temamos as ameaças dos homens.

LXXIII - A simplicidade

241. Disse o Senhor no Evangelho: Sede prudentes como serpentes e simples como pombas (Mt 10,16).93.

242. Disse Jerônimo: Que o homem rústico e simples não se julgue santo porque nada sabe; e que o homem culto e instruído não pense que a santidade consiste na erudição (Ep., 52, 9, 3; PL 22, 579).

243. Disse Jerônimo: A estrutura espiritual é a articulação de fé firme no coração, elmo da salvação na cabeça, sinal de Cristo na fronte, palavra de verdade na boca, vontade boa no espírito, amor de Deus no peito, vestimenta de pureza nas paixões, retidão no agir, sobriedade no convívio, constância na bondade, humildade no sucesso, paciência na tribulação, esperança na oração, amor à vida eterna, perseverança até o fim.

LXXIV - Os médicos

244. Disse o Senhor no Evangelho: Não os sãos, mas os doentes é que têm necessidade de médico (Lc 5,31).

245. Disse Jesus, filho de Sirach: Honra o médico, porque ele é necessário: o Altíssimo o criou. De Deus é que vem todo remédio (Eclo 38,1-2).

246. Disse Cipriano: É necessário abrir a ferida, cortá-la, expelir o pus e aplicar-lhe remédio forte. O doente, que mal suporta a dor, grita e vocifera; mas, depois, ao recobrar a saúde, agradecerá (De lapsis, 14; PL 4, 447-448).

LXXV - A ligação com Deus

247. Disse o Senhor no Evangelho: Tudo o que ligardes na terra será ligado nos céus (Mt 16,19).

248. Disse Gregório: Aqueles a quem Deus onipotente visita pela graça do arrependimento, Ele os absolve pela sentença do pastor (Hom. Ev., 26, 6; PL 76, 1200).

LXXVI - O exemplo

249. Disse Isidoro: Se temos disposição para imitar os iníquos no mal, por que a displicência para imitar os justos no bem? (Sent., II, 7; PL 83, 612).

LXXVII - Os discípulos

250. Disse Jerônimo: Guarda-te de ser mestre antes de ser discípulo; de ser soldado antes de ser recruta (Ep. 125, 8, 2; Hilberg III, 127, 10).

251. Disse Jerônimo: O homem de estudos e sábio, mesmo quando quer aprender algo, ensina pelo modo sábio com que interroga (Ep. 53, 3, 7; PL 22, 543).

252. Disse Jerônimo: Há alguns, com extrema propensão a falar, que têm o atrevimento de explicar o que eles mesmos não entenderam (Ep. 7, 1; Hilberg I, 453).

253. Disse Cipriano: Aprimora o seu ensino aquele que cada dia cresce e se aprofunda na arte de aprender o melhor (Ep. 74, 10; PL 3, 1135).

254. Disse Cipriano: O ensino é o guardião da esperança; reservatório da fé; traça o caminho da salvação; exprime e realiza uma personalidade sólida; é mestre de virtude; faz permanecer sempre em Cristo, viver para Deus e atingir as promessas celestes e as divinas recompensas (De hab. virg., I; PL 4, 440-441).

LXXVIII - A tentação e o martírio

255. Disse Jerônimo: Não é só o derramamento de sangue que tem o valor de testemunho de fé, mas a perfeição do servir com amor é também um cotidiano martírio (Ep. 108, 31, 1; PL 22, 905).

256. Disse Isidoro: O diabo é uma serpente escorregadia; se não se lhe ataca a cabeça (isto é, já à primeira insinuação), ele se infiltra inteiramente, sem que reparemos o mal no íntimo do coração (Sent., III, 5, 14; PL 83, 663).

LXXIX - As palavras ociosas

257. Disse o Senhor no Evangelho: Eu vos digo: por toda palavra ociosa proferida pelos homens dar-se-á conta no dia do juízo. Cada um será justificado ou condenado por suas palavras (Mt 12,36-37).

258. Disse Gregório: Palavra ociosa é aquela que carece da retidão que a tornaria útil ou de uma razão de justa necessidade (Hom. Ev., 6, 6; PL 76, 1098).

LXXX - A brevidade da vida presente

259. Disse Salomão: Há tempo para nascer e tempo para morrer (Ecl 3,2).

260. Disse Jerônimo: Breve é a felicidade desta vida; pobre, a glória deste mundo; caduco e frágil, o poder temporal. Diz-me: onde estão os reis; onde os príncipes, os imperadores, os ricos, os poderosos deste mundo? Sim, como uma sombra, passaram; como um sonho, desvaneceram-se; pode-se procurá-los, mas já não existem. As riquezas conduzem ao perigo, muitos ruíram por sua opulência; para muitos, as riquezas causaram a morte.

261. Disse Isidoro: O tecido desfaz-se fio a fio; a vida do homem consome-se dia a dia (Sent., III, 61, 3; PL 83, 736).

LXXXI - As leituras

262. Disse o Senhor no Evangelho: Quem lê, entenda (Mt 24,25).

263. Disse o Senhor no Evangelho: A quem muito foi dado, muito ser-lhe-á pedido (Lc 12,48).

264. Disse Isidoro: Quem quer sempre estar com Deus deve frequentemente orar e frequentemente ler. Pois, quando oramos, somos nós que falamos com Deus; quando lemos é Deus quem nos fala. Todo progresso espiritual procede da leitura e da meditação. O que ignoramos, aprendemos na leitura; o que aprendemos, conservamo-lo pela meditação (Sent., III, 8, 2; PL 83, 679)

265. Disse Isidoro: Ninguém pode conhecer o sentido das Sagradas Escrituras senão pela sua leitura frequente (Sent., III, 9, 1; PL 83, 680).

* (Liber Scintillarum, escrito por volta do ano 700, constitui uma coletânea de máximas e sentenças compiladas das Sagradas Escrituras ou proclamadas pelos Pais da Igreja, organizadas por um monge - que se autodenomina 'Defensor' - do Mosteiro de São Martinho de Ligugé; tradução de Jean Lauand)