quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O ROSÁRIO DE HIROSHIMA

Em uma segunda-feira, 6 de agosto de 1945, às 2:45 h, o bombardeiro B-29 'Enola Gay' decolou da ilha de Tinian para lançar a primeira bomba atômica sobre o Japão. Às 08h15min, a bomba explodiu sobre a cidade de Hiroshima, capital da província de mesmo nome, dividida em ilhas pelos seis canais formados pelo rio Otagawa. A explosão matou instantaneamente cerca de 80 mil pessoas. Ao final do ano, os ferimentos causados pela mesma e os efeitos da radiação ceifaram entre 90 e 140 mil vítimas. Aproximadamente 69% das construções da cidade foram completamente destruídas e cerca de 7% foi severamente danificada.


A oito quarteirões do local do impacto (pouco mais de 1km), existia uma estrutura composta pela Igreja da Assunção de Nossa Senhora e a casa paroquial que abrigava oito sacerdotes alemães. A igreja foi devastada mas a casa permaneceu de pé, incólume à destruição completa de todos os arredores. Nas palavras do Pe. Schiffer, um dos oito sacerdotes sobreviventes:

'Eu tinha acabado de rezar a missa e me sentara à mesa do café. De repente, houve um flash brilhante de luz e me veio à mente a ideia de uma grande explosão no porto. Em seguida, uma terrível explosão encheu o ar como um trovão estourando e uma força invisível me levantou da cadeira, me jogou no ar, me apertou, me golpeou, me virou, me empurrou como uma folha em uma rajada. de vento de outono. Quando dei por mim e abri os olhos, estava deitado no chão e, olhando em volta, não via nada em qualquer direção; nem a estação ferroviária e todos os edifícios, em todas as direções, estavam arrasados à altura do chão. O único dano físico perceptível era a sensação de alguns estilhaços de vidro na parte de trás do pescoço'. Todos os sacerdotes sobreviveram (incluindo o Fr. Arupe que seria mais tarde, o superior geral da Ordem Jesuíta). O corpo do Pe. Schiffer, assim como os de todos os demais sacerdotes que viveram essa experiência tremenda, nunca foram afetados, ao longo de suas vidas, por bolhas, feridas ou quaisquer outras sequelas devido aos efeitos das doses brutais de radiação recebidas naquele dia.


Sob o ponto de vista natural, esse fato é assombroso e totalmente inexplicável e possível. Com efeito, a explosão de uma bomba atômica a uma altitude presumida entre 600 m e 1000 m para gerar o maior dano possível pela bola de fogo resultante, gera um efeito varredura de devastação completa que se estende a vários quilômetros da projeção do ponto de impacto (chamado epicentro). A casa paroquial estava pouco mais de 1km do epicentro da explosão que induziu, nesse local, temperaturas da ordem de 1100 C e pressões maiores que 100 psi (ou 70.000 kg/m2)! Sob pressões muito menores, o crânio humano seria literalmente esmagado e os pulmões seriam queimados sob temperaturas muito mais baixas que estas. Tais condições de temperatura e pressão seriam extremamente impactantes mesmo para estruturas de concreto reforçadas e, portanto,seriam inadmissíveis para a sobrevivência humana.

Não existem leis físicas que explicam estes fatos extraordinários: um único edifício em pé no meio da devastação completa no domínio imediato do epicentro de um explosão nuclear. Do ponto de vista científico, não há nenhuma lógica na manutenção do prédio, na sobrevivência dos sacerdotes, na incólume condição deste grupo de homens no meio de uma população morta, mutilada, queimada horrivelmente, destruída fisicamente pela explosão ou pelos efeitos futuros da radioatividade mortal. 


O que aconteceu em Hiroshima foi algo muito além da dimensão humana. O céu falou no meio daquele inferno pelo Rosário. O Pe. Schiffer foi categórico ao justificar a sua sobrevivência e a de todos os demais sacerdotes à sua devoção à Santíssima Virgem e à reza diária do Rosário que se professava, então, naquela casa paroquial (interessante lembrar que também um convento franciscano, em que se rezava também o terço diariamente, escapou ileso do bombardeio de Nagasaki). Rezar o Rosário é devoção que torna possível a Deus fazer à humanidade pecadora o que seria impossível sequer ser concebido aos homens.