terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

DICIONÁRIO DA DOUTRINA CATÓLICA (XXI/Final)


UNIÃO HIPOSTÁTICA

É a união misteriosa da natureza divina e da natureza humana, na Pessoa do Verbo divino com as duas naturezas distintas, conservando cada uma os atributos que lhe são próprios.

VASO DE ABLUÇÕES

É  um pequenino vaso, de vidro ou de prata com água, que deve estar junto do sacrário para o sacerdote purificar os dedos, antes e depois da comunhão aos fiéis. Com esse vaso deve haver um manustérgio para enxugar os dedos. Deve estar coberto e a água deve ser renovada com alguma frequência.

VASOS SAGRADOS

São aqueles que, consagrados pelo bispo, só podem servir para os atos do culto divino.

VERBO DIVINO

É o Filho de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, como o ensina o Evangelho: 'No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1,1)... O Verbo fez-se homem e habitou entre nós e nós vimos a sua glória, glória como Filho unigênito do Pai' (Jo 1, 14). O Verbo feito homem é Jesus Cristo.

VÉSPERAS

É o nome da quinta Hora do Ofício divino, que corresponde às seis horas da tarde, segundo o modo de contar dos antigos.

VESTES LITÚRGICAS

São aquelas que, benzidas pelo bispo ou pelo sacerdote, só podem ser usadas nos atos do culto divino.

VIA SACRA

É uma devoção que tem por objeto a contemplação dos sofrimentos, crucificação e morte de Jesus Cristo. Costuma ser instituída nas igrejas e capelas em que é permitido rezar a missa. Só pode ser instituída por sacerdote que tenha recebido essa faculdade da Santa Sé ou do Geral dos Franciscanos e a faculdade está sujeita a uma autorização do bispo do lugar, dada por escrito para cada instituição. É essencial que haja 14 cruzes de madeira benzidas no lugar em que se faz a instituição, antes ou depois de estarem afixadas na parede; devem estar afixadas a alguma distância umas das outras. As cruzes podem ser afixadas na parede por qualquer pessoa, antes ou depois da bênção. Não é necessário colocar quadros ou pinturas relativas à Paixão e Morte de Jesus. Se todas as cruzes, ou ao menos metade delas, tiverem sido tiradas e substituídas, é preciso fazer uma nova instituição canônica; caso contrário, não. Faz-se a Via Sacra visitando-se as 14 cruzes (estações), uma após outra, sem grande interrupção, e meditando em cada estação, ainda que por pouco tempo, sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. São estas as condições necessárias para poder lucrar as indulgências que se ganhariam visitando pessoalmente as Estações da Via Sacra em Jerusalém, sendo todas as indulgências aplicáveis às almas do Purgatório. Na Via Sacra, feita em oratórios ou capelas domésticas, somente podem lucrar as indulgências os seus proprietários, os seus parentes e seus criados, que morarem na casa. Os doentes e as pessoas que se encontram numa real impossibilidade, mesmo moral, de ir à Igreja fazer a Via Sacra, podem lucrar as mesmas indulgências, com a condição de terem na mão um crucifixo (não uma cruz somente), benzido expressamente para esse efeito por quem para isso tenha faculdade, e de recitarem com piedade e contrição 20 vezes o Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai; 4 vezes para recordar as 14 Estações, 5 em honra das cinco chagas de Jesus Cristo e a última pelo Sumo Pontífice. Quando muitas pessoas, legitimamente impedidas de visitar as estações, recitam em comum vinte vezes - Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai - basta que uma só delas tenha em mãos um crucifixo devidamente benzido.

VIÁTICO

É a comunhão aos enfermos em perigo de morte. Em perigo de morte, seja qual for a causa, os fiéis são obrigados a receber a Sagrada Comunhão e não é necessário que o perigo seja certo; basta que seja provável. O Viático pode e deve ser dado às crianças perigosamente enfermas, que tenham chegado ao uso da razão. Para isso basta que saibam distinguir do alimento comum o Corpo de Cristo e adorá-lo com reverência. Ainda que o fiel tenha recebido a comunhão por devoção no mesmo dia, dando-se o perigo de morte, deve ser muito exortado a que comungue outra vez por Viático e, perdurando o mesmo perigo, é lícito e convém recebê-lo mais vezes, em dias distintos, segundo o prudente conselho do confessor.

VÍCIO

É a tendência habitual para o mal. Os vícios podem ser tantos como o número dos deveres, porque a falta do cumprimento do dever é um mal. Um ato mau isolado é uma falta; a repetição habitual desse ato constitui o vício, que é coisa detestável e difícil de curar.

VIDA ETERNA

É a felicidade do homem, é a sua aspiração suprema. Só a pode realizar depois da vida terrena, vendo Deus, amando-o e o possuindo eternamente. Para consegui-la, é necessário crer e praticar o que Jesus Cristo ensinou: 'Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna' (Jo 5, 21); 'Se queres entrar na vida eterna guarda os mandamentos' (Mt 19, 17). 

VIDA RELIGIOSA

É um gênero de vida fundada sobre o Evangelho e aprovada pela Igreja, que tem por fim procurar a perfeição da vida cristã, pela prática dos três votos — pobreza, obediência, castidade — segundo regras determinadas. Os três votos de religião são os meios mais próprios para conseguir a perfeição, porque se opõem diretamente aos três grandes obstáculos da santidade. Pelo voto de pobreza, afasta-se a cobiça das riquezas; pelo voto de obediência, afasta-se o amor desordenado da vontade própria; pelo voto de castidade, afasta-se o amor dos prazeres sensuais.

VIDA SOBRENATURAL

É a vida do cristão habitualmente na graça de Deus, procedendo sempre de harmonia com as virtudes teologais — fé, esperança e caridade — e com as virtudes morais — prudência, justiça, fortaleza e temperança.

VIGÍLIAS

Chamam-se assim as vésperas das grandes festas da Igreja — Natal, Páscoa, Pentecostes, Assunção e Festa de Todos os Santos. A Igreja prescreve o jejum e a abstinência nesses dias, com o fim de os fiéis se prepararem, pela mortificação dos sentidos, para a celebração mais piedosa e mais espiritual, dessas grandes solenidades.

VISÃO BEATÍFICA

É a clara e intuitiva, mas não compreensível visão de Deus face a face.

VISITA AD SACRA LIMINA

É a visita que o bispo de cada diocese tem obrigação de fazer periodicamente ao papa, com o fim de informá-lo do estado da sua diocese, no que diz respeito à disciplina eclesiástica, à vida religiosa do povo cristão e às relações da Igreja com o Estado. Por este meio o papa assegura a unidade da Igreja na diversidade dos povos.

VOTO

É uma promessa deliberada e livre, feita a Deus, de um bem possível e melhor. Nem todas as promessas que fazemos a Deus têm a natureza de voto. Se não temos intenção de nos obrigar a fazer o que prometemos, emitimos apenas um propósito de fazer alguma coisa em honra de Deus, mas não foi um voto o que fizemos. Há várias espécies de voto: (i) público ou privado, conforme é ou não é aceite em nome da Igreja pelo legítimo superior eclesiástico; (ii) solene ou simples, conforme é considerado pela Igreja; (iii) reservado, quando só a Sé Apostólica o pode dispensar; (iv) pessoal, quando o que se promete é uma ação do postulante (jejum por exemplo); (v) real, quando se promete alguma coisa (uma esmola, por exemplo); (vi) misto, quando o que se promete é ao mesmo tempo uma coisa e uma ação do postulante; (vii) temporário, perpétuo o, condicional. O voto deve ser cumprido como se promete e sem demora: 'Quando fizeres voto ao Senhor, não demores em cumpri-lo, porque o Senhor, teu Deus, o exigirá, e, se tardares, a demora te será imputada como pecado' (Dt 23, 21). Se o voto é condicional, só obriga depois de satisfeita a condição; se é pessoal, só obriga aquele que o fez; se é real e não foi cumprido em vida pelo postulante, a obrigação passa para os seus herdeiros, não obrigando mais do que a herança permite. Por vários motivos a obrigação do voto pode cessar. Entre os motivos, está a dispensa dada em nome de Deus pela autoridade eclesiástica. O papa pode dispensar de todos os votos. O bispo pode dispensar dos votos não reservados ao papa, que são: o voto privado de perfeita e perpétua castidade e o voto de entrar em ordem religiosa de votos solenes, quando feito de modo absoluto e depois de 18 anos de idade. O voto solene de castidade constitui impedimento dirimente do Matrimônio. Os votos simples de castidade, mesmo em Congregação Religiosa onde se fazem somente 
votos simples, o de virgindade e o de receber Ordens Sacras, são impedimentos impedientes do Matrimônio.

VULGATA

Chama se Vulgata à tradução latina da Bíblia, na sua maior parte obra de São Jerônimo, declarada autêntica pelo Concílio de Trento. Na composição da Vulgata, entraram elementos de três origens diferentes. Alguns oriundos de antigas versões latinas, que não foram revistas por São Jerônimo, são os chamados elementos deuterocanônicos do Antigo Testamento, com exceção dos livros de Tobias e Judite. Outros faziam parte de versões anteriormente revistas pelo Santo Doutor; tais são os livros do Novo Testamento e o Saltério chamado galicano. E, finalmente, também fazem parte da Vulgata versões feitas por São Jerônimo diretamente sobre o texto original (hebreu e caldeu); são deste grupo os livros protocanônicos do Antigo Testamento exceto o Saltério, os livros de Tobias e Judite e as partes deuterocanônicas de Daniel e de Ester.

ZELO

É a chama do amor manifestado exteriormente pela ação. Quem ama a Deus procura em tudo a sua maior glória; quem ama o próximo procura contribuir o melhor que pode para a salvação da sua alma. Nisso consiste o zelo cristão. O verdadeiro zelo é: (i) sobrenatural, procurando em tudo a glória de Deus; (ii) prudente, evitando o ardor do temperamento e as atitudes irrefletidas; (iii) forte e corajoso, capaz de vencer os maiores obstáculos; (iv) paciente, suportando os defeitos do próximo; (v) constante e perseverante, não se deixando dominar pelo desânimo; (vi) desprendido dos interesses próprios, sacrificando-os na medida do possível; (vii) generoso, fazendo apostolado por meio da palavra e do exemplo e auxiliando, com trabalho ou com dinheiro, as várias obras de caridade aprovadas pela Igreja.

(Verbetes da obra 'Dicionário da Doutrina Católica', do Pe. José Lourenço, 1945)