quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

OREMUS (3)

03 DE JANEIRO

Dum tempus habemus (Gl 6, 10)... (enquanto temos tempo)

Se a minha vida é feita de anos, os meus anos se compõem de minutos. Assim como Deus não me dá toda a existência de uma só vez, mas pouco a pouco, assim também não posso santificar a minha vida num momento, mas tenho que viver para Deus todos os meus minutos.

Que eu possa perder a vida num momento — isso me impressiona. Mas que, num momento, eu possa perder a eternidade — isso deveria impressionar-me muito mais. Saber aproveitar o tempo é viver com sabedoria: Non quasi insipientes, sed ut sapientes redimentes tempus, quoniam dies mali sunt (Ef 5,15) [não sejam néscios mas sábios, aproveitando bem o tempo, porque os dias são maus].

Ninguém sabe o bem que faz, quando faz o bem; e nem sabe o mal que faz, quando deixa de fazer o bem. Por isso, em matéria de passar o tempo, eu posso e devo ser um ignorante. Mas devo ser um sábio, tratando-se de aproveitar o tempo. Quando a minha vida chegar ao fim, nada irei desejar mais que uma parcela desse tempo que agora está nas minhas mãos. Antes que chegue o meu último dia, preciso aproveitar os meus dias, para não perder os meus anos: tempora labuntur, et senescimus annis [trecho de 'Os fastos' de Ovídio: tempora labuntur, tacitisque senescimus annis et fugiunt, freno non remorante, diesos tempos se completam e envelhecemos nos anos silenciosos; os dias fogem, não havendo como estancá-los].

(Oremus — Pensamentos para a Meditação de Todos os Dias, do Pe. Isac Lorena, 1963, com complementos de trechos traduzidos do latim pelo autor do blog)