sábado, 22 de setembro de 2018

A SUBLIME VIRTUDE DA CASTIDADE

'Cuidai com esmero da castidade e também das virtudes que a acompanham e a salvaguardam: a modéstia e o pudor. Não olheis com ligeireza as normas, tão eficazes, que nos ajudam a conservarmo-nos dignos do olhar de Deus: a guarda atenta dos sentidos e do coração; a valentia de ser covarde para fugir das tentações; a frequência dos sacramentos, especialmente da confissão sacramental; a sinceridade total na direção espiritual pessoal; a dor, a contrição e a reparação depois das faltas. E tudo isto ungido com uma terna devoção a Nossa Senhora, de modo que ela nos obtenha de Deus o dom de uma vida limpa e santa'.

(São Josemaria Escrivá)


'Santo Ambrósio diz que a pureza nos eleva até ao Céu e nos faz deixar a Terra, enquanto é possível a uma criatura deixá-la. Ela eleva-nos por sobre a criatura corrompida e, pelos seus sentimentos e desejos, faz-nos viver da mesma vida dos anjos. Segundo São João Crisóstomo, a castidade de uma alma é de um preço aos olhos de Deus maior do que a dos anjos, pois os cristãos só podem adquirir esta virtude pelo combate, enquanto que os anjos a têm por natureza. Os anjos não têm nada a combater para conservá-la, enquanto que um cristão é obrigado a fazer uma guerra contínua a si mesmo. São Cipriano acrescenta que a castidade nos torna não apenas semelhantes aos anjos mas dá-nos ainda um caráter de semelhança com o próprio Jesus Cristo. Uma alma casta é uma imagem viva de Deus sobre a terra.
(São João Maria Vianney)


'A juventude não vive para o prazer, vive para o heroísmo. É um fato: a um jovem é necessário heroísmo para resistir às tentações que o envolvem, para acreditar numa doutrina desprezada, para conseguir fazer face aos argumentos, à blasfêmia, aos gracejos dos livros, aos jornais, para resistir à sua família e aos seus amigos, para estar só contra todos, para ser fiel contra todos. Mas 'tende coragem, porque eu venci o mundo'. Não acredites que ficarás diminuído, antes pelo contrário ficarás aumentado.

É através da virtude que se é homem. A castidade tornar-te-á vigoroso, apto, vigilante, penetrante, claro como o toque da trombeta e esplêndido como o sol da manhã. A vida parecer-te-á cheia de encanto e de seriedade, um mundo de sentido e de beleza. À medida que avançares as coisas parecer-te-ão mais fáceis, os obstáculos que julgavas intransponíveis far-te-ão sorrir...

Há uma passagem na tua carta que me faz rir. É aquela em que me dizes que tens medo de encontrar na religião o fim da procura e da luta. Ah, caro amigo, no dia em que receberes Deus, terás contigo o hóspede que te não dará mais momento de repouso. Não vim trazer a paz mas a espada. Será o grande fermento que fará rebentar todos os vasos, será a luta contra as paixões, a luta contra as trevas do espírito, não aquela em que se é vencido, mas a de que se sai vencedor'.
(Paul Claudel, poeta francês)

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

FOTO DA SEMANA

'Aquele que me enviou está comigo; Ele não me deixa sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado' (Jo 8, 29) 

CATECISMO MAIOR DE PIO X (XI)

Guerra aberta contra Jesus 

101. Estes triunfos de Jesus desde o início despertaram a inveja dos escribas e fariseus, dos príncipes e sacerdotes e dos chefes do povo, inveja que se intensificou em extremo quando Ele começou a desmascarar sua hipocrisia e a reprovar seus vícios. Logo passaram a persegui-lo e a desacreditá-lo até acusá-lo de endemoninhado, procurando maneiras de fazê-lo cair em contradição, para desautorizá-lo diante do povo, e acusá-lo ao governador romano. Esta inveja foi sempre crescendo e se agravou ainda mais quando, depois da ressurreição de Lázaro, o número de judeus que creram nEle aumentou enormemente. Então, deliberaram matá-lo, e o pontífice Caifás terminou com estas palavras: 'É necessário que morra um homem pelo povo para que não pereça toda uma nação', confirmando assim, sem saber, uma profecia, porque, na verdade, através da morte de Jesus, o mundo seria salvo. 

Causa de ódio extremo - Traição de Judas 

102. Finalmente, o seu ódio veio à tona quando, perto da Páscoa (era a quarta que celebrava em Jerusalém depois de iniciada sua vida pública), a cidade estava repleta de visitantes de toda a parte para a festa. Jesus, sentado sobre um jumentinho, entrou triunfante e foi aclamado pelo povo que, com palmas e ramos de oliveira, havia saído a seu encontro, enquanto alguns estendiam suas vestes no chão e outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho. 

103. Então os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, reunindo-se em casa do pontífice Caifás concordaram em prender Jesus às escondidas, com medo de que a multidão se revoltasse. A ocasião não se fez por esperar. Judas Iscariotes, possuído pelo demônio da avareza, ofereceu-se para entregar-lhes o divino Mestre pela quantia de trinta moedas de prata.

Última ceia de Jesus Cristo e instituição do sacramento da Eucaristia 

104. Era o dia em que se deveria sacrificar e comer o cordeiro pascal. Chegando a hora marcada, veio Jesus para a casa onde Pedro e João, instruídos por Ele, haviam organizado todo o necessário para a ceia e sentaram-se à mesa. 

105. Nesta última ceia, Jesus deu aos homens a maior prova de seu amor, instituindo o Sacramento da Eucaristia. Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo 

106. Terminada a ceia, nosso divino Redentor deixou a cidade acompanhado de seus Apóstolos, dizendo-lhes pelo caminho as coisas mais ternas e dando-lhes os ensinamentos mais sublimes, foi, segundo seu costume, para o jardim do Getsêmani, onde, pensando em sua paixão próxima, orando e oferecendo seu sacrifício ao Pai Eterno, suou sangue vivo e foi confortado por um Anjo.

107. Veio Judas, o traidor, à frente de um esquadrão de bandidos armados com paus e espadas, e deu um beijo em Jesus, que era o sinal combinado para que fosse reconhecido. Jesus, abandonado pelos Apóstolos, que haviam fugido de medo, viu-se, em seguida, preso e amarrado por aqueles carrascos e, com todo tipo de maus tratos, foi arrastado primeiramente à casa de um príncipe dos sacerdotes chamado Anás, e depois à de Caifás, pontífice que naquela mesma noite reuniu o grande Sinédrio, declarando Jesus réu de morte. 

108. Dissolvido o conselho de juízes, Jesus foi entregue aos carrascos, que durante aquela noite O injuriaram e O ultrajaram com bárbaros tratamentos. Nessa mesma dolorosa noite, Pedro também amargurou o Coração de Jesus negando-O três vezes. Mas tocado pelo olhar de Jesus, caiu em si e chorou seu pecado por toda a vida. 

109. Depois do amanhecer, havendo mais uma vez se reunido o Sinédrio, Jesus foi levado para o governador romano Pôncio Pilatos, a quem o povo pediu, aos gritos, que o condenasse à morte. Pilatos reconheceu a inocência de Jesus e a perfídia dos judeus, e tentou salvá-lo; e devendo dar liberdade a um malfeitor por ocasião da Páscoa, deixou ao povo que escolhesse entre Jesus e Barrabás. O povo escolheu Barrabás. Sabendo, então, Pilatos que era galileu, enviou-o a Herodes Antipas, de quem foi desprezado e tratado como louco, e depois devolvido vestido em uma túnica branca por escárnio. Por fim, Pilatos o fez flagelar pelos algozes, que depois de haver feito dEle todo uma chaga, com insulto atroz cravaram-lhe em sua cabeça uma coroa de espinhos, sobre os seus ombros um pano de cor púrpura, uma cana na mão, e dEle escarneciam saudando-o por rei. Mas não sendo nada disto suficiente para abrandar a fúria de seus inimigos e da multidão amotinada, Pilatos condenou-o a morrer na cruz. 

110. Jesus, então, teve que carregar sobre as costas o duro madeiro da cruz e levá-lo até o Calvário, onde, despido, regado com fel e mirra, cravado na cruz e elevado entre dois ladrões, mergulhado num mar de angústias e dores, depois de três horas de penosíssima agonia, expirou rogando por todos que o crucificavam, que nem por isso cessavam sua crueldade para com Ele. Mesmo morto, traspassaram-lhe cruelmente o coração com uma lança. 

111. Nenhuma mente humana pode conceber, nenhuma língua é capaz de dizer o que Jesus teve que padecer na noite de sua prisão, nos diversos caminhos de um e outro tribunal, na flagelação e na coroação de espinhos, na crucificação, e, sobretudo, em sua prolongada agonia! Somente o amor, que foi a causa, pode despertar uma pálida imagem de tudo isso nos corações agradecidos. Maria Santíssima assistiu com sobre-humana fortaleza a morte de seu Filho, e uniu o martírio de seu coração às dores dEle para a redenção da raça humana. O Pai celestial fez que a divindade de Jesus Cristo resplandecesse em sua morte, como tinha feito em sua vida; estando na cruz o sol escureceu e a terra cobriu-se com espessíssimas trevas, e ao expirar, a terra tremeu com espantoso terremoto, rasgando-se de cima abaixo o véu do templo, e muitos mortos, saídos dos sepulcros, foram vistos em Jerusalém e apareceram a muitos... 

(Do Catecismo Maior de Pio X)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

VIDA DO PADRE PIO EM FATOS E FOTOS (VI)


Em certa ocasião, Padre Pio confidenciou ao Irmão Modestino Fucci, porteiro do convento, que padecia as dores mais terríveis quando tinha que trocar suas camisetas. Quando, em 4 de fevereiro de 1971, a Modestino foi atribuída a tarefa de fazer um inventário de todos os pertences do Padre há pouco falecido, o frade descobriu uma camiseta com uma grande mancha de sangue na região do ombro direito.


Naquela noite, pediu a Padre Pio em oração para esclarecê-lo sobre o significado da camiseta manchada de sangue. Ele acordou então de madrugada sentindo uma dor excruciante no ombro, como se tivesse sido ferido a faca até o osso. Ele sentiu que iria morrer da dor mas esta se esvaiu de repente e ele sentiu a cela cheia de perfume de flores e ouviu uma voz interior dizendo: Cosi ho sofferto io! - 'Era isso que eu sofria!'


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

PALAVRAS DE SALVAÇÃO


Se soubéssemos claramente em que lugar Deus coloca cada um de nós, aceitaríamos tal decisão sem nunca nos colocarmos nem acima nem abaixo desse lugar. Mas, no nosso estado presente, os decretos de Deus estão envoltos em trevas e a sua vontade nos está oculta. Por isso, o mais seguro, de acordo com o conselho da própria Verdade, é escolhermos o último lugar, de onde nos tirarão depois com honra, para nos darem um melhor. Ao passarmos debaixo de uma porta muito baixa, podemos baixar-nos tanto quanto quisermos sem nada temer; mas, se nos levantarmos um dedo que seja acima da altura da porta, bateremos com a cabeça. É por isso que não devemos recear nenhuma humilhação, mas antes temer e reprimir o menor movimento de auto-suficiência.

Não vos compareis, nem com os que são maiores que vós, nem com os vossos inferiores, nem com quaisquer outros, nem sequer com um só. Que sabeis sobre eles? Imaginemos um homem que parece o mais vil e desprezível de todos, cuja vida infame nos horroriza. Pensais que o podeis desprezar, não só por comparação convosco mesmos, que aparentemente viveis em sobriedade, justiça e piedade, mas até por comparação com outros malfeitores, dizendo que ele é o pior de todos. Mas sabeis se ele não será um dia melhor que vós e se o não é já aos olhos do Senhor? Por isso é que Deus não quis que ocupássemos um lugar intermédio, nem o penúltimo, nem sequer um dos últimos, mas disse: 'Toma o último lugar', a fim de ficarmos verdadeiramente sós na última fila. Desse modo não pensareis, já não digo em preferir-vos, mas simplesmente em comparar-vos com quem quer que seja.
(São Bernardo)

terça-feira, 18 de setembro de 2018

SUMA TEOLÓGICA EM FORMA DE CATECISMO (XVII)

SEGUNDA SEÇÃO 

Estudo concreto dos meios que o homem deve empregar para voltar para Deus


DOS ATOS BONS E MAUS EM PARTICULAR - VIRTUDES TEOLOGAIS 

Quais são as mais nobres entre as virtudes e aquelas cujos atos têm maior transcendência? 
As teologais.

Por que? 
Porque, por meio delas, o homem se encaminha para o fim sobrenatural, na medida que pode e deve procurar realizá-lo neste mundo. 

Logo, sem as virtudes teologais, não pode o homem executar atos meritórios de prêmio sobrenatural? Não, Senhor. 

Quais e quantas são elas? 
Três: Fé, Esperança e Caridade. 

II 

DA NATUREZA DA FÉ — FÓRMULA E QUALIDADES DE SEUS ATOS — O CREDO PECADOS OPOSTOS À FÉ: INFIDELIDADE, HERESIA, APOSTASIA E BLASFÊMIA 

Que coisa é a fé? 
Uma virtude sobrenatural, por cujo influxo o entendimento adere irrestritamente e sem temor de errar a Deus, como fim e objeto da eterna bem-aventurança, e às verdades por Ele reveladas, ainda que as não compreenda (I, II, IV)*.

Como pode o entendimento admitir de modo tão absoluto verdades que não compreende? 
Baseando-se na autoridade de Deus que nem pode enganar-se, nem enganar-nos (I, 1). 

Por que Deus não pode enganar-se nem enganar-nos? 
Porque é a verdade por essência (I, 1; IV, 8). 

Como podemos certificar-nos de quais sejam as verdades reveladas por Deus? 
Mediante o testemunho daqueles a quem as revelou ou daqueles a quem confiou o depósito da revelação (I, 6-10). 

A quem as revelou? 
Primeiramente a Adão, no Paraíso; mais tarde, aos Profetas do Antigo Testamento; por último, aos Apóstolos no tempo de Jesus Cristo (I, 7). 

Como o sabemos? 
Pelas asserções bem comprovadas da história a que se referem o fato da revelação sobrenatural e os milagres realizados por Deus, em testemunho de sua autenticidade. 

É o milagre prova concludente da intervenção sobrenatural divina? 
Sim, Senhor; visto que é ato próprio de Deus e nenhuma criatura pode realizá-lo com seus próprios meios. 

Onde se acha escrita a história da revelação e de outras ações sobrenaturais de Deus? 
Na Sagrada Escritura, chamada também a Bíblia. 

Que entendeis por Sagrada Escritura? 
Uma coleção de livros divididos em dois Grupos, chamados Antigo e Novo Testamento. 

São talvez estes livros resumo e síntese de outros livros? 
Não, Senhor; porque os demais livros foram escritos pelos homens, e estes pelo próprio Deus. 

Que quer dizer 'que foram escritos pelo próprio Deus'? 
Que Deus é seu autor principal e que, para escrevê-los, utilizou, à maneira de instrumentos, alguns homens por Ele escolhidos. 

Logo, é divino o conteúdo dos livros sagrados? 
Atendendo ao primeiro autógrafo original dos Escritores Sagrados, sim, Senhor; as cópias o são na medida em que se conformem com o original.  

Logo, a leitura destes livros equivale a ouvir a palavra divina? 
Sim, Senhor. 

Podemos equivocar e torcer o sentido da divina palavra? 
Sim, Senhor; porque, se bem que na Sagrada Escritura há passagens claríssimas, também abundam as difíceis e obscuras. 

Donde provém a dificuldade de entender a palavra divina? 
Em primeiro lugar, dos mistérios que encerra, visto que não raro enuncia verdades superiores ao alcance das inteligências criadas, e que somente Deus pode compreender; provém além disso da dificuldade que existe em interpretar livros antiquíssimos, escritos primeiramente para povos que tinham idioma e costumes muito diferentes dos nossos; finalmente, dos equívocos que tenham podido escapar tanto nas cópias como nos originais, como nas traduções feitas por elas e em suas cópias. 

Há alguém que esteja seguro de não se equivocar ao interpretar o sentido da palavra de Deus consignada na Bíblia Sagrada? 
Sim, Senhor; o Pontífice Romano e com ele a Igreja Católica, no magistério universal (I, 10). 

Por que? 
Porque Deus quis que fossem infalíveis. 

E por que o quis? 
Porque, se o não fossem, careceriam os homens de meios seguros para alcançar o fim sobrenatural para que estão chamados (Ibid). 

Por conseguinte, que entendemos quando se diz que o Papa e a Igreja são infalíveis em matéria de fé e costumes? 
Que quando enunciam e interpretam a palavra divina, não podem enganar-se nem enganarnos no referente ao que estamos obrigados a crer e a praticar para conseguirmos a bem aventurança eterna. 

Existe algum compêndio das verdades essenciais da fé? 
Sim, Senhor; o Credo ou Símbolo dos Apóstolos (1,6). Ei-lo aqui conforme o reza diariamente a Igreja: 'Creio em Deus Pai Todo Poderoso, Criador do Céu e da terra; e em Jesus Cristo seu único Filho, Nosso Senhor, o qual foi concebido do Espírito Santo; nasceu de Maria Virgem; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu aos infernos; ao terceiro dia ressuscitou de entre os mortos; subiu aos céus e está sentado à mão direita de Deus Pai, Todo Poderoso; donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém'. 

É a recitação do Credo ou Símbolo dos Apóstolos o ato de fé por excelência? 
Sim, Senhor; e nunca devemos cessar de recomendar aos fiéis a sua prática diária. 

Podereis indicar-me alguma outra fórmula breve, exata e suficiente para praticar a virtude da fé sobrenatural? 
Sim, Senhor; eis aqui uma, em forma de súplica: 'Deus e Senhor meu; confiado em vossa divina palavra, creio tudo o que haveis revelado para que os homens, conhecendo-Vos, Vos glorifiquem na terra e gozem um dia de vossa presença no céu'. 

Quem pode fazer atos de fé? 
Somente os que possuem a correspondente virtude sobrenatural (IV, V). 

Logo, não podem fazê-los os infiéis? 
Não, Senhor; porque não creem na Revelação, ou seja porque, ignorando-a, não se entregam confiadamente nas mãos de Deus, nem se submetem ao que deles exige ou porque, conhecendo-a, recusam prestar-lhe assentimento (X). 

Podem fazê-los os ímpios? 
Tampouco, porque, se bem que têm por certas as verdades reveladas, fundadas na absoluta veracidade divina, a sua fé não é efeito de acatamento e submissão a Deus, a quem detestam, ainda que com pesar próprio se vejam obrigados a confessá-lo (V, 2 ad 2). 

É possível que haja homens sem fé sobrenatural e que creiam desta forma? 
Sim, Senhor; e nisto imitam a fé dos demônios (V, 2). 

Podem crer os hereges com fé sobrenatural? 
Não, Senhor; porque, embora admitam algumas verdades reveladas, não fundam o assentimento na autoridade divina, senão no próprio juízo (V, 3). 

Logo, os hereges estão mais afastados da verdadeira fé que os ímpios e até dos próprios demônios? Sim, Senhor; porque não se apoiam na autoridade de Deus. 

Podem crer com fé sobrenatural os apóstatas? 
Não, Senhor; porque desprezam o que haviam crido por virtude da palavra divina (XII). 

Podem crer os pecadores com fé sobrenatural? 
Podem, contanto que conservem a fé como virtude sobrenatural; e podem tê-la, se bem que em estado imperfeito, ainda quando, por efeito do pecado mortal, estejam privados da caridade (IV, 1-4). 

Logo, nem todos os pecados mortais destroem a fé? 
Não, Senhor (X, 1, 4). 

Em que consiste o pecado contra a fé chamado infidelidade? 
Em recusar submeter o entendimento, por veneração e amor de Deus, às verdades sobrenaturalmente reveladas (X, 1-3). 

E, sempre que isto sucede, é por culpa do homem? 
Sim, Senhor; porque resiste à graça atual com que Deus o convida e impele a submeter-se (VI, 1, 2). 

Concede Deus esta graça atual a todos os homens? 
Com maior ou menor intensidade e em medida prefixada nos decretos de sua providência, sim, Senhor. 

É grande e muito estimável a mercê que Deus nos faz ao infundir-nos a virtude da fé? 
É em certo modo a maior de todas. 

Por que? 
Porque, sem a fé sobrenatural nada podemos intentar em ordem à nossa salvação, e estamos perpetuamente excluídos da glória, se Deus não se digna a nos concedê-la antes da morte (II, 5-8, IV, 7). 

Logo, quando se tem a dita de possuí-la, que pecado será, frequentar companhias, manter conversações ou dedicar-se a leituras capazes de fazê-la perder? 
Pecado gravíssimo, fazendo-o espontânea e conscientemente, e de qualquer modo ato reprovável, que sempre o é, expor-se a semelhante perigo. 

Logo, importa sobremaneira escolher com acerto as nossas amizades e leituras para encontrar nelas, não obstáculos mas estímulos para arraigar a fé? 
Sim, Senhor; e especialmente nesta época, em que o descontrole de expressão, chamado liberdade de imprensa, oferece tantas ocasiões e meios de perdê-la. 

Existe algum outro pecado contra a fé? 
Sim, Senhor; o pecado da blasfêmia (XIII). 

Por que a blasfêmia é pecado contra a fé? 
Por ser diretamente oposta ao ato exterior da fé que consiste em confessá-la por palavras, e a blasfêmia consiste em proferir palavras injuriosas contra Deus e seus Santos (XIII, 1). 

É sempre pecado grave a blasfêmia? 
Sim, Senhor (XIII, 2-3). 

O costume de proferi-las escusa ou atenua a sua gravidade? 
Em vez de atenuá-la, agrava-a, pois o costume demonstra que se deixou arraigar pelo mal, em lugar de dar-lhe remédio (XIII, 2 ad 3). 

referências aos artigos da obra original

('A Suma Teológica de São Tomás de Aquino em Forma de Catecismo', de R.P. Tomás Pègues, tradução de um sacerdote secular)

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

CRISTO SEM CRUZ


No mundo de hoje, quantos são os católicos de fachada que se multiplicam no meio da Igreja deturpada de seus valores eternos. E isso se deve, em larga medida, à premissa de que seria possível viver e praticar os ensinamentos de Cristo sem a Cruz. Cristo sem Cruz. A catolicidade, esvaída da dor e do sofrimento, transformada em uma religião adocicada de católicos convertidos pelos chamamentos e prazeres estéreis do mundo. 

Cristo sem Cruz permite assumir estandartes e palavras de ordem de quaisquer seitas e doutrinas, ainda que formalmente contrárias aos ditames da autêntica fé cristã. Cristo sem Cruz é joeirar no terreno árido do sentimentalismo e das vicissitudes humanas; é proclamar a turbidez como virtude nas fontes cristalinas da graça;  é fomentar todo tipo de erva e de joio como frutos saudáveis das Santas Vinhas do Senhor. Cristo sem Cruz é viver o heroísmo da fé cristã com a fidelidade e a perseverança de um espantalho.

Sem a Cruz, torna-se fácil ao homem buscar um arremedo de fé nos apelos de um mundo indiferente a Deus, arraigado às frivolidades e comodismos de uma vida vazia. O ecumenismo passa a ser assimilado como causa de tolerância universal. Aceitar as distorções, os abusos, as aberrações, a iniquidade delirante é um atestado de sensibilidade e de sensatez. Mas ai de quem se opõe e se manifesta com veemência contra o domínio do mal: é atacado, ridicularizado, incriminado e perseguido de todas as formas possíveis. Porque a indiferença para com Deus por si só já não basta e é insuficiente, é preciso brandir, cada vez mais e com mais audácia e vigor, a espada do inconformismo contra a ideia de Deus, é preciso blasfemar contra o sagrado, é preciso impor ao mundo inteiro a negação de Deus, a morte de Deus. Enquanto isso tudo não é a realidade de todos, é preciso idolatrar o Cristo sem a Cruz.

Sem a Cruz, o homossexualismo passa a ser tratado com filial condescendência, o aborto é defendido como causa feminista, a eutanásia é uma opção admissível, a promiscuidade torna-se um libelo sexual do livre arbítrio, a iniquidade é aceita impassivelmente nos labirintos do respeito humano como uma personagem a mais nos domínios da graça. Sem a Cruz, basta aos homens serem homens; a ordem moral torna-se um mero pressuposto da razão incendida de questionamentos; a pequenez da alma se defronta com uma certeza: o relativismo do pecado, de todo e qualquer pecado. 

Sem a Cruz, Deus tem dimensões de um grande Anjo da Guarda, que nos indulta sempre de todos os nossos erros e pecados, posto que é infinitamente bom para nos condenar, posto que é infinitamente misericordioso para não nos salvar. Sem a Cruz, a justiça divina não existe, a ira divina não existe, não existe o inferno. A vida ordeira e cotidiana constitui, independentemente das almas ressequidas e duras, uma seara branda, amena e segura nos caminhos da eternidade com Deus. Assim, sempre que nos impacta a presença da morte que porventura se lamenta, vislumbra-se de pronto a certeza tenebrosa de que a alma libertada já pranteia jubilosa as delícias do Céu. Quanta insensatez e loucura!  

Sem a aceitação da dor e do sofrimento, sem as provações das injustiças e das falsas acusações, sem os percalços e dificuldades da vida em família e na sociedade, sem a Cruz de Cristo, não há salvação porque não existe merecimento, não há vida eterna para quem não perdeu a sua vida pelo amor ao Evangelho e porque ninguém - ninguém mesmo - pode entrar nos Céus sem carregar nos ombros a sua própria cruz, tesouro da glória emanado da Cruz de Cristo.

Sob a Cruz de Cristo, são forjadas convicções e não crenças fortuitas. Não há lugar para relativismos e concessões à iniquidade. No bom combate, os soldados de Cristo dão a sua vida em defesa da fé cristã e não se subordinam à covardia das almas tíbias e mornas, das almas insossas e adocicadas de católicos de fachada e de porão! Porque os que creem verdadeiramente vivem na crença confiante e definitiva das palavras do Senhor: 'quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la' (Mc 8, 35). Na Cruz de Cristo, resplandece toda a glória dos Filhos da Luz.
(texto do autor do blog)

domingo, 16 de setembro de 2018

'E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?'

Páginas do Evangelho - Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum


Num dado dia, na 'região da Cesareia de Felipe' (Mc 8, 27), Jesus revelou a seus discípulos a sua própria identidade divina e o legado da Cruz. Neste tesouro das grandes revelações divinas, o apóstolo Pedro será exposto a duas manifestações bastante distintas, fruto das próprias contradições humanas: num primeiro momento, dá um testemunho extraordinário de fé; num segundo momento, entretanto, é incapaz de entender a dimensão salvífica dAquele que acabara de saudar como o Messias Prometido.

Nesta ocasião, as mensagens e as pregações públicas de Jesus estavam consolidadas; os milagres e os poderes sobrenaturais do Senhor eram de conhecimento generalizado no mundo hebraico; multidões acorriam para ver e ouvir o Mestre, dominados pela falsa expectativa de encontrar um personagem mítico e um Messias dominador do mundo. Então, Jesus indaga aos seus discípulos: 'Quem dizem os homens que eu sou?' (Mc 8, 28) e, logo em seguida, 'E vós, quem dizeis que eu sou?' (Mc 8, 29). Se os homens do mundo O tomam por João Batista, por Elias ou por um dos antigos profetas, a resposta de Pedro é um primado de confissão de fé, transcrita pelo mais sintético dos evangelistas:  'Tu és o Messias' (Mc 7, 32). 

Jesus é o Cristo de Deus e o seu reino não é deste mundo. Ante a confissão de Pedro, Jesus revela a sua origem e a sua missão e faz o primeiro anúncio de sua Paixão, Morte e Ressurreição: 'o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias' (Mc 8, 31). E, diante da incompreensão dos apóstolos expressa na repreensão pública de Pedro, dá o testemunho da cruz pela privação do mundo: 'Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la' (Mc 8, 34 - 35).

Sim, Jesus Cristo é o Messias, o Filho de Deus Vivo: Deus feito homem na eternidade de Deus. Mas a missão salvífica de Jesus há de passar não por um triunfo de epopeias mundanas, mas por um tributo de Paixão, Morte e Ressurreição; não pelo manejo da espada ou por eventos feitos de glórias humanas, mas pela humildade, perseverança e um legado de Cruz. Eis aí o legado definitivo de Jesus aos homens de sempre: a Cruz de Cristo é o caminho da salvação e da vida eterna. Tomar esta cruz, não apenas hoje ou em momentos específicos de grandes sofrimentos em nossas vidas, mas sim, todos os dias, a cada passo, em cada caminho, é a certeza de encontrá-lO na glória e da plenitude das bem-aventuranças. A Cruz de Cristo é a Porta do Céu.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

14 DE SETEMBRO - EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


'Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim' (Jo 12, 32)

A festa da Exaltação da Santa Cruz tem origem na descoberta do Sagrado Lenho por Santa Helena, mãe do imperador Constantino, e na dedicação de duas basílicas construídas por ele, uma no Calvário e outra no Santo Sepulcro, dedicação esta realizada no dia 14 de setembro do ano de 335. No ano de 629, a celebração tomou grande vulto com a restituição da Santa Cruz pelo imperador Heráclio, retomada dos persas que a haviam furtado. Levada às costas pelo próprio imperador, de Tiberíades até Jerusalém, a Santa Cruz foi entregue, então, ao Patriarca Zacarias de Jerusalém.


O imperador Constantino e sua mãe, Santa Helena, veneram a Santa Cruz 

Conta-se, então, que o imperador Heráclio, coberto de ornamentos de ouro e pedrarias, não conseguia passar com a cruz pela porta que conduzia até o Calvário; quanto mais se esforçava nesse sentido, mais parecia ficar retido no mesmo lugar. Zacarias, diante desse fato, ponderou ao imperador que a sua ornamentação luxuosa não refletia a humildade de Cristo. Despojado, então, da vestimenta, e com pés descalços, o imperador completou sem dificuldades o trajeto final, encimando no lugar próprio a Cruz no Calvário, de onde tinha sido retirada pelos persas.

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo converteu a Cruz de um objeto de infâmia e repulsa na glória maior da fé cristã. A Festa da Exaltação da Cruz celebra, portanto, o triunfo de Jesus Cristo sobre o mundo e a imprimação do Evangelho no coração de toda a humanidade.

SALVE CRUX SANCTA

Salve, crux sancta, salve mundi gloria,
vera spes nostra, vera ferens gaudia,
signum salutis, salus in periculis,
vitale lignum vitam portans omnium.

Te adorandam, te crucem vivificam,
in te redempti, dulce decus sæculi,
semper laudamus, semper tibi canimus,
per lignum servi, per te, lignum, liberi.

Originale crimen necans in cruce
nos a privatis Christe, munda maculis, 
humanitatem miseratus fragilem 
per crucem sanctam lapsis dona veniam.

Protege salva benedic sanctifica 
populum cunctum crucis per signaculum, 
morbos averte corporis et animae 
hoc contra signum nullum stet periculum.

Sit Deo Patri laus in cruce filii 
sit coequalis laus sancto spiritui, 
civibus summis gaudium et angelis 
honor sit mundo crucis exaltatio. Amen.


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

VIDA DO PADRE PIO EM FATOS E FOTOS (V)

ESTIGMAS

Eu pedi a Jesus para me livrar dos sinais que me causavam tanto sofrimento. E Ele me respondeu: 'Você vai suportá-los por cinquenta anos'






 


terça-feira, 11 de setembro de 2018

JULGAR NÃO É PRATICAR A CARIDADE

Ouvi alguns falarem mal do seu próximo e repreendi-os. Para se defenderem, esses operários do mal replicaram: 'É por caridade e por solicitude que falamos assim!' Mas eu respondi-lhes: Deixai de praticar tal caridade, pois estaríeis a chamar mentiroso ao que diz: 'Afasto de Mim quem denigre em segredo o seu próximo' (Sl 100,5). 

Se amas essa pessoa como afirmas, reza em segredo por ela e não te rias do que faz. É essa maneira de amar que agrada ao Senhor; não percas isto de vista e esforça-te cuidadosamente por não julgar os pecadores. Judas pertencia ao número dos apóstolos e o ladrão fazia parte dos malfeitores, mas que espantosa mudança se deu nele num só instante! 

Responde, pois, ao que diz mal do seu próximo: 'Pára, irmão! Eu próprio caio todos os dias em faltas mais graves; como poderei condenar essa pessoa?' Obterás assim um duplo proveito: curar-te-ás a ti mesmo e curarás o teu próximo. Não julgar é um atalho que conduz ao perdão dos pecados, pois está dito: 'Não julgueis e não sereis julgados'. 

Alguns cometeram grandes faltas à vista de todos mas realizaram em segredo os maiores atos de virtude, de tal maneira que os seus acusadores se enganaram, dando atenção ao fumo sem verem o sol. Os críticos diligentes e severos caem nessa ilusão porque não guardam a memória nem a preocupação dos seus próprios pecados. 

Julgar os outros é usurpar sem vergonha uma prerrogativa divina; condená-los é arruinar a nossa própria alma. Tal como um bom vindimador come as uvas maduras e não colhe as verdes, assim também um espírito benevolente e sensato anota cuidadosamente todas as virtudes que vê nos outros; mas o insensato perscruta as faltas e as deficiências.

(Excertos da obra 'A Escada Santa' por São João Clímaco)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

VIDA DO PADRE PIO EM FATOS E FOTOS (IV)


A IMPOSIÇÃO DOS ESTIGMAS

'Em 20 de setembro de 1918, depois da celebração da Missa, ao entreter-me para fazer a ação de graças no Coro, em um momento fui assaltado por um grande tremor, depois me acalmei e vi Nosso Senhor com a postura de quem está na cruz.

Não teria me impressionado se não estivesse na Cruz, lamentando a falta de correspondência dos homens, especialmente dos consagrados a Ele e, por isso, mais favorecidos.

Assim manifestava que sofria e que desejava associar as almas à sua Paixão. Convidava-me a compenetrar-me com suas dores e a meditá-las: ao mesmo tempo, a ocupar-me da saúde dos irmãos. 

Imediatamente me senti cheio de compaixão pelas dores do Senhor e lhe perguntava o que podia fazer. Ouvi então esta voz: 'Eu te associo à minha Paixão'. E logo depois, desaparecida a visão, voltei a mim, recobrei a razão e vi estes sinais aqui [os estigmas], dos quais pingava sangue. Antes não tinha nada'.

domingo, 9 de setembro de 2018

'EFATÁ!'

Páginas do Evangelho - Vigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum


No Evangelho deste domingo, Jesus em pregação encontra-se em terras estrangeiras, em meio aos pagãos, depois de passar pela Sidônia e atravessar 'a região da Decápole' (Mc 7, 31). Mas, mesmo ali, já eram conhecidos o seu poder e as curas milagrosas que realizava. E, assim, alguns daquela região, inclinados a receber com alegria a doutrina do Mestre, trouxeram à sua presença um homem surdo e que balbuciava palavras com grande dificuldade para que Jesus 'lhe impusesse a mão' (Mc 7, 32), gesto que traduzia concretamente o poder de cura de um grande profeta.

Jesus, entretanto, não vai fazer tal gesto, segundo o costume antigo. Afastando-o da multidão que os cercava, Jesus vai manifestar a sua condição humana e divina como médico do corpo físico mas, e principalmente, de almas. Fisicamente, vai usar o tato para acessar o doente: 'colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele' (Mc, 7,33). E, para confirmar que a cura dos males humanos, físicos ou espirituais, procede apenas de Deus, Jesus, em unidade com o Pai 'olhando para o céu' (Mc 7, 34), vai dizer: 'Abre-te!' (Mc 7, 34) e, somente então, o homem curado passa a falar e ouvir sem quaisquer dificuldades. Jesus recomenda a todos para que não se servissem do fato como história a ser contada, para nos advertir que ninguém nunca se ufane pessoalmente pela realização de uma obra ou de uma cura, que nasce e se dá exclusivamente pela graça de Deus.

De forma muito semelhante, Jesus curou o cego de nascença moldando o barro do chão (Jo 9, 1 - 7); Jesus nos cura dos males físicos e espirituais moldando a argila frágil da natureza humana, pelo cinzel da graça e do amor de Deus. Ao se debruçar até o pó, nos dá ciência de que conhece a nossa imensa fragilidade; ao proclamar sua divindade, nos conforta de que somos os herdeiros da divina misericórdia: 'Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é Ele que vem para vos salvar' (Is 35, 4).

O 'Efatá' pronunciado por Jesus junto aos ouvidos e à boca do surdo-mudo, deve ressoar, com amplitude crescente, no coração de cada homem, para que todos se abram às palavras de salvação, para que a nossa voz não se quede silenciosa diante da verdade ultrajada, para que corações e mentes não se cauterizem insensíveis aos apelos da graça! Como sal da terra e luz do mundo, somos destinados a sermos reflexos diretos da Luz de Cristo no mundo para a cura de muitos homens e para honra e glória de Deus.

sábado, 8 de setembro de 2018

AS SETE EXCELÊNCIAS DA BATINA

1ª  RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDÓCIO

Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. Que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.

2ª  PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO

Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guarda, é necessário que atue, detenha, aplique multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos. Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento.

As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa a Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote ordenado a vestir a sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois queixam-se de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o 'desbatinamento' ou 'desembatinação' leva à dessacralização.

3ª  GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS

O sacerdote é tal não só quando está no templo a administrar os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o sacerdote o auxilie. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e um melhor desempenho de sua missão.

4ª  PRESERVAÇÃO DE MUITOS PERIGOS

A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o religioso exemplar Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade. Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os leigos, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais. Os modernistas querem fazer-nos crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina para supostamente salvar os outros.

Deve reconhecer-se que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.

5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS

O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular mas o dos seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?

6ª  MODERAÇÃO NO VESTIR

A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação, dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimonias sagradas da Igreja.

Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao colocar-se ao nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pelos de camelo.

7ª  EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO

Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestuário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.

(Pe. espanhol Jaime Tovar Patrón, grande orador sacro, falecido em 2004)

VIDA DO PADRE PIO EM FATOS E FOTOS (III)

'A oração é a chave que abre o Coração de Deus'

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

BREVIÁRIO DIGITAL - ILUSTRAÇÕES DE NADAL (XVI/Final)

apparet discipulis et Thomae

143. Evangelho (Jo 20): Jesus  se manifesta aos discípulos na presença de Tomé

 apparet Christus septem discipulis ad Mare Tyberiadis

144. Evangelho (Jo 21): Jesus  se manifesta a sete discípulos no Mar de Tiberíades

 prandet cum septem discipulis Iesus

145. Evangelho (Jo 21): Jesus faz uma refeição com os sete discípulos 

 apparet Christus in Monte Thabor

146. Evangelho (Mt 28): Jesus se manifesta no Monte Tabor 

 ascencionem Christi praecedentia proxime

147. Evangelho (Mc 16, Lc 24, At 1): Jesus fala aos discípulos pouco antes da Ascensão aos Céus 

ascencio Christi in coelum

148. Evangelho (Mc 16, Lc 24, Jo 21, At 1): Ascensão do Senhor aos Céus 

sacra dies pentecostes

149. Evangelho (At 2): Manifestação de Pentecostes

 transitus Mater Dei

150. Evangelho (-): Dormição de Nossa Senhora

 Virginis Matris sepultura

151. Evangelho (-): Cortejo fúnebre de Nossa Senhora

suscitatur Virgo Mater a filio

152. Evangelho (-): ressurreição de Nossa Senhora pelo seu filho Jesus

assumitur Maria in coelumm coronatur a Sanctiss. Trinitate

153. Evangelho (-): assunção de Nossa Senhora aos Céus e sua coroação pela Santíssima Trindade