domingo, 23 de abril de 2017

'MEU SENHOR E MEU DEUS!'

Páginas do Evangelho - Segundo Domingo da Páscoa


O segundo domingo do tempo pascal é consagrado como sendo o 'Domingo da Divina Misericórdia', com base no decreto promulgado pelo Papa João Paulo II na Páscoa do ano 2000. No Domingo da Divina Misericórdia daquele ano, o Santo Padre canonizou Santa Maria Faustina Kowalska , instrumento pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo fez conhecer aos homens Seu amor misericordioso: 'Causam-me prazer as almas que recorrem à Minha misericórdia. A estas almas concedo graças que excedem os seus pedidos. Não posso castigar, mesmo o maior dos pecadores, se ele recorre à Minha compaixão, mas justifico-o na Minha insondável e inescrutável misericórdia'.

No Evangelho deste domingo, Jesus já havia se revelado às santas mulheres, a Pedro e aos discípulos de Emaús. Agora, apresenta-Se diante os Apóstolos reunidos em local fechado e, uma vez 'estando fechadas as portas' (Jo 20, 19), manifesta, assim, a glória de Sua ressurreição aos discípulos amados. 'A paz esteja convosco' (Jo 20, 19) foi a saudação inicial do Mestre aos apóstolos mergulhados em tristeza e desamparo profundos. 'A paz esteja convosco' (Jo 20, 21) vai dizer ainda uma segunda vez e, em seguida, infunde sobre eles o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos' (Jo 20, 22-23), manifestação preceptora da infusão dos demais dons do Espírito Santo por ocasião de Pentecostes. A paz de Cristo e o Sacramento da Reconciliação são reflexos incomensuráveis do amor e da misericórdia de Deus. 

E eis que se manifesta, então, o apóstolo da incredulidade, Tomé, tomado pela obstinação à graça: 'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei' (Jo 20, 25). E o Deus de Infinita Misericórdia se submete à presunção do apóstolo incrédulo ao lhe oferecer as chagas e o lado, numa segunda aparição oito dias depois, quando estão todos novamente reunidos, agora com a presença de Tomé, chamado Dídimo. 'Meu Senhor e meu Deus!' (Jo 20, 28) é a confissão extremada de fé do apóstolo arrependido, expressando, nesta curta expressão, todo o tesouro teológico das duas naturezas - humana e divina - imanentes na pessoa do Cristo.

'Bem-aventurados os que creram sem terem visto!' (Jo 20, 29) é a exclamação final de Jesus Ressuscitado pronunciada neste Evangelho. Benditos somos nós, que cremos sem termos vistos, que colocamos toda a nossa vida nas mãos do Pai, que nos consolamos no tesouro de graças da Santa Igreja. E bem aventurados somos nós que podemos chegar ao Cristo Ressuscitado com Maria, espelho da eternidade de Deus na consumação infinita da Misericórdia do Pai. 

sábado, 22 de abril de 2017

10 MANEIRAS DE EVITAR O PECADO

1. Rezar. Rezar de qualquer forma e de todas as maneiras possíveis, isso irá nos manter longe do pecado. Durante todo o dia, tentemos atirar flechas de comunicação com Deus, não importa se estivermos trabalhando, comendo, dirigindo, sentados, ajoelhados ou falando. É uma tentativa constante para manter tudo o que fazemos em união com Deus. Nós também precisamos desenvolver o hábito da oração que automaticamente entra em ação assim que estamos sendo tentados.

2. Mortificar o corpo. Em vez de sempre dar ao corpo o que ele quer, como alimentação, descanso, conforto, música, doces, prazer, precisamos fazer, através de pequenas maneiras, alguma mortificação no que ele exige todos os dias. O jejum e a abstinência são disciplinas importantes que formam a vontade para dizer não ao corpo e sim a Deus.

3. Aproveitar a graça de Deus por meio de confissões frequentes e a Santa Comunhão, que fornecem graças e força de vontade para as almas enfraquecidas. Na confissão, buscar ser muito humilde, contrito e honesto quanto à gravidade de seus pecados, mesmo que sejam embaraçosos para dizer. Nunca retenha nada com você.

4. Ter devoção à Virgem Maria. Maria é a medianeira de todas as graças que vêm de Deus. Se recorremos a ela em momentos de tentação, 'nunca se ouviu dizer que alguém tenha sido desamparado' (São Bernardo). Ela é a pureza virginal e quer ajudar-nos a permanecermos puros. Rezar Ave Marias até que as fortes tentações passem. Isso pode literalmente levar a centenas de Ave Marias por dia, mas vale a pena.

5. Evitar a ocasião de pecado. O que sempre leva ao pecado deve ser evitado como a peste. Todo tempo, toda maneira e todo lugar devem ser cautelosamente considerados e evitados se eles nos levam a pecar. Qualquer um que fale sobre o pecado, mostre o pecado ou incentive ao pecado é seu inimigo, e não seu amigo. São Jerônimo disse: 'Lembre-se de que uma mulher (Eva) expulsou os habitantes do paraíso, e que você não é mais santo do que Davi, mais forte do que Sansão, ou mais sábio do que Salomão, e todos caíram pelo intercurso do mal'.

6. Guardar os olhos. O piedoso Jó fez um pacto com os seus olhos que ele não olharia sequer para uma virgem. Nossos olhos levam a pensamentos que, em seguida, podem levar a ações. Olhe para longe de tudo que cause luxúria.

7. Manter-se ocupado. Muitos santos fizeram votos de nunca viver na ociosidade. Isso é uma grande ideia e permite fazer grandes coisas com a própria vida: 'mãos ociosas são a oficina do diabo'.

8. Lembrar-se das consequências dos pecados passados e a possibilidade de ser condenado para sempre por estes pecados. Meditar sobre a realidade da morte, julgamento, céu ou inferno. Rever em detalhes as torturas do inferno em relação aos prazeres instantâneos obtidos através do pecado.

9. Evitar a depressão. Lembre-se de como é triste a ideia de separação de Deus que se sente depois de pecar. Lembre-se da culpa, da vergonha e da tristeza causadas por esses pecados. Você gostaria que o mundo todo estivesse olhando para o seu pecado? Deus, Maria, seu anjo da guarda estão assistindo cada detalhe. E na segunda vinda de Jesus, tudo será tornado público.

10. Ajudar outras pessoas a parar de pecar. Assim como tentamos salvar nossas almas com a ajuda de Deus, também devemos viver para salvar outras almas. Fica mais fácil viver uma vida boa, se estamos ajudando os outros a viverem vidas santas. Sermos profetas hoje para dizer às pessoas que o pecado ainda é pecado e que ofende e crucifica Nosso Senhor.

('10 Traditional Catholic Practices To Get Out Of Habitual Sin Especially Of The Flesh', Pe. Peter Carota, in memoriam, publicado originalmente em Traditional Catholic Priest, tradução Sensus fidei)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

LUZ NAS TREVAS DA HERESIA PROTESTANTE (XI)

Sétima Objeção* do crente: apresentar um texto das Sagradas Escrituras que prove que os padres podem perdoar os pecados.

Em sétimo lugar, o crente pede um texto, que prove que os padres podem perdoar os pecados. Pois não; seguem-se aqui os textos; porém espero que o amigo crente há de citar-me também um texto que prove que os padres não podem perdoar os pecados, um só... É pouca exigência, não é? Certo de que o tal texto nunca será apresentado, eu vou já satisfazer o meu crente, e até além de seu pedido.

I. O que é a confissão

O que é a confissão? É um sacramento instituído por Jesus Cristo no qual o sacerdote, em nome de Deus, perdoa os pecados cometidos depois do batismo. Qualquer criança de catecismo sabe isso de cor. Eis a asserção; escute agora as provas. Diga lá: Os homens precisam ou não precisam de perdão?Isto é: os homens pecam ou não pecam? O Espírito Santo responde por todos, até pelos biblistas. 'O justo cai sete vezes por dia' (Pv 24,16). E se o próprio justo cai sete vezes, que será do pobre que não é justo? 

'Não há homem que não peque' (Ecle 7,21). 'E aquele que diz que não tem pecado', diz São João, 'faz Deus mentiroso' (I Jo 1,10). Ora, se todo homem é pecador, e se o pecado não pode entrar no céu, deve haver um meio de alcançar perdão deste pecado, visto o homem ser destinado ao céu. 'Nesta porta do Senhor, só o justo pode entrar' (Sl 117,20). 'Não sabeis que os pecadores não possuirão o reino de Deus?' (I Cor 6,9).

II. Sua necessidade

E qual é este meio? É a confissão, nos diz São João. 'Se confessarmos os nossos pecados', diz o apóstolo, 'ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar-nos de toda injustiça' (I Jo 1,8). Examine isso, amigo crente, se o texto figura em sua Bíblia. O Espírito Santo o tinha dito já muito antes do Apóstolo: 'Aquele que esconde seus crimes não será purificado; aquele, ao contrário, que se confessar e deixar seus crimes, alcançará a misericórdia' (Pv 28,13). 'Não vos demoreis no erro dos ímpios', diz ainda o Espírito Santo, 'mas confessai-vos antes de morrer' (Ecli 17,26).

Eis a necessidade de confissão para todos os homens, antes de Jesus Cristo, como depois. De fato mostrarei que a confissão não é propriamente uma criação nova feita por Jesus Cristo, mas, que existindo já no Antigo Testamento, foi por ele elevada à dignidade de sacramento. Modificou-a, sem dúvida, porém já havia entre os judeus uma coisa que muito se lhe assemelhava. Jesus Cristo, conhecendo a fraqueza humana e querendo salvar seus filhos, instituiu este grande sacramento de misericórdia.

Escute bem, caro crente, e além dos textos do bom senso, verifique bem os textos das Escrituras, que são claros e positivos. Vou provar-lhe aqui duas coisas: (i) que Cristo podia perdoar os pecados; (ii) que Ele comunicou este mesmo poder aos apóstolos, que eram os primeiros padres.

III. Cristo pode perdoar pecados

Diz São Mateus (9, 2-7): 'Jesus curou um homem paralítico e lhe disse: tem confiança – os teus pecados te são perdoados'. Dizem os Judeus: 'Este blasfema'. Jesus responde que faz este milagre para que saibam que: 'O Filho do Homem tem, na terra, o poder de perdoar os pecados' (Mt 9,6). E a multidão, vendo isto, maravilhou-se e glorificou a Deus que dava tal poder aos homens (Mt 9,8). Que quer dizer isto, amigo biblista?

Agora um pouco de reflexão sobre o texto inspirado no Evangelho. Jesus Cristo faz aqui um milagre para provar que, como homem, pode perdoar os pecados, por isso ele diz: 'O Filho do homem tem, na terra, o poder de perdoar os pecados' (Mt 9,6). E o povo glorifica a Deus, que deu tal poder aos homens (Mt 9,8). Eis uma prova de que Jesus Cristo, mesmo como homem, havia recebido este poder de seu Pai.

IV. Comunicou este poder

E como comunicou ele este poder aos seus apóstolos? Escute bem, porque aqui está a força do argumento católico e a ruína da negação protestante. No dia da sua ressurreição, como para significar que a confissão é uma espécie de ressurreição espiritual do pecador, apareceu no meio dos apóstolos e, mostrando-lhes as suas mãos e seu lado, lhes disse: 'A paz seja convosco. Assim como meu Pai me enviou, eu vos envio a vós' (Jo 21,21).

Ora, Jesus Cristo, como homem, tinha, como acabo de mostrá-lo, recebido de seu Pai o poder de perdoar os pecados; logo, ele deu este poder aos seus apóstolos. Nota bem cada palavra deste texto, pois Cristo sabia falar e compreendia a significação de cada palavra. Ele diz: 'Assim como meu Pai me enviou', isto é, com o poder de perdoar os pecados, 'assim eu vos envio a vós', isso é, eu vos envio dotados do mesmo poder, fazendo o que fiz, perdoando os pecados, como eu os perdoei. Pode ser mais claro e mais positivo?

E, para dissipar a última possibilidade de dúvida ou de sofisma, Cristo continua, soprando sobre eles (Jo 21, 22): 'Recebei o Espírito Santo' como se dissesse: 'Recebei um poder divino: só Deus pode perdoar pecados; pois bem recebei este poder divino' (Jo 21,22). 'Àquele a quem perdoares os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos' (Jo 21,23). Pode isso ser mais claro? Impossível! Veja o mesmo texto em São Mateus (18,18).

A conclusão é rigorosa: Cristo podia perdoar os pecados. Ele comunicou este poder aos apóstolos e, por eles, aos sucessores dos apóstolos; pois a Igreja é uma sociedade que deve durar até ao fim do mundo (Mt 28,20). Se Cristo deu aos sacerdotes o poder de perdoar os pecados, impôs aos fiéis o dever de confessar estes pecados, porque poder e dever são correlativos. Todo poder impõe um dever, e não pode haver poder numa pessoa sem que exista um dever numa outra pessoa. Eis a instituição divina da confissão provada por muitos textos e com uma lógica irrefutável.

Só um cego para não ver e protestante obcecado para não compreender. Para que serve então a bíblia, se os textos mais claros não são compreendidos: só sendo castigo de Deus! 'Têm olhos e não enxergam', diz o salmista: 'têm ouvidos e não ouvem' (Sl 113, 5-6).

V. No Antigo Testamento

Sendo este assunto de inigualável importância e sendo contra ele que os protestantes costumam dirigir suas baterias de ódio, não será inútil entrar em mais alguns pormenores deste grande sacramento da misericórdia divina. Quero mostrar-lhe, caro crente, que o senhor nem sabe ler sua Bíblia, nem compreender os seus ensinamentos. Não somente a confissão existe como sacramento, instituído por Jesus Cristo, mas já existia uma espécie de confissão no Antigo Testamento, de que a Bíblia fala em muitos lugares. Escute bem, sim? E verifique os textos.

Eis um texto dos Números I (5, 6-7): 'Quando um homem ou uma mulher tiver cometido um dos pecados mais comuns à humanidade, ou por negligência tiver violado os mandamentos do Senhor, confessará os pecados, restituirá àquele contra quem pecou a justa indenização do mal que lhe tiver causado, juntando-lhe a quinta parte'. Aí está não só a confissão, mas ainda a penitência e a restituição, absolutamente como faz a Igreja Católica. 

Este Moisés era bem pouco protestante, não acha, amigo crente? Já prescrevia a confissão, antes da vinda de Cristo; é por isso que Jesus disse que não vinha destruir a lei, mas cumpri-la, e que São Mateus diz que os profetas e a lei, até João, profetizaram (Mt 11,13). Eis, pois, a profecia da nossa confissão e a resposta, ou condenação antecipada da negação protestante. Há muitos outros textos deste gênero, porém seria fastidioso prolongá-los (por exemplo: Pv 28,13; Ecli 6,24).

No tempo da vinda de Jesus existia essa prática da confissão, como se pode ver na pregação de João Batista, onde é dito que todos vinham ter com ele, da região da Judéia e de Jerusalém, confessavam os seus pecados e ele os batizava no rio Jordão (Mt 3, 5-6). Que bomba para os batistas, que imitam tão pouco seu modelo! Vê-se que São João Batista não tinha nada de protestante, nem de batista! Não somente São Mateus (3,6) e São Marcos (1,5) mostram a confissão usada entre os judeus, mas o livro dos Atos refere que quem se convertia vinha fazer a confissão das suas culpas (At 19,18). Daquela época até hoje, a história atesta que sempre a confissão foi praticada pelos cristãos: imperadores, reis, bispos, sacerdotes, assim como pelos simples fiéis dos quais citam os confessores.

VI. Confessar-se a Deus

E não objetem os cegos protestantes, no afã inglório de fabricar objeções, que tal confissão consistia em confessar os pecados a Deus. É preciso ser cego para não ver o absurdo de tal subterfúgio. Pensariam eles que um criminoso prestes a ser executado faria realmente uma confissão, se se contentasse de confessar os seus pecados a Deus, no coração? Não. Cada execução que se tem efetuado, tem provado justamente o contrário.

A confissão é a revelação do pecado a um homem. Para que confessar seus pecados a Deus? Deus conhece todas as coisas e não tem que fazer com tal confissão. Além disso, vê-se no texto dos Números que a confissão devia ser feita a um homem, como a restituição da coisa tomada. Aliás, São Tiago é explícito a esse respeito: 'Confessai os vossos pecados uns aos outros', diz ele, 'e orai uns pelos outros, a fim de que sejais salvos' (Tg 5,16). Uns aos outros! Isto é: confessai os vossos pecados a um homem, que tenha recebido o poder de perdoá-los.

São Tiago fala aqui na confissão dos pecados, pública ou particular, porque tanto uma como outra é suficiente, e da confissão feita aos sacerdotes, que são os únicos que tem o poder de absolver. De que serviria, com efeito, confessar pecados íntimos ao público, que não os pode absolver, e ficaria escandalizado? Além disto, quem quereria confessar os seus pecados àqueles que poderiam divulgá-los e fazer perder a boa reputação? Os protestantes gritam contra a confissão auricular, isto é, particular, feita na intimidade. Sendo só isso, fiquem sossegados, pois, se a confissão auricular é suficiente, não é exigida e é permitido fazer a confissão pública, até na praça pública, se quiserem: basta o sacerdote estar presente para absolver. Deus não exige isso, pois em parte alguma figura a palavra confissão pública; porém, querendo fazer mais do que a lei ordena, é permitido.

VII. A declaração dos pecados

Agora mais um pequeno raciocínio sobre os muitos textos já citados, meu caro crente. Está, pois, bem provado que o padre pode perdoar os pecados; nada mais claro: 'Aquele a quem perdoardes os pecados, serão perdoados' (Jo 20,13). Convém notar que ninguém pode perdoar sem saber o que perdoa. Não é assim? O sacerdote é um juiz que deve decidir quais são os pecados que devem ser absolvidos. Ora, um juiz não pode pronunciar uma decisão sem ter conhecimento da causa. É, pois, necessário o pecador declarar seus pecados ao sacerdote. A conclusão é inevitável.

E não dizer – como certos crentes fazem – que o padre não é juiz, mas declara apenas que os pecados são perdoados. Não! O poder, que Jesus Cristo deu aos apóstolos, é o poder de ligar e de desligar e não o poder de declarar que o penitente está ligado ou desligado. Cristo disse, antes de comunicar este poder: 'Eu vos darei as chaves do reino do céu' (Mt 16,19). Ora, as chaves são dadas para abrir e fechar a porta, e não para declarar que a porta está aberta ou fechada. Santo Agostinho diz muito a propósito: 'Peço diante de Deus, que conhece o meu coração e me perdoará. Jesus Cristo teria dito, então, sem razão: o que desligardes na terra será desligado no céu? Foram então as chaves dadas à Igreja, sem algum fim?' (Rm 10,49 t. 10).

VIII. Conclusão

Eis, caros protestantes, provado pelo bom senso e pela Bíblia que a confissão não é invenção dos padres, mas uma instituição verdadeiramente divina. Instituição figurada e praticada no Antigo Testamento, e elevada por Jesus Cristo à dignidade de sacramento, da nova lei. O Antigo Testamento era figura da realidade instituída por Cristo. Examinai pois as escrituras, amigos, e sabereis compreender o que elas ensinam e prescrevem: 'A letra mata, o espírito vivifica' (2 Cor 3,6). É preciso não somente ler, mas compreender a Bíblia, do contrário, não passam de simples papagaios ou araras. A Igreja Católica não receia a luz, nem o estudo, só receia a ignorância.

* Esta 'objeção' foi proposta por 'um crente' como um desafio público ao Pe. Júlio Maria e que foi tornado público durante as festas marianas de 1928 em Manhumirim, o que levou às refutações imediatas do sacerdote, e mais tarde, mediante a inclusão de respostas mais abrangentes e detalhadas, na publicação da obra 'Luz nas Trevas - Respostas Irrefutáveis às Objeções Protestantes', ora republicada em partes neste blog.

(Excertos da obra 'Luz nas Trevas - Respostas Irrefutáveis às Objeções Protestantes', do Pe. Júlio Maria de Lombaerde)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

PALAVRAS DE SALVAÇÃO

A sabedoria deste mundo está em esconder as maquinações do coração, velar o sentido das palavras, mostrar como o verdadeiro é falso, demonstrar ser errado aquilo que é verdadeiro. Pelo contrário, a sabedoria dos justos consiste em nada fingir por ostentação; declarar o sentido das palavras; amar as coisas verdadeiras como são; evitar as falsas; fazer o bem gratuitamente; preferir tolerar de bom grado o mal a fazê-lo; não procurar vingança contra a injúria; reputar lucro a afronta em bem da verdade. Zomba-se, porém, desta simplicidade dos justos porque para os prudentes deste mundo a virtude da pureza de coração é tida por loucura. Tudo quanto se faz com inocência, eles reputam tolice e aquilo que a verdade aprova nas ações, soa falso à sabedoria humana.

(São Gregório Magno)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

CAMPANHAS DA FRATERNIDADE NO BRASIL (III)

TERCEIRA FASE: 1985 - 1999

A partir de 1985, o foco, o temário e os objetivos das Campanhas da Fraternidade deixam de ter caráter abrangente e se voltam para questões e problemas sociais mais específicos à realidade do Brasil: a educação, a fome, o desemprego, a moradia, a questão da terra, a situação da mulher, dos negros e dos encarcerados. A sistemática da campanha adota os mesmos princípios da fase anterior, fundamentada na proposição de um texto-base comum que subsidia todas as ações e iniciativas no âmbito da respectiva Campanha da Fraternidade. Embora essa perspectiva seja ainda bem atual, a fixação do limite desta fase em 1999 tem a ver com a transposição do milênio e porque exatamente no ano 2000, tiveram início as chamadas Campanhas da Fraternidade Ecumênicas no Brasil.

22. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1985


Tema: Fraternidade e fome

Lema: Pão para quem tem fome

Objetivo Geral: Contribuir para motivar a comunidade cristã a assumir sua responsabilidade ante a situação de fome que existe no Brasil.




23. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1986


Tema: Fraternidade e terra

Lema: Terra de Deus, Terra de Irmãos

Objetivo Geral: A CF convoca-nos para uma ação conjunta de preces, reflexões e mobilização sobre o gravíssimo problema da questão da terra no Brasil a ser solucionado, ou seja, dentro da justiça e da fraternidade.



24. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1987

Tema: A Fraternidade e o menor

Lema: Quem acolhe o menor, a mim acolhe

Objetivo Geral: Um dos importantes caminhos que se apresentam é buscar a transformação evangélica da pessoa e da sociedade, a partir da questão do menor, colocando-o, portanto, no centro de nossas comunidades e de nossos projetos.



25. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1988


Tema: A Fraternidade e o negro

Lema: Ouvi o clamor deste povo

Objetivo Geral: Nossa adesão a Jesus Cristo, renovando o compromisso de viver em fraternidade, porque este é o sinal mais autêntico do seguimento do Senhor: 'Nisto saberão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros' (Jo 13, 34-35).


26. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1989

Tema: A Fraternidade e a comunicação

Lema: Comunicação para a verdade e a paz

Objetivo Geral: Despertar a consciência crítica do receptor no uso da mídia, como atitude interior necessária para a comunicação da verdade e da paz; quer também conscientizar os receptores sobre seu papel de agentes de influência na orientação de programas nos meios de comunicação.


27. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1990


Tema: A Fraternidade e a mulher

Lema: Mulher e Homem: Imagem de Deus

Objetivo Geral: Conscientizar que mulher e homem juntos são imagem de Deus e que Deus entregou a criação a todos. Ajudar a ver como, na realidade, a mulher não é reconhecida e tratada como igual ao homem.



28. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1991

Tema: A Fraternidade e o mundo do trabalho

Lema: Solidários na dignidade do trabalho

Objetivo Geral: Que a Igreja e as pessoas de boa vontade assumam a realidade do trabalho e do mundo do trabalho, com todas as suas dimensões de criação, progresso, conflito, divisões e solidariedade, como lugar teológico para a evangelização, o anúncio da Boa Nova no mundo de hoje.



29. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1992

Tema:Fraternidade e juventude

Lema: Juventude - Caminho Aberto

Objetivo Geral: Que a Igreja e as pessoas de boa vontade se comprometam com a juventude, como agentes de uma nova evangelização e como força transformadora da Igreja e da sociedade.



30. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1993


Tema: Fraternidade e moradia

Lema: Onde Moras?

Objetivo Geral: Afirmar o direito à terra e à moradia como condição básica para o desenvolvimento de vida plena do indivíduo, da família, da fraternidade, e do exercício da cidadania.



31. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1994


Tema: A Fraternidade e a família

Lema: A Família, como vai?

Objetivo Geral: Redescobrir os valores da família: lugar de encontro, espaço de vivência humana, ponto de partida de um mundo mais humano e de acordo com o Plano de Deus.



32. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1995

Tema: A Fraternidade e os excluídos

Lema: 'Eras Tu, Senhor?!'

Objetivo Geral: Quer contemplar aqueles que seriam os mais abandonados, os que se sentem esquecidos, negados na sua humanidade. E não se refere só aos excluídos pela situação econômica.



33. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1996


Tema: Fraternidade e Política

Lema: Justiça e Paz se abraçarão

Objetivo Geral: Contribuir para a formação política dos cristãos para que exerçam sua cidadania sendo sujeitos da construção de uma sociedade justa e solidária.




34. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1997


Tema: A Fraternidade e os Encarcerados

Lema: Cristo liberta de todas as prisões

Objetivo Geral: Despertar a sensibilidade e solidariedade dos cristãos, e de todos os homens e mulheres de boa vontade, para com as vítimas e para com os encarcerados, ajudando-os a perceber a realidade carcerária do Brasil.



35. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1998


Tema: Fraternidade e Educação

Lema: A Serviço da Vida e da Esperança

Objetivo Geral: Colaborar com as pessoas na sua busca de realização; favorecer a criação e o fortalecimento de comunidades onde todos participem e se apoiem fraternalmente; estimular o exercício da cidadania, em favor de uma sociedade justa e solidária.


36. CAMPANHA DA FRATERNIDADE DE 1999


Tema: A Fraternidade e os Desempregados

Lema: Sem trabalho… Por quê?

Objetivo Geral: Contribuir para que a comunidade eclesial e a sociedade se sensibilizem com a grave situação dos desempregados, conheçam as causas e as articulações que a geram e as consequências que dela decorrem.

terça-feira, 18 de abril de 2017

FRUTOS DE SALVAÇÃO: A FÉ TRANSFORMADA EM OBRAS

Houve outrora, no berço do cristianismo, em Roma, uma disputa muito viva sobre a fé e as obras. Uns diziam: a fé é suficiente; outros: as obras, as obras, é o necessário! Se, em um belo dia, estivéssemos no jardim de sua casa e submetêssemos seus filhos a uma pergunta análoga: meninos, digam o que acham, o que é mais necessário: as maçãs ou a macieira? Os meninos certamente nos diriam que bastam as maçãs. Mas os mais velhos, compreendendo que sem as macieiras não haveria maçãs, responderiam: o que é preciso são as macieiras com as maçãs. E com efeito, é impossível haver maçãs sem macieiras, e macieiras sem maçãs são inúteis.

Deixando o apólogo, diremos que a fé é a árvore indispensável para haver os frutos da salvação e que os frutos que se pode colher sem a fé, não serão frutos de salvação. São Gregório Magno disse numa palavra: Nec fides sine operibus, nec opera adjuvant sine fide. Quer dizer: A fé sem as obras ou as obras sem a fé, de nada valem. A fé é, para o cristão, a raiz da salvação e de toda obra que leva à salvação. A santa esperança e a caridade divina vêm dar ao fruto ou à obra o gosto, o sabor, a doçura, o mérito; mas sem a fé não há mérito, nem doçura, nem sabor, nem gosto, nem fruto, nem obra que seja útil à salvação.

Guarde bem esse primeiro princípio. Eis um outro que deste decorre incontestavelmente: a medida da fé é a medida do mérito da obra. Sei bem que a última palavra, o mérito do cristão, pertence à caridade; mas a caridade é filha da fé, filha que pode crescer com sua mãe de modo que, no final das contas, o cristão deve ter a fé como medida de todas as coisas. Nosso Senhor dizia com este pensamento: 'Vossa fé vos salvou!' Isto posto, vamos dar uma volta por esse mundo e procurar um pouco por onde anda a fé e onde estão as obras, filhas da fé. E para começar, já notou muitas vezes, que nosso século é o século das obras? Nunca, nunca se viu surgir tantas obras, com tal exuberância. Mas será na mesma proporção um século de fé? Ai de nós! É preciso que se diga quanto a fé é rara em nossos dias. 

De uma árvore singularmente enfraquecida, vemos surgir uma quantidade de frutos que nos encantariam se pudéssemos esquecer o estado de sua alma. As obras surgem e crescem sempre, e ao mesmo tempo somos obrigados a convir que a fé está morrendo. Não haverá nisto umas espécie de contradição? A contradição é apenas aparente. As obras da salvação, dissemos, nascem da fé; mas as obras que se parecem com as obras da salvação, podem nascer de um outro princípio que não seja a fé. E então que dizer? 

De duas uma: ou as obras nascidas de um princípio que não é a fé serão úteis para outra coisa que não as almas, e assim não terão nada a ver com Deus; ou essas obras não subsistirão e perecerão. Nascidos de outro princípio que não seja a fé, criações da inteligência ou da imaginação, as obras que não são alimentadas pelo suco vivificante da fé, o único que vivifica, vivem da habilidade do homem ou de seu dinheiro ou de seu crédito. Essas obras não salvam os homens e são, diante de Deus, árvores estéreis; o tempo virá com seu machado para abatê-las.

A Igreja, que é obra de Deus, permanece e permanecerá porque guarda e guardará a fé. Nós, filhos de Deus e da Igreja só permanecemos e permaneceremos, nós e nossas obras, na medida de nossa fé. Se todas as obras que hoje pululam em volta de nós tivessem tanto ardor em vivificar a árvore da fé quanto para produzir frutos, certamente veríamos maravilhas. Mas infelizmente, falta a fé e não falta quem queira recolher os frutos da fé antes de havê-la semeado. Neste sentido, caminha-se a passos largos, porém à margem do caminho. Magnum passus, sed extra viam, dizia Santo Agostinho.

(Excertos da obra 'Cartas Sobre a Fé' do Pe. Emmanuel - André)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

DOCUMENTOS DE FÁTIMA (II)

PE. MALACHI MARTIN E O TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA

Depoimento de Suzanne Pearson, que conviveu muito de perto com o Pe. Malachi Martin (1921 - 1999) nos seus últimos 4 anos de vida, que detalha muito das manifestações e apreensões deste padre jesuíta, autor de várias obras sobre o 'Terceiro Segredo de Fátima' e que teve acesso ao seu conteúdo direto em 1960, quando era assistente direto do cardeal Augustin Bea. Ainda que se possa considerar muitos dos aspectos mencionados como meras referências, mais ou menos verossímeis, trata-se de uma abordagem bastante direta e não convencional dos potenciais motivos que induziram - de forma equivocada - vários papas a não divulgarem publicamente o conteúdo do Terceiro Segredo de Fátima.

Durante os quatro anos antes da sua morte, ocorrida em 1999, foi meu privilégio conhecer o Pe. Malachi Martin. Tendo ouvido as suas entrevistas e lido alguns dos seus livros, comecei por lhe pedir a sua opinião sobre as mudanças desconcertantes no Santo Sacrifício da Missa. Acabou por se oferecer para me guiar espiritualmente. Eu tive então uma interação substancial com ele nos quatro anos seguintes e, durante esse tempo, ele falou muitas vezes sobre Fátima.

Ele acreditava que Fátima era o acontecimento mais importante do Século XX e que cumprir o seu mandato era a tarefa mais urgente que a Igreja e o mundo enfrentavam. Ao ouvir as suas entrevistas, já tinha notado que, quando falava sobre Fátima, falava com autoridade, como os contemporâneos de Nosso Senhor tinham dito sobre os seus ensinamentos. E, assim, durante a nossa primeira conversa telefônica, disse-lhe: 'Fico com a impressão de que conhece o Segredo de Fátima!' E o Padre Malachi respondeu: 'Conheço'.

Quando nos encontramos na semana seguinte, aludindo ao seu ceticismo sobre o movimento carismático, perguntei-lhe, meio a brincar: 'O Espírito Santo revelou-lhe o Terceiro Segredo?' 'Ó não' respondeu-me, 'mostraram-me uma cópia do Terceiro Segredo na altura em que o Papa João XXIII o abriu e pediu a opinião de um grupo de cardeais em 1960. Um desses cardeais era o Cardeal Augustin Bea, de quem eu era assistente'.

Então atrevi-me a perguntar: 'O Terceiro Segredo refere-se à apostasia na Igreja, não é?' Esta hipótese baseava-se nos poucos dados dispersos sobre Fátima que vieram a ser conhecidos durante os anos magros das décadas de 1970 e 1980, e no raciocínio de Frère Michel de la Sainte Trinité: 'Os castigos materiais já estão preditos na segunda parte do Segredo'. O Terceiro Segredo prediz 'um castigo de ordem espiritual'. Para minha surpresa, o Padre Malachi respondeu: 'A apostasia na Igreja forma o fundo ou o contexto do Terceiro Segredo. A apostasia só está agora a começar. Mas os castigos previstos no Segredo são muito reais, castigos físicos, e são terríveis!' 

Contou-me então a conversa que tivera com o Cardeal Bea, quando o cardeal saiu da reunião em que o Papa João XXIII estava com os seus conselheiros, pálido como um lençol: 'O que foi, Eminência?' perguntei-lhe: 'Acabamos de matar mil milhões de pessoas. Olhe para isto!' Entregou-me uma folha de papel com 25 linhas manuscritas. Desde esse dia, cada palavra desse texto ficou gravada indelevelmente na minha mente'.

O Cardeal Bea fez esta declaração sobre 'mil milhões de pessoas' porque o papa tinha acabado de decidir não revelar o Terceiro Segredo, nem consagrar a Rússia. Perguntei ao Padre Malachi se me podia dizer mais alguma coisa sobre estes 'terríveis' castigos, que matariam mil milhões de pessoas. Ele explicou que, antes de ler o Segredo, foi-lhe pedido que fizesse um juramento de não o revelar, mas ele acreditava que devia ter sido revelado, e que Nosso Senhor e Nossa Senhora queriam que fosse conhecido.

Portanto, mencionava o Terceiro Segredo sempre que podia; falava à volta dele, dando muitas informações de fundo sobre ele, e o maior número possível de pistas sobre ele, sem chegar a revelar o texto. Assim conseguiu nomear muito depressa uma lista de calamidades possíveis, e disse que algumas delas estavam no Segredo. Embora a lista incluísse coisas como a Terceira Guerra Mundial, a morte do Papa e os Três Dias de Escuridão, não era particularmente esclarecedora, porque nem todos os castigos futuros estavam na lista, e nem tudo o que estava na lista era parte dos castigos.

Em seguida, disse: 'Sabe, vai haver uma nova forma de energia. O importante sobre esta nova forma de energia é que será muito barata. Tão barata que podia satisfazer as necessidades de cada homem, mulher e criança na Terra, se estivesse nas mãos certas. Mas está nas mãos de quem a usará para matar e destruir'. Então perguntei: 'Não quer referir-se ao nosso país, pois não?' E ele respondeu: 'Não. A América é má. Somos culpados de muitos pecados. Mas não somos tão maus assim. Não somos suficientemente maus para matar deliberadamente mil milhões de pessoas. Nós não faríamos isso. Mas eles fariam!' E quem são 'eles'? Não me quis dizer.

Que países serão mais atingidos? Ele disse que o castigo seria pior em certos lugares do que em outros, mas que ninguém conseguiria evitá-lo. E seria possível sobreviver ao castigo? Respondeu pensativamente: 'Sim, mas na maior miséria'. E como poderemos saber quando essas coisas estão prestes a acontecer? 'Voltem os olhos para os céus' disse, uma admoestação que viria a repetir muitas e muitas vezes. Tal como o efeito que as palavras do Terceiro Segredo tiveram sobre o Padre Malachi, o conteúdo desta conversa ficaria indelével na minha memória. Depois daquele dia, senti que nunca mais olharia da mesma maneira para a vida.

Durante os anos em que conheci o Padre Martin, ele muitas vezes fazia comentários sobre as informações que me dera naquele primeiro dia. Por exemplo, chegou a dizer que podíamos mitigar a severidade dos castigos que se aproximam se soubéssemos o conteúdo do Terceiro Segredo. Eu costumava também fazer-lhe perguntas sobre declarações que ele fizera publicamente durante as suas palestras e entrevistas, ou escrevera nos seus livros.

Considerando no seu conjunto as pistas que ele revelou sobre o Terceiro Segredo, elas podem dividir-se em três categorias, que ele apresenta no seu livro The Keys of This Blood (‘As chaves deste Sangue’): 'Um castigo físico das nações, envolvendo catástrofes, pela mão do homem ou naturais, em terra, na água e na atmosfera do globo. Um castigo espiritual … [consistindo] no desaparecimento da crença religiosa, num período de falta generalizada de fé em muitos países. Uma função central da Rússia nas duas séries de acontecimentos precedentes. De fato, os castigos físicos e espirituais, segundo a carta de Lúcia, serão colocados num período fatídico em que a Rússia é o ponto fulcral'.

O Segredo foi apresentado como uma proposição ‘ou-ou’, disse. O papa de 1960 tinha obrigação de abrir o Segredo, lê-lo, e fazer o que ele dizia. Este era o primeiro 'ou'. O Papa João XXIII recusou este 'ou' e, por isso, estamos agora a viver no segundo 'ou'. O castigo espiritual começou aparentemente muito pouco depois de 1960. Em resultado da recusa do Santo Padre, o Padre Martin disse: 'Cardeais, Bispos e padres estão a cair no inferno como folhas'; 'A Fé desaparecerá de países e de continentes'; 'Muitos dos eleitos perderão a fé. Muitas pessoas que agora acreditam desistirão de acreditar, em desespero. As coisas ficarão tão más que, se Nossa Senhora não interviesse, ninguém se salvaria'; 'Deus retirará a Graça'.

O Padre Malachi disse-me que a apostasia na Igreja era o fundo ou contexto do Terceiro Segredo. Mas também disse que este castigo espiritual era parte do castigo que Deus infligiria se os pedidos de Nossa Senhora não fossem obedecidos. A este respeito, disse várias vezes uma coisa bastante perturbadora: 'Deus retirará a Graça'. Isto parece ser uma coisa muito dura para Deus fazer, como se estivesse a sabotar a sua própria Vontade de 'que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade'. Mas devia antes considerar-se como um círculo vicioso. Quando o Santo Padre se recusou a revelar o Segredo e se recusou a consagrar a Rússia, perdeu o direito às graças que teria ganho para si e para a Igreja pela sua obediência, e, aparentemente, foi também castigado pela sua desobediência ao ser-lhe concedida menos graça do que anteriormente vinha recebendo.

Sempre que um padre, um bispo ou um cardeal atraiçoa a Cristo, subverte a fé, invalida uma missa ou um sacramento, abandona a sua bela vocação ou a suja por más ações ou omissões culpáveis, há em correspondência muito menos graça no tesouro da Igreja, e se multiplicarmos cada ofensa dessas por todos os milhares que fizeram tais coisas nos anos a seguir a 1960, tudo isso se acrescenta a um déficit enorme de graça que devia estar presente. É uma espiral descendente. O déficit continua a aumentar. Cada vez será mais difícil fazer o bem e evitar o mal.

O Padre Malachi comparou o fluxo da graça à eletricidade que flui através de uma cidade. Quando há um corte de corrente, tudo pára. Da mesma maneira, depois da grande desobediência de 1960, a Igreja foi esvaziada do seu poder. Conventos fecharam, padres desertaram, a assistência à missa caiu a prumo, todas as medidas da vida católica declinaram precipitadamente. Esta espiral descendente só terminará quando o Santo Padre consagrar a Rússia, mas com o esgotamento continuado do reservatório da graça, cada vez é mais difícil fazê-lo. Quando perguntei pela primeira vez ao Padre Malachi porque é que o Papa João Paulo II, com toda a sua devoção a Nossa Senhora, não tinha consagrado a Rússia, ele disse: 'Não conseguiu a graça'.

Outra parte do castigo espiritual que ele mencionava muitas vezes era esta: 'Satanás ganharia poder, mesmo nos escalões mais altos da Igreja'. A declaração mais forte deste gênero veio de uma pessoa que telefonou para o programa de Art Bell, a dizer que um velho jesuíta lhe tinha dito: 'O último papa estará sob o controle de satanás'. O Padre Martin respondeu que este homem poderia ter lido ou ter-lhe-ia sido dado o conteúdo do Segredo. Mas, acrescentou, a citação era imprecisa. E isto porque ninguém estava autorizado a citar exatamente o Segredo.

Mas mesmo se a citação 'O último papa estará sob o controle de satanás' estiver exata, o Padre Martin em outras ocasiões qualificou dois componentes principais daquela frase. 'O último papa' disse, não quer necessariamente dizer o último papa antes do fim dos tempos, mas o último papa 'destes tempos'. Quereria isso dizer o último papa antes da Consagração da Rússia? E depois a expressão 'sob o controle de satanás' pode ter vários significados.

O Padre Martin costumava explicar, quando falava de atividades demoníacas e de exorcismos, que há várias maneiras em como satanás pode controlar um ser humano. Pode possuir a pessoa, quer parcial quer perfeitamente, a pessoa pode ter 'vendido a alma ao demônio', a troco de algum favor, ou satanás pode controlar de tal maneira as pessoas e circunstâncias que rodeiam essa pessoa que esta não consegue fazer nada que seja contrário à vontade de satanás. O lamento do Papa Bento XVI a vários visitantes ao seu gabinete papal, de que 'a minha autoridade acaba já naquela porta!' faz pensar até que ponto a Igreja já chegou àquele cenário.

Podemos ver que o castigo espiritual tem vindo a construir-se desde 1960. Eventualmente, este déficit de fé e virtude será o pano de fundo não só para um, mas para vários castigos físicos. Este terrível castigo '… não chegará sem aviso' disse, 'mas … só os que já estiverem renovados de coração – e que provavelmente serão uma minoria – reconhecê-lo-ão pelo que é e preparar-se-ão para as tribulações que se seguirão'. Ele disse-nos alguma coisa sobre este aviso?

Em 1997, ele disse ao entrevistador Bernard Janzen: '… Creio que o grande fator é o que acontece nos céus … ‘Virem os olhos para o céu’ é uma divisa prudente. Creio que o sinal de Nossa Senhora irá depressa aparecer nos céus. Creio que virá como um choque para todos. Creio que a Igreja vai ser atingida duramente pelo que aparecerá nos céus'. 'Virem os olhos para os céus' foi o conselho que o Padre Martin deu muitas vezes, mas especialmente durante a primeira metade de 1997. Por alguma razão. estava à espera de ver o 'Sinal de Nossa Senhora', como lhe chamava, aparecer no céu naquela primavera. Alguém lhe perguntou se seria o Hale-Bopp, um pequeno cometa que apareceu naquele ano. 'Não' disse ele. Estava à espera de um gênero diferente de sinal. Quando não apareceu até ao fim de junho, disse-me: 'Isto quer dizer que não acontecerá ainda por algum tempo; temos mais algum tempo'.

De que espécie de sinal estaria à espera? Seria o 'Sinal de Nossa Senhora' no sentido de 'Uma mulher vestida de sol, com a lua sob os seus pés, e na cabeça uma coroa de doze estrelas' ou seria o 'Sinal de Nossa Senhora' só porque Ela nos disse que esperássemos por ele? Seria um sinal específico mencionado no Terceiro Segredo, tal como o Segundo Segredo nos tinha dito para estarmos atentos a 'uma noite iluminada por uma luz desconhecida' antes de começar a Segunda Guerra Mundial? Ironicamente, ainda não tinha passado um ano desde que o Padre Malachi nos disse: 'Virem os olhos para o céu', quando começou a aparecer nos céus um novo fenômeno. Não seria o sinal por que ele esperava, mas podia ainda ter significado em relação aos castigos do Terceiro Segredo.

No verão de 1998, mencionei ao Padre Malachi que, pela primeira vez na minha vida, parecia não ter energia; estava completamente exausta a maior parte do tempo. E ele disse: 'Não se preocupe. Não é coisa sua. Estão a fazer alguma coisa à atmosfera. Mas temos que continuar'. Comecei a olhar para os céus com interesse. De tantos em tantos dias, um grupo de aviões deixava no céu um quadriculado de longas linhas brancas, largando alguma espécie de substância branca macia que não se evaporava. Se continuássemos a olhar para cima e a observar o que acontecia, as linhas individuais alargavam-se e juntavam-se umas às outras, até formarem uma rede contínua de nuvens artificiais.

Esta atividade que, no princípio era esporádica, eventualmente teve lugar quase todos os dias em todos os lugares, criando uma neblina difusa de pó que cobria o céu na maior parte dos dias. Embora no princípio o processo fosse fácil de observar, hoje a neblina persistente diminuiu tanto a visibilidade que quase temos que estar num avião para vermos a recolocação constante deste padrão de riscas ou quadriculado por detrás da cobertura nebulosa permanente. Padre Martin disse-nos que os castigos físicos aconteceriam em terra, na água e na atmosfera do globo. Ele podia ver, durante o último ano da sua vida, que a atmosfera estava já a ser afetada. Poderia isto constituir a base para parte do castigo?

Malachi Martin disse ao entrevistador de rádio Art Bell em várias ocasiões que, se alguém citasse as palavras exatas do verdadeiro Segredo e lhe perguntasse se era ele, teria que dizer que sim. E assim, muitas vezes havia pessoas que telefonavam a apresentar textos para ele avaliar. Geralmente, enfatizavam desastres horríveis, como terremotos, maremotos, tsunamis, etc. Uma vez, depois de ouvir vários possíveis 'Segredos', e dizer que não eram o texto que lhe tinham mostrado em 1960, completou: 'O que todos eles têm em comum é que descrevem alterações na natureza, como se fosse a própria natureza a revoltar-se contra a humanidade. Algumas destas coisas estão no Segredo. Mas lembre-se de que, quando estas coisas começarem a acontecer, não é coisa da natureza, nem é coisa de Deus'.

Isto deixa duas possibilidades: satanás e os seres humanos. A sua descrição em Keys of This Blood, 'catástrofes, pela mão do homem ou naturais, em terra, na água e na atmosfera do globo' menciona 'pela mão do homem', mas não dá indicações de atividade demoníaca aberta. Parece também excluir catástrofes vindas do espaço exterior, como a colisão de duas estrelas ou a aproximação de um cometa. De fato, uma pessoa que telefonou para Art Bell perguntou-lhe se as previsões incluíam um cometa. 'Nada sobre um cometa', foi a resposta.

Sobre quando estas convulsões extraordinárias da natureza começariam a acontecer, ele disse: 'lembre-se de que não é coisa da natureza, nem é coisa de Deus'. Parece ser coisa natural, ou um ato de Deus, mas não é. No passado, 'catástrofes, pela mão do homem ou naturais' sugeriria algumas causadas pelo homem, como guerras, sendo outras atos de Deus, como terremotos. Mas hoje, considerando a vasta adulteração dos nossos alimentos, do ar que respiramos, e até dos nossos processos de vida, 'catástrofes, pela mão do homem ou naturais' podiam bem ser uma combinação dos dois fatores, ou seja, catástrofes causadas pela manipulação da natureza pelo homem e usando a própria natureza como uma arma.

A revelação que o Padre Malachi me fez de que 'vai haver uma nova forma de energia' que pode ser usada para matar mil milhões de pessoas parece corroborar esta tese. Ele descreveu esta energia como extremamente barata, capaz de melhorar as vidas de todos na terra, mas, pelo contrário, estando a ser usada para desenvolver armas de destruição apocalíptica. Embora não tivesse dado um nome a esta nova energia, uma que corresponde à sua descrição é a energia escalar.

A energia escalar baseia-se na descoberta de um novo gênero de ondas eletromagnéticas que existe no vácuo do espaço. Estas ondas eletromagnéticas longitudinais deslocam-se pelo eixo do tempo. O próprio tempo pode ser comprimido em energia pelo mesmo fator (a velocidade da luz ao quadrado) pelo qual a matéria é comprimida para fazer energia. Como a energia pode ser obtida do tempo, assim como de outras fontes, podemos agora desencadear a potência tremenda, comprimida no próprio tempo. É como 'pormos um barco de pás num rio. A energia adquirida é grátis, visto que o rio está a correr, quer o aproveitemos, quer não'.

Nicola Tesla descobriu a energia escalar em 1889. Nascido na Croácia, de ascendência sérvia. naturalizou-se cidadão americano em 1891. Trabalhou com Thomas Edison, e recebeu ajuda financeira de J.P. Morgan. Mas quando anunciou em 1904 que podia agora usar ondas escalares para transmitir energia sem fios, perdeu o apoio dos seus patrocinadores. Um deles exclamou: 'Não se pode por um contador na energia livre'. Tesla tinha dito: 'A energia elétrica está presente em toda a parte, em quantidades ilimitadas, e pode fazer trabalhar a maquinaria em todo o mundo sem ser preciso carvão, petróleo, gás ou qualquer outros dos combustíveis comuns'. Como é natural, os poderes estabelecidos não gostaram de ouvir isso e Tesla morreu pobre em 1943. Na altura da sua morte, o FBI confiscou os seus escritos que puderam encontrar, e as suas descobertas foram suprimidas até hoje. Em vez de disponibilizar ao público a sua tecnologia, o Governo manteve-a reservada, usando-a em vez disso para fins militares.

Sobre os terríveis castigos que ameaçam o mundo, se persistirmos em rejeitar a solução de Nossa Senhora, o Padre Martin disse: '…Eles começarão inesperadamente e serão acompanhados por uma confusão generalizada de mentes e pelo escurecimento da compreensão humana…' 'Seções completas de continentes [serão] levadas pela água para sempre. Nações inteiras perecerão. Nações inteiras perderão a fé. Catástrofes naturais que o mundo nunca viu nivelarão a humanidade'. Uma vez, no programa de Art Bell, uma pessoa telefonou a perguntar ao Padre Martin se os Estados Unidos eram mencionado no Segredo. Respondeu ele: 'O nosso país não é mencionado especificamente, mas é mencionado algo de muito relevante'.

O terceiro elemento que compreende o Terceiro Segredo, segundo o Padre Malachi Martin, é a Rússia. Em todos os pontos do ciclo de cumprimento destas profecias, a Rússia seria o gatilho que avançaria o processo. No seu livro Keys of This Blood, que saiu antes da queda da Cortina de Ferro, Malachi Martin escreveu uma análise espantosa sobre o papel da Rússia. Eis alguns excertos: 'Em 1980, o Papa João Paulo II falou a um grupo de católicos alemães sobre o Terceiro Segredo. Por que, perguntou um deles, João XXIII se recusou a obedecer aos pedidos do Terceiro Segredo? Dada a gravidade do seu conteúdo, explicou o papa, os meus antecessores no Ofício Petrino preferiram diplomaticamente adiar a publicação, para não dar um motivo ao poder mundial do comunismo para tomar certas medidas'.

As suas palavras, escreveu Malachi Martin, apontam para um perigo mortal que as nações capitalistas enfrentam, sobre o qual Lúcia é bastante explícita no texto do Terceiro Segredo. O fato de que o Santo Padre chegou a essa conclusão e fez essa afirmação indica que deve ser correta e baseada em fatos objetivos. 'De fato, nesse Terceiro Segredo' continuou, 'as palavras de Lúcia são tão explícitas e tão verificáveis – e portanto tão autênticas – que, se os dirigentes do Partido-Estado Leninista soubessem essas palavras, decidiriam com toda a probabilidade tomar certas medidas territoriais e militaristas, contra as quais o Ocidente teria poucos ou nenhuns meios de resistência, e a Igreja mergulharia numa subjugação maior e mais profunda em relação ao Partido-Estado. As palavras de Lúcia sublinham uma vulnerabilidade terrível nas nações capitalistas. O Ocidente capitalista poderia ser apanhado pela URSS'.

Esta análise era compreensivelmente relevante durante a época do Comunismo. Mas a Rússia constituirá ainda um perigo, depois do colapso da União Soviética? O Padre Martin não tinha tanta certeza de que tinha havido um colapso. Muitos funcionários soviéticos ainda mantinham as mesmas posições, por terem sido eleitos de novo para os mesmos cargos como 'antigos comunistas'. E depois, há o arsenal nuclear da Rússia. Durante a Guerra Fria, diziam-nos constantemente, quantos mísseis de longo alcance a União Soviética tinha apontados diretamente para nós, preparados para desencadear o Armagedon escondido num botão? As plataformas de lançamento ainda estão intactas? Mesmo se o atual governo russo não tem planos para fazer a guerra, há sempre o perigo de um acidente nuclear ou de que possam cair armas nas mãos de terroristas.

A Rússia está à frente no desenvolvimento da energia escalar, o que ainda é mais perigoso do que a ameaça nuclear. A maioria dos papéis de Tesla foram enviados para a Iugoslávia depois da sua morte, e daí caíram com facilidade nas mãos dos soviéticos. Enquanto a maioria das universidades do Ocidente ignoraram as suas pesquisas, por causa da ameaça que a 'energia gratuita' constituía para o grande capital, as universidades da União Soviética e dos seus satélites incluíram-nas. Os soviéticos usaram a tecnologia de Tesla na sua corrida pela superioridade militar em relação aos Estados Unidos. Em janeiro de 1960, Nikita Khrushchev anunciou que a Rússia tinha desenvolvido 'uma nova arma fantástica, tão poderosa que poderia destruir toda a vida na Terra' se fosse usada sem restrições. Alguns investigadores pensam que os soviéticos começaram, já na década de 1960, a usar esta arma para atacar alvos militares americanos e para alterar o clima sobre a América. O Ocidente, tendo suprimido as descobertas de Tesla, encontrava-se mal preparado. E assim, enquanto a Rússia continua a expandir a sua capacidade escalar, as organizações americanas de defesa estão a correr para a alcançar.

A arma escalar mais básica é o interferômetro longitudinal ou 'obus de Tesla'. Em 1908, Tesla descobriu que, com o interferômetro, podia intersectar dois feixes de ondas escalares. Usando técnicas de feixes cruzados, podiam ser combinadas ondas estacionárias gigantes para produzir um feixe focalizado de enorme energia. Estes feixes focalizados podiam ser dirigidos contra um alvo em qualquer parte do mundo, debaixo da água ou no céu. O pulso eletromagnético violento que atinge o alvo o destrói completamente. Estes feixes podem também ser enviados pela terra, para desencadear terremotos ou erupções vulcânicas.

Assim, além de serem mortais, as armas escalares podem ocultar-se por detrás das forças da natureza, levando as populações-alvo a crer que foram castigadas por um ato de Deus, quando na realidade foram atingidas por uma arma desenvolvida pelos homens. Os pulsos escalares podem fazer com que as tempestades ganhem uma força tremenda e se transformem em furacões ou tornados, que, manipulando as correntes de jato, podem ser dirigidos deliberadamente contra alvos localizados. Reciprocamente, as nuvens de chuva podem ser diminuídas na sua energia, fazendo com que elas passem no céu, privando terras áridas e queimadas da chuva de que precisam desesperadamente.

Considerando que a Rússia está à frente do desenvolvimento destas armas no mundo, é crucial saber se ainda há forças beligerantes da linha dura à espreita na Rússia. Malachi Martin preocupava-se, por exemplo, com o que teria acontecido à organização da KGB. Numa longa conversa com Bernard Janzen em 1994, disse que os comunistas não tinham sido derrubados. 'Retiraram-se' disse e 'hoje sabemos que as forças opercionais da KGB se misturaram com as multidões que cantavam nas ruas;[eles] estavam a orquestrar acontecimentos e não houve nenhuma revolução a sério; a KGB tem uma rede de espiões, contra-espiões, dirigentes de espiões, informadores, mensageiros, e assassinos de todos os tipos. Eles tinham gulags, campos de prisioneiros com guardas, torturadores, capitães e trabalhadores escravos. O que aconteceu com tudo isso? Ninguém nos diz. Ninguém da KGB foi posto na cadeia pelos crimes que cometeu. Ninguém foi levado ao tribunal. Não houve julgamentos para condenar os que tinham assassinado e torturado, durante aqueles anos todos nos gulags. Ninguém falou disso. Os gulags ainda lá estão? Ainda há prisioneiros nos campos?'

'Quem organizou de tal maneira a comunicação social que não nos dá respostas a estas perguntas? Nem sequer se fazem as perguntas. Quem diz aos jornalistas para não mencionarem estas perguntas? Quem controla o fluxo de informações, de modo que não ouvimos notícias sobre o que se está a passar realmente na Rússia? 'A única explicação é que há um poder mais alto a que ambos prestamos homenagem', disse a Bernard Janzen quando a URSS ainda existia. 'Há um grupo de homens que tornam possíveis a subjugação tanto da União Soviética como dos Estados Unidos. E eles resolveram que, entre estas duas superpotências, podem encurralar o mundo numa nova ordem econômica mundial. Tanto a União Soviética como o Ocidente capitalista estão a ser dirigidos para produzir um mundo sem Deus'.

A mesma conclusão reflete-se na sua novela Vatican, em que um alto funcionário da KGB confessa à personagem principal: '... [nós] temos receio dessa assembleia de homens poderosos, que estão acima dos Estados Unidos e acima da União Soviética — acima de todos. São uma lei para si mesmos, querem-nos ambos mortos, o vosso lado e o nosso lado. O nosso verdadeiro combate é … contra eles. Este grupo totalitário, fascista, internacional, baseado no capital, é cem vezes mais desumano do que vocês pensam que nós, marxistas, somos'.

Mesmo no seu livro final, a novela Windswept House (‘A casa varrida pelos ventos’), os maçons ou os satanistas e inimigos da Igreja de todo o gênero, eventualmente têm que agradar a uma figura misteriosa e sombria, apenas conhecida por 'Pedra Angular'. Um dia, enquanto caminhávamos pela Avenida Lexington em Nova Iorque, o Padre Martin disse: 'Ainda temos as nossas estruturas de governo, os nossos procedimentos democráticos, os nossos votos. Mas estamos controlados. Nos próximos anos, as decisões que mais afetarão as nossas vidas não serão feitas pelos americanos'.

Na Nova Ordem Mundial, disse, a nação-estado já não tem qualquer significado. Tudo é global. Mas a Nova Ordem Mundial não é tanto política como financeira. Disse ele a Bernard Janzen: 'a situação geopolítica de hoje é dominada por uma coisa, e só uma: o fluxo de capital e o fluxo de bens de capital. E nenhum país pode ficar fora disso. [Devemos] conformar-nos com a nova geopolítica dos negócios; devemos estar dependentes do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Toda a nossa economia deve estar coordenada com a economia global'.

Os homens à frente da Nova Ordem Mundial não são leais a nenhum país em especial. 'O mercado é dominado por uns 60 a 80 homens [que] decidem quais são as nações que viverão e quais as nações que morrerão. São muito, muito ricos e cada vez são mais ricos. Têm dinheiro investido em todas as partes do globo. Decidem qual será o valor do nosso dinheiro. Dizem ao Presidente dos Estados Unidos o que ele há-de fazer e o que não deve fazer. E ele tem de fazer o que lhe dizem'.

Uma das nações afetadas por esta hegemonia de 60 a 80 homens, que comandam as fortunas de todas as nações da Terra, é a pequena cidade-estado conhecida por Cidade do Vaticano. Também está sob o controle destes poucos homens poderosos, e deve fazer o que eles dizem para sobreviver. Mas o que ainda era mais aflitivo para o Padre Malachi foi a descoberta de que a própria Igreja tinha sido cúmplice, ao longo dos anos, desta oligarquia financeira todo-poderosa e servidora de avareza. A vasta riqueza que a Igreja conseguiu acumular deve-se em parte à sua colaboração com os seus inimigos mais ferozes em transações financeiras. O Padre Malachi afirmava que a necessidade de se submeter à vontade destes inimigos custou à Igreja a sua liderança espiritual, de modo que agora confiava no poder financeiro terreno, como no passado confiara no poder político terreno, em vez de ser no poder espiritual que lhe foi dado por Cristo.

Tão perturbado estava o Padre Malachi com esta situação que dedicou três dos seus livros ao assunto. Num deles, a sua novela Vatican, esta colaboração tomou forma concreta num documento a que chama 'o Acordo', que todos os papas, desde a queda dos Estados Pontifícios, assinou. A finalidade declarada do Acordo era conseguir que dois inimigos, a Santa Sé e a Assembleia Universal, entrassem em iniciativas negociais com proveito mútuo, continuando a ser inimigos. Disse uma vez ao Padre Malachi que Vatican era, dos seus livros, o meu favorito. Respondeu que Vatican era a mais autobiográfica das suas obras. Por outras palavras, tinha incluído na vida da personagem principal muito da sua própria experiência, e presumivelmente também das suas próprias convicções.

Outro título deste livro poderia ter sido 'Se eu fosse Papa', porque, em certa altura da novela, há um conclave em que a personagem principal é nomeada para o papado. 'Não assinarei este Acordo' diz aos cardeais espantados, que nunca ouviram sequer falar dele. Segurando uma pequena folha de papel que vagarosamente rasga em pedaços enquanto explica a história e a finalidade do Acordo, avisa: 'Se me elegerem papa, haverá consequências. Quando renunciar ao Acordo, a Igreja deixa de gozar da proteção dos poderes constituídos, ou da prosperidade econômica que derivava dela, mas ficaremos outra vez livres para exercer a autoridade espiritual que Cristo deu a Pedro e aos seus sucessores'.

Deixou cair ao chão os bocados de papel. Claro que este 'Acordo' pode não passar de um artifício de estilo, mas a realidade subjacente por detrás desta figura literária pode contribuir muito para explicar porque é que sete papas, um atrás de outro, não ousaram consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Cada novo papa, ao ler o Segredo, defronta todo o horror dos castigos que nos ameaçam. Deve também sentir a presença amorosa de Nossa Senhora, pedindo-lhe, chamando-o a si apenas. Toda a confiança infantil e amor filial por Ela, que ele desenvolveu durante toda a sua vida, todas as graças e a coragem que conseguiu adquirir, ser-lhes-ão agora necessárias. Porque, ao mesmo tempo, tem de aprender porque é tão completamente aterrorizante nomear a Rússia numa consagração.

Malachi Martin escreveu em Keys of This Blood: 'Se havia um elemento dominante no Terceiro Segredo, era a Rússia. As previsões do Terceiro Segredo só faziam sentido em relação à Rússia. A mudança geopolítica implicada no ‘Terceiro Segredo’ não era muito abrangente - a Rússia era o seu cerne. A Rússia era o seu ponto focal. A Rússia iria ser o agente principal da mudança. A Rússia iria ser a fonte de uma cegueira e de um erro à escala universal'. Naquele segredo, a escolha entre 'a paz mundial ou a catástrofe mundial é descrita em termos de Maria e a Rússia. A reforma ou a decadência mortal da Igreja é também descrita em termos de Maria e da Rússia'. Sabemos quem irá ganhar no fim. Porque Maria Santíssima prometeu: 'O Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz'. Santa Maria, apressai o Vosso Triunfo!

(artigo publicado originalmente em www.fatima.org, com pequenas correções do texto)