segunda-feira, 27 de julho de 2026

OS MILAGRES EUCARÍSTICOS DE FLORENÇA

A Igreja de Santo Ambrósio, em Florença, foi contemplada com dois milagres eucarísticos: um ocorrido em 1230 e outro em 1595. O primeiro milagre eucarístico é conhecido tradicionalmente como o Milagre da Encarnação (Miracolo dell'Incarnazione) e ocorreu em 30 de dezembro de 1230, no mosteiro beneditino anexo à Igreja de Santo Ambrósio.

Neste dia, um sacerdote de idade avançada chamado Uguccione, então capelão das monjas beneditinas, celebrou a Santa Missa na festa de São Florêncio. Ao terminar a celebração, durante a purificação do cálice, deixou inadvertidamente algumas gotas do Preciosíssimo Sangue, sob as espécies consagradas do vinho, no interior do vaso sagrado. Na manhã seguinte, ao preparar-se para celebrar novamente a Missa, encontrou no cálice não mais vestígios de vinho, mas sangue coagulado, descrito como 'sangue vivo, coagulado e encarnado'. 


O acontecimento foi objeto de investigação detalhada, conduzida pelo bispo de Florença, Ardingo Foraboschi, que posteriormente reconheceu a extraordinária natureza do evento. O sangue foi cuidadosamente recolhido do cálice e colocado em uma ampola de cristal, destinada à veneração pública. Segundo a tradição, o próprio bispo devolveu a relíquia ao mosteiro numa rica custódia de marfim ornamentada com ouro. A ampola contendo o sangue é conservada até hoje na Capela do Milagre do Santíssimo Sacramento, à esquerda do altar-mor da Igreja de Santo Ambrósio, guardada dentro de um tabernáculo de mármore esculpido por Mino da Fiesole, executado entre 1481 e 1484. Nesta mesma capela, um grande afresco de Cosimo Rosselli reproduz os acontecimentos relacionados ao milagre, representado na praça localizada na frente da Igreja de Santo Ambrósio.

tabernáculo de mármore esculpido por Mino da Fiesole

afresco de Cosimo Rosselli sobre o Milagre da Encarnação

O segundo Milagre Eucarístico ocorreu na Sexta-feira Santa do ano de 1595. Uma vela que permaneceu acesa sobre o altar da capela lateral, denominada Capela do Santo Sepulcro, deu início a um incêndio de grandes proporções no interior da Igreja de Santo Ambrósio. Os fiéis conseguiram retirar o Santíssimo Sacramento e o cálice mas, infelizmente seis Hóstias consagradas caíram do cibório sobre um tapete em chamas. Mas, apesar de caírem diretamente sobre o fogo, as seis Hóstias foram posteriormente encontradas intactas e reunidas na forma de um anel. Em 1628, o arcebispo Marzio Medici examinou as Hóstias e constatou que todas permaneciam incorruptas, ordenando a sua conservação em um precioso relicário.


Assim, os dois acontecimentos são considerados complementares: o primeiro manifesta a permanência extraordinária da Hóstia consagrada, enquanto o segundo ressalta a proteção providencial do Santíssimo Sacramento em meio à destruição causada pelo fogo. Todos os anos, durante a devoção das Quarenta Horas, as relíquias dos dois milagres (1230 e 1595) são expostas juntas para adoração pública.