Mostrando postagens com marcador Publicações do Autor do Blog. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Publicações do Autor do Blog. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de fevereiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo!(Sl 118)

Primeira Leitura (Eclo 15,16-21) - Segunda Leitura (1Cor 2,6-10) -  Evangelho (Mt 5,17-37)

  15/02/2026 - SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

'E EU VOS DIGO...'



Nas palavras: 'Em verdade, Eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra' (Mt 5,18), Jesus proclama que a Boa Nova do Evangelho trazida à humanidade, como instrumento de resgate e não de abolição à Antiga Lei, está fundada na Verdade Absoluta, imutável no espaço e no tempo, desde os nossos primeiros pais até o último homem da face da terra. O pecado é o mesmo ontem e hoje, e os Dez Mandamentos modelam a história humana na dimensão divina.

A plenitude do exercício do Decálogo é a via de santificação perfeita. O Céu é uma porta aberta para os que se consomem e se alimentam da Verdade de Cristo, emanada da vivência profunda dos valores do Evangelho e não apenas sedimentados no alicerce frágil das exterioridades enormes da antiga Lei Mosaica: 'Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus' (Mt 5,20). Nesta contextualização, Jesus vai passar dos conceitos formais expressos por 'vós ouvistes...' às premissas mais abrangentes da Nova Lei: 'e eu vos digo...' Assim, do pecado gravíssimo do homicídio formal, Jesus anuncia que na própria ira contra o próximo já se manifesta a gravidade do pecado. O pecado do adultério não se restringe ao ato consumado e definitivo, que era castigado com a morte, mas é igualmente perverso no desejo; o juramento falso é um ato abominável, mas é igualmente pecaminoso o simples juramento sobre qualquer coisa.

Jesus exorta, em todas estas passagens, a se cumprir, em tudo e para todos, a santificação em plenitude, traduzida na observância radical dos seus Mandamentos e na fuga da ocasião de pecado por todos os meios disponíveis, pelos mais extremos possíveis: 'Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno' (Mt 5,29 - 30).

Não ceder ao pecado sob concessão alguma. Não afrontar a graça divina por nenhum propósito humano. A verdadeira santificação exige, portanto, vigilância extrema e oração constante. A superação da fragilidade de nossas limitações implica decisões claras e firmes em favor da pureza evangélica e aos ditames de Cristo, nosso Divino Mestre: 'Seja o vosso ‘sim’: ‘Sim’, e o vosso ‘não’: ‘Não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno' (Mt 4,37).

domingo, 8 de fevereiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez(Sl 111)

Primeira Leitura (Is 58,7-10) - Segunda Leitura (1Cor 2,1-5) -  Evangelho (Mt 5,13-16)
 
  08/02/2026 - QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO


Na missão de testemunhar com nossas vidas o Evangelho de Cristo, somos instados a deixar nos caminhos do mundo a marca característica da fé e dos valores cristãos. Os passos de um cristão marcham para o triunfo da Igreja; os caminhos são forjados pelo amor à Verdade; como peregrinos da eternidade, somos mensageiros e arautos da Boa Nova anunciada por Jesus. Somos cristãos espalhados no mundo mas, desde agora, herdeiros da Pátria Celeste.

Este propósito nos foi delegado por Jesus, no evangelho deste Quinto Domingo Comum: 'Vós sois o sal da terra' (Mt 5, 13). Sal capaz de dar sabor e sentido à vida de todos, em meio às labutas e sofrimentos humanos; sal capaz de conservar os valores e a integridade da Palavra de Deus no mundo afeito às glórias mais passageiras; sal capaz de condimentar o desvario, a vertigem e o entorpecimento de uma humanidade que insiste em se deleitar com a sedução do pecado.

Este legado nos foi outorgado por Jesus uma vez mais: 'Vós sois a luz do mundo' (Mt 5, 14). Luz para refletir no próximo a graça do Espírito Santo distribuída a todos; luz para fazer brilhar a verdade no meio de um mundo dominado pela mentira e pela manipulação dos costumes; luz para dar foco aos que vivem à deriva e acostumados às comodidades dos erros; luz para aniquilar a cegueira e a loucura que ensoberbecem os que tateiam nas trevas do pecado.

Ai do cristão que, amesquinhado e omisso pelos valores do mundo, não for o sal que salga ou a luz que não ilumina! Como testemunhas do Senhor, mais que vocação, nossa missão no mundo é praticar o bem em todas as nossas ações, dando sabor e sentido à nossa vida e à vida de nossos irmãos, como reflexos diretos da Luz de Cristo, para honra e glória de Deus: 'Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus' (Mt 5, 16).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXVIII)

 

'A humildade é o trono da sabedoria'
 (Santo Ambrósio)

Como herdeiro dos céus, eis aí a tua identidade como filho de Deus no mundo: a humildade como armadura, a caridade como bagagem, a fé como único tesouro...

domingo, 1 de fevereiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus(Sl 145)

Primeira Leitura (Sf 2,3;3,12-13) - Segunda Leitura (1Cor 1,26-31) -  Evangelho (Mt 5,1-12a)
 
  01/02/2026 - QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

AS BEM AVENTURANÇAS


Neste Quarto Domingo do Tempo Comum, a Igreja celebra no Evangelho a síntese de toda a doutrina cristã e dos ensinamentos de Jesus - o Sermão da Montanha. Sobre um monte (Mt 5,1), Jesus vai proclamar as glórias excelsas do seu Reino e, diante a imensidão do Mar da Galileia prostrado à frente dos seus olhos, uma mensagem de amor e de justiça que há de ressoar pela humanidade de todos os tempos (Mt 5,3-12a).

Bem-aventurados os pobres de espírito, os simples de coração, aqueles que anseiam as heranças eternas, desapegados dos bens e dos valores do mundo, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os aflitos que padecem suas dores e seus sofrimentos no recolhimento da graça, para que se cumpra neles, sem regras ou limitações, a Santa Vontade de Deus, porque serão abundantemente consolados.

Bem-aventurados os mansos que se espelham no Coração de Jesus porque possuirão em plenitude a terra celeste. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, aqueles que buscam a santidade em meio às tantas dificuldades e provações desta vida passageira, sempre em direção à Terra Prometida, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, filhos prediletos da caridade, porque serão medidos pela Misericórdia Infinita do Senhor.

Bem-aventurados os puros de coração, aqueles que, desprezando o pecado e os vícios humanos, se fazem novas manjedouras onde possa recolher sem máculas o Sagrado Coração de Jesus. Bem-aventurados os que promovem a paz e os que são perseguidos por causa da justiça porque deles será o Reino dos Céus. E bem-aventurados os que foram injuriados e perseguidos em nome da Cruz, do Calvário, dos Evangelhos e de Jesus Cristo porque serão os santos dos santos de Deus!

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXVII)


'A Eucaristia é o Paraíso na terra'

(Santa Teresa Margarida do Coração de Jesus)

Jesus, ao receber esta santa eucaristia, eu queria estar convosco diante dos sacrários mais isolados, abandonados e esquecidos da Terra, para vos fazer companhia, vos louvar e adorar e vos oferecer este sacrifício como sustento e remédio para a minha vida e a vida dos homens que vos abandonam em tantos altares...

domingo, 25 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'O Senhor é minha luz e salvação. O Senhor é a proteção da minha vida.(Sl 26)

Primeira Leitura (Is 8,23b-9,3) - Segunda Leitura (1Cor 1,10-13.17) -  Evangelho (Mt 4,12-23)

  25/01/2026 - TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

PESCADORES DE HOMENS


Com a prisão e morte de João Batista, tem fim a Era dos Profetas e começa a pregação pública de Jesus sobre o Reino de Deus: 'Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo' (Mt 4,17). O reino de Deus é o reino dos Céus, e não um império firmado sobre as coisas deste mundo. Cristo, rei do universo, começa a sua grande jornada pelos reinos do mundo para ensinar que a pátria definitiva do homem é um reino espiritual, que se projeta para a eternidade a partir do coração humano.

E esta proclamação vai começar por Cafarnaum e nos territórios de Zabulon e Neftali, localizada na zona limítrofe da Síria e da Fenícia, e povoada, em sua larga maioria, por povos pagãos. Em face disso, esta região era a chamada 'Galileia dos Gentios', e seus habitantes, de diferentes raças e credos, eram, então, objeto de desprezo por parte dos judeus da Judeia. E é ali, exatamente entre os pagãos e os desprezados, que o Senhor vai proclamar publicamente a Boa Nova do Evangelho do Reino de Deus: 'O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz (Mt 4,16).

Nas margens do Mar da Galileia, Jesus vai escolher os seus primeiros discípulos num chamamento imperativo e glorioso: 'Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens' (Mt 4,19). Aqueles pescadores, acostumados à vida dura de lançar redes ao mar para buscar o seu sustento, seriam agora os primeiros a entrarem na barca da Santa Igreja de Cristo para se tornarem pescadores de homens, na gloriosa tarefa de conduzir as almas ao Reino dos Céus.

Eis a resposta pronta e definitiva dos primeiros apóstolos ao chamado de Jesus: 'Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram' (Mt 4,20) e 'Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram' (Mt 4,22). Seguir a Jesus implica a conversão, pressupõe o afastamento do mundo, pois Jesus nos fala do Reino dos Céus. No 'sim' ao chamado de Jesus, nós passamos a ser testemunhas e herdeiros deste reino 'que não é desse mundo', e nos abandonamos por completo na renúncia a tudo que é humano para amar, servir e viver, prontamente, cotidianamente, o Evangelho de Cristo.

domingo, 18 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Eu disse: Eis que venho, com prazer faço a vossa vontade!(Sl 39)

Primeira Leitura (Is 49,3.5-6) - Segunda Leitura (1Cor 1,1-3) -  Evangelho (Jo 1,29-34)

  18/01/2026 - SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

JESUS CRISTO É O CORDEIRO DE DEUS 

Neste segundo domingo do tempo comum, a mensagem profética que ressoa pelos tempos vem da boca de João Batista: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo' (Jo 1,29). E complementa: 'Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim' (Jo 1,30). Eis o primado de João, o Precursor do Messias: Jesus veio ao mundo para resgatar e levar à salvação toda a humanidade e fazer novas todas as coisas.

Diante de Jesus, que viera pela segunda vez até ele às margens do Jordão, assim como foi Maria que visitou a sua prima Santa Isabel, João Batista reconhece no Senhor a glória e a eternidade de Deus 'porque existia antes de mim' (Jo 1,30). Nas margens do Jordão, uma vez mais, no mistério da Encarnação, os desígnios de Deus são revelados aos homens por meio de João Batista.

Em seguida, reafirma a manifestação da Santíssima Trindade na pomba que desceu do céu, símbolo exposto em dimensão humana para o mistério insondável do Filho na intimidade com o Pai: 'Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele' (Jo 1,32). O maior profeta de Deus, enviado para batizar com água, declara de forma clara e incisiva, Jesus como Filho de Deus Vivo: 'Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!' (Jo 1,34).

Eis aí a figura singular do Batista, de quem o próprio Cristo revelou: 'Na verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não veio ao mundo outro maior que João Batista' (Mt 11,11). A grandeza do Precursor é enfatizada por Jesus naquele que recebeu privilégios tão extraordinários para ser o profeta da revelação de tão grandes mistérios de Deus à toda a humanidade: Jesus Cristo é o Unigênito do Pai, o Filho de Deus Vivo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

POR QUE 1960?

Por que o Terceiro Segredo deveria ser revelado publicamente apenas em 1960?

Esta pergunta foi feita à Irmã Lúcia por diferentes pessoas e a sua resposta foi sempre a mesma: 'porque então o Segredo tornar-se-ia mais claro para todos'. Ou seja, antes desta data, os termos do Segredo não seriam suficientemente claros e plenamente compreendidos ou, de outra forma, a partir de 1960, pela intervenção especial de alguma circunstância, evento ou acontecimento característico, a interpretação do texto profético tenderia a se tornar de muito mais fácil percepção e projeção. Assim, uma das mais intrigantes questões relativas ao Terceiro Segredo de Fátima é exatamente esta: antes de 1960, a sua revelação seria pouco efetiva para o bem da Igreja e do mundo, porque lhe faltaria uma conexão singular com alguma coisa que só seria de conhecimento público generalizado em 1960.

Pelo caráter interativo e indissociável do Segredo de Fátima como uma única e completa revelação extraordinária dos Céus, interligada por três partes distintas, há muito já se podia inferir a natureza da terceira parte do Segredo num contexto de uma profunda crise de fé e de difusão de uma apostasia universal, capazes de comprometer gravemente os fundamentos da cristandade e da própria civilização cristã.

Mas existe uma comprovação muito mais efetiva neste sentido, oriunda das próprias revelações conhecidas e constante do texto da Quarta Memória escrita pela Irmã Lúcia. Com efeito, na sequência imediata dos textos relativos às revelações do Primeiro e Segundo Segredo, a Irmã Lúcia acrescentou uma única frase: 'Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc'. É de consenso geral que esta frase solta introduz a terceira parte do Segredo e que o termo etc engloba as palavras restantes que compõem o Terceiro Segredo. Ora a frase é uma promessa contundente de que a verdadeira fé seria conservada em Portugal e, neste contexto, é uma clara admoestação de que isto certamente não iria ocorrer em outros lugares e países que viveram o triunfo da cristandade no mundo (A Europa Católica? As Américas? Mais provavelmente, o mundo inteiro).

Assim, 1960 representa uma data referencial para esta crise de fé universal, tão crítica e tão tremenda que é capaz de abalar os fundamentos da Igreja; caso contrário, não implicaria os eventos de Fátima e tão decisiva intervenção da Providência Divina na história da humanidade. Nos termos propostos pela Virgem, a mensagem profética deveria ser objeto de revelação pública em 1960 e não a partir de 1960. Tal fato pressupõe que o seu conhecimento nesta data era de fundamental importância para o bem da Igreja e do mundo no sentido de uma plena compreensão (e consequente tomada de posição) contra fatos, circunstâncias ou eventos que tenderiam a ser particularmente graves e deletérios para a Santa Igreja e para toda a humanidade.

Que fato, circunstância ou evento, ocorrido logo após 1960, mas que já seria de conhecimento prévio nesta data, atuou ou contribuiu de forma decisiva para fomentar a perda da fé cristã, uma apostasia universal e uma crise sem precedentes da Igreja? A resposta parece bastante óbvia em recair sobre o Concílio Vaticano II, concílio ecumênico convocado pelo Papa João XXIII em 25 de dezembro de 1961, inaugurado em 11 de outubro de 1962 e concluído pelo seu sucessor, o Papa Paulo VI, em 8 de dezembro de 1965. O concílio que introduziu a Missa Nova na Igreja. No discurso na abertura solene do CV II, ao fazer alusão sobre a origem de sua proposição, assim se expressou o Papa João XXIII:

'No que diz respeito à iniciativa do grande acontecimento que agora se realiza, baste, a simples título de documentação histórica, reafirmar o nosso testemunho humilde e pessoal do primeiro e imprevisto florescer no nosso coração e nos nossos lábios da simples palavra 'Concílio Ecumênico'. Palavra pronunciada diante do Sacro Colégio dos Cardeais naquele faustíssimo dia 25 de janeiro de 1959, festa da Conversão de São Paulo, na sua Basílica. Foi algo de inesperado: uma irradiação de luz sobrenatural, uma grande suavidade nos olhos e no coração. E, ao mesmo tempo, um fervor, um grande fervor que se despertou, de repente, em todo o mundo, na expectativa da celebração do Concílio'.

(Missa de Abertura do Concílio Vaticano II rezada pelo Papa João XXIII)

O Papa João XXIII proclamava neste evento que tivera uma singular inspiração especial para anunciar subitamente um novo concílio ecumênico em 25 de janeiro de 1959, diante do Sacro Colégio de Cardeais, a mais alta hierarquia da Igreja. Uma proposta que demandou a partir de então mais de 1000 dias ou quase três longos anos de preparação antes da sua convocação formal (ou 3 anos e 8 meses até a sua solene inauguração). Um período que teve 1960 no meio do tempo, mas que não teve a mensagem de Fátima no meio do caminho. Um pequeno detalhe complementar: foi exatamente em um dia 25 de janeiro (25/01/1938) que uma luz desconhecida iluminou os céus da Europa, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, tal como predita por Nossa Senhora de Fátima como um sinal de que Deus iria punir o mundo com os eventos que haviam sido revelados na segunda parte do segredo, uma vez que os homens continuavam obstinados no pecado. Seria tal fato uma mera coincidência dos Céus?

(FÁTIMA EM 100 FATOS E FOTOS, Questão 92, obra do autor do blog)

domingo, 11 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!(Sl 28)

Primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7) - Segunda Leitura (At 10,34-38) -  Evangelho (Mt 3,13-17)

  11/01/2026 - FESTA DO BATISMO DO SENHOR

O BATISMO DO SENHOR


No Evangelho do Batismo do Senhor, encerra-se na liturgia o tempo do Natal. João Batista, nas águas do Jordão, realizava um batismo de penitência, de ação meramente simbólica, pois não imprimia ao batizado o caráter sobrenatural e a graça santificante imposta pelo Batismo Sacramental, instituído posteriormente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso mesmo vai protestar diante o Senhor: 'Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?' (Mt 3, 14). Mas Jesus vai consolar suas preocupações em nome das palavras dos profetas: 'Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!' (Mt 3, 15).

O Batismo de Jesus constitui, ao contrário, um ato litúrgico por excelência, pois o Senhor se manifesta publicamente em sua missão salvífica. Chega ao fim o tempo dos Profetas: o Messias tão anunciado torna-se realidade diante o Precursor nas águas do Jordão. E o batismo de Jesus é um ato de extrema humildade e de misericórdia de Deus: assumindo plenamente a condição humana, Jesus quis ser batizado por João não para se purificar pois o Cordeiro sem mácula alguma não necessitava do batismo, mas para purificar a humanidade pecadora sob a herança dos pecados de Adão. Ao santificar as águas do Jordão e nelas submergir os nossos pecados, Jesus santificou todas as águas do Batismo Sacramental de todos os homens assim batizados.

Após ter recebido o batismo de João, 'o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus...' (Mt, 3, 16). Nas margens do Jordão, no mistério insondável do Filho na intimidade com o Pai, manifesta-se pela primeira vez a Santíssima Trindade, ratificada pela pomba e pela voz que vem do Céu: 'Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado' (Mt 3, 17). No batismo do Jordão, manifesta-se em plenitude a divindade de Cristo.

Eis a síntese da nossa fé cristã, legado de Deus a toda a humanidade, sem distinção de pessoas: 'ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença' (At 10, 35). No Jordão, o céu se abriu para o Espírito Santo descer sobre a terra. No Jordão, igualmente, manifestou-se por inteiro o perdão e a misericórdia de Deus e a graça da salvação humana por meio do batismo. E, com o batismo de Jesus, tem início a vida pública do Messias preanunciado por gerações. Esta liturgia marca, portanto, o início do Tempo Comum, período em que a Igreja acompanha, a cada domingo e a cada semana, as pregações, ensinamentos e milagres de Jesus sobre a terra, o tempo em que o próprio amor de Deus habitou em nós.

sábado, 10 de janeiro de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXVI)

  

'É viva a palavra quando são as obras que falam' 

(Santo Antônio de Pádua)

Para santificar o mundo, para que cada leigo passe a ser realmente um apóstolo leigo, no cotidiano de sua vida familiar e social, é preciso colocar em prática esta missão, é preciso AÇÃO, é preciso Abrir Caminhos Através de Obras, por meio do nosso próprio exemplo e da nossa própria santificação pessoal.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

QUAL DELES É O SEU PERSONAGEM?

Numa noite fria, em alguma taberna à beira de uma estrada poeirenta, reuniram-se à deriva sete personagens em torno de uma mesa redonda de madeira gasta e com bancos toscos, na disposição indicada na figura abaixo. O vinho servira de pretexto para conforto térmico e para conversas um tanto filosóficas concentradas no milagre de Jesus nas Bodas de Caná.


O primeiro personagem, sentado na posição 1 à mesa, iniciou a discussão:
Nympha pudica Deum vidit, et erubuit - A água viu o seu Senhor e corou.
E emendou rapidamente:
— A frase não é minha, mas de um famoso poeta inglês do século XVII. Mas que, em minha opinião, expressa com real grandeza o primeiro milagre de Jesus, prenúncio da Santa Eucaristia.

Um segundo personagem, na posição 6 à mesa, assentiu respeitosamente e complementou:
—  Excelente a sua colocação, mas tenho a firme convicção de que Jesus fez o milagre apenas para atender as necessidades de uma situação difícil da festa. O prenúncio da eucaristia que você citou é uma interpretação equivocada dos fatos ocorridos.

O terceiro personagem a se inserir neste diálogo espiritual foi o homem baixo e atarracado da posição 4 à mesa. Ele argumentou:

— Penso que a mensagem de Jesus seja mais abstrata do que física: o vinho aqui representaria muito mais um bem a ser compartilhado entre os convivas do que a água que preenchia inicialmente as talhas. O prenúncio na verdade seria do milagre dos pães e dos peixes, cujo verdadeiro milagre não seria a sua multiplicação, mas a oferta e a partilha dos bens disponíveis em favor de todos os irmãos.

O personagem 2 à mesa foi taxativo na sua intervenção:
— Interessante a sua abordagem. No caso dos pães e dos peixes, bastaram cinco pães e dois peixes. Por que, neste caso, as talhas foram integralmente preenchidas com água? Não teria bastado um litro, meio litro de água? Existem milagres e milagres... 

O senhor de óculos e espesso bigode ao seu lado, na posição 3 à mesa, questionou os demais:
— Sim, existem milagres e milagres. E também, muitas distorções e manipulações da verdade. Ou, no presente caso, muitas simulações e muitas metáforas. Água é água. Vinho é vinho. São coisas distintas, francamente distintas. Mas não seria esse milagre a persuasão de sei lá quantas pessoas de que, ainda que bebendo água, elas o tomariam como o melhor dos vinhos?

O personagem 5 à mesa, até agora amuado e aparentemente aborrecido com o assunto, deu os ares de sua graça e presença:
— Ah finalmente uma visão racional e equilibrada dessa estória, estória porque se trata de uma fábula. Que pessoa externa se importaria por que faltaria vinho numa festa de casamento? E por que estariam à disposição na festa as tais talhas de água? Por que não teriam controlado a oferta do vinho aos convidados, a ponto do vinho acabar?

Na posição 7 à mesa, um homem particularmente magro manifestou vivamente então a sua opinião:
— Não houve milagre nenhum porque nesta festa - se é que existiu mesmo - eu apostaria que o que faltou foi água e não vinho...

Aqui estão sete personagens que conformam, no seu modo de pensar, a realidade atual e histórica da natureza humana na sua condição de criaturas de Deus e senhores do seu livre arbítrio. Você consegue definir cada um deles? Qual deles é o seu personagem? 

domingo, 4 de janeiro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!(Sl 71)

Primeira Leitura (Is 60,1-6) - Segunda Leitura (Ef 3,2-3a.5-6) -  Evangelho (Mt 2,1-12)

  04/01/2026 - SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR

EPIFANIA DO SENHOR


Epifania é uma palavra grega que significa 'manifestação'. A festa da Epifania - também denominada pelos gregos de Teofania, significa 'a manifestação de Deus'. É uma das mais antigas comemorações cristãs, tal como a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo - era celebrada no Oriente já antes do século IV e, somente a partir do século V, começou a ser celebrada também no Ocidente.

Na Anunciação do Anjo, já se manifestara a Encarnação do Verbo, revelada porém, a pouquíssimas pessoas: provavelmente apenas Maria, José, Isabel e Zacarias tiveram pleno conhecimento do nascimento de Deus humanado. O restante da humanidade não se deu conta de tão grande mistério. Assim, enquanto no Natal, Deus se manifesta como Homem; na Festa da Epifania, esse Homem se revela como Deus. Na pessoa dos Reis Magos, o Menino-Deus é revelado a todas as nações da terra, a todos os povos futuros; a síntese da Epifania é a revelação universal da Boa Nova à humanidade de todos os tempos.

A Festa da Epifania, ou seja, a manifestação do Verbo Encarnado, está, portanto, visceralmente ligada à Adoração dos Reis Magos do Oriente: 'Ajoelharam-se diante dele e o adoraram' (Mt 2, 11). Deus cumpre integralmente a promessa feita à Abraão: 'em ti serão abençoados todos os povos da terra' (Gn 12,3) e as promessas de Cristo são repartidas e compartilhadas entre os judeus e os gentios, como herança comum de toda a humanidade. A tradição oriental incluía ainda na Festa da Epifania, além da Adoração dos Reis, o milagre das Bodas de Caná e o Batismo do Senhor no Jordão, eventos, entretanto, que não são mais celebrados nesta data pelo rito atual.

A viagem e a adoração dos Reis Magos diante o Menino Deus em Belém simbolizam a humanidade em peregrinação à Casa do Pai. Viagem penosa, cansativa, cheia de armadilhas e dificuldades (quantos não serão os nossos encontros com os herodes de nossos tempos?), mas feita de fé, esperança e confiança nas graças de Deus (a luz da fé transfigurada na estrela de Belém). Ao fim da jornada, exaustos e prostrados, os reis magos foram as primeiras testemunhas do nascimento do Salvador da humanidade, acolhido nos braços de Maria: 'Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe' (Mt 2, 11): o mistério de Deus revelado de que não se vai a Jesus sem Maria. Com Jesus e Maria, guiados também pela divina luz emanada do Espírito Santo, também nós haveremos de chegar definitivamente, um dia, à Casa do Pai, sem ter que voltar atrás 'seguindo outro caminho' (Mt 2, 12).

domingo, 28 de dezembro de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Felizes os que temem o Senhor e trlham seus caminhos!(Sl 127)

Primeira Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a) - Segunda Leitura (Cl 3,12-21) -  Evangelho (Mt 2,13-15.19-23)

  28/12/2025 - FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA

SAGRADA FAMÍLIA


Este é o Domingo da Sagrada Família. Deus veio ao mundo por meio da família; eis porque a família é a fonte primária da sociedade, síntese da vida cristã autêntica e a primeira igreja. E que modelo de família cristã Deus legou ao mundo: Jesus, Maria e José: Jesus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade; Maria, a Virgem Mãe de Deus, e São José, esposo da Virgem Maria e pai adotivo de Jesus. Família sagrada que viveu em plenitude a submissão à perfeição do amor; submissão que se expressa pelos sentimentos de entrega e renúncia em tudo e não pelo servilismo complacente.

Na humilde casa de Nazaré, três pessoas eram pai, mãe e filho, em natureza sobrenatural exatamente inversa à ordem natural: São José, patriarca e pai de família devotado, com direitos naturais legítimos sobre a esposa e o filho, era o menor em perfeição; Nossa Senhora, esposa e mãe, era Mãe de Deus e de todos os homens; Jesus, a criança indefesa e submissa aos pais, é o Deus feito homem para a salvação do mundo. Portentoso mistério que revela a singular santidade da família humana, moldada sobre clara hierarquia divina, moldada por Deus para ser escola de santificação, amor, renúncia e salvação.

Eis o legado da Sagrada Família às famílias cristãs: a oração cotidiana santifica os pais e os filhos numa obra incomensurável do amor de Deus e a fortalece contra todos as tribulações. Sim, a Sagrada Família também viveu dias de extrema angústia, perseguição, contrariedades, sacrifícios, exílio: 'Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito...porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo' (Mt 2, 14). Quantas não são as tribulações e ataques que as forças do mal promovem contra a família cristã nos dias de hoje. Mais do que nunca, é preciso o heroísmo cristão, a perseverança, a fidelidade a Cristo no ambiente familiar. Isso só é possível na oração em família. Que pais e filhos vivam juntos a plenitude do amor em família! Que construam juntos, tijolo por tijolo, a felicidade que tem Deus por plenitude! Vida de família é, antes de tudo, vida de oração em comum, em perfeita comunhão com Cristo, em perfeita comunhão com a Sagrada Família! E viver em oração não significa rezar simplesmente o tempo todo, mas transformar cada ato, trabalho e pensamento em oração.

Amar em plenitude é cumprir à risca a santa vontade de Deus. Que bela obra de santificação se constrói a cada dia, no seio de uma família cristã, os pais e os filhos que vivem, na pequenez de suas lidas e esforços humanos, a enorme glória de servir a Deus em todos e em tudo. Em Nazaré, Deus tornou a família modelo e instrumento de santificação; que em nossas casas e em nossas famílias, a Sagrada Família seja o modelo e instrumento para a nossa vida e para nossa santificação de todos os dias!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

FRASES DE SENDARIUM (LXV)

'Deus é servido apenas quando é servido
de acordo com a sua Santa Vontade' 

(São Padre Pio)

Que eu não seja escravo e nem senhor da argila humana que me molda; e que eu aprenda, com o mais puro amor dos anjos, a cumprir sempre, em tudo, com todos, o tempo todo, a Santa Vontade de Deus.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

PROPÓSITO PARA A QUARTA SEMANA DO ADVENTO


Jesus e Maria estão de fato tão unidos que quem vê Jesus vê Maria, quem ama Jesus ama Maria e quem é devoto de Jesus também é devoto de Maria. Jesus e Maria são os dois primeiros fundamentos da religião cristã, as duas fontes vivas de todas as nossas bênçãos, os dois termos de nossa devoção e os dois pontos de referência para os quais devemos olhar em todas as nossas ações e exercícios. 

Não é verdadeiro cristão quem não tem devoção à Mãe de Jesus Cristo e de todos os cristãos. Portanto, Santo Anselmo e São Boaventura afirmam que não é possível que aqueles que não são amados por sua Santa Mãe sejam acolhidos por Jesus Cristo, assim como aqueles a quem ela dirige seu olhar benevolente não podem perecer.

Em Maria, devemos olhar e adorar o seu Filho: olhar e adorá-lo apenas a ele. Assim, de fato, ela quer ser honrada, sabendo muito bem que sozinha ela não é nada, mas que seu Filho Jesus é tudo nela: ele é seu ser, sua vida, sua santidade, sua glória, seu poder e sua grandeza. Devemos agradecer a Jesus a glória que desejava receber nela e por ela. Devemo-nos oferecer a ele e pedir-lhe que nos dê a Maria e disponha tudo para que nossa vida e nossas ações sejam consagradas para honrar a sua vida e as suas ações. Devemos pedir-lhe que compartilhe o amor que tinha por ela e suas outras virtudes. Devemos pedir a ele que nos use para honrá-la, ou melhor, para se honrar nela, da maneira que ele quiser.

Que, nesta Quarta Semana do Advento, em recolhimento anterior, possamos reconhecer e honrar Maria como Mãe de nosso Deus e depois como nossa Mãe e Soberana; agradecer-lhe por honrar, glorificar e servir a Jesus Cristo seu Filho e nosso Senhor; depender dela e pedir-lhe que nos guie em tudo o que diz respeito à nossa vida; dar-nos a ela e submeter-se a ela como escravos, implorando-lhe que tome pleno poder sobre nós, disponha de nós segundo sua boa vontade para a glória de seu Filho, e nos una a todo o amor e louvor que ela lhe tributou e lhe oferece novamente por toda a eternidade.

(São João Eudes, excertos e texto adaptado, Ouevres Complètes)

domingo, 21 de dezembro de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO

   

'O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que Ele possa entrar!(Sl 23)

Primeira Leitura (Is 7,10-14) - Segunda Leitura (Rm 1,1-7) -  Evangelho (Mt 1,18-24)

  21/12/2025 - QUARTO DOMINGO DO ADVENTO

'TU LHE DARÁS O NOME DE JESUS'


Neste Quarto Domingo do Advento, São Mateus nos revela em palavras o mistério divino da Encarnação do Verbo. Em Maria e José, criaturas humanas personalíssimas, Deus se manifesta através dos Seus anjos, no silêncio da contemplação de desígnios tão extraordinários. No Evangelho de hoje, José, o carpinteiro, será assombrado pelas dúvidas mais inclementes e inesperadas mas, na bondade do coração humano elevado às mais sublimes virtudes, vai corresponder com o seu próprio fiat à Santa Vontade de Deus.

Prometida a José, conforme os costumes judaicos da época, eis que Maria ficou grávida do Espírito Santo, antes das núpcias formais com o carpinteiro de Nazaré. Nossa Senhora guardou para si o maior mistério dos tempos. São José também fez do silêncio a sua obra de graça extremada: 'José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo' (Mt 1,19). E o evangelista vai traduzir com palavras aparentemente simples: 'Enquanto José pensava nisso...' (Mt 1, 20) o turbilhão de sentimentos, dor e humilhação que deveriam estar a afligir o esposo de Maria...

José conhecia a santidade e as graças de Maria do fundo do coração e tal certeza conflitava dramaticamente com a realidade dos fatos cada vez mais evidentes. E, muito provavelmente, José teve medo, de estar diante de algo que sublimava toda a sua dimensão humana, consubstanciado pela manifestação da Encarnação do Verbo proclamada por tantas profecias e revelações. E certamente se consumiu em pensamentos e reflexões contínuas e antagônicas naqueles dias de aflição, até que, testado e pesado no cadinho das sublimes virtudes, teve de Deus a revelação em sonho: 'José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados.Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco' (Mt 1, 20-23).

A provação de José é desfeita de imediato pela confirmação angélica da linhagem nobre de Jesus: 'José, Filho de Davi'... (Mt 1, 20), conforme as santas profecias. Desfaz-se a realidade humana e irrompe o mistério sobrenatural do nascimento do próprio Filho de Deus, 'pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados' (Mt 1, 21). Do rigor da provação humana ao êxtase da revelação dos Santos Mistérios, José obedeceu em tudo aos desígnios divinos e, assim, tornou-se o primeiro entre os homens a ser servo fiel da Virgem e do Menino.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

PROPÓSITO PARA A TERCEIRA SEMANA DO ADVENTO


'Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!' (Mt 11,6)

A vigilância perseverante e a conversão sincera nos convidam a viver em plenitude a alegria cristã. Não aquela feita das frivolidades do mundo, superficial e passageira, mas aquela que nos inunda a alma de esperança e de confiança na certeza de que o Senhor está prestes a chegar. Uma alegria que nos ilumina interiormente pela presença salvadora de Deus que vem ao nosso encontro.

Felizes somos nós que cremos, que esperamos, que amamos e adoramos o Senhor da vida. Que nos desapegamos dos risos fáceis e vazios e nos rejubilamos em Cristo; preparando o coração com simplicidade e confiança, aprendemos a reconhecer que o Natal não é apenas uma data a celebrar, mas um mistério a acolher: Deus que vem para permanecer conosco.

A alegria cristã pressupõe a santa alegria da comunidade cristã e, assim, o retrato mais fiel da aleria cristã é a caridade. São João Batista, figura central deste tempo litúrgico, exorta-nos a preparar os caminhos do Senhor com gestos reais de justiça, partilha e humildade. A verdadeira alegria cristã se revela quando o coração se desapega do egoísmo e se abre ao amor.

Maria, Mãe do Advento, infundi em nossos corações a alegria que vivenciastes quando o Filho de Deus estava prestes a habitar entre nós, uma alegria bela e santa, enraizada na fé, sustentada pela esperança e compartilhada no amor ao próximo.

E que, nesta Terceira Semana do Advento, tenhamos o firme propósito de viver em plenitude a virtude da feliz caridade para com nossos irmãos. Um gesto de perdão, uma palavra de consolo, uma ação concreta em aliviar o sofrimento alheio ou um tempo dedicado aos mais necessitados tornam-se sinais concretos de que a alegria cristã, que antecede a vinda do Salvador do mundo, já habita entre nós.

domingo, 14 de dezembro de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Vinde Senhor, para salvar o vosso povo!(Sl 145)

Primeira Leitura (Is 35,1-6a.10) - Segunda Leitura (Tg 5,7-10) -  Evangelho (Mt 11,2-11)

  14/12/2025 - TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO

'ÉS TU AQUELE QUE HÁ DE VIR?'


Eis o Advento do Senhor: depois da vigilância e da conversão, vivenciados nos domingos anteriores, segue agora o ressoar das trombetas da legítima alegria cristã neste terceiro domingo. Sim, alegria cristã, alegria plena do amor de Cristo, proclamada pelo livro do Profeta Isaías: 'Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos; cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto' (Is 35, 10). Neste deleite da graça, esparge-se a luz do entendimento da fé e amolda-se suavemente a paz divina ao coração humano que palpita inquieto enquanto não repousar definitivamente em Deus.

É neste sentimento de alegria, nascida e vivenciada numa fidelidade extrema ao amor de Deus, que exulta João Batista, ainda que na prisão. Uma alegria de tal plenitude de confiança e de graça, que vai merecer o elogio jubiloso do próprio Jesus: 'Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista' (Mt 11,11). João Batista não está nos palácios reais, aturdido pelos prazeres do mundo; João Batista não se move pelo respeito e pelas condescendências humanas, na inconstância de 'um caniço agitado pelo vento' (Mt 11,7). No deserto ou na prisão, o primado de João é o da plenitude inabalável da fé cristã; nele como se fecha a sucessão dos profetas e se abre o novo tempo da missão dos apóstolos.

Diante da indagação dos discípulos de João Batista: 'És Tu, aquele que há de vir?' (Mt 11,3), Jesus manifesta a glória de Deus e a Vinda do Messias: 'Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados' (Mt 11, 4-5). É como se lhes proclamasse aos corações: 'Nos sinais de tantos portentos e milagres, alegrai-vos, pois a Luz do Mundo está entre vós'. E Jesus vai exortá-los à alegria eterna dos Filhos de Deus: 'Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!' (Mt 11,6).

Eis a felicidade eterna trilhada por João Batista, e também a de todos os santos e santas de Deus, que percorreram igualmente a mesma via de santificação. Louvado seja o homem que recebeu do próprio Cristo elogio de tal honra e glória; louvores muito maiores sejam dados aos homens e mulheres que se consumiram de alegria na mesma via de santidade e habitam para sempre as moradas do Pai, porque mesmo 'o menor no Reino dos Céus é maior do que ele' (Mt 11, 11), o maior dentre todos os homens nascidos até então. Nascidos para a eternidade, e herdeiros da Visão Beatífica, no Céu todos se tornam ainda maiores que o João Batista do mundo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

PROPÓSITO PARA A SEGUNDA SEMANA DO ADVENTO


'Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo' (Mt 3,2)

O pecado é um estado de noite espiritual. O pecador vive nas trevas, e suas obras são obras das trevas. Mas, assim que uma verdadeira conversão do coração abre o caminho para Jesus na alma obscurecida, as sombras da escuridão espiritual desaparecem e a luz difunde ali seu esplendor radiante. Subitamente, torna-se dia; a alma começa a conhecer a si mesma, a compreender a miséria de sua existência anterior e a ver o que significa uma mudança de coração, uma mudança permanente, como a que o Senhor exige dela.

O significado das palavras de Cristo: 'Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?' torna-se imediatamente claro para o pecador arrependido; ele vê quão vã é toda a luta e busca por fortuna, honra e prazer, com as quais os filhos do mundo se esforçam para satisfazer os desejos de seus corações. As escamas caem de seus olhos. Ele decide seguir a Cristo e trilhar o caminho que leva à salvação. Ele olha para o seu modelo e ouve a sua promessa: 'Sou Eu!' Sim, é Ele. Foi somente Ele, a Luz do mundo, quem pôde despertar e iluminar uma alma que dormiu e sonhou por tantos anos na noite e na escuridão do pecado.

Mas agora, cristão, faça a si mesmo a seguinte pergunta: você está verdadeiramente convertido? Você não viveu, talvez por muitos anos, em estado de pecado? Você, cegado pelas seduções e pela falsa luz deste mundo, esqueceu o céu pela terra e, com as verdades eternas do Evangelho ressoando em seus ouvidos, preocupou-se apenas em desfrutar dos bens, honras e prazeres desta vida? Feliz você é, de fato, se o dia já amanheceu para você! Em gratidão por este dom inestimável da conversão, caminhe daqui em diante como um filho da luz e pratique, com zelo redobrado, as obras da graça. Eis agora o tempo de conversão!

Maria, Mãe de misericórdia, refúgio dos pecadores, rogai para que Deus nos conceda a graça de uma firme conversão e que, por nossa vida reformada, possamos provar e viver em plenitude a nossa reconciliação com Deus!  

Que, nesta Segunda Semana do Advento, possamos responder com firme confiança à pergunta: 'Em que estado se encontra minha alma? Sou eu, talvez, como um junco? Sou constante no serviço a Deus?' Que a nossa pronta resposta de constância e perseverança no estado da graça nos tornem dignos de sermos filhos de Deus, herdeiros das moradas eternas e da vida eterna com Deus!

(excertos adaptados dos sermões do Pe. Francisco Xavier Weninger, 1877)

domingo, 7 de dezembro de 2025

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Nos seus dias a justiça florirá(Sl 71)

Primeira Leitura (Is 11,1-10) - Segunda Leitura (Rm 15,4-9) -  Evangelho (Mt 3,1-12)

  07/12/2025 - SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO

TEMPO DE CONVERSÃO 


Neste segundo domingo do Advento, a Igreja, à espera do Senhor Que Vem, celebra, após um primeiro tempo de vigilância, o tempo de conversão, mediante a proclamação na história dos tempos de dois grandes profetas das revelações messiânicas: Isaías e João Batista.

Isaías é o profeta messiânico por excelência, o precursor dos evangelistas. É Isaías quem declara que Jesus será da estirpe de Davi: 'nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e temor de Deus' (Is 11, 1-2). É Isaías quem profetiza o nascimento de Cristo através de uma virgem, são de Isaías as profecias sobre a Paixão e Morte do Senhor, sobre a Santa Igreja de Deus e sobre a pregação de João Batista. Esta manifestação profética, entretanto, extrapola os limites da Antiga Aliança e assume um caráter messiânico: pela conversão, o homem do pecado há de se tornar digno de contemplar a própria glória de Deus: 'Naquele dia, a raiz de Jessé se erguerá como um sinal entre os povos; hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada' (Is 11,10).

E eis que surge então outro profeta, o maior de todos, maior que Isaías, Moisés ou Abraão, aquele que foi aclamado pelo próprio Cristo como 'o maior dentre os nascidos de mulher' (Mt 11,11), que vai fazer o anúncio definitivo da chegada do Messias ao mundo: 'Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo' (Mt 3,2). Como precursor imediato e direto do Messias e arauto desta revelação divina ao povo judeu, João é aquele que foi proclamado por Isaías como sendo 'a voz que grita no deserto', símbolo dos terrenos estéreis e calcinados das almas tíbias e vazias dos homens daquele tempo.

E o deserto de hoje não é ainda mais árido, muitíssimo mais árido, do que nos tempos do Profeta João Batista? O deserto tornou-se uma terra de desolação e infortúnio, na qual o pecado é espalhado como adubo e as blasfêmias contra Deus são os arados. A Igreja de Cristo não se pode sustentar sobre as areias frouxas do deserto das almas tíbias, do ateísmo e da indiferença religiosa. Eis, portanto, a imperiosa necessidade de tempos de conversão. E, nesse sentido, João Batista é tão atual quando da época de sua profecia e sua mensagem ressoa pelos séculos para ser ouvida e vivida, agora como arauto do Senhor da Segunda Vinda: 'Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo' (Mt 3,11).