Mostrando postagens com marcador Publicações do Autor do Blog. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Publicações do Autor do Blog. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

PÁGINAS DIFÍCEIS DOS EVANGELHOS (I)

1. A MULHER CANANEIA

Uma mulher cananeia veio pedir a Jesus a cura da sua filha, cruelmente atormentada pelo demônio [Mt 15,21-28].

[21] Partindo dali, retirou-se Jesus para a região de Tiro e de Sidônia.
[22] E eis que uma Cananeia, que tinha saído daqueles arredores, gritou: 'Senhor, Filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está miseravelmente atormentada do demônio'.
[23] Ele, porém, não lhe respondeu palavra. Aproximando-se seus discípulos, pediram-lhe: 'Despede-a porque vem gritando atrás de nós'.
[24] Ele respondeu: 'Eu não fui enviado senão às ovelhas desgarradas da casa de Israel'.
[25] Ela, porém, veio, prostrou-se diante dele, dizendo: 'Senhor, valei-me'.
[26] Ele respondeu: 'Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães'.
[27] Ela replicou: 'Assim é, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos'.
[28] Então Jesus disse-lhe: 'Ó mulher, grande é a tua fé! Seja-te feito como queres'. E, desde aquela hora, ficou sã a sua filha.


O texto não é de difícil compreensão, mas de interpretação e, numa abordagem descontextualizada, aparenta uma reação fria e até ofensiva de Jesus contra uma súplica de uma mãe em favor de sua filha: Jesus inicialmente não responde a sua súplica, declara ter sido enviado apenas às 'ovelhas perdidas da casa de Israel' e ainda conclui duramente que 'não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães'. A pedagogia e a misericórdia de Jesus está além das duras palavras, mas na exaltação da fé consciente daquela mulher.

Há que se notar a manifestação de fé da mulher logo no início do episódio. Jesus encontra-se então em ambiente predominantemente gentio, na região de Tiro e Sidônia. A mulher é identificada como de origem cananeia [Marcos a identifica como siro-fenícia], um povo historicamente adversário de Israel e, ainda que pagã, ela reconhece de pronto a dimensão de Jesus, clamando por ele com um título messiânico inquestionável: 'Senhor, Filho de Davi, tem piedade de mim!' [22], fato que não era reconhecido pela maioria dos israelitas de então. Ela configura, portanto, a primeira aproximação formal dos gentios face à missão salvífica do Redentor, amparada e movida por uma súplica ardente: 'tem piedade de mim!'. Importante destacar que ela manifesta a súplica inicial em seu próprio favor, reconhecendo-se como pobre pecadora, e não à filha doente; pois a caridade torna a dor por quem se reza parte de nós mesmos.

O silêncio inicial de Jesus [23] é deliberado, num gesto de extrair daquela fé manifesta um ato muito maior de louvor e exaltação diante a sua grande humildade. O silêncio de Deus não equivale à ausência de Deus. Sinal inequívoco de que as nossas orações passam necessariamente pela experiência do silêncio de Deus, sem que esse silêncio expresse uma recusa formal, mas como um teste e provação da autenticidade da fé e confiança em Deus daquilo que pedimos.

Arguído pelos apóstolos, ainda avessos à compaixão [23], Jesus manifesta então uma premissa de sua missão salvífica, que tinha por prioridade a salvação dos judeus [24], previamente à universalização de sua missão. A provação aumenta de grau: o silêncio agora torna-se uma razão de aparente recusa. Jesus está ali, além do ambiente judaico tradicional, diante de um ato de fé extremada de uma mulher não judia, mas pagã, e quase que como instado a fazer uma antecipação da abertura de sua missão divina aos gentios, que somente mais tarde será proclamada a todos os homens: 'Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações' (Mt 28,19).

Mas a fé que remove montanhas não desiste. Insiste. Diante o senão proposto, a súplica persiste: 'Valei-me!' [25]. E então, vem a prova mais dura. Jesus, uma vez mais, diante dos apóstolos, vai testá-la nos limites de sua fé extremada (que Jesus conhece antecipadamente) com palavras particularmente duras [26]. Jesus sabe com quem está lidando e somente uma manifestação excepcional de fé como o daquela mulher pode fazê-lo explorar ao limite a magnitude das potenciais virtudes humanas.

A resposta da mulher exprime a audácia da sua fé extraordinária e a dimensão espiritual de sua crença: 'mas os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos' [27]. Ela não contradiz Jesus, pelo contrário; mas justifica que, diante da superabundância das graças divinas, migalhas bastam para operar milagres e curar a sua filha. Neste contexto da graça, Jesus não apenas reconhece a grandeza da fé desta mulher cananeia, como a exalta diante de todos, numa intervenção raríssima e extraordinária [28], ainda mais que até mesmo os apóstolos foram objeto de censura do Salvador em muitas ocasiões como 'homens de pouca fé'. Aquela que começou sem aparentemente possuir direito algum termina ouvindo do próprio Cristo: 'Seja-te feito como queres!'.

Nesta passagem bíblica, a mulher cananeia não muda a vontade de Cristo pela insistência; Cristo conduz a mulher, por meio da insistência, à perfeição daquela fé mediante a qual Ele queria conceder-lhe a graça. Deus, às vezes, parece resistir justamente às almas que deseja aproximar mais de si. Cornélio a Lápide trata este episódio praticamente como um pequeno tratado sobre a oração perfeita, que incorpora dez diferentes disposições: humildade, fé, modéstia, prudência, reverência, resignação, confiança, ardor, caridade e perseverança.

Pão, mesa, migalhas. Uma migalha basta para a superabundância da graça. Aplicada espiritualmente à Eucaristia, essa imagem torna-se particularmente expressiva porque Cristo não está parcialmente presente numa pequena porção da Hóstia consagrada, mas por inteiro. Em outra passagem dos evangelhos, Jesus manifesta igualmente um extraordinário elogio de fé a outro gentio, o centurião romano: 'Em ninguém em Israel encontrei tamanha fé' (Mt 8,10). Aqueles para quem bastavam as migalhas, serão no futuro os convivas da mesa posta, das benesses e misericórdias de Deus: 'Já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus' (Ef 2,19).

domingo, 6 de setembro de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                      

'Não fecheis o coração; ouvi hoje a voz de Deus!' (Sl 94)

Primeira Leitura (Ez 33,7-9) - Segunda Leitura (Rm 13,8-10) - Evangelho (Mt 18,15-20)
 
  06/09/2026 - VIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

 A VIRTUDE DA CORREÇÃO FRATERNA


O Evangelho deste domingo é um tributo sobre o dever da correção fraterna. Reconhecer o erro e assumir o ônus da responsabilidade pelo erro cometido, são os atributos básicos do perdão. Mas o erro reverbera além daquele que o pratica e é dever - dever cristão - a sua pronta caracterização, a sua expressa condenação, o seu combate efetivo, a sua oportuna ou inoportuna contenção. A correção do erro é uma virtude cristã por excelência, quando praticada e vivida sob os ditames do reto juízo, da prudência caritativa, do verdadeiro amor fraterno: 'Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo!' (Mt 18,15).

Jesus nos adverte sobre a insensatez da omissão, do menosprezo, da condenação exaltada e pública do pecador que nos ofendeu: 'a sós contigo!' é uma proposição enfática e contundente pela correção fraterna, emanada pelo zelo apostólico e pela prudência cristã. Corrigir o erro para não se omitir em defesa da verdade; corrigir o erro sem destruir as pontes e as passagens que possam fazer o pecador retomar o caminho da verdade: 'Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão' (Mt 18,15). Benditos aqueles que levarem consigo para Deus os que puderam fazer o caminho de volta!

A correção fraterna é oportuna e inoportuna, porque a salvação de uma alma tem valor infinitamente maior que todos os nossos queixumes ou sentimentos desprezados. Não basta a correção, é preciso insistir nela mais uma vez, e outra vez, e outra ainda. A insistência moldada pelo zelo extremado na salvação da alma do próximo é o cimento que agrega as pedras frouxas de nossa própria caminhada para Deus.

Esse ardor de correção perpassa por terceiros e se encerra na própria vida da Igreja, Corpo Místico de Cristo, pois a perseverança da graça atrai graças em profusão e frutos extremos de conversão, piedade e misericórdia: 'se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles' (Mt 18,19 - 20). Porém, a obstinação determinada no erro tem natureza diabólica e, portanto, não é mais passível da graça. Aqueles que optam pelo desvario do mal e se afastam dos ensinamentos da Igreja, tornam-se, então, réus de delitos eternos: 'tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu' (Mt 18,18).

domingo, 30 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                     

'A minh'alma tem sede de Vós,
como a terra sedenta, ó meu Deus!' (Sl 62)

Primeira Leitura (Jr 20,7-9) - Segunda Leitura (Rm 12,1-2) - Evangelho (Mt 16,21-17)

  30/08/2026 - VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

'TOME A SUA CRUZ E ME SIGA'


Jesus, a caminho da Cesareia de Felipe, vai fazer aos seu apóstolos neste dia, de forma explícita, o primeiro anúncio de sua Paixão e Ressurreição, que consubstanciarão os eventos culminantes de sua missão salvífica. Missão que Ele vai cumprir até o fim, até a plena consumação das grandes profecias, o Verbo encarnado entregue como cordeiro à morte de cruz, entre dois ladrões, para a redenção da humanidade pecadora.

Diante dos desígnios da Providência, irrompe as emoções e julgamentos humanos. Pedro, a mesma pedra que antes recebera a proclamação como fundamento da Igreja, vacila agora diante da incompreensão dos tributos extraordinários de Deus feito homem. Vacila e se confunde na fé, moldada apenas pelos rudimentos de sua vontade humana e que se recusa a aceitar as reverberações das palavras de Jesus, que acabara de revelar aos discípulos que iria 'sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia' (Mt 16,21).

Jesus vai repreendê-lo duramente em seguida, nomeando-o como 'satanás' e como 'pedra de tropeço', designações que o tornam adversário das coisas do Alto, por limitar aos ditames da lógica humana os inescrutáveis desígnios da mente divina, por não pensar 'as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!' (Mt 16,23). De agora em diante, e com singular devoção, Jesus vai preparar os seus discípulos, e especialmente a Pedro, para os tempos já tão próximos de sua Paixão, Morte de Cruz e Ressurreição e também para o chamamento ao sacrifício e martírio de tantos.

No caminho da santidade, Deus não nos pede um pouco, ou quase tudo, pois cumprir a Vontade de Deus exige de nós a completa e absoluta disposição da alma. Não há meios termos, nem concessões de menos. Deus quer e espera tudo de nós, toda a nossa vida, todo o nosso tempo, toda palavra, pensamento e ação: 'Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? ' (Mt 16,24 - 26). E ao perguntar: 'O que poderá alguém dar em troca de sua vida?' (Mt 16,26), responde com a promessa da verdadeira vida e da verdadeira felicidade no Céu, que hão de nos acompanhar como eleitos da graça nas planuras eternas da Casa do Pai.

sábado, 29 de agosto de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXXI)


'A mesma pena é devida aos que cometem o mal
 e aos que nele consentem'

(São Bernardo de Claraval)

Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo não tem Deus... quem o saúda toma parte em suas obras más (2Jo 1,9.11). Quem, portanto, podendo resistir ao mal, deliberadamente se cala ou lhe vira as costas, torna-se participante de culpa igual à daquele que o pratica.

domingo, 23 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                    

'Ó Senhor, vossa bondade é para sempre!
Completai em mim a obra começada!' (Sl 137)

Primeira Leitura (Is 22,19-23) - Segunda Leitura (Rm 11,33-36) - Evangelho (Mt 16,13-20)

  23/08/2026 - VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

'E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?'


Num dado dia, na 'região da Cesareia de Felipe', Jesus revelou a seus discípulos, num mesmo momento, a sua própria identidade divina e o primado da Igreja. Neste tesouro das grandes revelações divinas, o apóstolo Pedro será contemplado, neste dia, por privilégios extraordinários: seu ato humano de fé perfeita será convertido por Cristo na pedra angular da qual nascerá a Santa Igreja.

Nesta ocasião, as mensagens e as pregações públicas de Jesus estavam consolidadas; os milagres e os poderes sobrenaturais do Senhor eram de conhecimento generalizado no mundo hebraico; multidões acorriam para ver e ouvir o Mestre, dominados pela falsa expectativa de encontrar um personagem mítico e um Messias dominador do mundo. Então, Jesus retira-se para um lugar isolado, afastando-se do júbilo fácil do mundo e das multidões errantes, que O tomam por João Batista, por Elias, por um dos antigos profetas. E se aproxima intimamente daqueles que haverão de ser os primeiros apóstolos da Igreja nascente, compartilhando-lhes na pergunta do juízo de fé: 'E vós, quem dizeis que eu sou?' (Mt 16,15). A resposta de Pedro é um símbolo da confissão perfeita da sua fé: 'Tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo' (Mt 16,16).

Sim, Jesus Cristo é o Filho de Deus Vivo: Deus feito homem na eternidade de Deus. A missão salvífica de Jesus há de passar não por um triunfo de epopeias mundanas, mas por um tributo de Paixão, Morte e Ressurreição; não pelo manejo da espada ou por eventos feitos de glórias humanas, mas pela humildade, perseverança e um legado de Cruz. A Cruz de Cristo é o caminho da nossa salvação e da vida eterna, ontem e sempre. Por isso, a mesma pergunta se impõe a todos os homens, de todos os tempos: quem é Jesus para nós, o Filho de Deus Vivo da confissão de Pedro ou um arauto de nossas próprias incertezas, refeito sob a ótica dos interesses humanos?

Em resposta ao apóstolo fiel, Jesus vai oferecer a Pedro as primícias do papado e o primado da Igreja, como privilégio da glória, poder e realeza de Cristo: 'Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la' (Mt 16,17 - 18). E Jesus vai declarar em seguida o poder universal e sobrenatural da Santa Igreja Católica Apostólica e Romana: 'Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus' (Mt 16,19). Ligado ou desligado. Poder absoluto, domínio universal, primado da verdade, Cátedra de Pedro. Na terra árida de algum ermo qualquer da 'Cesareia de Felipe', erigiu-se naquele dia, pela Vontade Divina, nas sementeiras da humanidade pecadora, a Santa Igreja, a Videira Eterna.

domingo, 16 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                   

'À vossa direita se encontra a rainha,
com veste esplendente de ouro de Ofir' (Sl 44)

Primeira Leitura (Ap 11,19a;12,1.3-6a.10ab) - Segunda Leitura (1Cor 15,20-27a) - Evangelho (Lc 1,39-56)

  16/08/2026 - SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

 'O Todo-Poderoso fez grandes coisas a meu favor'

As glórias de Maria podem ser resumidas na portentosa frase enunciada pelo anjo Gabriel: 'Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus' (Lc 1,30). Ao receber a boa-nova do anjo, Maria prostrou-se como serva e disse 'sim', e por meio desse sim, como nos ensina São Luís Grignion de Montfort, 'Deus Se fez homem, uma Virgem de tornou Mãe de Deus, as almas dos justos foram livradas do limbo, as ruínas do céu foram reparadas e os tronos vazios foram preenchidos, o pecado foi perdoado, a graça nos foi dada, os doentes foram curados, os mortos ressuscitados, os exilados chamados de volta, a Santíssima Trindade foi aplacada, e os homens obtiveram a vida eterna'.

Esta efusão de graças segue Maria na Visitação, pois ela é reflexo da presença e das graças do Espírito Santo que são levadas à sua prima Isabel e à criança em seu ventre. No instante da purificação de São João Batista, o Precursor, Santa Isabel foi arrebatada por inteira pelo Espírito Santo: 'Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo' (Lc 1,41). Por meio de uma extraordinária revelação interior, Santa Isabel confirma em Maria o repositório infinito das graças de Deus: 'Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu' (Lc 1,43).

E é ainda nesta plenitude de comunhão com o Espírito Santo, que Maria vai proclamar o seu Magnificat: 'Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre' (Lc 1,46-55).

Mãe da humildade, mãe da obediência, mãe da fé, mãe do amor. Mãe de todas as graças e de todos os privilégios, Maria foi contemplada com o dogma de fé divina e católica da assunção, em corpo e alma, à Glória Celeste. Dentre as tantas glórias e honras a Maria, a Igreja celebra neste domingo a Serva do Senhor como Nossa Senhora da Assunção.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXX)

 

'A ciência da cruz só se aprende quando a colocamos sobre os ombros'

(Santa Teresa Benedita da Cruz)

Parece muito pesada a cruz que carregas para seguir a Jesus? Então, jogue fora os teus ressentimentos, tuas críticas, teus julgamentos, tua vaidade, tuas preocupações, teu ego... E verás como é suave a cruz. Não é o peso da cruz que te comprime os ombros, mas é o lastro inútil das vicissitudes humanas que te pesam os pés...

domingo, 9 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                   

'Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, e a vossa salvação nos concedei!' (Sl 84)

Primeira Leitura (1Rs 19,9a.11-13a) - Segunda Leitura (Rm 9,1-5) - Evangelho (Mt 14,22-33)

  09/08/2026 - DÉCIMO NONO DOMINGO DO TEMPO COMUM

'VEM!' (JESUS ANDANDO SOBRE AS ÁGUAS)


Jesus, antes de despedir a multidão às margens do mar de Tiberíades, ordena aos apóstolos que entrem na barca e façam sozinhos a travessia para a outra margem. Aquele que, momentos antes, fizera a multiplicação dos pães e dos peixes, não se comprazia com o ardor da turba admirada pelo extraordinário milagre, mas refém de um messianismo enganoso e deturpado. Esse mesmo brilho enganoso poderia ter perpassado nos olhos de alguns de seus discípulos. Jesus, ciente destes desvios e interpretações ruinosas, liberta-se dos homens e se isola em oração fervorosíssima em lugar isolado, muito provavelmente para pedir e suplicar ao Pai o pleno cumprimento de sua missão salvífica e redentora, muito além das comoções humanas.

Então, já noite alta, os apóstolos sentiram medo e aflição, sozinhos na barca que se agitava perigosamente nas águas revoltas pelos ventos impetuosos. E o medo se transformou em terror quando julgaram ver um fantasma andando sobre as águas, em direção à barca. Jesus se revelou, então, a eles: 'Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!' (Mt 14,27). Mas a incerteza e a desconfiança ainda imperavam naquela barca à mercê dos ventos, expressas pelo grito de Pedro: 'Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água' (Mt 14,28). Ao que Jesus respondeu: 'Vem!' (Mt 14,28).

'Vem!' Eis o chamado de Jesus a Pedro, aos seus discípulos, a cada um de nós. Ir ao encontro de Jesus, e em Jesus colocar toda a nossa confiança e certeza, é o caminho da plenitude da graça. Ir ao encontro de Jesus, quaisquer que sejam os obstáculos, as provações e as tempestades do mundo, mesmo que pareça que estamos despojados de tudo e de todos, ainda que se tenha de andar sobre as águas de um mar tenebroso. Basta-nos a fé. A fé que faltou, então, a Pedro, quando distanciou o seu olhar do Senhor e se fixou nas marolas do mundo, afundando-se no mar. Mas 'Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?' (Mt 14,3). E subiram ambos ao barco. 

A frágil embarcação no meio do nada e em completa escuridão é agora o templo de Deus: 'Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!' (Mt 14,33). Jesus está junto aos seus discípulos, e lhes dá a sua paz. Paz que faz serenar os ventos e as águas, paz que afasta os temores e aflições, paz que inunda os corações da graça divina. Paz que nos foi legada também como desígnio de salvação; tesouro que se encontra quando, na inquietude dos conflitos e incertezas do mundo, somos passageiros da grande Barca (Santa Igreja) que ruma confiante ao encontro do Senhor que Vem.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXIX)

 

'Fazer a vontade de Deus é fazer o que Deus quer
 e querer o que Deus faz'

(Santo Afonso Maria de Ligório)

Senhor, não vos peço não ter tentações ou sofrimentos e nem que se cumpra as minhas humanas vontades, mas que o vosso propósito para mim se realize em plenitude em cada dia da minha vida. 

domingo, 2 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                  

'Vós abris a vossa mão e saciais os vossos filhos' (Sl 144)

Primeira Leitura (Is 55,1-3) - Segunda Leitura (Rm 8,35.37-39) - Evangelho (Mt 14,13-21)

  02/08/2026 - DÉCIMO OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM

CINCO PÃES E DOIS PEIXES



Depois da morte do Precursor João Batista, Jesus se dirige a um 'lugar deserto e afastado' (Mt 14, 13) para ficar a sós com os seus Apóstolos. Mas eis que uma grande multidão, uma esplêndida multidão, sai das cidades e vai a pé ao seu encontro. Tomado de amor e compaixão, Jesus abandona o seu intento de recolhimento e passa a atender toda aquela gente até 'ao entardecer' (Mt 14, 15). Famintos de Deus, a multidão agora está faminta de pão. E o Cordeiro de Deus há de saciá-los do pão da existência e prepará-los também para lhes dar alimento de vida eterna, na Santa Eucaristia.

Num primeiro momento, impõe-se a miserável condição humana, pouco afeita aos desafios e aos limites imponderáveis das graças divinas, expressa nas palavras de ansiedade e certa impaciência dos apóstolos: 'Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!' (Mt 14, 15). Neste cenário, pressupõe-se, na estrita percepção humana que, a partir daquele momento, cada um se virasse por conta própria; cada homem, mulher e criança daquela imensa multidão se preocupasse em arrumar o próprio alimento, nas imediações daquele lugar ou mais além.

Deus não nos abandona nunca; Deus não nos cria perspectivas de vida eterna pela insensibilidade de nossas necessidades humanas. Jesus vai dizer em outro momento que 'nem só de pão vive o homem'. Não só de pão, mas também de pão. E, para a incredulidade dos seus discípulos, ordena então: 'Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer! (Mt 14, 16). E, como em tudo o mais, Deus faz uso da graça como fruto da contrapartida humana; Jesus toma o que os homens têm ali a oferecer: cinco pães e dois peixes. Diante de oferta tão singela, vai realizar um dos seus mais portentosos milagres, que vai se configurar no prenúncio da partilha do seu Corpo e Sangue na Sagrada Eucaristia.

'Em seguida, partiu os pães e os deu aos discípulos. Os discípulos os distribuíram às multidões' (Mt 14, 19). E os poucos pães e os poucos peixes se multiplicaram em muitos pães e em muitos peixes, que alimentaram com fartura a multidão, a ponto de serem recolhidos ainda doze cestos cheios (símbolo da partilha universal da graça divina) no final, pois Deus usa sempre da superabundância da graça para pagar o tributo da oferta sincera do homem. Este prodígio extraordinário é o prenúncio de outro milagre ainda maior que subsiste pelos tempos, a cada Santa Missa: na multiplicação das hóstias, o mesmo Deus é entregue aos homens na plenitude da graça, hoje, ontem e até a consumação dos séculos.

domingo, 26 de julho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                 

'Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!' (Sl 118)

Primeira Leitura (1Rs 3,5.7-12) - Segunda Leitura (Rm 8,28-30) - Evangelho (Mt 13,44-52)

  26/07/2026 - DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

O REINO DE DEUS (II)


No Evangelho deste Domingo, contemplamos ainda os ensinamentos de Jesus sobre o verdadeiro sentido do Reino de Deus, por meio de parábolas manifestadas à multidão reunida à sua volta, às margens do mar da Galileia. Nesta temática comum a todo o Capítulo 13 do Evangelho de São Mateus, Jesus já lhes havia dado a conhecer a natureza do Reino por meio das parábolas do campo semeado de trigo e de joio, da semente de mostarda e da porção de fermento. Na continuação de sua pregação, Jesus lhes fala do Reino dos Céus por meio de outras três parábolas.

'O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo' (Mt, 13,44). Eis a verdadeira riqueza deste mundo: buscar, no anonimato e no escondimento aos rumores e apelos mundanos, a vida da graça em plenitude, nas obras de uma vida simples, na alegria do autêntico exercício da fé cristã, nos pequenos atos de amor, no cotidiano de uma vida entregue e consagrada à Deus.

'O Reino dos Céus é também como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola' (Mt 13,45 - 46). Eis o mesmo tesouro, que tem valor de eternidade, expresso agora como a pérola mais preciosa. Pérola única, especialíssima, pois a Verdade de Deus é única, definitiva, indivisível. Implica, pois, ao homem, buscá-la, empreendendo todos os esforços e persistência em encontrá-la. E, quando a encontra, passa a possuir a própria Verdade de Deus, a maior riqueza deste mundo.

'O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam' (Mt 13,47 - 48). A busca da pérola preciosa é possível a todos os homens, e lhes é dado igualmente o 'mapa do tesouro': o caminho de santificação pautado numa vida consagrada à Deus. Mas, como o trigo e o joio, peixes bons e imprestáveis serão ponderados pelos 'pescadores' no dia do Juízo, na definitiva separação dos justos e dos pecadores obstinados. Uns, para o Reino de Deus, que já subsiste nos corações do justos; os outros para a condenação eterna, na fornalha de fogo eterno, onde só 'haverá choro e ranger de dentes' (Mt 13,50).

segunda-feira, 20 de julho de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXVIII)

'Em tudo, servir e amar; amar a todos, servindo e servir a todos, amando'

(Santo Inácio de Loyola)

Não se pode viver sem este Deus que morreu de braços abertos, crucificado por teu mísero amor humano; suplica ao Pai um coração manso e humilde feito manjedoura bela e santa para servir de morada permanente a este Deus que é o próprio Amor.

domingo, 19 de julho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

                

'Ó Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel!' (Sl 85)

Primeira Leitura (Sb 12,13.16-19) - Segunda Leitura (Rm 8,26-27) - Evangelho (Mt 13,24-43)
(
  19/07/2026 - DÉCIMO SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

O REINO DE DEUS (I)


No Evangelho deste Décimo Sexto Domingo do Tempo Comum, Jesus encontra-se ainda numa barca, às margens do mar da Galileia, falando à multidão. E vai se utilizar de três diferentes parábolas para descrever o Reino de Deus aos homens.

A primeira parábola é a do campo semeado de trigo e de joio: 'O Reino dos Céus é como um homem que semeou boa semente no seu campo' (Mt 13,24). No campo do Senhor, ou seja, o mundo, Deus planta sempre a boa semente, plena de fertilidade e capaz de produzir muitos frutos. Mas o Maligno interveio e 'enquanto todos dormiam' (Mt 13,25), contaminou o campo com a erva inútil. O mal sempre triunfa quando o bem não se manifesta ou se recolhe. No mundo dos homens, ambas as plantas germinam igualmente e convivem igualmente, os Filhos da Luz (o trigo) e os herdeiros do Mal (o joio). E não serão separados nas vinhas do Senhor, mas apenas na colheita final: 'Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Recolhei, porém, o trigo no meu celeiro!' (Mt 13,30). Pois o bem é a prática da virtude que há de superar o mal e o mal pode ser sempre reparado antes da colheita.

A segunda parábola compara o Reino dos Céus a uma minúscula semente de mostarda: 'O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo' (Mt 13,31). De fertilidade ímpar, a pequena semente produz um vigoroso arbusto, tão alto que as aves podem fazer ninhos em seus ramos. O Reino de Deus se desenvolve tal como a pequena semente: no escondimento, quase imperceptível na sua evolução, mas vigoroso e extraordinário na grandeza e dimensão dos seus frutos! O caminho da santificação é essencialmente simples e tranquilo, mas impelido por uma torrente de bênçãos e graças.

A terceira parábola compara o Reino dos Céus a uma porção de fermento: 'O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado' (Mt 13,33). A mistura do bem e do mal no mundo é resultado do campo semeado pelas boas e más sementes; a ação do bem é a de fomentar os ensinamentos evangélicos, atuando como fermento de transformação e transfiguração das almas semeadas nas vinhas do Senhor.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXVII)

 

'Cada novo dia é uma moeda a mais que Deus nos dá para comprarmos a sua glória'

(Santa Rosa de Lima)

Eu consagro, neste dia, a minha mente e meus pensamentos em atos de louvor e glória ao meu Senhor e meu Deus. Que, durante várias vezes ao longo do dia de hoje, eu tenha o firme propósito de concentrar completamente os meus pensamentos em Vossa Santa Presença e ligar minha consciência de Filho de Deus à corrente de louvores e graças que se proclamam sem cessar, e por todo o sempre, à Vossa Glória em toda a Terra e nos Céus.

domingo, 12 de julho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

               

'A semente caiu em terra boa e deu fruto' (Sl 64)

Primeira Leitura (Is 55,10-11) - Segunda Leitura (Rm 8,18-23) - Evangelho (Mt 13,1-23)

  12/07/2026 - DÉCIMO QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

A PARÁBOLA DO SEMEADOR


No Evangelho deste domingo, Jesus nos ensina a força e a eficácia da Palavra de Deus, lançada aos homens pelo semeador, imagem do apóstolo. Palavra que fecunda e irriga de graças a terra inteira, e que produz muitos frutos de salvação, pois assim diz o Senhor: 'Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la' (Is 55,10 - 11).

Jesus se coloca em uma barca, às margens do mar da Galileia e fala à multidão, reunida na praia, por meio de uma parábola: 'Ouvi, portanto, a parábola do semeador' (Mt 13,8). A Palavra de Deus é um tesouro de bênçãos e graças, que somente se revela na luz do Cristo, na pureza de uma consciência devotada às coisas do Alto, no despojamento do eu e na entrega ao discernimento espiritual de ver, ouvir e entender as coisas de Deus com o coração (profecia de Isaías). Os mistérios do Reino dos Céus são revelados apenas aos pequeninos, aos puros de coração, aos Filhos da Luz.

Jesus é o Semeador; a Palavra de Deus feita Carne, Sangue e Revelação. As sementes da graça devem ser acolhidas, endossadas, vividas, transmitidas, compartilhadas. Almas de apóstolo, eis a síntese da nossa fé cristã, pois também somos semeadores da Palavra de Deus: 'A verdade sai de minha boca, minha palavra jamais será revogada: todo joelho deve dobrar-se diante de mim, toda língua deve jurar por mim' (Is 45,23).

A Palavra de Deus é semente lançada ao mundo para se tornar fruto de salvação. No coração enrijecido dos que renegam o Cristo, a semente é vã pois foi lançada em terra estéril, à beira do caminho. Há sementes que morrem sem germinar entre pedras ou entre espinhos, sem encontrar raízes ou luz, sufocadas pelas paixões do mundo, estancadas por qualquer revés, entregues à própria sorte de suas enormes fragilidades. As sementes que dão fruto são aquelas acolhidas na terra fértil do coração humilde e da alma temente a Deus, regadas e cuidadas com zelo e perseverança, firmadas em raízes profundas e alimentadas pela luz do Cristo. Sementes da graça que vão produzir frutos em abundância: 'Um dá cem, outro sessenta e outro trinta' (Mt 13,23).

domingo, 5 de julho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

              

'Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!' (Sl 144)

Primeira Leitura (Zc 9,9-10) - Segunda Leitura (Rm 8,9.11-13) - Evangelho (Mt 11,25-30)

  05/07/2026 - DÉCIMO QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

AOS MANSOS E HUMILDES DE CORAÇÃO


Deus prometeu as alegrias eternas aos que são mansos e humildes de coração: 'Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração' (Mt 11,29). Estes serão chamados realmente de Filhos de Deus: 'Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus' (Mt 5,9). Eis a virtude da excelência cristã, chamada Virtude do Cordeiro - a amada virtude de Jesus Cristo. Porque, como um cordeiro sem ira e sem queixa alguma, Ele suportou as dores de Sua Paixão e Crucificação, como exemplo a ser seguido. Bem aventurados os que se submetem pacificamente a todas as cruzes, infortúnios, perseguições e injúrias desta vida!

São estes os chamados 'pequeninos' por Jesus, diante os 'sábios' e 'entendidos' do mundo. O entendimento e a sabedoria, o estudo e a cultura geral, são valores essencialmente bons e agradáveis a Deus, desde que não se transformem em orgulho humano e em pilares da soberba científica. Entendimento e sabedoria são frutos da graça divina, dadas ao homem para a ascensão ao encontro da glória de Deus, e não como compartimentos ou domínios fechados da jactância humana. Deus fecha a estes o caminho das grandes revelações sobrenaturais.

Jesus chama a todos, para a conversão perfeita dos humildes de coração: 'Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso' (Mt 11,28). Chama todos a Ele, todos os que estão curvados pelas cruzes do mundo, pelos infortúnios da vida, pelo peso do pecado. As instabilidades e as misérias da vida quebrantam a nossa fé e fazem oscilar a nossa vocação cristã em meio às vertigens do mundo; a Cruz de Cristo é a luz que nos permite emergir da escuridão e das trevas do pecado.

Humildade e mansidão são os frutos da fé e da generosidade despojada daqueles que seguem a Jesus: 'Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração' (Mt 11,29). O caminho da santificação é talhado pela prática destas virtudes e, por meio delas, encontraremos o descanso, a paz e as alegrias eternas, como pequeninos acolhidos às graças do Senhor: 'o meu jugo é suave e o meu fardo é leve' (Mt 11,30).

domingo, 28 de junho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

              

'De todos os temores me livrou o Senhor Deus' (Sl 33)

Primeira Leitura (At 12,1-11) - Segunda Leitura (2Tm 4,6-8.17-18) - Evangelho (Mt 16,13-19)

  28/06/2026 - SOLENIDADE DOS APÓSTOLOS SÃO PEDRO E SÃO PAULO

AS COLUNAS DA IGREJA

Neste domingo, a liturgia católica celebra a Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, primícias da fé, fundamentos da Igreja. De toda a fundamentação bíblica do primado de Pedro, é em Mt 16, 18-19 que aflora, mais cristalina do que nunca, a água viva que brota e transborda das Palavras Divinas as primícias do papado e da Igreja, nascidos juntos com São Pedro: 'Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la' (Mt 16, 18). Esta será a Igreja Militante, a Igreja Temporal, A Igreja da terra, obra temporária a caminho da Igreja Eterna do Céu. Mas ligada a Pedro e aos sucessores de Pedro, sumos pontífices herdeiros da glória, poder e realeza de Cristo.

(Cristo entrega as chaves a São Pedro - Basílica de Paray-le-Monial, França)

E Jesus vai declarar, em seguida e sem condicionantes, o poder universal e sobrenatural da Santa Igreja Católica Apostólica e Romana: 'Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus' (Mt 16, 19). Ligado ou desligado. Poder absoluto, domínio universal, primado da verdade, Cátedra de Pedro. Na terra árida de algum ermo qualquer da 'Cesareia de Felipe', erigiu-se naquele dia, pela Vontade Divina, nas sementeiras da humanidade pecadora, a Santa Igreja, a Videira Eterna.

Com São Paulo, a Igreja que nasce, nasce com um gigante do apostolado e se afirma como escola de salvação universal. Eis aí a síntese do espírito cristão levado à plenitude da graça: Paulo se fez 'outro Cristo' em Roma, na Grécia, entre os gentios do mundo. No apostolado cristão de São Paulo, está o apostolado cristão de todos os tempos; a síntese da cristandade nasceu, cresceu e se moldou nos acordes pautados em suas epístolas singulares proferidas aos Tessalonicenses, em Éfeso ou em Corinto. Síntese de fé, que será expressa pelas próprias palavras de São Paulo: 'Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé' (2Tm 4,7).

(São Paulo Apóstolo - Basílica de Alba, Itália)

São Pedro foi o patriarca dos bispos de Roma, São Paulo foi o patriarca do apostolado cristão. Homens de fé e coragem extremadas, foram as colunas da Igreja. São Pedro morreu na cruz, São Paulo morreu por decapitação pela espada. Mártires, percorreram ambos os mesmos passos da Paixão do Senhor. E se ergueram juntos na Glória de Deus pela Ressurreição de Cristo.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXVI)

 

'Não quero compreender para crer, mas crer para compreender, pois, sem a fé, não somos nada'

(Santo Anselmo)

A fé é a nossa vela de chama tíbia e fraca, que nos conforta e revigora na segurança e no aconchego da caminhada humana. Sabemos o que nos espera no dia da Plena Visão; durante a espera, a fé não nos deixa órfãos da luz.

domingo, 21 de junho de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

             

'Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor!' (Sl 68)

Primeira Leitura (Jr 20,10-13) - Segunda Leitura (Rm 5,12-15) - Evangelho (Mt 10,26-33)

  21/06/2026 - DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

'NÃO TENHAIS MEDO!' 


O Evangelho deste domingo nos infunde o sopro da Verdade de Deus. Todas as nossas ações, gestos, pensamentos, palavras, silêncios, desejos, intenções, atos e omissões, praticados a cada segundo, durante toda a vida de cada um de nós, são conhecidos por Deus como escritos em manchetes nas estrelas: 'Até os cabelos de vossa cabeça estão contados' (Mt 10, 30). Nada, absolutamente nada, ficará envolto em penumbra ou esquecimento; todas as coisas serão refletidas no espelho da verdade divina, como oráculo universal: 'nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido' (Mt 10,27).

A certeza final é que deveremos prestar contas de cada palavra, de cada gesto, de cada intenção. Tudo será pesado na balança do juízo particular. A resposta à graça concedida e o mal devido ao pecado; a caridade anônima ou o juízo temerário, a palavra de conforto ou o gesto de revolta. O valor de uma alma é infinito, pois se trata de um ato puro da criação do Pai, na escolha personalíssima de Deus como criatura destinada a partilhar a eternidade com Ele no Céu. Mas o legado desta graça é cumprir fielmente os desígnios de Deus para as almas de sua predileção.

O pensamento da eternidade transforma em palha e espuma os tesouros, grandezas e glórias do mundo. Deus nos escolheu não para sermos peregrinos nesta terra, mas como herdeiros do Céu. E,assim, em cada pensamento ou palavra, o fim último deve ser sempre a busca da vida eterna em Deus, conforme nos fala o Apóstolo: 'Com temor e tremor trabalhai por vossa salvação’ (Fl 2,12). E esta busca passa pelo horror ao pecado e a tudo que nos aniquila como Filhos de Deus: 'Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!' (Mt 10,28).

'Não tenhais medo!' (Mt 10,31). O triunfo da alma é seguir o Cristo, Caminho, Verdade e Vida. Quem tem Deus no coração, ama a Verdade e a pratica em tudo e em todos. Quem ama a Verdade, faz a Vontade do Pai que está nos Céu; quem nega a Verdade, é réu de pecado eterno: 'todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus' (Mt 10,32 - 33). Iustus ex fide vivit — O justo vive pela fé.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXXV)

'A Verdade não pode ser tua nem minha,
para que possa ser minha e tua' 

(Santo Agostinho)

Arma-te com o escudo da sabedoria divina, inflama-te com a confiança inabalável dos que aspiram ainda aqui anelos de eternidade; desta santa embriaguez, transforma-te em forja e cadinho, para moldar consciências e gerar espíritos ávidos da Verdade.