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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (149/152)

 

149. O MENINO SOLDADO

José Sanchez del Rio pertencia à Juventude Católica, seção de Aspirantes. Tinha 13 anos quando Calles, presidente do México, iniciou a sua terrível perseguição contra os católicos. O menino apresentou-se ao general Mendoza, comandante do Exército dos Libertadores, e lhe disse:
➖ Se eu não souber atirar com o fuzil, poderei prestar, outros serviços: cuidar dos cavalos, preparar munições, carregar água. Deixe-me ser soldado de Cristo-Rei!
Em vista de tamanha insistência, o general resolveu aceitar o pedido do menino. A mãe, porém, temia pela sorte de seu filhinho.
➖ Ora, mamãe - dizia ele para animá-la - não me deixe perder esta boa ocasião de ganhar o céu com tão pouca fadiga e tão depressa.

Qual seria o segredo de tamanho ardor? A santa comunhão cotidiana. Rezara muito junto da sepultura do protomártir da Juventude Católica Mexicana - o jovem Joaquim Silva - e, desta oração, o aspirante Sanchez saiu soldado de Cristo-Rei, na expectativa de um glorioso martírio. No acampamento era ele o benjamim, mas o seu desejo era entrar em combate. Pouco depois do seu alistamento, no mais aceso furor de uma batalha, o cavalo do general Mendoza caiu fulminado. Ato contínuo, o soldadinho apeou-se, e disse:
➖ General, tome o meu cavalo. Que importa que me matem? O senhor é aqui mais necessário do que eu.

E escondido atrás de uma pedra, continuou a atirar, até que, esgotadas as munições, foi aprisionado. Admirado ao ver um menino feito soldado, o general inimigo indagou:
➖ Que está fazendo, menino? Não sabe que vamos fuzilá-lo?
➖ Que importa? - replicou Sanchez. Só me prenderam porque estava sem munição.
➖ Ninguém pretende fazer-lhe mal algum; mas diga-nos o que sabe dos rebeldes.
➖ Eu, traidor de meus irmãos? Nunca! Pensam que sou um judeu como vocês? Prenderam-me como a um inimigo; então, devem fuzilar-me!
Tais respostas espantavam a todos. Conservaram-no, porém, como prisioneiro, na esperança de, por meios brandos ou violentos, arrancar-lhe algums informações.

A noite, fecharam-no na igreja da aldeia, transformada pelos soldados de Calles em galinheiro. Sanchez, que queria passar a noite rezando, em dado momento percebeu a presença de galos e galinhas na igreja. Ficou indignado com aquela profanação e, levantando-se, torceu o pescoço de todos aqueles animais.É fácil imaginar a irritação dos guardas, quando, pela manhã, deram com a inesperada matança. Investiram contra o menino, e bateram-no até vê-lo derramar sangue. Sanchez, corajoso, dizia:
➖ Deixem-me vivo para morrer fuzilado.

Naquele dia obteve licença de escrever a sua mãe. Na carta dizia: 'Mamãe querida. Fui feito prisioneiro e esta noite serei fuzilado. Chegou, finalmente, a hora tão desejada. Abraço a senhora e a todos os meus irmãos, e prometo-lhes um bom lugar no Céu'. E assinou: 'José Sanchez del Rio, que morre em defesa da Fé, por amor de Cristo-Rei e da Rainha Nossa Senhora de Guadalupe'.

Seriam 23 horas do dia 10 de fevereiro de 1928, quando o menino foi conduzido ao cemitério. Caminhava cantando o hino: 'Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera'. Ao chegar ao cemitério, perguntou onde estava a sua cova e vendo-a, para lá se dirigiu, ajoelhou-se e beijou-a. Os soldados inimigos avançaram sobre ele e o transpassaram a punhaladas. O sangue jorrava de inúmeras feridas, mas Sanchez não tremia nem chorava.
➖ Continuem - repetia - continuem! Mais um pouquinho e estarei com Cristo-Rei!
Um dos soldados disparou-lhe um tiro na cabeça e ele caiu morto na cova. O sepulcro desse valoroso menino soldado de Cristo-Rei é, hoje, glorioso e muito visitado.

150. A INGRATIDÃO PARA COM DEUS

Conta o historiador César Cantu que certo rei da índia caiu em um rio. Um servo fiel correu, lançou-se à torrente e, agarrando o rei pelos cabelos, salvou-o da morte certa. Voltando a si, o rei quis saber quem e de que modo o salvara das águas. Levaram-lhe o servo fiel, e esperavam que o soberano lhe desse uma generosa recompensa. Mas não foi assim. O rei com ar severo perguntou-lhe: 'Como tiveste a ousadia de por as mãos em teu rei?' E imediatamente mandou que o trucidassem. 

Essa monstruosa ingratidão causou horror. O castigo, porém, não tardou. Estando o rei, certo dia, embriagado, entrou num barco e outra vez naufragou. Os barqueiros bem o poderiam salvar mas, recordando-se do servo trucidado, deixaram que o rei se afogasse. Fizeram mal, é certo; mas o mau rei teve o que merecia, porque fôra ingrato e cruel para com aquele que lhe demonstrara tanto amor, livrando-o da morte. Quantos não há por ai que, escapando da morte eterna por meio do Sacramento da Penitência, imitam aquele rei, mostrando-se cruéis e ingratos para com Jesus, o seu libertador!

151. O NOME DE JESUS

São Bernardino de Sena foi um grande apóstolo e propagador da devoção do Nome de Jesus. Conta-se que, no fim de todos os sermões, costumava expor um quadro no qual estava gravado o nome de Jesus, e com esse meio de propaganda conseguía efeitos maravilhosos. 

Uma vez, numa praça de Bolonha, pregou contra o jogo de baralho com tamanho sucesso, que o abuso desse jogo foi extirpado. Ora, um artífice, que fabricava as cartas e com essa arte ganhava o seu sustento, ficou reduzido à miséria, pois ninguém mais lhe comprava baralhos. Que fazer? Apresentou-se ao pregador São Bernardino e lhe disse: 'Padre, agora não terei mais com que viver; pensai vós em socorrer-me'. 

O santo não se embaraçou. 'Se não sabes pintar outra coisa - disse a ele - vai e pinta esta imagem, e verás que tudo vai bem'. E fazendo um círculo, desenhou nele o sol e no centro do sol o nome de Jesus. O artífice executou aquele trabalho com o máximo cuidado, e toda a gente corria a comprar cópias daquela imagem. De sorte que, assim, o fabricante daquele novo gênero de cartas, além de cooperar para a propaganda do Nome de Jesus, fez ainda uma boa fortuna.

152. CONTEMPLA-SE AO ESPELHO PELA ÚLTIMA VEZ

Na cidade de Florença vivia uma jovem, que er amuito vaidosa. Só pensava em pentear a sua formosa cabeleira, acariciar e aformosear a sua carne. Diante do espelho, diariamente passava longas horas contemplando-se e estudando o grave problema de encontrar um meio de fazer sobressair ainda mais a sua graça e formosura. Mas, por detrás do espelho, a enfermidade a espreitava. Meteu-lhe as garras e prostrou-a no leito de dores. A febre consumia todos os seus ossos e, dentro de poucos dias, de toda a sua beleza não restava mais que um rosto lívido e um punhado de ossos descarnados.

E, por detrás da enfermidade, apresentou-se, com sua terrível caveira e com seus ossos esqueléticos, a morte. Aquela jovem não contava mais de vinte anos e, no entanto, tinha de despedir-se da vida e de todas as coisas mundanas que tanto amava. Disseram-lhe com delicadas palavras que o seu estado era muito grave e que, por isso, devia preparar-se para comparecer diante de Deus. A vaidosa jovem lançou um grito de dor. Olhou para trás e viu que perdera tristemente a vida esquecendo-se de Deus. Olhou para a frente e compreendeu que estava a dois passos do Juiz dos céus e da terra, a quem teria de dar contas de todas as suas vaidades. Estava às portas do céu ou do inferno! A consciência dizia-lhe aos gritos que muito tinha que temer por sua salvação eterna...

A febre converteu-lhe a cabeça numa fornalha de fogo. Saltou da cama, abriu seus cofres e seus armários, tirou os vestidos mais preciosos e as jóias mais ricas e começou a vestir-se e a enfeitar-se como naquelas noites em que se preparava para ir aos bailes e teatros. Como louca, e sustentada pela mesma febre, penteou-se e arranjou-se com toda a elegância. Contemplou-se ao espelho e pôs-se a exclamar: 'Como sou formosa! como sou formosa! E queriam enterrar-me a mim, a mulher mais formosa do mundo! Não, não... quero viver, quero viver... Venham minhas jóias, minhas pérolas, meus vestidos, meus anéis, minhas pulseiras, meus colares...'

E fora de si, arrojava-se a todos os seus cofres, armários e baús, e tirava os seus tesouros e apertava-os contra o coração e beijava-os com loucura. Sim, estava louca! E louca continuou por alguns dias e louca morreu. E metida num caixão, vestida com uma pobre mortalha, foi levada à sepultura. Eis aí a verdade: a vaidade humana tem que deixar todos os seus tesouros nas garras frias e cruéis da morte!

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)