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sexta-feira, 22 de maio de 2026

AS CRUZES LUMINOSAS

Cercados e envolvidos por tantos afazeres e labores, nem questionamos as pequenas vicissitudes e contrariedades do dia a dia, um amontoado de percalços que, somados, poderiam nos fazer galgadores de montanhas... Mal os percebemos e, uma vez ultrapassados e vencidos, recaem no anonimato dos tempos e nas perdas da memória pouco atenta.

Somos viajantes impelidos pela pressa, pelo seguir sempre em frente, andarilhos de praças e esquinas que não levam a lugar nenhum. E caminhamos sós, ensimesmados, senhores do nosso rumo e escravos dos nossos passos. E fatigados de carregar os fardos da vida, como que autômatos do ir e vir de todo santo dia, dias que na verdade nada têm de santos. 

Porque nunca estamos sós e porque não prestamos atenção como desviamos e superamos os contrapesos e os obstáculos da longa caminhada de uma vida inteira. Deus nos dá, a cada passo e a cada dia, estes benditos frutos de provações e contratempos, não como fardos e preocupações inúteis, mas como pequenas cruzes luminosas para nos guiar, entre as trevas do mundo, no caminho da luz. Quão benditas e venturosas são estas pequenas atribulações cotidianas, que incomodam, inquietam e perturbam o ciclo cotidiano de nossas vidas! Deus nos dá, com elas, centenas de suaves e aveludadas oportunidades de crescer na graça e colher frutos abundantes de santificação pessoal. 

Temos essa percepção? Ou apenas estas coisas induzem em nós tédio e indisposição? Sabemos ver as cruzes luminosas de cada dia ou fingimos estar bem, mesmo envolvidos por completa escuridão? Ansiamos pelos Céus olhando o chão? 

Que Deus nos dê a graça de ter muitas e muitas cruzes luminosas a cada dia, nos guiando para o seu caminho de luz. Que não nos acostumemos a tatear desnorteados na escuridão e nem nos fingirmos de cegos. Que sejamos viajantes de alma lavada e de dias santos. E que mal algum nos possa prostar por terra e nos afastar do amor de Deus. Amém.