BIBLIOTECA DIGITAL

terça-feira, 31 de março de 2026

INDULGÊNCIAS PLENÁRIAS DA SEMANA SANTA

 

No riquíssimo acervo das indulgências concedidas pela Santa Igreja, concessões diversas são dadas aos fieis por ocasião do Tríduo Pascal (Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Vigília Pascal) para a obtenção de indulgências plenárias, desde que atendidas as demais condições habituais*:

Quinta-Feira Santa

· Recitação ou canto do hino eucarístico 'Tantum Ergo' durante a solene adoração ao Santíssimo Sacramento que se segue à Missa da Ceia do Senhor;

· Visita e adoração ao Santíssimo Sacramento pelo prazo de meia hora.

Sexta-Feira Santa

· Participação piedosa da Veneração da Cruz na solene celebração da Paixão do Senhor.

Sábado Santo  

· Recitação do Santo Rosário.

· Participação piedosa da celebração da Vigília Pascal, com renovação sincera das promessas do Batismo.

Domingo de Páscoa

· Participação devota e piedosa à benção dada pelo Sumo Pontífice a Roma e ao mundo (bênção Urbi et Orbi), ainda que por rádio ou televisão.

* É sempre importante lembrar que a indulgência não é o perdão dos pecados, mas a reparação das penas e danos devidos aos pecados. Para se obter a indulgência plenária é preciso:

1. ter uma disposição interior de afastamento total de todo o pecado, mesmo do pecado venial;
2. ter feito confissão recente;
3. receber a Sagrada Comunhão;
4. rezar em intenção do Santo Padre e da Santa Igreja (orações livres, mas que se recomenda fazer na forma de 'Pai Nosso', 'Ave Maria' e 'Glória').

segunda-feira, 30 de março de 2026

TESOURO DE EXEMPLOS II (93/96)


93. O CRUCIFIXO DO PROFESSOR DA UNIVERS1DADE

Não faz muitos anos, após uma lição teórico-prática na Policlínica de Nápoles, um grupo de estudantes de medicina estava a prosear em frente ao quarto de um dos mais notáveis assistentes do professor Durante. O jovem doutor, ao entrar no quarto, deixara a porta aberta e, logo, alguns estudantes, lançando um olhar curioso para o interior, viram à cabeceira do leito do professor um grande Crucifixo.

Alguns deles, imbuídos de preconceitos, riram-se e perguntaram ao professor: como podia ele, um sábio, tolerar aquela imagem à cabeceira do leito. O jovem doutor, com semblante carregado, respondeu:
➖ Não tolero coisa alguma; o Crucifixo está ali porque eu o quero e ali o coloquei com minhas próprias mãos. Se isso faz rir aos néscios, ali ao lado colocarei também a imagem de Nossa Senhora. Meus amigos, estudai e sede mais inteligentes. Adeus!

A esta bem acertada lição, os estudantes emudeceram e retiraram-se corridos. O professor, homem de convicções e de coragem, é um exemplo digno de imitação.

94. NÃO SE IMPACIENTOU

Filipe II, rei da Espanha, passara várias horas da noite a escrever longa e importante carta ao Papa. Apenas a tinha concluído, passou-a ao seu secretário para que a timbrasse e a colocasse na sobrecarta. O secretário, que não estava bem acordado, em vez do timbre, entornou sobre a carta um tinteiro de tinta.

Quando notou o que fizera, ficou horrorizado. O rei, porém, não se impacientou e, como se nada tivesse acontecido, disse: 'Dê-me outro papel de carta, que a escreverei de novo'.

A mesma calma e admirável paciência manifestou o mesmo rei Filipe no dia da sua coroação. Um soldado da guarda, talvez por ser bastante desajeitado, quebrou três lampadários que estavam ao lado do trono real. Todo o óleo caiu sobre as vestes preciosas do rei e da rainha. O soberano, no entanto, com rosto alegre, exclamou: 'Isto é um bom augúrio de que, sob o meu reinado, haverá a unção da paz e a abundância de todo o bem'.

95. CRISTO RESSUSCITOU!

Em 1918, fui testemunha de um fato estupendo que me impressionou. Por ocasião da Páscoa, os bolchevistas de Petrogrado organizaram a sua propaganda ateísta. Spitzberg, o mais hábil e enérgico dos oradores comunistas, expunha com muita ênfase as provas da impossibilidade da Ressurreição de Jesus Cristo.

Para se compreender melhor o que se deu então, é preciso saber que, durante a semana da Páscoa, os russos tem o costume de saudar-se, dizendo: 'Cristo ressuscitou!', ao que o outro responde: 'Ressuscitou verdadeiramente!'. É um uso antigo, geral, comovente.

Spitzberg, o orador comunista, falava com vivacidade, fazia-se de espirituoso e alcançava sucesso. Interrompiam-lhe o discurso risadas e aplausos. Suas últimas palavras foram acolhidas com uma salva de palmas. Então, no fundo da sala, ergueu-se um venerando sacerdote, com uma cruz de ouro sobre o peito. Dirigindo-se ao presidente da assembléia, disse:
➖ Peço licença para responder ao orador.
➖ Sim - respondeu o outro mal-humorado, mas sede breve, cidadão, pois dou-vos apenas cinco minutos.
➖ Obrigado! Gastarei menos de cinco minutos.

Subiu à tribuna, fez o sinal da cruz, beijou com devoção sua cruz de ouro, fez uma profunda inclinação ao auditório e pronunciou com voz clara e firme a saudação: 'Cristo ressuscitou!'. 'Ressuscitou verdadeiramente!', respondeu em coro a assembléia, isto é, aqueles mesmos que acabavam de ouvir e aplaudir o orador do ateísmo.

O prelado abençoou a multidão, fez uma inclinação profunda, desceu da tribuna e saiu. Ninguém ousou molestá-lo. O efeito, porém, do discurso de Spitzberg estava irremediavelmente abalado. Sejamos também nós cristãos corajosos, pois é assim que se deve responder à impiedade.

96. MEU FILHO É MAIS DO QUE EU

O conde De Bonald, grande sociólogo, polemista e dentista católico, depois que seu filho foi ordenado sacerdote, sempre se descobria para dirigir-lhe a palavra. A alguém que lhe perguntou por que assim procedia, uma vez que o padre era seu filho, respondeu:
➖ É meu dever proceder desse modo, pois meu filho, desde que foi sagrado ministro de Deus, é mais, muito mais do que eu.
Esse seu filho foi mais tarde arcebispo e cardeal de Lyon.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos' - Volume II, do Pe. Francisco Alves, 1960; com adaptações)

domingo, 29 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

  

'Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?' (Sl 21)

Primeira Leitura (Is 50,4-7) - Segunda Leitura (Fl 2,6-11) - Evangelho (Mt 21,1-11)

  29/03/2026 - DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

'HOSANA AO FILHO DE DAVI!'


No Domingo de Ramos, tem início a Semana Santa da paixão, morte e ressurreição de Nosso senhor Jesus Cristo. Jesus entra na cidade de Jerusalém para celebrar a Páscoa judaica com os seus discípulos e é recebido como um rei, como o libertador do povo judeu da escravidão e da opressão do império romano. Mantos e ramos de oliveira dispostos no chão conformavam o tapete de honra por meio do qual o povo aclamava o Messias Prometido: 'Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!' (Mt 21,9).

Jesus, montado em um jumento, passa e abençoa a multidão em polvorosa excitação. Ele conhece o coração humano e pode captar o frenesi e a euforia fácil destas pessoas como assomos de uma mobilização emotiva e superficial; por mais sinceras que sejam as manifestações espontâneas e favoráveis, falta-lhes a densidade dos propósitos e a plena compreensão do ministério salvífico de Cristo. Sim, eles querem e preconizam nEle o rei, o Ungido de Deus, movidos pelas fáceis tentações humanas de revanche, libertação, glória e poder. Mas Jesus, rei dos reis, veio para servir e não para reinar sobre impérios forjados pelos homens: '...o meu reino não é deste mundo' (Jo 18,36). Jesus vai passar no meio da multidão sob ovações e hosanas de aclamação festiva; Jesus vai ser levado sob o silêncio e o desprezo de tantos deles, uns poucos dias depois, para o cimo de uma cruz no Gólgota.

Neste Domingo de Ramos, o Evangelho evoca todas as cenas e acontecimentos que culminam no calvário de Nosso Senhor Jesus Cristo: os julgamentos de Pilatos e Herodes, a condenação de Jesus, a subida do calvário, a crucificação entre dois ladrões e a morte na cruz...'Eli, Eli, lamá sabactâni?' (Mt 27,46). Na paixão e morte de cruz, Jesus revela seu amor desmedido pela criação do Pai e desnuda a perfídia, a ingratidão, a falsidade e a traição dos que se propõem a amar com um amor eivado pelos privilégios e concessões aos seus próprios interesses e vantagens.

A fé é forjada no cadinho da perseverança e do despojamento; sem isso, toda crença é superficial e inócua e, ao sabor dos ventos, tende a se tornar em desvario. Dos hosanas de agora ao 'Seja crucificado!' (Mt 27,22-23) de mais além, o desvario humano fez Deus morrer na cruz. O mesmo desvario, o mesmo ultraje, a mesma loucura que se repete à exaustão, agora e mais além no mundo de hoje, quando, em hosanas ao pecado, uma imensa multidão, em frenesi descontrolado, crucifica Jesus de novo em seus corações!

O SENHOR DOS PASSOS DO ÚLTIMO ENCONTRO

 

A Procissão do Encontro, em muitas regiões, acontece na Quarta-feira Santa à noite; em outras, é comumente realizada na tarde do Domingo de Ramos.

Neste momento em que o Senhor de todos os passos e caminhos encontra a Senhora de todas as dores, a Terra inteira se detém e os Céus esperam... Potestades e coortes angélicas se calam, os santos e santas de Deus se emudecem, o Purgatório congela, os infernos são calcinados e a humanidade hiberna... neste momento extremo, tudo o mais se retém no mais íntimo dos recolhimentos.

Eis o Homem! O Senhor dos Passos, desfalecido em dores, esmagado pelo horror ao pecado, incensado de misericórdia até a última gota de sangue, ergue os olhos ensanguentados à Mãe de Todas as Dores e estremece de angústia. O coração de Deus pulsa fragilmente dentro do corpo flagelado; o coração de Deus é flagelado pela visão da Mãe de todas as dores. Neste momento de agonia extrema, Jesus sabe que Maria tem que partilhar com Ele esse Calvário de dores. E, ainda assim, o Senhor dos Passos do Último Encontro levanta os olhos aos Céus, num murmúrio de misericórdia infinita pelos homens de todos os tempos: 'Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem' (Lc 23,34a).

Os gritos, as imprecações, os sentidos nublados e a dor extrema, tudo conspira contra esse olhar entre a Mãe e o seu Filho amado. São agora dois corações dilacerados pelos flagelos humanos e divinos. A angústia física é superada pela miséria dos nossos pecados; as chagas do corpo não exprimem nem de longe as necroses da alma. O Senhor dos Passos do Último Encontro ainda se desvela com o filho resgatado de última hora: 'Hoje estarás comigo no paraíso' (Lc 23,43).

E segue a trilha da última caminhada com a mesma determinação dos tempos de Caná. E Jesus grita, dentro de nossas mentes e almas, que nada nos pode separar do amor de Deus: nem as mãos e os pés ensanguentados, nem as chagas, nem os cravos, nem a coroa de espinhos, nem o flanco aberto, nem a agonia de três horas na Cruz podem fazer Deus, o Senhor dos Passos do Último Encontro, afastar os olhos de sua Mãe e de uma misericórdia infinita pela humanidade pecadora: 'Mulher eis aí o teu filho, filho eis aí a tua mãe' (Jo 19,26-27).

Aos pés da Cruz, está a Mãe de todas as dores, o discípulo amado e as santas mulheres. Maria está de pé aos pés da Cruz para estar mais perto do Filho que lhe escapa ao último abraço. Sangue e lágrimas é o cenário derradeiro do Filho do Homem e daquela que Ele tornou a Mãe de Deus. No silêncio da Terra e do Céu, pasmos diante dos mistérios da graça, parece quebrada a unidade do universo e o Senhor dos Passos do Último Encontro invoca então ao Pai o seu lamento: 'Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?!' (Mc 15,34).

E o silêncio do Céu permanece como uma cortina de chumbo sobre o Calvário. A natureza não ousa um estremecimento qualquer. Tudo se reveste de uma atmosfera estranha e perturbada, que não se pode explicar com palavras. E o tempo dos homens flui devagar entre as testemunhas da Paixão. O estertor da crucificação se molda à realidade dos fatos consumados. Enquanto o riso e o pranto se encolhem, subjugados pelo indiferentismo de homens moldados pela rotina do castigo, o Senhor dos Passos do Último Encontro é agora mortalmente açoitado pelos sentidos: 'Tenho sede' (Jo 19,28b).

Jesus tem sede de água. Jesus tem sede de almas. Jesus tem sede de conversão e de salvação dos homens de todos os tempos. Por isso, morre pregado numa cruz, humilhado entre dois ladrões, objeto de escárnio e zombaria dos que o sacrificam. Jesus tem sede do amor de cada criatura de Deus, criada para a glória de Deus, criada para ser salva pelo mistério da Cruz! Jesus tem sede de mim, de você, dos homens de ontem e de hoje, Jesus tem sede de amar e de ser amado pela humanidade inteira. E, ciente desta ânsia de amar,  o Senhor dos Passos do Último Encontro conclui então o seu mandato de amor: 'Tudo está consumado' (Jo 19,30a).

Eis a hora extrema da Paixão e Morte do Senhor. Tudo está feito, tudo está consumado. O senhor de todas as coisas faz-se agora senhor de coisa alguma e apenas se deixa consumir numa morte de cruz para resgatar o homem como criatura eterna do Pai. O Senhor dos Passos do Último Encontro volve os seus olhos turvados pelas sombras da morte ao olhar angustiado de sua Mãe aos pés da Cruz. Na angústia tremenda dos corações despedaçados, a paz de Deus os retém num último abraço e, volvendo os olhos para o Céu, O Senhor dos Passos do Último Encontro exala finalmente o seu último suspiro: 'Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito' (Lc 23,46b).

sábado, 28 de março de 2026

BREVIÁRIO DIGITAL - ICONOLOGIA CRISTÃ (XI)

Os ícones para a Festa de Todos os Santos desenvolveram-se principalmente a partir do século IX e não apresentam muitas variantes. O cenário de referência é o Paraíso, expresso pelas imagens de árvores e arbustos. A parte central do ícone representa a chamada 'nuvem de testemunhas', descrita por São Paulo em sua carta aos Hebreus (Hb 11,33-12,2), contemplando os santos de todos os tempos. O círculo que os envolve representa, na tradição cristã, a dimensão da eternidade. Os santos estão reunidos ao redor de Cristo, comumente com vestes douradas (símbolo de sua realeza) e um livro nas mãos (símbolo de sua missão profética), envolvido por uma mandorla (halo amendoado), símbolo ancestral para expressar a majestade, a glória e a divindade de Cristo nos ícones sagrados.


Os santos são representados em hierarquias distintas, incluindo apóstolos, mártires, profetas, Padres da Igreja e assim por diante, sempre num contexto de um multidão inumerável, como expresso no Apocalipse: 'uma multidão enorme, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas' (Ap 7,9). Em algumas representações, esta hierarquia é ainda muito mais rígida, buscando refletir a ordem divina dos Céus, como um grande templo celestial com Cristo reinando sobre tudo.


Abaixo do Cristo, encontra-se o Trono da Preparação, simbologia da Presença Invisível de Cristo, por meio de um trono vazio, ornado por um manto (símbolo da autoridade) e por um livro (Livro da Vida), que simboliza o julgamento final por Cristo que virá 'para julgar os vivos e os mortos' de todos os tempos. Esta simbologia universal e temporal é representada pelas figuras de Adão e Eva que se prostram sobre o trono vazio. O trono vazio é, muitas vezes, complementado pela imagem da Cruz de Cristo, sustentada por anjos ou por Santa Helena.


Na parte inferior esquerda do ícone, encontra-se o Patriarca Abraão segurando uma criança no colo, símbolo das almas dos justos, que encontram repouso no 'seio de Abraão' (Lc 16,19-31). À direita, tem-se o Patriarca Jacó, segurando um pano que ostenta o símbolo das 'Dozes Tribos de Israel', ou seja, todos os santos do Antigo Testamento, enquanto no centro está São Dimas, o ladrão penitente a quem Cristo disse na cruz: 'Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso' (Lc 23,39-43). Alternativamente, o Patriarca Isaac também é representado, com todos os patriarcas acolhendo em si as almas dos justos. Nos cantos superiores, encontram-se as imagens dos reis Salomão (à esquerda) e Davi (à direita), segurando pergaminhos com cantos sapienciais.

sexta-feira, 27 de março de 2026

LADAINHA DAS SETE DORES DE NOSSA SENHORA

A Ladainha das Sete Dores de Nossa Senhora, transcrita a seguir, foi composta pelo Papa Pio VII (1740-1823), enquanto encontrava-se em cativeiro durante as Guerras Napoleônicas. Comumente rezada ao final do Rosário das Sete Dores de Nossa Senhora.


Senhor, tende misericórdia de nós.
Cristo, tende misericórdia de nós.
Senhor, tende misericórdia de nós. 

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus, Pai do céu, tende misericórdia de nós.
Deus, Filho, Redentor do mundo, tende misericórdia de nós.
Deus, Espírito Santo, tende misericórdia de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende misericórdia de nós.

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.
Santa Virgem das virgens...
Mãe do Crucificado... 
Mãe das Dores...
Fonte de lágrimas...
Mar de amargura...
Vinha de tribulação...
Abismo de sofrimento...
Espelho de paciência...
Rochedo da constância...
Bálsamo na inquietude...
Consolo na aflição...
Arca dos desolados...
Refúgio dos abandonados...
Escudo dos oprimidos...
Berço dos incrédulos...
Socorro dos miseráveis...
Remédio dos doentes...
Amparo dos desfalecidos...
Fortaleza dos fracos...
Protetora dos combatentes...
Porto dos náufragos...
Bonança das tempestades...
Companhia dos aflitos...
Refúgio dos angustiados...
Terror dos dissimulados...
Coroa dos mártires...
Tesouro dos fiéis...
Luz dos confessores...
Pérola das virgens...
Amparo das viúvas...
Alegria de todos os santos...
Rainha dos seus devotos e servos...

V. Rogai por nós, Virgem Dolorosa,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

OREMOS

Ó Deus, cientes da profecia de Simeão, de que uma espada de dor traspassaria a dulcíssima alma da vossa Mãe, a gloriosa e Santíssima Virgem Maria, concedei-nos que, celebrando a memória das suas Sete Dores, possamos obter os frutos eficazes da vossa Paixão, Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.

quinta-feira, 26 de março de 2026

SETE REFLEXÕES SOBRE A QUARESMA

I. Aproximar-se um pouco mais de Deus quer dizer estar disposto a uma nova conversão, a uma nova retificação, a ouvir atentamente as suas inspirações - os santos desejos que faz brotar nas nossas almas - e a pô-las em prática [Forja].

II. Entramos no tempo da Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão. Não é fácil tarefa. O cristianismo não é um caminho cômodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem. Na nossa vida, na vida dos cristãos, a primeira conversão - esse momento único, que cada um de nós recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede - é importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões sucessivas. É preciso manter a alma jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão, para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões [Cristo que passa].

III.  Reparai nesta maravilha que é o cuidado que Deus tem por nós, sempre disposto a ouvir-nos, atento em cada momento à palavra do homem. Em qualquer altura - mas agora de modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a purificar-se - Ele nos ouve e não deixará de atender ao que lhe pede um coração contrito e humilhado [Cristo que passa].

IV. Haverá melhor maneira de começar a Quaresma? Renovamos a Fé, a Esperança, a Caridade. Esta é a fonte do espírito de penitência, do desejo de purificação. A Quaresma não é apenas uma ocasião de intensificar as nossas práticas externas de mortificação; se pensássemos que era isso apenas, escapar-nos-ia o seu sentido profundo na vida cristã, porque esses atos externos são frutos da Fé, da Esperança e do Amor [Cristo que passa].

V. É tempo de penitência, pois. Mas não se trata de uma tarefa negativa. A Quaresma deve ser vivida com o espírito de filiação que Cristo nos comunicou e que vive na nossa alma. O Senhor chama-nos para que nos acerquemos d'Ele, desejando ser como Ele: Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados, colaborando humildemente, mas fervorosamente, no divino propósito de unir o que está quebrado, de salvar o que está perdido, de ordenar o que o homem pecador desordenou, de conduzir ao seu fim o que está desencaminhado, de restabelecer a divina concórdia a todas as criaturas [Cristo que passa].

VI. A Quaresma coloca-nos agora perante estas perguntas fundamentais: avanço na minha fidelidade a Cristo? Em desejos de santidade? Em generosidade apostólica na minha vida diária, no meu trabalho cotidiano entre os meus companheiros de profissão? [Cristo que passa].

VII. Não podemos considerar esta Quaresma como uma época a mais, uma repetição cíclica do tempo litúrgico; este momento é único; é uma ajuda divina que é necessário aproveitar. Jesus passa ao nosso lado e espera de nós - hoje, agora - uma grande mudança [Cristo que passa].

(São Josemaria Escrivá)

quarta-feira, 25 de março de 2026

SOBRE AS ÚLTIMAS QUATRO COISAS (XV)

      

PARTE II - O JUÍZO FINAL

X. Sobre a duração do Juízo Final

Quanto tempo durará o Juízo Final? Não é possível dar uma resposta definitiva a essa pergunta, pois trata-se de algo que ninguém sabe; contudo, pode-se supor que ocupará um período considerável. Alguns, de fato, dizem que terminará rapidamente, pois Deus poderia julgar toda a humanidade em um único instante. No entanto, essa opinião não parece ser compartilhada pelos Padres da Igreja, nem é apoiada pela Sagrada Escritura, na qual invariavelmente se fala de um dia de julgamento.

São Paulo, por exemplo, diz que: 'Deus designou um dia em que julgará o mundo com justiça' (At 17,31). E lemos nas profecias de Isaías: 'Eis que virá o dia do Senhor, um dia cruel, cheio de indignação, ira e fúria' (Is 13,9). Nestas e em muitas outras passagens da Sagrada Escritura, o Último Dia é mencionado como um dia, não como um julgamento instantâneo. O profeta Joel indica que o dia será longo, quando diz: 'O dia do Senhor é grande e muito terrível; e quem poderá suportá-lo?' (Jl 2,11). E sobre esse mesmo dia, São João, o profeta da Nova Aliança, também diz: 'Chegou o grande dia da sua ira, e quem poderá subsistir?' (Ap 6,17).

Em muitas outras passagens da Sagrada Escritura encontramos expressões semelhantes; o Dia do Juízo Final é chamado de 'o grande dia', o que provavelmente significa um dia longo. São Jerônimo defendia essa opinião, pois diz: 'O dia do Senhor será um grande dia por causa da eternidade que se seguirá a ele'. Santo Agostinho, ao falar da duração do juízo final, expressa-se assim: 'Por quantos dias se estenderá o juízo, não temos como determinar; contudo, sabemos que um período considerável é frequentemente designado nas Sagradas Escrituras como um dia'. São Tomás de Aquino concorda com Santo Agostinho neste ponto; ele apresenta vários argumentos para provar que o juízo final terá uma longa duração. E por que Deus encurtaria esse dia? Há razões abundantes para que Ele, ao contrário, o prolongue. Pois é o dia do maior triunfo de Cristo; o dia em que os santos alcançam a sua maior glória e os condenados serão submetidos à maior vergonha.

É o dia do maior triunfo de Cristo, porque Ele não só será adorado por todos os anjos e santos, mas também pelos espíritos malignos e pelas almas perdidas, e reconhecido por todos como seu Juiz. Naquele dia, todos os seus inimigos estarão aos seus pés; naquele dia, todos os seus adversários serão forçados a confessar suas ofensas contra Ele, o Árbitro Divino. Eles serão então compelidos a reconhecer a sua divindade, a sua caridade infinita, os inúmeros benefícios que Ele lhes concedeu, em troca dos quais o perseguiram, blasfemaram contra Ele e o submeteram a uma morte cruel. 

Em segundo lugar, os santos abençoados alcançarão naquele dia a sua maior glória, pois serão honrados e estimados por toda a humanidade, bem como por Deus e pelos Anjos. Pois Cristo revelará então a todos os presentes com que fidelidade eles o serviram, com que zelo abnegado trabalharam pela conversão dos pecadores. Ele revelará então as penitências secretas que realizaram, as tentações ferozes às quais resistiram. Ele revelará então as perseguições impiedosas que sofreram das mãos dos filhos deste mundo, e como todo tipo de mal foi dito contra eles injustamente. Assim, Cristo os coroará com a honra que lhes é devida, e todos os seus adversários serão confundidos.

Em terceiro lugar, naquele dia os réprobos serão submetidos à maior ignomínia e angústia. Pois o Juiz revelará todo o caráter vergonhoso e abominável de seus delitos. Ele revelará, à vista dos Anjos e dos Santos, dos demônios e dos condenados, os atos infames que eles cometeram sob o manto da escuridão. Sim, Ele derramará o cálice cheio da sua indignação sobre esses seres miseráveis que, sob a máscara da hipocrisia, ousaram profanar o próprio Santuário. Ele fará com que aqueles que corromperam a inocência sejam capturados e dispostos entre os espíritos malignos, cuja obra diabólica e três vezes amaldiçoada levaram adiante na terra.

Naquele dia, o Juiz Divino fará com que todos os pecadores impenitentes bebam profundamente do cálice da vergonha e da ignomínia, como nos diz São Basílio, quando afirma: 'A confusão que se abaterá sobre o pecador ímpio no Dia do Juízo Final será para ele uma tortura mais cruel do que se fosse lançado em um fogo ardente'. Esta é, de fato, a razão pela qual Deus determinou o Juízo Final: para que os pecadores não sejam punidos apenas pela dor que lhes caberá, mas também sejam expostos à vergonha pública. 

São Tomás de Aquino afirma: 'O pecador não merece apenas dor, mas também desgraça e ignomínia, pois esse é um castigo a que somente os seres humanos podem ser submetidos. Os animais inferiores podem ser castigados e mortos, mas não sabem o que é sofrer vergonha e desprezo'. Isso explica o fato de que qualquer pessoa que tenha um mínimo de autoestima prefere sofrer uma punição mais severa em segredo do que ser exposta à desgraça pública.

Por todas essas razões, pode-se supor que o Juízo Final se estenderá por um período considerável de tempo e, portanto, temos ainda mais motivos para tremer diante dessa perspectiva e orar fervorosamente a Deus para que, naquele grande dia, Ele não nos oprima com vergonha e confusão, mas nos conceda a graça de sua alegria e glória.

(Excertos da obra 'The Four Last Things - Death, Judgment, Hell and Heaven', do Pe. Martin Von Cochem, 1899; tradução do autor do blog)

terça-feira, 24 de março de 2026

'OLHA PARA O TEU NADA!'

Não possuímos as virtudes, não por ser difícil, mas porque não queremos. Não temos paciência porque não queremos. Não temos temperança porque não queremos. Não temos castidade pela mesma razão. Se quiséssemos, seríamos santos, e é muito mais difícil ser engenheiro do que ser santo. Ah se tivéssemos fé!

Vida interior, vida espiritual, vida de oração: meu Deus, que difícil que isso deve ser! De modo nenhum. Afasta do teu coração o que o perturba, e encontrarás Deus. Com isso, o trabalho está feito. Muitas vezes buscamos o que não existe e, pelo contrário, passamos ao lado de um tesouro que não vemos. É a mesma coisa com Deus, a quem procuramos num emaranhado de coisas, que quanto mais complicado, melhor nos parece. No entanto, levamos Deus dentro de nós, e não o procuramos aí! Recolhe-te dentro de ti mesmo; olha para o teu nada; olha para o nada do mundo; põe-te ao pé de uma cruz e, se fores simples, verás Deus.

Se Deus não está na nossa alma, é porque não queremos. Temos uma tal acumulação de cuidados, de distrações, de tendências, de desejos, de vaidades, de presunções, temos tantas pessoas dentro nós, que Deus se afasta. Assim que o quisermos, Deus enche-nos a alma de tal modo, que é preciso sermos cegos para não o vermos. 

Uma alma quer viver de acordo com Deus? Afaste tudo o que não seja Ele, e está feito. É relativamente fácil. Se o quiséssemos, se o pedíssemos a Deus com simplicidade, faríamos um grande progresso na vida espiritual. Se quiséssemos, seríamos santos, mas somos tão tolos que não queremos; preferimos perder tempo com vaidades estúpidas.

(Excertos da obra 'Escritos Espirituais", de São Rafael Arnaiz Barón)

segunda-feira, 23 de março de 2026

FRASES DE SENDARIUM (LXX)


 'Morrer com Jesus é submergir eternamente no amor'

(Santa Teresa dos Andes)

'Meu coração está em Deus!' - repetimos a cada missa esta oração. Que maior graça pode ser dada ao homem do que a de viver em plenitude estas palavras a cada minuto de sua vida? Pode alguém pensar que Morrer assim seja morrer?

domingo, 22 de março de 2026

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'No Senhor, toda graça e redenção!(Sl 129)

Primeira Leitura (Ez 37,12-14) - Segunda Leitura (Rm 8,8-11) - Evangelho (Jo 11,1-45)

  22/03/2026 - QUINTO DOMINGO DA QUARESMA

'EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA'


Há tantas belas lições a serem consideradas no Evangelho deste Quinto Domingo da Quaresma! Tomemos algumas delas e situemos no tempo e no espaço o desenrolar dos acontecimentos deste evento extraordinário da ressurreição de Lázaro: 'Lázaro, vem para fora!' (Jo 11,43). Jesus frequentava, com alguma periodicidade, a propriedade dos irmãos, Lázaro, Marta e Maria, e sentia por eles especial predileção. E, diante da doença do irmão e das súplicas das duas irmãs, aparentemente vai ser movido por uma indiferença inexplicável: 'Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava' (Jo 11,6). E, que assombro não teria tomado Marta e Maria diante da morte do irmão e da resposta de Jesus aos enviados delas: 'Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela' (Jo 11,4).

As nossas aflições e sofrimentos expressam em nós e por nós a manifestação da glória de Deus. Como almas aflitas, imploramos a misericórdia de Deus diante do infortúnio, da doença, do sofrimento, da dor. Como Marta e como Maria. A resposta de Deus não segue a direção do apelo humano; reverbera nos Céus e encontra eco nos imponderáveis desígnios de Deus que paga um bem com bem infinito, confiança com graças infinitas, a oração contrita e humilde com infinita misericórdia! Jesus não vai apenas curar a doença de Lázaro, vai ressuscitá-lo e, com isso, converter muitos outros e torná-lo, assim, muito acima da doença, um instrumento maior da glória de Deus.

Nossa oração de aflitiva comoção deve ser humilde, confiante, perseverante, fervorosamente despojada na misericórdia do Pai. Como Marta e Maria, podemos ficar sucumbidos pela dúvida e pela inquietação diante o sofrimento: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido' (Jo 11,21). E comovido profundamente e movido de compaixão, 'Jesus chorou' (Jo 11,35). Nesta pequena oração do Evangelho, perpassa todo o amor do Coração de Infinita Misericórdia de Nosso Senhor. Jesus chora e se comove com Lázaro, Jesus chora e se comove com todos os seus filhos, e será capaz de operar portentosos milagres para buscar, seja onde for, uma ovelha perdida.

Quando Lázaro sai do túmulo, não é o Lázaro enterrado há quatro dias, uma vez que totalmente enfaixado e sem possibilidade humana de se locomover por si mesmo. Lázaro se move pela glória de Deus, Lázaro retorna da morte para a glória de Deus. E muitos homens de todos os tempos (não todos, pela inacreditável soberba humana) creram para a glória de Deus, manifestada por Jesus naquele dia com palavras de vida eterna: 'Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais' (Jo 11,25 - 26).

sábado, 21 de março de 2026

O MILAGRE EUCARÍSTICO DE BUENOS AIRES


Na noite de 18 de agosto de 1996, o padre Alejandro Pezet celebrava a Santa Missa das 19h do domingo na Igreja de Santa Maria, no bairro de Almagro, no centro comercial de Buenos Aires. Ao terminar a distribuição da Sagrada Comunhão, uma assistente aproximou-se dele para lhe dizer que havia encontrado uma hóstia descartada em um castiçal no fundo da igreja. Ao chegar ao local designado, o padre Alejandro recolheu a hóstia profanada, colocando-a num recipiente com água e guardando-a no sacrário da capela do Santíssimo Sacramento. Este procedimento da Igreja visa garantir a dissolução completa da hóstia e, assim, a consumação respeitosa da hóstia consagrada. 

No dia 26 de agosto, quando o sacrário foi aberto, verificou-se surpreendentemente que a hóstia consagrada não se havia dissolvido mas, pelo contrário, assumira um aspecto de uma substância sanguinolenta. Inteirado dos fatos, o então Arcebispo de Buenos Aires Dom Jorge Bergoglio - mais tarde o Papa Francisco - determinou que a hóstia fosse fotografada profissionalmente. As fotos, datadas de 6 de setembro de 1996, mostram a hóstia então transformada em um pedaço de carne sangrenta. Diante destes fatos extraordinários e com a devida cautela contra o sensacionalismo e injunções imediatas, a hóstia permaneceu protegida no Tabernáculo em segredo por três anos. E permaneceu sempre com a mesma natureza e aspecto da condição inicial.


Diante destas evidências, o  Cardeal Bergoglio decidiu que era mais do que necessária uma abordagem científica dos eventos e, para garantir uma maior independência e credibilidade à investigação, contatou profissionais externos do clero e da academia da Argentina. Assim, o neuropsicólogo boliviano Ricardo Castañón Gómez foi foi encarregado para coordenar os trabalhos da investigação científica da hóstia, com a participação decisiva de Ron Tesoriero*, um leigo australiano já então bastante conhecido por estudar cientificamente e divulgar relatos de milagres eucarísticos ao redor do mundo. Nessa empreitada, foram envolvidos diferentes laboratórios e especialistas, com destaque para a participação do médico legista e patologista americano Dr. Frederick Zugibe de Nova York. 

* Ron Tesoriero publicou estes fatos em livro: 'My Human Heart: Where Science and Faith Collide' - Meu Coração Humano: Onde a Ciência e a Fé se Encontram


Em 20 de abril de 2004, uma amostra da hóstia ensanguentada foi examinada ao microscópio pelo Dr. Zugibe em Nova York, sem que o mesmo soubesse da sua origem (na linguagem científica, o chamado 'procedimento cego'), que relatou as seguintes conclusões:

'O coração é a minha área de atuação. Isto é carne. Esta carne é tecido muscular cardíaco, miocárdio, da parede do ventrículo esquerdo, próximo à área das válvulas. É o músculo que dá ao coração seus batimentos e ao corpo sua vida. Este músculo cardíaco está inflamado. Perdeu suas estrias e está infiltrado por glóbulos brancos. Os glóbulos brancos normalmente não são encontrados no tecido cardíaco. Essas células são produzidas pelo corpo e escapam do sangue, infiltrando-se no tecido para tratar traumas ou lesões. 

A presença desses glóbulos brancos no tecido me diz duas coisas: Em primeiro lugar, este coração sofreu uma lesão traumática. Houve comprometimento do suprimento sanguíneo para o coração. Isso não é diferente do que já vi quando alguém é golpeado violentamente no peito, na região do coração. Em segundo lugar, este coração estava vivo. Este coração pertence a uma pessoa viva, não a uma pessoa morta. Estou vendo uma fotografia de um coração vivo. Posso datar a lesão. Posso datar quando ocorreu a interrupção do fluxo sanguíneo. Aconteceu 3 dias antes da imagem capturada na lâmina microscópica'.

A Igreja nos ensina que a Eucaristia é uma memória da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Quando recebemos a Comunhão, recebemos Jesus no momento de sua Ressurreição, três dias após a sua Paixão. No relatório final, o especialista complementa assim as suas análises:

'Os tecidos do coração sofreram alterações degenerativas do miocárdio, possivelmente devido à obstrução de uma artéria coronária que fornece nutrientes e oxigênio a uma área do músculo cardíaco. Essa obstrução pode ser resultado de um forte golpe no peito sobre o coração'.

(Igreja de Santa Maria / Buenos Aires)

Eventos preliminares em celebrações eucarísticas nesta mesma igreja dão a entender uma perspectiva em escala do evento maior. Com efeito, em maio de 1992, fragmentos de hóstia consagrada foram encontrados no altar e, uma vez colocados em água dentro do sacrário, não se dissolverem, passando a apresentar coloração avermelhada semelhante a sangue. Poucos dias depois, foram constatadas também gotas de sangue nas patenas durante a comunhão. Posteriormente, em julho de 1994, durante uma missa para as crianças, uma gota de sangue foi vista fluindo pela lateral da âmbula do sacrário. Os eventos de 1992, 1994 e 1996 constituem, assim, três milagres eucarísticos distintos e sucessivos na Igreja de Santa Maria em Buenos Aires.

sexta-feira, 20 de março de 2026

ROSÁRIO DAS SETE DORES DE NOSSA SENHORA

Esta devoção às Sete Dores de Nossa Senhora tem origem no século XIII. Ela relembra as dores que a Virgem Mãe de Deus suportou ao compartilhar o sofrimento e a morte de seu Divino Filho. 


Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

ORAÇÕES INICIAIS

Meu Deus, eu vos ofereço este rosário para a vossa maior glória, desejando honrar a vossa Santa Mãe, a Santíssima Virgem, meditando sobre os seus sofrimentos e participando deles. Ó meu Senhor e Salvador, Jesus Cristo, confiando no vosso amor infinito, recorro a Vós em busca de perdão e misericórdia. Arrependo-me profundamente das dores que sofrestes na vossa amarga Paixão por causa dos meus pecados. Por amor a Vós e em vossa santa presença, renuncio e desprezo por completo todos os pecados da minha vida. Peço-vos perdão de todo o meu coração e me comprometo firmemente a emendar-me, preferindo morrer do que vos ofender novamente.

Ó Virgem Maria, nossa Mãe e o refúgio dos pecadores, invoco-vos agora com confiança e amor. Escondei-me sob o vosso manto de amor e proteção. Ao meditar sobre as espadas de dor que traspassaram o vosso Coração Imaculado, concedei-me o perdão dos meus pecados e a graça de praticar e viver uma vida de santidade. 

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.
Enviai o vosso Espírito e renovareis a face da terra.

1ª DOR - A PROFECIA DE SIMEÃO

Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos em Israel e sinal de contradição. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma (Lc 2,34-35).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, quão profundamente o vosso coração foi transpassado pela dor quando Simeão anunciou que Jesus, o vosso Filho amado, seria um sinal a ser rejeitado! O vosso coração sabia que Ele seria o Messias sofredor que os profetas haviam predito, o homem de dores, que carregaria todos os nossos pecados e nos curaria por meio de suas chagas. Por essa amarga dor, concedei-nos a graça de nunca rejeitar Jesus nem recusar-lhe nada. Ajudai-nos a entregar completamente nossas vidas a Ele e a viver de acordo com a sua santíssima vontade em tudo.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.
[outras similares ou orações finais dos mistérios do Terço Tradicional]

2ª DOR - A FUGA PARA O EGITO

O anjo do Senhor apareceu em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe, foge para o Egito e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, e partiu para o Egito (Mt 2,13-14).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, que dor não preencheu o vosso coração ao fugir de casa e do vosso país, sabendo que o tirano Herodes estava decidido a assassinar o vosso pequeno filho,  fonte de todo o vosso amor! As dificuldades da viagem, a longa jornada e a vida como refugiada não foram nada comparadas ao tormento de tal malícia demoníaca dirigida a Jesus. Por essa amarga de dor, concedei-nos a graça de nunca colocarmos em risco a vida de Jesus em nossas almas por causa dos nossos pecados.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

3ª DOR - A PERDA DE JESUS NO TEMPLO

Acabados os dias da festa da Páscoa, quando voltaram, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que os pais o percebessem. Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia e o procuraram entre parentes e conhecidos. E, não o achando, voltaram a Jerusalém à procura dele (Lc 2,43b-45).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, que dor não preencheu o vosso coração quando procurava desesperadamente por Jesus, com vosso esposo José, sem conseguir encontrá-lo entre vossos parentes e amigos que voltavam para casa de Jerusalém! Mas quando o vosso Filho respondeu que devia ocupar-se dos assuntos do seu Pai, aceitastes que Ele havia iniciado a missão que o levaria à sua morte sacrificial. A dor daqueles três dias de separação preparou-vos para os três dias de sofrimento que iríeis suportar quando o corpo de Jesus jazia sem vida no túmulo. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de aceitar os desígnios da Divina Providência, mesmo quando não os soubermos compreender.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

4ª DOR - O ENCONTRO COM JESUS NO CALVÁRIO

Ao conduzir Jesus, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e o encarregaram de levar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres que batiam no peito e o lamentavam (Lc 23,26-27).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, como não deve ter sido ferido o vosso coração maternal ao ver o vosso amado Filho Jesus carregando a sua Cruz até o Calvário, o local final da sua execução! Como deve ter sido doloroso para vós vê-lo tão ensanguentado, espancado e injuriado, enquanto Ele fazia cumprir a sua missão até o fim: dar a sua vida em resgate de todos nós. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de nos negarmos a nós mesmos, tomarmos as nossas cruzes e seguirmos Jesus sempre com perseverança e amor.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

5ª DOR - AOS PÉS DE JESUS CRUCIFICADO

Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo a Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: Mulher, eis aí o teu filho! Depois disse para o discípulo: Eis aí a tua Mãe! (Jo 19,15-27a).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, eis que profecia de Simeão atinge agora o seu pleno cumprimento: a espada da dor traspassa o vosso coração enquanto permaneceis aos pés da Cruz do vosso Filho! Unida e crucificada espiritualmente com o vosso Filho Crucificado, fizestes junto convosco a oferenda dele ao Pai. Nós não conseguimos compreender a dor da vossa oferta e nem a medida do amor que a inspirastes. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de unir todos os nossos sofrimentos aos do Nosso Senhor Crucificado, com generosidade e amor desinteressados. 

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

6ª DOR - O CORPO DE JESUS É DESCIDO DA CRUZ

Chegada a tarde, porque era o dia da Preparação, isto é, a véspera de sábado, veio José de Arimatéia, entrou decidido na casa de Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Pilatos, então, deu o cadáver a José, que retirou o corpo da cruz (Mc 15,42).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, o vosso coração afogou-se em dor ao abraçar o corpo sem vida do vosso Filho! Aquele que era a vossa própria vida estava agora morto. Quem era a vossa luz nesta vida estava agora sem vida. No entanto, aceitastes essa dor com amor, sabendo que tudo fazia parte do plano de salvação do Pai. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de aceitar com paciência e amor as dores que nos sobrevêm neste vale de lágrimas, crendo firmemente que Deus faz com que todas as coisas contribuam para o bem daqueles que o amam.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

7ª DOR - JESUS  É SEPULTADO

Os discípulos tiraram o corpo de Jesus e envolveram em faixas de linho com aromas, conforme é o costume de sepultar dos judeus. Havia perto do local, onde fora crucificado, um jardim, e no jardim um sepulcro novo onde ninguém ainda fora depositado. Foi ali que puseram Jesus (Jo 19,40-42a).

MEDITAÇÃO

Ó Mãe das Dores, quem poderia expressar a cruel angústia deste momento? O mesmo Menino que outrora envolveste em fraldas em meio a uma alegria indescritível, agora envolves silenciosamente em
Seu sudário. Tuas lágrimas se misturam com o sangue e a terra que cobrem Seu corpo ferido. Mas mesmo neste momento tua confiança em Sua promessa não morreu. Teu luto não foi sem esperança, pois sabias que Ele ressuscitaria deste sepulcro, assim como prometeu. Por esta amarga dor, concedei-nos a graça de acreditar com esperança inabalável na vitória de nosso Senhor, mesmo nos momentos mais sombrios da vida.

1 Pai Nosso e 7 Ave Marias

JACULATÓRIA

Ó Mãe de misericórdia, ouvi as minhas orações e renovai sempre em meu coração a memória dos sofrimentos do vosso filho Jesus na sua Paixão e Morte de Cruz.

Rezar três Ave-Marias em honra das lágrimas de Nossa Mãe Dolorosa.

ORAÇÃO FINAL

Ó Maria, vós vos tornastes verdadeiramente a Rainha de todos os mártires, pois estas sete espadas amargas de dor prostraram o vosso Coração Imaculado! Pelos méritos da vossa angústia e lágrimas, concedei-nos, a todos nós pecadores, as graças da contrição perfeita e da conversão. Auxiliai-nos sempre, querida Mãe, a vos imitar, suportando as nossas cruzes e seguindo sempre Jesus com amor e generosidade sem medidas. Amém.

Mãe de Deus, que fostes concebida sem pecado e que sofrestes por nós, rogai por nós (Rezar 3x)

[Recomenda-se ainda encerrar esta devoção com a Ladainha das Setes Dores de Nossa Senhora]