quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O ROSÁRIO DE HIROSHIMA

Em uma segunda-feira, 6 de agosto de 1945, às 2:45 h, o bombardeiro B-29 'Enola Gay' decolou da ilha de Tinian para lançar a primeira bomba atômica sobre o Japão. Às 08h15min, a bomba explodiu sobre a cidade de Hiroshima, capital da província de mesmo nome, dividida em ilhas pelos seis canais formados pelo rio Otagawa. A explosão matou instantaneamente cerca de 80 mil pessoas. Ao final do ano, os ferimentos causados pela mesma e os efeitos da radiação ceifaram entre 90 e 140 mil vítimas. Aproximadamente 69% das construções da cidade foram completamente destruídas e cerca de 7% foi severamente danificada.


A oito quarteirões do local do impacto (pouco mais de 1km), existia uma estrutura composta pela Igreja da Assunção de Nossa Senhora e a casa paroquial que abrigava oito sacerdotes alemães. A igreja foi devastada mas a casa permaneceu de pé, incólume à destruição completa de todos os arredores. Nas palavras do Pe. Schiffer, um dos oito sacerdotes sobreviventes:

'Eu tinha acabado de rezar a missa e me sentara à mesa do café. De repente, houve um flash brilhante de luz e me veio à mente a ideia de uma grande explosão no porto. Em seguida, uma terrível explosão encheu o ar como um trovão estourando e uma força invisível me levantou da cadeira, me jogou no ar, me apertou, me golpeou, me virou, me empurrou como uma folha em uma rajada. de vento de outono. Quando dei por mim e abri os olhos, estava deitado no chão e, olhando em volta, não via nada em qualquer direção; nem a estação ferroviária e todos os edifícios, em todas as direções, estavam arrasados à altura do chão. O único dano físico perceptível era a sensação de alguns estilhaços de vidro na parte de trás do pescoço'. Todos os sacerdotes sobreviveram (incluindo o Fr. Arupe que seria mais tarde, o superior geral da Ordem Jesuíta). O corpo do Pe. Schiffer, assim como os de todos os demais sacerdotes que viveram essa experiência tremenda, nunca foram afetados, ao longo de suas vidas, por bolhas, feridas ou quaisquer outras sequelas devido aos efeitos das doses brutais de radiação recebidas naquele dia.


Sob o ponto de vista natural, esse fato é assombroso e totalmente inexplicável e possível. Com efeito, a explosão de uma bomba atômica a uma altitude presumida entre 600 m e 1000 m para gerar o maior dano possível pela bola de fogo resultante, gera um efeito varredura de devastação completa que se estende a vários quilômetros da projeção do ponto de impacto (chamado epicentro). A casa paroquial estava pouco mais de 1km do epicentro da explosão que induziu, nesse local, temperaturas da ordem de 1100 ૦C e pressões maiores que 100 psi (ou 70.000 kg/m²)! Sob pressões muito menores, o crânio humano seria literalmente esmagado e os pulmões seriam queimados sob temperaturas muito mais baixas que estas. Tais condições de temperatura e pressão seriam extremamente impactantes mesmo para estruturas de concreto reforçadas e, portanto, seriam inadmissíveis para a sobrevivência humana.

Não existem leis físicas que explicam estes fatos extraordinários: um único edifício em pé no meio da devastação completa no domínio imediato do epicentro de um explosão nuclear. Do ponto de vista científico, não há nenhuma lógica na manutenção do prédio, na sobrevivência dos sacerdotes, na incólume condição deste grupo de homens no meio de uma população morta, mutilada, queimada horrivelmente, destruída fisicamente pela explosão ou pelos efeitos futuros da radioatividade mortal. 


O que aconteceu em Hiroshima foi algo muito além da dimensão humana. O céu falou no meio daquele inferno pelo Rosário. O Pe. Schiffer foi categórico ao justificar a sua sobrevivência e a de todos os demais sacerdotes à sua devoção à Santíssima Virgem e à reza diária do Rosário que se professava, então, naquela casa paroquial (interessante lembrar que também um convento franciscano, em que se rezava também o terço diariamente, escapou ileso do bombardeio de Nagasaki). Rezar o Rosário é devoção que torna possível a Deus fazer à humanidade pecadora o que seria impossível sequer ser concebido aos homens.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

GLÓRIAS DE MARIA: NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

A palavra Rosário vem do latim Rosarium, que significa 'Coroa de Rosas'. Nossa Senhora é a Rosa das rosas, Rainha das rainhas, sendo chamada, então, Rosa Mística (como é invocada na Ladainha Lauretana), Rainha das Rosas de todas as devoções, Nossa Senhora do Rosário. Se, a cada Ave Maria, adorna-se a Mãe de Deus com uma rosa espiritual, o Rosário adorna Maria com uma Coroa de todas as Rosas.

O Santo Rosário é a oração mais perfeita e o instrumento mais poderoso que nos é concedido pela Divina Providência para vencer o pecado e as tentações diabólicas. Com o rosário, recordamos o memorial da Paixão de Jesus Cristo e meditamos os mistérios de gozo, dor e glória de Jesus e Maria. Pelo Rosário, a terra se une aos céus, e nós a Nossa Senhora, no louvor ao Senhor nosso Deus. Com o Rosário, alcançamos a paz de coração e a salvação eterna da alma. Pelo Rosário, obtemos a remissão pela culpa e pela pena dos nossos pecados, tornamo-nos herdeiros dos méritos infinitos da Paixão de Jesus e invocamos sobre nós e nossas famílias as graças extraordinárias da Misericórdia Divina. 

A origem do Rosário é antiga, mas se formalizou por meio de uma famosa aparição de Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão. No seu ferrenho combate e conversão dos seguidores da seita herética dos albigenses, São Domingos defrontou-se com terríveis dificuldades e perseguições, devido à dureza espiritual daquelas almas. Retirou-se, então, em oração, para um lugar ermo situado nos arredores de Toulouse e suplicou a intercessão da Virgem Maria para os bons propósitos de tão dura missão. 

As suas preces extremadas foram atendidas e o santo recebeu uma aparição de Nossa Senhora que lhe entregou o Rosário (também chamado Saltério de Maria, em referência aos 150 salmos de Davi), ensinando-o como rezá-lo e assegurando ser esta a arma mais poderosa para se ganhar as almas para o Céu. Este evento, respaldado por numerosos documentos pontifícios, é narrado na obra 'Da Dignidade do Saltério', do Bem-Aventurado Alain de la Roche (1428 – 1475), célebre pregador da Ordem Dominicana. Com o Rosário em punho, São Domingos pregou incansavelmente na França, Itália e Espanha a devoção que a própria Senhora do Rosário lhe havia ensinado, convertendo os hereges e os tíbios, e erradicando por completo naqueles países a heresia albigense.


Graças, louvores e indulgências sem conta estão associadas à oração devota do Santo Rosário. Rezai-o sempre, rezai-o todos os dias! O maior milagre que o Rosário pode nos proporcionar é nos fazer plenamente dignos das promessas de Cristo e nos elevar de criaturas humanas na terra a herdeiros diretos do Céu ainda nesta vida.

domingo, 6 de outubro de 2013

'AUMENTA A NOSSA FÉ!'

Páginas do Evangelho - Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum 


'Aumenta a nossa fé!' (Lc 15,5). Eis o pedido dos apóstolos ao Senhor, naquele dia. Eis a nossa súplica ao Senhor através dos tempos: eu creio firmemente, Senhor, mas aumenta a minha fé! O crescimento da fé implica a fé professada, vivida no cotidiano de nossas vidas, alimentada por atos de piedade e devoção cristãs. O incremento da fé implica a fé testemunhada pela conduta de cristãos no mundo, na doação às necessidades do próximo, na prática de uma caridade submersa por completo na gratuidade do amor de Deus.

E a resposta de Jesus é incisiva: 'Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda...' (Lc 15,6), tornar-se-ia possível arrancar uma planta de raízes profundas e vigorosas e arremessá-la ao mar, seria possível mover as montanhas de lugar e fazer portentos ainda maiores. Pois a fé mobiliza forças inauditas e incompreensíveis aos valores humanos, mas possíveis para a Santa Vontade de Deus, que não conhece abismos ou limites.

E Jesus, com a parábola do senhor e do seu empregado, resume o que deve ser a prática do exercício cristão da fé, como dever e obrigação, não como apropriação de mérito ou regalia de gratidão. A fé plena nos exige a caridade despojada, a entrega cotidiana às graças de Deus nas nossas pequenas ações de cada dia. Sejamos 'servos inúteis' (Lc 15, 10) na consumação completa do nosso eu em nossas ações para e tão somente à glória de Deus. 

A fé é 'o precioso depósito que, com a ajuda do Espírito Santo, habita em nós' (2 Tm1, 14). Na confiança irrestrita à vontade do Pai e na completa dependência aos Seus desígnios, achemos consolação apenas em viver para servir e servir sem reservas, como oferta ao Senhor da vida e submissos à Santa Vontade de Deus, pois o homem justo não morrerá jamais e 'viverá por sua fé' (Hab 1, 4).

sábado, 5 de outubro de 2013

PRIMEIRO SÁBADO DE OUTUBRO


Mensagem de Nossa Senhora à Irmã Lúcia, vidente de Fátima: 
                                                                                                                           (Pontevedra / Espanha)

‘Olha, Minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todo o momento Me cravam, com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar e diz que a todos aqueles que durante cinco meses seguidos, no primeiro sábado, se confessarem*, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 Mistérios do Rosário com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes à hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação.’
* Com base em aparições posteriores, esclareceu-se que a confissão poderia não se realizar no sábado propriamente dito, mas antes, desde que feita com a intenção explícita (interiormente) de se fazê-la para fins de reparação às blasfêmias cometidas contra o Imaculado Coração de Maria no primeiro sábado seguinte.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

04 DE OUTUBRO - SÃO FRANCISCO DE ASSIS


Filho de um bem sucedido comerciante, Giovanni di Pietro di Bernardone nasceu em 5 de julho de 1182 na cidade de Assis. Na juventude, teve intensa vida social e, interessado pela  cavalaria, chegou a participar de uma guerra na qual acabou sendo aprisionado. A natureza da sua conversão e a própria adoção do nome 'Francisco' são fatos pouco esclarecidos, mas o fato é que o jovem Francisco propôs um novo ideal de pobreza, obediência e castidade, baseado na vivência profunda do evangelho e no exemplo de Cristo.

Neste modelo, fundou a Ordem dos Frades Menores (Franciscanos), que se expandiu por todo o mundo e, juntamente com Santa Clara, fundou a Ordem das Clarissas. Compôs belos hinos religiosos como o chamado 'Cântico das Criaturas', que louva ao Deus da Criação por todos os seres, mesmo inanimados (mas não é de sua autoria a famosa oração da paz comumente atribuída ao santo). Cerca de dois anos antes de sua morte,  recebeu os estigmas da Paixão de Cristo com feridas nas mãos e nos pés e uma chaga no peito. São Francisco de Assis morreu em 3 de outubro de 1226, sendo canonizado menos de dois anos depois. Sua comemoração litúrgica ocorre em 4 de outubro.


Cântico das Criaturas

Altíssimo, onipotente e bom Senhor, a ti subam os louvores, a glória e a honra e todas as bênçãos!

A ti somente, Altíssimo, eles são devidos, e nenhum homem é sequer digno de dizer teu nome.
Louvado sejas, Senhor meu, junto com todas tuas criaturas, especialmente o senhor irmão sol, que é o dia e nos dá a luz em teu nome.
Pois ele é belo e radioso com grande esplendor, e é teu símbolo, Altíssimo.
Louvado sejas, Senhor meu, pela irmã lua e as estrelas, as quais formaste claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, Senhor meu, pelo irmão vento, e pelo ar, pelas nuvens e o céu claro, e por todos os tempos, pelos quais dás às tuas criaturas sustento.
Louvado sejas, Senhor meu, pela irmã água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, Senhor meu, pelo irmão fogo, por cujo meio a noite alumias, ele que é formoso e alegre e robusto e forte.
Louvado sejas, Senhor meu, pela irmã, nossa mãe, a terra, que nos sustenta e nos governa, e dá tantos frutos e coloridas flores, e também as ervas.
Louvado sejas, Senhor meu, por aqueles que perdoam por amor a ti e suportam enfermidades e atribulações.
Benditos aqueles que sustentam a paz, pois serão por ti, Altíssimo, coroados.
Louvado sejas, Senhor meu, por nossa irmã, a morte corpórea, da qual nenhum homem vivo pode fugir.
Pobres dos que morrem em pecado mortal! e benditos quem a morte encontrar conformes à tua santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai todos vós e bendizei o meu Senhor, e dai-lhe graças, e servi-O com grande humildade!

PORQUE HOJE É A PRIMEIRA SEXTA-FEIRA DO MÊS


A Grande Revelação do Sagrado Coração de Jesus foi feita a Santa Margarida Maria Alacoque  durante a oitava da festa de Corpus Christi  de 1675...

         “Eis o Coração que tanto amou os homens, que nada poupou, até se esgotar e se consumir para lhes testemunhar seu amor. Como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, pelas suas irreverências, sacrilégios, e pela tibieza e desprezo que têm para comigo na Eucaristia. Entretanto, o que Me é mais sensível é que há corações consagrados que agem assim. Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para  honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto sobre os altares ... Prometo-te que Meu Coração se dilatará para derramar os influxos de Seu amor divino sobre aqueles que Lhe prestarem esta honra”.


... e as doze Promessas:
  1. A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração.
  2. Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado.
  3. Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias.
  4. Eu os consolarei em todas as suas aflições.
  5. Serei seu refúgio seguro na vida, e principalmente na hora da morte.
  6. Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos.
  7. Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias.
  8. As almas tíbias se tornarão fervorosas pela prática dessa devoção.
  9. As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição.
  10. Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais empedernidos.
  11. As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes inscritos para sempre no meu Coração.
  12. A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.

    ATO DE DESAGRAVO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 
    (rezai-o sempre, particularmente nas primeiras sextas-feiras de cada mês)

Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é deles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados, diante do vosso altar, para vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o vosso dulcíssimo Coração.

Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só as nossas próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conspurcando as promessas do batismo, renegam o jugo suave da vossa santa Lei.

De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, mas particularmente das licenças dos costumes e imodéstias do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra vós e vossos santos, dos insultos ao vosso vigário e a todo o vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino Amor, e enfim, dos atentados e rebeldias oficiais das nações contra os direitos e o magistério da vossa Igreja.

Oh, se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniquidades! Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação que vós oferecestes ao Eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre os nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nossos próximos, impedir, por todos os meios, novas injúrias à vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número possível de almas.

Recebei, ó Jesus de Infinito Amor, pelas mãos de Maria Santíssima Reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes até a morte no fiel cumprimento dos nossos deveres e no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à Pátria bem-aventurada, onde vós, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

70 FRASES DE SÃO JOÃO DA CRUZ

1. Ó Senhor! Deus meu! Quem te buscará com amor puro e singelo que deixei de Te encontrar muito a seu gosto e vontade, se és tu o primeiro a mostrar-te e sais ao encontro daqueles que te desejam?

2. O que cai estando cego, não se levantará só, e se acaso se levantar, encaminhar-se-á por onde não lhe convém.

3. Deus prefere de ti o menor grau de pureza de consciência a quantas obras possa fazer.

4. Ó dulcíssimo amor de Deus, mal conhecido! Aquele que entrou a Tua fonte, repousou.

5. O que cai estando só, caído a sós fica e em pouca conta tem a alma, pois a si unicamente confiou.

6. A alma enamorada é suave, humilde, paciente e mansa.

7. A alma dura no seu próprio amor se endurece. Se tu, não suaviza a sua alma no Teu amor, ó bom Jesus, ela preservará sempre na sua dureza.

8. Um só pensamento do homem vale mais do que o mundo todo; portanto só Deus é digno dele.

9. O pai disse uma palavra que foi seu Filho. Di-la sempre no eterno silêncio; ela há de ser ouvida pela alma.

10. Eu quero para mim todo o áspero e trabalhoso, e para Ti, Amado meu, tudo quanto é suave e saboroso.

11. O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em ter uma grande desnudez e em padecer pelo Amado (Cristo).

12. A sabedoria entra pelo amor, pelo silêncio e mortificação; grande sabedoria é saber calar e não olhar aos ditos nem feitos nem vidas alheias.

13. Para se enamorar duma alma não põe Deus os olhos na grandeza dela, mas na grandeza da sua humildade.

14. A alma que caminha no amor não se cansa.

15. Tenha fortaleza no coração contra tudo aquilo que a não é Deus e seja amiga da Paixão de Cristo.

16. Quem não procura a cruz de Cristo não procura a glória de Cristo.

17. A obra pura e inteiramente feita por Deus no seio puro faz reino inteiro para o seu Senhor.

18. Agrada mais a Deus uma obra, por pequena que seja, feita às escondidas e sem desejo que saiba, do que mil feitas com desejo de que os homens as saibam, pois quem trabalha por Deus com amor puríssimo, não somente não se lhe dá que os homens o vejam, mas nem mesmo faz as obras para que Deus as saiba e mesmo que nunca Ele as viesse saber, não deixaria de prestar-lhe os mesmos serviços e isto, com a mesma alegria e pureza de amor.

19. Um ato de virtude gera na alma suavidade, paz, consolação, luz, pureza e fortaleza.

20. Vão é perturbar-se com as adversidades. Havemos de nos alegrar em vez de nos perturbar, para não perder a paz e a tranqüilidade. Com mais abundância e suavidade se comunica Deus nas adversidades.

21. Amando a alma algo fora de Deus, torna-se incapaz da união e transformação n’Ele.

22. A alma é o altar onde Deus é adorado em louvor e amor ao que, por amor, está unida a Ele.

23. Vive em solidão até achar a Deus.

24. Se uma alma busca a Deus, muito mais Deus busca a ela.

25. Amar é trabalhar em despojar-se por Deus, de tudo o que não é Deus.

26. A enfermidade de Deus não se cura senão com a presença de Deus. Porque a saúde da alma é o amor de Deus e faltando-lhe esse amor, falta-lhe a saúde.

27. Mais estima Deus em ti que te inclines à secura e a padecer por Seu Amor, do que todas as consolações, visões espirituais e meditações que possas ter.

28. Quando tem veemência do amor, tem a fé tão ilustrada, que lhe faz entrever uns divinos vislumbres.

29. Aquele que ama Deus sobre todas as coisas, nada lhe impede fazer ou padecer por Ele seja o que for.

30. Só aproveita muito na virtude aquele que se deixa conduzir por Deus.

31. O caminho por onde se busca a Deus é ir praticando em Deus o bem, e mortificando em si o mal.

32. Sem caridade, nenhuma virtude é graciosa diante de Deus.

33. Nas tribulações e humilhações, comunica-se Deus com maior abundância e suavidade. Quanto maior é a esperança, tanto maior é a união divina; tanto se alcança de Deus, quanto N’Ele se espera.

34. Não põe Deus o seu amor e graça na alma senão segundo a vontade e amor da mesma alma.

35. O olhar de Deus veste de formosura e alegria o mundo e todos os céus. É tanta a formosura de Deus, que a sua vista não pode suportar nesta vida

36. Os braços de Deus significam a sua fortaleza; reclinada a nossa fraqueza na fortaleza de Deus tem já a fortaleza do mesmo Deus. Na fortaleza voa o amor.

37. Para as honras devemos ter repugnância, e para a humildade prontidão.

38. Tanto mais livre está a alma quanto mais unida a Deus.

39. A causa porque Deus opera mais milagres por meio de certas imagens, é para que se desperte a adormecida devoção e o afeto dos fiéis à oração.

40. Só os que morrem ao homem velho, merecem renascer filhos de Deus. O que morre a si e a todas as coisas, vive vida doce e saborosa de amor com Deus.

41. É melhor não fazer nenhuma penitência do que fazê-la contra a obediência.

42. As maiores obras em que Deus mais se mostrou são as da Encarnação do Verbo e mistério da fé Cristã.

43. Padecer com Cristo o Seu Cálice é coisa mais preciosa e segura nesta vida do que o gozar.

44. Os toques divinos que Deus faz na alma, animam e enchem de brio para padecer. Sofre muito a alma enquanto Deus a anda ungindo e dispondo a fim de a unir consigo.

45. Para não perdermos a paz, devemos nos alegrar e não nos perturbar nas adversidades.

46. Somente vão tendo sabedoria de Deus os que, como crianças ignorantes caminham com amor no Seu serviço.

47. Deus nunca dá sabedoria mística sem amor, pois é o próprio amor que a infunde.

48. Deus não obra as virtudes na alma sem a sua cooperação. Quando o amor está só e firme em Deus também as virtudes estão perfeitas e muito floridas no Seu Amor.

49. Deus humilha muito para depois elevar também muito; quando ficar reduzido a nada, que será a suma humildade, ficará feita a união entre a alma e Deus.

50. Das coisas alheias, boas ou más, nunca se ocupe, porque além do perigo de pecar que há, essa ocupação é causa de distrações e de tacanhez de espírito.

51. Para mortificar as quatro paixões naturais que são: gozo, tristeza, temor e esperança, aproveita o seguinte:

· Inclina sempre não ao mais fácil, mas ao mais difícil;

· Não ao mais saboroso, mas ao mais insípido;

· Não ao mais gostoso, mas ao que não dá gosto;

· Não se inclinar ao que é descanso, mas ao mais trabalhoso;

· Não ao que é consolo, mas ao que não é consolo;

· Não ao mais, mas ao menos;

· Não ao mais alto e precioso, mas ao mais baixo e desprezado;

· Não ao que é querer algo, mas o que é não querer nada;

· Não andar procurando das coisas o melhor, mas o pior; e por Jesus Cristo ter, para com todas as coisas do mundo, desnudez, vazio e pobreza.

52. É melhor vencer-se na língua do que jejuar pão e água.

53. É humilde quem se esconde no seu nada e sabe abandonar-se em Deus.

54. Quem opera com tibieza, está próximo da queda.

55. Procurai lendo e encontrareis meditando; chamai orando e abri-se-vos-á contemplando.

56. Grande mal é olhar mais aos bens de Deus que ao próprio Deus; oração e desapego.

57. A maior necessidade que temos para progredir é calar o apetite e a língua diante deste grande Deus, pois a linguagem que Ele mais ouve é o amor calado.

58. Ao entardecer desta vida examinar-te-ão no amor. Aprenda a amar como Deus quer ser amado e deixa a tua condição.

59. Como te atreves a folgar tão sem temor, pois hás de comparecer diante de Deus e dar conta da menor palavra e pensamento.

60. Alegre-se sempre em Deus que é a sua saúde, e olhe que é bom sofrer de qualquer maneira por Aquele que é bom.

61. Se queres chegar à posse de Cristo, jamais O procure sem a cruz.

62. Em todas as nossas tribulações, aflições e dificuldades, não existe para nós outro apoio maior e mais seguro do que a oração e a esperança de que o Senhor proverá a tudo.

63. O céu é meu e minha a terra; minhas são as gentes, os justos são meus e meus os pecadores, os anjos são meus e a Mãe de Deus, e todas as coisas são minhas; e o próprio Deus é meu para mim, porque Cristo é meu e tudo para mim.

64. Procure em todas as coisas a maior honra e a glória de Deus.

65. Deus é como um sol suspenso sobre as almas, pronto a comunicar-se.

66. Onde não existe amor coloca amor e amor encontrarás.

67. Quanto mais uma alma ama, tanto mais perfeita é naquilo que ama.

68. Quando a alma chega a possuir perfeitamente a espírito de temor, possui perfeitamente o espírito de amor, porque aquele temor, o último dos sete dons, é filial, e o temor perfeito do Filho nasce do amor perfeito do Pai.

69. O demônio fica muito satisfeito quando percebe que uma alma deseja receber revelações ou sente inclinações por elas, visto que neste caso lhe oferecem muitas ocasiões e possibilidades de insinuar erros e destruir nela a fé.

70. Quanto mais a alma é pura e excelente na fé, tanto mais caridade infundida por Deus possui; e quando maior caridade reside nela, tanto mais Ele a ilumina e lhe comunica os dons do espírito santo, pois a caridade é o meio e a causa de tal comunicação.