domingo, 18 de abril de 2021

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face' (Sl 4)

 18/04/2021 - Terceiro Domingo da Páscoa

21. TESTEMUNHAS DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR 


Neste Terceiro Domingo da Páscoa, os Evangelhos evocam mais uma das muitas manifestações de Jesus Ressuscitado aos discípulos reunidos no Cenáculo. Mesmo depois dos relatos das aparições de Jesus às santas mulheres, à Maria Madalena, ao próprio Pedro, e aos dois discípulos de Emaús, muitos ainda permaneciam incrédulos e continuavam a negar a ressurreição de Jesus. E o dogma da ressurreição, essência da fé cristã, não poderia conviver com tais dúvidas e não poderia prescindir da solidez confiante do testemunho de muitos e de todos.

Por isso, mais uma vez, Jesus se apresenta aos seus discípulos e os saúda com a paz de Cristo. Homens incrédulos responderam à saudação de Jesus como homens incrédulos: 'Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma' (Lc 24, 37). Turbados pela presença de Jesus, julgaram ver um espírito, um fantasma que atravessava paredes e portas fechadas. O temor e a desconfiança deles era tão grande que foram capazes, mais uma vez, de confundirem o mistério da graça com uma reação baseada na lógica simples da natureza humana. Jesus surgira do nada, e as portas estavam fechadas; tratava-se, pois, da aparição de um fantasma...

Jesus os conclama a compreender o mistério da graça: 'Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho. E, dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés' (Lc 24, 38 - 40). E, agora, movidos por uma incredulidade mais afeta à alegria pela confirmação da ressurreição de Cristo do que a descrença pelo sobrenatural, os discípulos oferecem a Jesus, a pedido dele, um pedaço de peixe assado: 'Ele o tomou e comeu diante deles' (Jo 24, 43). Não podia existir prova mais definitiva da real presença de Jesus Ressuscitado; em seu corpo glorioso, embora não precisasse de alimento algum, Aquele que antes comia e bebia com eles, estava de novo comendo com eles. Era o mesmo Jesus, Jesus Ressuscitado, não um espírito, não um fantasma.

Em seguida, após confirmar a sua missão salvífica, Jesus exorta os seus discípulos a serem, mais que as testemunhas singulares da Ressurreição, os continuadores de sua missão, constituindo-os sacerdotes da Igreja e herdeiros do seu sumo e eterno sacerdócio. Missão destinada a ser cumprida pelo ministério sacerdotal até o fim dos tempos, na busca da confirmação da obra universal da redenção e para a salvação e a santificação das almas: 'e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sereis testemunhas de tudo isso' (Lc 24, 47 - 48).

sábado, 17 de abril de 2021

GALERIA DE ARTE SACRA (XXIX)

(pintura do 'Aleijadinho', considerada como provável 'retrato' do artista)

Antônio Francisco Lisboa, o 'Aleijadinho', nasceu por volta de 1730 em Ouro Preto, em Minas Gerais. Escultor, entalhador, carpinteiro e arquiteto, é considerado o maior representante do barroco mineiro, sendo conhecido por suas esculturas em pedra-sabão, entalhes em madeira e pelos projetos arquitetônicos de altares e de igrejas. Toda a sua obra foi realizada em Minas Gerais, especialmente nas cidades de Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Congonhas. Os principais monumentos que contêm as suas obras são a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. Apresentam-se a seguir as principais e mais conhecidas obras deste grande artista, portador de uma doença lenta, deformante e generalizada, que o fez inclusive perder os dedos das mãos e dos pés (daí a alcunha de 'Aleijadinho') e que o levou à morte em 1814.

(Igreja de São Francisco de Assis - Ouro Preto/MG, projetada pelo Aleijadinho, século XVIII)

(frontispício da Igreja de São Francisco de Assis - Ouro Preto/MG, esculpido pelo Aleijadinho)

(detalhe do frontispício da Igreja de São Francisco de Assis - Ouro Preto/MG)

(interior da Igreja de São Francisco de Assis - Ouro Preto/MG, projetado pelo Aleijadinho)

(imagem do altar-mor da Igreja de São Francisco de Assis, esculpida pelo Aleijadinho)

(cena do carregamento da cruz, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas/MG)

(detalhe da cena do carregamento da cruz, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas/MG)

(Cristo no Horto das Oliveiras, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas/MG)

(Cristo Flagelado, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas/MG)

(Nossa Senhora das Dores, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas/MG)

(12 Profetas,  adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas/MG)

(Profeta Oseias, adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas/MG)

sexta-feira, 16 de abril de 2021

TESOURO DE EXEMPLOS (64/66)

  

64. UM PECADOR SE CONVERTE

Diz Santa Brígida que 'assim como o magneto atrai o ferro, assim também Maria Santíssima atrai os corações a Deus'. É um fato. Um dia foi São Francisco Regis chamado para um enfermo que não queria de modo algum preparar-se para a morte. O infeliz negava-se a aceitar os socorros da religião, sabendo embora que o seu fim era iminente. 

Convencendo-se São Francisco de que os meios humanos eram inúteis, tirou de seu breviário uma imagem de Nossa Senhora e, mostrando-a ao enfermo, disse:
➖ Olha! Maria te ama.
➖ Como? - replicou o pecador - como se acordasse de um sonho - pois que ela não me conhece.
➖ Mas eu sei que ela te ama! - tornou o santo.
➖ Então ela não sabe que reneguei a minha fé e desprezei a minha religião?
➖ Sabe.
➖ Que insultei ao seu Filho e calquei aos pés o seu sangue?
➖ Sabe.
➖ Que estas mãos estão manchadas de sangue inocente?
➖ Sabe.
➖ Padre, o senhor fala a verdade?
➖ Sim; passarão os céus e a terra, mas a palavra de Deus não passará. Sabe, pois, que Deus disse outrora e te diz hoje ainda: 'Filho, eis aí tua Mãe!'
➖ Uma mãe, que me ama!... murmurava o pecador enternecido; minha mãe, minha... 

E copiosas lágrimas brotavam de seus olhos. Eram lágrimas de sincero arrependimento, verdadeira dor. Fez imediatamente uma confissão dolorosa e contrita de toda a vida. Recebeu com visível fervor a sagrada comunhão. Alguns dias depois, feliz e cheio de confiança, expirou no amor de Deus a quem fôra atraído por Maria.

65. ESCAPARAM DA GUILHOTINA

Foi em Paris, na época mais triste da Revolução Francesa. Para alguém ser preso e condenado à morte, bastava que o acusassem de monarquista ou católico intransigente. Também os pais de Júlia Janau, uma criança de 11 anos, foram presos por causa de sua religião. Júlia, que ficara só com uma velha criada, chorava dia e noite, temendo pela sorte de seus pais.

Em sua grande aflição, rezava continuamente o rosário à compassiva Mãe do Céu para que salvasse os seus pais. Essa devoção do rosário - ensinara-lhe sua boa mãe, dizendo-lhe que, em todo o perigo e necessidade, recorresse a Maria com muita confiança e seria socorrida. Estava a menina ajoelhada, rezando o seu rosário, quando um representante do partido revolucionário penetrou na casa à procura de mais alguma vítima para a guilhotina.

À vista daquela criança, inocente e tímida, o carrasco sentiu-se inexplicavelmente comovido. Dirigindo-se à pequena, perguntou:
➖ Que estás fazendo?
➖ Estou rezando o rosário por meus pais.
➖ O rosário?...
➖ Sim, para que reconheçam que eles são inocentes.

Ao pronunciar essas palavras, copiosas lágrimas corriam-lhe os olhos. Soluçando, ergueu, suplicante, as mãozinhas ao revolucionário que estava seriamente comovido. Num gesto de mansidão e de bondade, que havia muito não sentia, inclinou-se para a pequena de cabelos louros e, colocando-lhe a mão sobre os ombros, perguntou:
➖ E acreditas que a tua oração ajudará?
➖ Sim, foi a firme resposta - porque minha mãezinha me ensinou e minha mãezinha não mente.

O coração daquele homem rude e mau, enternecido diante de tamanha inocência e confiança, sentia já uma terna compaixão pela criança.
➖ Achas, boa menina, que teus pais são inocentes?
➖ Acho, sim; eles nunca fizeram mau algum.
➖ Pois bem; verei o que se poderá fazer por eles.
➖ Obrigado, senhor, por essa promessa. Ah! salvai meus inocentes pais; restituí pai e mãe a uma pobre criança abandonada.

A grande confiança de Júlia no poder da Rainha do Santo Rosário ficou gravada no coração daquele revolucionário; e como gozava de muita influência no tribunal, conseguiu que os acusados fossem absolvidos e restituídos à sua inocente filhinha, que, pela devoção a Maria, os livrara da morte.

66. OS TRÊS DEGRAUS DA FORCA

Era no tempo da famosa rainha Isabel que governou a Inglaterra de 1558 a 1603. Foi uma rainha cruel e mandou matar fria e injustamente a muitíssimos de seus vassalos simplesmente por serem católicos convictos e fervorosos. Entre as inúmeras vítimas de seu ódio satânico estava João Post, natural de Pereth (Cumberland), grande devoto da Mãe de Deus. Ainda na hora trágica da morte deu prova desta sua devoção.

Foi assim: Ao ser conduzido à forca, em presença de inúmeras espectadores, ajoelhou-se no primeiro degrau da forca e rezou em voz alta: 'O anjo do Senhor anunciou a Maria; e ela concebeu do Espírito Santo'. E rezou logo em seguida uma Ave-Maria. Subiu, depois, ao segundo degrau e rezou com voz forte: 'Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a vossa palavra'. E rezou outra Ave-Maria. Subiu, enfim, ao terceiro degrau, que era o último do cadafalso, ajoelhou-se pela última vez e rezou: 'E o Verbo de Deus se fez homem e habitou entre nós'. Rezou a terceira Ave-Maria, encomendando-se fervorosamente a Nossa Senhora.

Entregou-se então ao carrasco e sofreu heroicamente o martírio, sendo enforcado por causa de sua fé inabalável em Jesus Cristo e na santa Igreja Católica. Meu irmão, também nós estamos condenados à morte. Todos havemos de morrer. Pode-se dizer que nos aproximamos dela, subindo também três degraus: um pela manhã, outro ao meio-dia e o terceiro à tarde. Imitemos o exemplo desse santo mártir, rezando três vezes ao dia, como é costume entre os bons católicos, a oração do 'Anjo do Senhor'.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos', do Pe. Francisco Alves, 1958; com adaptações)

ver PÁGINA: TESOURO DE EXEMPLOS

quinta-feira, 15 de abril de 2021

O ÊXTASE DE SANTA TERESA DE ÁVILA

Deus é Amor Infinito que busca almas para incendiá-las com o seu Amor Divino... 'que pretensão a nossa a de querer impor limites Àquele que dá ilimitadamente os seus dons quando quer' (Livro da Vida, v.5, p.39). 

Gianlorenzo Bernini - O Êxtase de Santa Teresa de Ávila (1647-52)
Mármore, Cappella Cornaro, Santa Maria della Vittoria, Roma 

'Nosso Senhor ficou satisfeito por eu ter, por vezes, uma visão desse tipo: vi um anjo perto de mim, do meu lado esquerdo, em forma corpórea. Isso eu não estou acostumada a ver, a menos que muito raramente. Embora eu tenha visões de anjos com frequência, ainda os vejo apenas por uma visão intelectual, como eu já falei antes.

Foi vontade de nosso Senhor que nessa visão eu visse o anjo desta maneira. Ele não era grande, mas de pequena estatura e muito bonito – seu rosto queimava, como se ele fosse um dos anjos mais elevados, que parecem ser todos de fogo: devem ser aqueles a quem chamamos de querubins. Seus nomes eles nunca me dizem, mas vejo muito bem que existe no céu uma diferença tão grande entre um anjo e outro, e entre estes e os outros, que não consigo explicar.

Vi em sua mão uma longa lança de ouro e, na ponta do ferro, parecia haver um pequeno fogo. Ele me pareceu estar empurrando-o às vezes em meu coração e perfurando minhas próprias entranhas; quando ele puxou para fora, ele parecia atraí-los também, e me deixar toda em chamas com um grande amor de Deus. A dor era tão grande que me fez gemer; e, no entanto, tão extraordinária era a doçura dessa dor excessiva, que eu não podia querer me livrar dela.

A alma está satisfeita agora com nada menos que Deus. A dor não é corporal, mas espiritual; embora o corpo tenha sua parte nele. É uma carícia de amor tão doce que agora acontece entre a alma e Deus, que eu oro a Deus por Sua bondade para fazê-lo experimentar aquilo que pode pensar que estou mentindo. Durante os dias em que isso durou, era como se Ele estivesse ao meu lado. Eu não queria ver ou falar com ninguém, apenas acalentar minha dor, que era para mim uma felicidade maior do que todas as coisas criadas'.

(Excertos da obra 'Livro da Vida', v.5, Santa Teresa de Ávila)

quarta-feira, 14 de abril de 2021

A VIDA OCULTA EM DEUS: DEUS ABRASA A ALMA


O amor de Deus é uma chama ardente. Antes de transformar a alma, Deus a desfaz, queima, consome. Tudo o que é contrário a Ele deve desaparecer. Este período da vida interior é particularmente doloroso. É um momento de purificação: a alma é lançada no cadinho; todas as suas escórias sobem do fundo à superfície e então a alma vê toda a sua fealdade e se ressente do sabor cruel de tanta amargura. Às vezes, fica com a impressão de que essas manchas são inerentes a si mesma e que nunca poderá se ver livre delas. Mas, no fundo, a alma é bela porque é pura, e a percepção desse mal a horroriza.

Para quem simplesmente visse o efeito dessas duras tribulações, pareceria ver apenas a alma calcinada por este fogo misterioso, tenebroso, sem forma e sem beleza, que a desfigura e deforma. Todos os pensamentos que pouco a pouco tomaram conta de sua mente e moldaram sua imagem, todos os afetos que se infiltraram em seu coração e o tornaram semelhante ao seu ser, todas as lembranças que permearam sua memória até então, desaparecem por completo. Durante a provação, tudo foi ceifado, arrancado e queimado. 

A alma não é mais a mesma e, nesse sentido, torna-se irreconhecível. Ficou deformada por uma fealdade que resulta da privação de uma falsa beleza. Mas, na verdade, foi embelezada pela verdadeira beleza, por privar então da própria Beleza de Deus. Apenas o que é substituído foi destruído. E a alma interior, despojada de tudo o que formava a sua aparente riqueza, começou a se revestir da própria Beleza de Deus.

Para unir, o amor de Deus deve, antes de tudo, separar. E aqui não se trata mais de simplesmente afrouxar os laços que uniam a alma ao seu corpo, mas de penetrar no próprio íntimo da alma para libertar o que há de mais perfeito nela: 'o espírito', para que a união com Deus, que é Espírito, possa ser plenamente realizada. Segue-se então uma angústia dolorosa, deliciosa e inexprimível. É uma nova vida que se insinua nas profundezas da alma e que muda tudo nela. A alma não é mais reconhecida e se torna uma outra alma, embora ainda seja a mesma. A impressão da morte é tão vívida que clama por socorro, sabendo, entretanto, que não vai ser ouvida. Precisaria do céu para isso; só que ainda não chegou a sua hora.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte II -  A Ação de Deus; tradução do autor do blog)

terça-feira, 13 de abril de 2021

IMAGEM DA SEMANA

'Teus dias estarão em segurança. A sabedoria e o conhecimento garantem a salvação, e o temor do Senhor será o seu tesouro' (Is 33, 6)

segunda-feira, 12 de abril de 2021

O DOGMA DO PURGATÓRIO (III)

Capítulo III

A Palavra Purgatório - Doutrina Católica - Questões Controversas

A palavra Purgatório é, às vezes, entendida como significando um lugar, comumente como um estado intermediário entre o Inferno e o Paraíso. É, propriamente falando, a condição das almas que, no momento da morte, estão em estado de graça, mas que não expiaram completamente as suas faltas e nem alcançaram o grau de pureza necessário para desfrutar a visão de Deus.

O Purgatório é, portanto, um estado transitório que termina em uma vida de felicidade eterna. Não é um lugar de provação, no qual um mérito pode ser ganho ou perdido, mas sim, um estado de expiação e reparação. A alma atingiu o fim de sua vida terrena, vida que era um tempo de provação, um tempo de mérito para a alma, um tempo de acolhida à misericórdia da parte de Deus. Uma vez expirado este tempo, nada mais que justiça se deve esperar de Deus, posto que a alma não pode ganhar nem perder mais méritos. Ela permanece no estado em que a morte a encontrou: se a encontrou no estado de graça santificante, ela está certa de nunca perder esse estado de felicidade e de chegar à posse eterna de Deus. No entanto, uma vez que ela está ainda sobrecarregada com certas dívidas de castigo temporal, ela deve satisfazer a Justiça Divina, submetendo-se ao rigor divino deste castigo.

Tal é o significado da palavra Purgatório e a condição das almas que ali se encontram. Sobre este assunto, a Igreja nos propõe duas verdades claramente definidas como dogmas de fé: primeiro, que existe um Purgatório; segundo, que as almas que estão no Purgatório podem ser assistidas pelos sufrágios dos fiéis, especialmente pelo Santo Sacrifício da Missa. Além destes dois pontos dogmáticos, há várias outras questões doutrinárias para as quais a Igreja não estabeleceu decisão final e que foram objeto de interpretações dos doutores da Igreja, que as responderam mais ou menos claramente. Essas questões se relacionam aos seguintes pontos: (i) o local do Purgatório; (ii)  a natureza dos sofrimentos; (iii) o número e as condições das almas que se encontram no Purgatório; (iv) a certeza que possuem da sua bem-aventurança; (v) a duração dos seus sofrimentos; (vi) a intervenção dos vivos em seu nome e a aplicação dos sufrágios da Igreja.

Tradução da obra: 'Le Dogme du Purgatoire illustré par des Faits et des Révélations Particulières', 342p., do teólogo francês François-Xavier Schouppe, sj (1823-1904), 342 p., tradução pelo autor do blog)

domingo, 11 de abril de 2021

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Dai graças ao Senhor, porque ele é bom: eterna é a sua misericórdia!' (Sl 117)

 11/04/2021 - Segundo Domingo da Páscoa

20. 'MEU SENHOR E MEU DEUS!'


O segundo domingo do tempo pascal é consagrado como sendo o 'Domingo da Divina Misericórdia', com base no decreto promulgado pelo Papa João Paulo II na Páscoa do ano 2000. No Domingo da Divina Misericórdia daquele ano, o Santo Padre canonizou Santa Maria Faustina Kowalska, instrumento pelo qual Nosso Senhor Jesus Cristo fez conhecer aos homens Seu amor misericordioso: 'Causam-me prazer as almas que recorrem à Minha misericórdia. A estas almas concedo graças que excedem os seus pedidos. Não posso castigar, mesmo o maior dos pecadores, se ele recorre à Minha compaixão, mas justifico-o na Minha insondável e inescrutável misericórdia'.

No Evangelho deste domingo, Jesus já havia se revelado às santas mulheres, a Pedro e aos discípulos de Emaús. Agora, apresenta-Se diante os Apóstolos reunidos em local fechado e, uma vez 'estando fechadas as portas' (Jo 20, 19), manifesta, assim, a glória de Sua ressurreição aos discípulos amados. 'A paz esteja convosco' (Jo 20, 19) foi a saudação inicial do Mestre aos apóstolos mergulhados em tristeza e desamparo profundos. 'A paz esteja convosco' (Jo 20, 21) vai dizer ainda uma segunda vez e, em seguida, infunde sobre eles o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados: 'Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos' (Jo 20, 22-23), manifestação preceptora da infusão dos demais dons do Espírito Santo por ocasião de Pentecostes. A paz de Cristo e o Sacramento da Reconciliação são reflexos incomensuráveis do amor e da misericórdia de Deus. 

E eis que se manifesta, então, o apóstolo da incredulidade, Tomé, tomado pela obstinação à graça: 'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei' (Jo 20, 25). E o Deus de Infinita Misericórdia se submete à presunção do apóstolo incrédulo ao lhe oferecer as chagas e o lado, numa segunda aparição oito dias depois, quando estão todos novamente reunidos, agora com a presença de Tomé, chamado Dídimo. 'Meu Senhor e meu Deus!' (Jo 20, 28) é a confissão extremada de fé do apóstolo arrependido, expressando, nesta curta expressão, todo o tesouro teológico das duas naturezas - humana e divina - imanentes na pessoa do Cristo.

'Bem-aventurados os que creram sem terem visto!' (Jo 20, 29) é a exclamação final de Jesus Ressuscitado pronunciada neste Evangelho. Benditos somos nós, que cremos sem termos vistos, que colocamos toda a nossa vida nas mãos do Pai, que nos consolamos no tesouro de graças da Santa Igreja. E bem aventurados somos nós que podemos chegar ao Cristo Ressuscitado com Maria, espelho da eternidade de Deus na consumação infinita da Misericórdia do Pai. 

sábado, 10 de abril de 2021

QUE FIQUEM CALADOS E OMISSOS ENTÃO...

Em 08/04/2021, o plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu,  por nove votos a dois, que é legal e legítimo que estados e municípios proíbam atividades religiosas presenciais, sob a premissa de que a liberdade de culto religioso não constitui um direito absoluto e que, assim, pode ser suspenso ou limitado sob condições específicas, tais como as que prevalecem atualmente, impostas pela pandemia do coronavírus.

Embora o artigo 5º da Constituição estabeleça esse direito incondicionalmente, com a seguinte redação: 'É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias', o livre exercício dos arautos divinos do STF, debruçados sobre suas concepções medonhas de proteção aos princípios e aos locais de culto ateísta e agnóstico, prescreveram que se torna violável por decreto o que se impôs como inviolável pela própria constituição brasileira.

Um dos oráculos proclamou que a liberdade religiosa tem duas dimensões: uma interna, que assegura o pensamento religioso e outra externa, que permitiria a manifestação de suas crenças, e que esta seria possível de objeto de restrição pelo estado. Outro alertou solenemente que os decretos que restringem os cultos durante a epidemia não suprimem a fé das pessoas e que, sendo o Estado laico, o mesmo não pode tomar medidas com base em dogmas religiosos, como se o dispositivo constitucional falasse da acepção da fé descontinuada da complementação do óbvio livre exercício da fé religiosa. Uma pitonisa declarou que a proteção à saúde é argumento plausível para autorizar o Estado a limitar as atividades religiosas presenciais. O argumento de outro togado-mor foi a de mandar todos rezarem em casa, pois não há nenhuma necessidade de se rezar em templos, enquanto outra voz ao fundo bradou que a hora é da ciência e não da fé abstrata. Os dois votos favoráveis (ou pelo menos um deles) foram sustentados com base no citado dispositivo constitucional.

Não há nada de estranho ou assintomático nesta decisão, uma vez que provém de homens e mulheres que se julgam oráculos e atuam como portentos da religião jurídica, amparados por dogmas ideológicos e profissões de fé na deusa da ciência e do ateísmo. E tal assepsia do sobrenatural soa como acordes celestiais para uma multidão de vassalos, o verdadeiro gado que sopra e assobia hinos a tais entidades, estas sim tomadas e cultuadas como apóstolos da verdade absoluta. Neste hinário, eventuais adornos ou malabarismos jurídicos tornam-se esquecidos e benvindos, em nome de um louvor e de um rito maior e ideologicamente mais condizente com a liturgia do ateísmo militante. Não há nada de estranho nisso, o estranho seria se tão pouco estranho fosse.

O estranho é o silêncio dos covardes. O constrangimento é a inércia dos católicos. O espantoso é o anonimato de tantos ou de quase todos. Os ditames e os princípios da fé católica passam a ser ditados pela assepsia do sobrenatural de 11 homens e mulheres de toga, absolutamente néscios da liturgia da Santa Igreja e da doutrina de Cristo? Nosso lugar de oração deve estar restrito às casas fechadas como no tempo das catacumbas? A Igreja doméstica é opção à liturgia dos templos, assistir uma missa online ou pela televisão significa alguma coisa além de um puro ato de piedade cristã? Não prover do alimento eucarístico torna um católico um cristão absolutamente comum. O impedimento do livre acesso aos sacramentos nos torna infelizes cidadãos do mundo a caminho do abismo.

Não se trata de gritar aos oráculos e à vassalagem da anti-Igreja a razão e a glória humana de sermos católicos. Acaso se adornam com pérolas as deformidades dos hereges? É insensatez contra-argumentar com a Verdade que não é ouvida. Quando a Verdade não é ouvida, só existe um caminho: transformar a Verdade em obras pela resistência católica. Proclamar a insubordinação pura e simplesmente não basta, é preciso lutar contra os falsos oráculos que nos impõem as suas verdades em nome das nossas próprias, da nossa fé cristã, da verdadeira doutrina de Cristo. 

O estranho é o silêncio da CNBB. Silêncio por respeito humano, silêncio por comodismo, silêncio pela covardia? Onde estão os bispos e os padres da Igreja de Cristo, bradando contra o desvario do fechamento das igrejas e da proibição do culto litúrgico sob a chancela de firulas jurídicas? Onde está a hierarquia da Igreja, onde estão os pastores da Vinha, onde estão os Apóstolos e os mártires? Por que não falam e não agem como Cristo? O que vão proclamar diante de Deus um dia sobre o que fizeram nestes tristes dias? Como homens fracos na fé, amedrontados pela doença, abandonaram as messes para rezar por si mesmos? Resistência Católica é feita de ação, da palavra viva de Deus proclamada, da presença física e operosa, das igrejas abertas e sacrários expostos à devoção, de insubordinação contra os ditames da anti-religião. A Resistência Católica deve ser exercida pela vivência da fé cristã em plenitude, mesmo com graves riscos da perda dos direitos, das comodidades, da liberdade ou da própria vida. Ou então...

Que fiquem calados e omissos então. E então... esta terrível pandemia não terá fim por meras medidas sanitárias ou de confinamento absoluto.. esta terrível pandemia não terá fim por meio simplesmente do confinamento social ou pela vacinação em massa... esta terrível pandemia não terá fim com as igrejas fechadas... esta terrível pandemia não terá fim com padres e bispos confinados em suas casas paroquiais... esta terrível pandemia não terá fim com padres e religiosos temerosos de perder a vida para o coronavírus... esta terrível pandemia não terá fim suprimindo a eucaristia e os sacramentos aos fieis...  pois esta terrível pandemia não terá fim enquanto o mundo não se ajoelhar diante de Deus.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

SOBRE A ORAÇÃO E A INTIMIDADE COM DEUS

Que não faltem no nosso dia alguns momentos dedicados especialmente a travar intimidade com Deus, elevando até Ele o nosso pensamento, sem que as palavras tenham necessidade de vir aos lábios, porque cantam no coração. Dediquemos a esta norma de piedade um tempo suficiente, a hora fixa, se possível. Ao lado do Sacrário, acompanhando Aquele que ali ficou por Amor. Se não houver outro remédio, em qualquer lugar, porque o nosso Deus está de modo inefável na nossa alma em graça (Amigos de Deus).

Quando se aproximavam de mim, sacerdote jovem, pessoas de todas as condições – universitários, operários, sãos e doentes, ricos e pobres, sacerdotes e leigos – que procuravam acompanhar mais de perto o Senhor, aconselhava-os sempre: 'rezai'. E se algum me respondia: 'não sei sequer como começar', recomendava-lhe que se pusesse na presença do Senhor e lhe manifestasse a sua inquietação, a sua dificuldade, com essa mesma queixa: 'Senhor, eu não sei!' E muitas vezes, naquelas humildes confidências, concretizava-se a intimidade com Cristo, um convívio assíduo com Ele (Amigos de Deus).

Et in meditatione mea exardescit ignis - e na minha meditação ateia-se o fogo. Para isso mesmo é que fazes oração: para te tornares uma fogueira, lume vivo, que dê calor e luz. Por isso, quando não souberes ir mais longe, quando sentires que te apagas, se não podes lançar ao fogo troncos olorosos, lança os ramos e a folhagem de pequenas orações vocais, de jaculatórias, que continuem a alimentar a fogueira. E terás aproveitado o tempo (Caminho, 92)

Quando efetivamente se quer desafogar o coração, se somos francos e simples, procuramos o conselho de pessoas que nos amam ... comecemos por nos comportar assim com Deus, certos de que Ele nos ouve e nos responde; e escutá-lo-emos e abriremos a nossa consciência a uma conversa humilde, para lhe referir confiadamente tudo o que palpita na nossa cabeça e no nosso coração: alegrias, tristezas, esperanças, dissabores, êxitos, fracassos e até os pormenores mais pequenos da nossa jornada, porque já então teremos comprovado que tudo o que é nosso interessa ao nosso Pai Celestial.

Ao convidar-te para fazeres essas confidências com o Mestre, refiro-me especialmente às tuas dificuldades pessoais, porque a maioria dos obstáculos para a nossa felicidade nascem de uma soberba mais ou menos oculta. Pensamos que temos um valor excepcional, qualidades extraordinárias. Mas, quando os outros não são da mesma opinião, sentimo-nos humilhados. É uma boa ocasião para recorrer à oração e para retificar, com a certeza de que nunca é tarde para mudar a rota. Mas é muito conveniente iniciar essa mudança de rumo o quanto antes (Amigos de Deus).

Católico sem oração?... É como um soldado sem armas (Sulco, 453).

Eu aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais. Primeiro, imaginas a cena ou o mistério, que te servirá para te recolheres e meditares. Depois, aplicas o entendimento, para considerar aquele rasgo da vida do Mestre: o seu Coração enternecido, a sua humildade, a sua pureza, o seu cumprimento da Vontade do Pai. Conta-lhe então o que te costuma suceder nestes assuntos, o que se passa contigo, o que te está a acontecer. Mantém-te atento, porque talvez Ele queira indicar-te alguma coisa: surgirão essas moções interiores, o caíres em ti, as admoestações.

Se fraquejarmos, recorreremos ao amor de Santa Maria, Mestra de oração; e a São José, Pai e Senhor nosso, a quem tanto veneramos, que é quem mais intimamente privou neste mundo com a Mãe de Deus e – depois de Santa Maria – com o seu Filho Divino. E eles apresentarão a nossa debilidade a Jesus, para que Ele a converta em fortaleza (Amigos de Deus).

(São Josemaria Escrivá)


quinta-feira, 8 de abril de 2021

ORAÇÃO PELA CONVERSÃO DE UMA PESSOA

Ó meu Jesus, Amor Infinito, eu Vos ofereço tudo o que Vos posso dar e tudo o que podeis querer de mim: o meu amor infinitamente humano*. E do meu amor para o Vosso Amor, tornai propícia a minha súplica em favor da conversão de ... (nomear a intenção), como graça especial dos Vossos desígnios de salvação e da infinita misericórdia do Vosso Sagrado Coração. Pela intercessão de Vossa Santa Mãe, fazei derramar sobre essa alma os dons do Espírito Santo para a sua plena conversão à verdadeira fé cristã, para que também ele (ela) possa ser contado(a) um dia entre os Vossos Filhos nas eternas moradas, como fruto bendito da Vossa Redenção. Amém.

(Arcos de Pilares)

* 'infinitamente humano': a dimensão do amor no grau máximo possível à nossa condição humana, como esforço pessoal de levá-lo à máxima perfeição no amor a Deus.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O DOGMA DO PURGATÓRIO (II)


Capítulo I

O Purgatório no Plano Divino

O Purgatório ocupa um lugar relevante na nossa santa religião: é uma das partes principais da obra de Jesus Cristo e desempenha um papel essencial no plano da salvação humana. Lembremos que a Santa Igreja de Deus, considerada como um todo, é composta por três parcelas distintas: a Igreja Militante, a Igreja Triunfante e a Igreja Padecente ou do Purgatório. Esta tríplice Igreja constitui o corpo místico de Jesus Cristo, e as almas do Purgatório não são menos membros dela do que os fieis na terra ou os eleitos no Céu. No Evangelho, a Igreja é normalmente chamada de Reino dos Céus; o Purgatório, assim como a Igreja celestial e a terrestre, constitui uma das províncias deste vasto reino.

As três Igrejas irmãs mantêm relações incessantes entre si, uma comunicação contínua que chamamos de Comunhão dos Santos. Essas relações não têm outro objetivo senão conduzir as almas à glória eterna, o termo final para o qual tendem todos os eleitos. As três Igrejas interagem mutuamente para povoar o Céu, a cidade permanente, a gloriosa Jerusalém. Qual é então o trabalho que nós, membros da Igreja Militante, devemos fazer pelas almas do Purgatório? Temos que aliviar os seus sofrimentos. Deus colocou em nossas mãos a chave desta misteriosa prisão: é a oração pelos mortos, é a devoção às almas do Purgatório.

Capítulo II

Oração pelos Mortos - Temor e Confiança

A oração pelos que partiram e os sacrifícios e os sufrágios pelos mortos fazem parte do culto cristão, e a devoção às almas no Purgatório é uma devoção que o Espírito Santo infunde com caridade nos corações dos fieis. É um pensamento sagrado e salutar - dizem as Sagradas Escrituras - orar pelos mortos para que sejam libertados dos seus pecados (II Mc 12, 46).

Para ser perfeita, a devoção às almas do Purgatório deve ser animada por um espírito de temor e um espírito de confiança. Por um lado, a santidade de Deus e e a sua justiça nos inspiram um temor salutar; por outro lado,  a sua infinita misericórdia nos dá uma confiança ilimitada.

Deus é a própria santidade, luz muito maior do que o sol, e sombra alguma de pecado pode perpassar diante de sua face. 'Os teus olhos são puros', diz o profeta, 'e não podes contemplar a iniquidade' (Hb 1, 13). Quando a iniquidade se manifesta nas criaturas, a santidade de Deus exige expiação e, uma vez aplicada com todo o rigor da justiça divina, é terrível. É por esta razão que a Escritura diz também: 'Santo e terrível é o seu nome' (Sl 110, 9), tal como se dissesse: a sua justiça é terrível porque a sua santidade é infinita.

A justiça de Deus é terrível e pune com extremo rigor até as faltas mais comezinhas. A razão é que essas faltas, fagulhas aos nossos olhos, não são de forma alguma assim diante de Deus. O menor pecado o afronta infinitamente e, por causa da santidade infinita que é ofendida, a menor transgressão assume proporções enormes e exige, portanto, uma enorme expiação. Isso explica a terrível severidade das dores da outra vida e nos deve fazer compenetrados de um santo temor de Deus.

Esse temor do Purgatório é um temor salutar; o seu efeito não é apenas nos animar com uma compaixão caritativa para com as pobres almas sofredoras, mas também com um zelo vigilante pelo nosso próprio bem-estar espiritual. Pense no fogo do Purgatório e você se esforçará para evitar o pecado ao máximo; pense no fogo do Purgatório e você praticará a penitência, de modo a satisfazer a Justiça Divina neste mundo e não no próximo.

No entanto, devemos evitar o temor excessivo e não perder a confiança. Não nos esqueçamos da  misericórdia de Deus, que não é menos infinita que a sua justiça: 'porque acima do céu se eleva a vossa misericórdia (Sl 107,5) e  ainda: 'O Senhor é clemente e compassivo, generoso e cheio de bondade (Sl 144,8).  Essa misericórdia inefável deve acalmar as nossas mais vivas apreensões e nos encher de santa confiança, segundo as palavras: in te Domine speravi non confundar in æternum - 'que em vós, Senhor, minha esperança não seja jamais confundida'  (Sl 70,1).

Se formos animados com este duplo sentimento, se a nossa confiança na misericórdia de Deus for igual ao temor que nos inspira a sua justiça, teremos o verdadeiro espírito de devoção às almas do Purgatório. Este duplo sentimento brota naturalmente do dogma do Purgatório bem entendido - um dogma que contém o duplo mistério da justiça e da misericórdia: da justiça que pune e da misericórdia que perdoa. É deste duplo ponto de vista que vamos considerar o Purgatório e ilustrar a sua doutrina.

Tradução da obra: 'Le Dogme du Purgatoire illustré par des Faits et des Révélations Particulières', 342p., do teólogo francês François-Xavier Schouppe, sj (1823-1904), 342 p., tradução pelo autor do blog)

terça-feira, 6 de abril de 2021

TESOURO DE EXEMPLOS (61/63)

 

61. A DEVOÇÃO A MARIA DÁ VALOR

Muito tempo faz que se encontrava entre os religiosos trapistas de Sept-Fons, na França, um irmão leigo, muito velho e enfermo, que tinha na mão o seu rosário. Era o irmão Teodoro, o qual outrora havia siso um soldado valoroso. Quando, em 1812, o exército francês vencido voltava da Rússia, a coluna de Teodoro, extenuada de cansaço e de fome, encontrou-se em frente a uma bateria russa que barrava o caminho de fuga.

Um verdadeiro desespero se apoderou de todos: oficiais e soldados atiravam suas armas ao solo. Que fazer? Era no rigor do inverno e haviam caminhado longas horas sobre a neve e o gelo. Que fazer? Voltar era impossível. Ir adiante? Ali estava a poderosa bateria inimiga. Permanecer naquele posto? Era condenar-se a morrer de frio e de inanição. De repente adianta-se um oficial:

➖ Venham comigo os valentes!...
Coisa rara nos anais de nossa guerra: nem uma voz respondeu. Engano-me. Um só homem, um só, o irmão Teodoro, saiu da fila dizendo:
➖ Irei sozinho, se o senhor quiser.

Dizendo isto, tira a mochila e o fuzil e ajoelha-se na neve, persigna-se diante de todos e reza uma dezena do rosário com fervor como nunca. Toma novamente o fuzil e, de cabeça baixa, lança-se a passo de carreira, com tanta confiança como se dez mil homens o seguissem. Estava para alcançar a bateria inimiga, quando os russos, crendo que os franceses queriam apanhá-los pelas costas, enquanto se ocupassem de um só inimigo, abandonaram sua peça e bagagem e fugiram.

Dono do campo, disse nosso herói com admirável naturalidade:
➖ Eis aí! para sair de apuros, não há coisa melhor do que rezar o rosário.
O oficial entusiasmado corre para ele, tira sua própria Cruz de Honra e pendura-a ao peito do jovem, exclamando com lágrimas nos olhos:
➖ Valente soldado, tu a mereces mais do que eu!
➖ Comandante - respondeu Teodoro - não fiz mais do que meu dever.

Cinquenta anos mais tarde, com seu hábito de trapista, quando, no mais rigoroso inverno, passava a maior parte do dia de joelhos rezando o rosário, gostava de repetir:
➖ Não faço mais do que o meu dever!

62. SALVO PELO ROSÁRIO

Era em maio de 1808. Os habitantes de Madri tinham-se levantado contra o intruso José Bonaparte, que usurpara o trono dos Bourbons. Os insurretos, cheios de ódio contra os franceses, matavam sem piedade os soldados que podiam surpreender nas ruas e nas casas.

Certa manhã encontrou-se o célebre Dr. Claubry com uma turba de insurretos que, pelo seu traje, viram que pertencia ao exército invasor. O doutor era grande devoto de Nossa Senhora e pertencia à Confraria do Rosário. Naquele dia mesmo recebera a comunhão numa igreja dedicada a Nossa Senhora e voltava tranquilamente para casa.

Quando percebeu o perigo, levantou as mão ao céu e invocou os santos nomes de Jesus e Maria. Já estavam prestes a matá-lo, acoimando-o de renegado e ímpio, quando uma feliz ideia lhe passou pela mente.
➖Não - disse - não sou infiel nem blasfemo e se querem uma prova, vede o que tenho comigo. E mostrou-lhes o rosário que estava rezando.
Diante disso os assaltantes baixaram imediatamente as armas, dizendo:
➖ Este homem não pode ser mau como os outros, pois reza o rosário.

Precisamente naquele instante, como que enviado por Nossa Senhora, surgiu ali o sacristão da igreja em que o doutor comungara e, vendo-o cercado pelos insurretos, gritou bem alto:
➖ Não lhe façam mal; é devoto de Nossa Senhora; eu o vi comungar esta manhã em nossa igreja.
Ouvindo isto, os agressores acalmaram-se, beijaram o crucifixo do rosário de Claubry e levaram-no a um lugar seguro. Regressando à sua pátria, o piedoso doutor publicou o favor recebido e continuou por toda a sua vida rezando o rosário.

63. ÚLTIMA AVE MARIA, ÚLTIMO SUSPIRO!

Achava-se num asilo de velhos um antigo soldado que, apesar de sua vida de caserna e acampamento, conservava-se dócil e acessível às verdades religiosas. Um sacerdote, que o visitava com frequência, falou-lhe da devoção do rosário e ensinou-lhe o modo de rezá-lo. Deu-lhe a Irmã um rosário e o velho militar achou tamanho consolo em rezá-lo, que sentia muito não o ter conhecido antes, dizendo que o teria rezado todos os dias.

➖ Irmã - perguntou um dia - quantos dias há em sessenta anos?
➖ A Irmã fez o cálculo e respondeu:
➖ 21.900 dias.
➖ Irmã, e quantos rosários teria eu que rezar a cada dia para, em três anos, chegar a esse número?
➖ 20 a cada dia - disse-lhe a Irmã.

Daí em diante viam-no, dia e noite, com o rosário na mão. Após três anos de sofrimentos, suportados com grande paciência, chegou ao seu último rosário. Ali o esperava a morte, pois não viveu nem um dia nem uma hora mais. Ao terminar a última Ave-Maria, deu o último suspiro e entregou a sua alma a Deus.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos', do Pe. Francisco Alves, 1958; com adaptações)

ver PÁGINA: TESOURO DE EXEMPLOS

segunda-feira, 5 de abril de 2021

'PEDRO IRÁ OUVIR?'

Cristo não manifestou inicialmente a sua gloriosa ressurreição a Pedro, o primeiro Papa. Em vez disso, escolheu a pequena mulher penitente e devota da Divina Misericórdia, Maria Madalena, para ser o seu emissário ao primeiro Papa. Cristo mostrou-se a Maria Madalena a quem Ele instruiu, a 'ir e dizer a Pedro'. Descobrimos aqui, no cume da história da salvação, o padrão pelo qual Cristo deve governar - através de Pedro mas guiado pelas vozes de pequenas mulheres. A pergunta é, então, 'Pedro irá ouvir?'

· pensem em Santa Catarina de Sena que disse ao Papa para deixar Avignon, na França, e regressar à justa Roma; o papa obedeceu à pequena freira;

· lembrem-se da freira augustiniana, Juliana de Liège, através de quem Cristo pediu ao papa para instituir a festa do Corpus Christi;

· pensem em Santa Margarida Maria de Alacoque, por meio de quem o papa aprovou e espalhou a devoção ao Sagrado Coração de Jesus;

· pensem em Santa Catarina Labouré, que recebeu a visão da Medalha Milagrosa em 1830, que depois levou à popularização da Imaculada Conceição e à dogmatização deste ensinamento por Pio IX;

· lembrem-se de Santa Faustina e dos seus apelos de que a Divina Misericórdia fosse reconhecida pela Igreja universal - até que uma festa da Divina Misericórdia, sancionada formalmente pelo papa, fosse estabelecida no domingo depois da Páscoa;

· lembrem-se da pequena Lúcia de Fátima que, durante décadas, pediu sem sucesso aos Santos Padres e bispos para consagrar a Rússia ao Imaculado Coração.

Uma e outra vez descobrimos o padrão deixado por Cristo e Maria Madalena. Uma pequena mulher vem a Pedro e diz algo quase inacreditável: 'Vimos o Senhor... Ele diz...' Não posso deixar de imaginar, e isto é pura especulação, que no final dos tempos, Cristo vai outra vez escolher outra pequena mulher com um último pedido ao último papa do mundo. 

Parece se ajustar bem que acabe dessa maneira quando tudo parecer perdido e a Igreja sofrer tão terrivelmente que então o drama misterioso da manhã de Páscoa seja de alguma maneira re-encenado, antes de Cristo regressar para julgar os vivos e os mortos. Uma pequena mulher pode trazer a boa nova a Pedro uma última vez. 

Santa Maria Madalena e São Pedro, rogai por nós!

(Taylor Marshall)

domingo, 4 de abril de 2021

BÊNÇÃO URBI ET ORBI - PÁSCOA 2021

 

SEMANA SANTA MAIOR: DOMINGO DA RESSURREIÇÃO

  

'Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!' (Sl 117)

 04/04/2021 - Domingo da Ressurreição

19. PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO


Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos! A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas, ao contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor! Aleluia! Aleluia! Aleluia!

Eis o grande dia do Senhor, em que a vida venceu a morte, a luz iluminou as trevas, a glória de Deus se impôs aos valores do mundo. Jesus veio para fazer novas todas as coisas, abrir o caminho para o Céu, eternizar a glória de Deus na alma humana. Cristo Ressuscitado é a razão suprema de nossa fé, penhor maior de nossa esperança, causa de nossa alegria, plenitude do amor humano. Como filhos da redenção de Cristo, cantamos jubilosos a Páscoa da Ressurreição: 'Tende confiança! Eu venci o mundo' (Jo 16, 33).

O Triunfo de Cristo é o nosso triunfo pois o o Homem Novo tomou o lugar do homem do pecado. Mortos para o mundo, tornamo-nos herdeiros da ressurreição da nova vida em Deus: 'Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus (Cl 3, 1-3).

Entremos com Pedro no sepulcro agora vazio de Jesus: 'Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte' (Jo 20, 6 -7). Este sepulcro vazio é a morte do pecado, a vitória da vida sobre a morte: 'Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?' (1 Cor 15, 55). Jesus ressuscitou! Bendito é o Senhor dos Exércitos que, com a sua Ressurreição, derrotou o mundo e nos fez herdeiros do Céu! Este é o dia da alegria suprema, do triunfo da vida, do gáudio eternos dos justos. Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!

Hæc est dies quam fecit Dominus. Exultemus et lætemur in ea!

SEMANA SANTA MAIOR: PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO

 SOLENIDADE DA RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR

'Haec est dies quam fecit Dominus. Exultemus et laetemur in ea
— 
'Esse é o dia que o Senhor fez. Seja para nós dia de alegria e felicidade'
 (Sl 117, 24)

Cristo ressuscitou! Eis a Festa da Páscoa da Ressurreição, a data magna da cristandade. Por causa da ressurreição de Jesus, podemos ter fé e esperança, obter o perdão dos nossos pecados e a salvação de nossas almas. Com a ressurreição de Jesus, a morte foi vencida. E as Portas do Céu foram abertas para toda a eternidade.

'Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?' 
(1 Cor 15, 55)

sábado, 3 de abril de 2021

SEMANA SANTA MAIOR: SÁBADO SANTO

 VIGÍLIA PASCAL

Estamos prostrados em silêncio diante o Santo Sepulcro. Hoje é o dia da bênção do Fogo Novo, do Círio Pascal, da renovação das nossas promessas do batismo. Cantamos o Exultet com Maria. Com Maria, Mãe de todas as vigílias, aguardamos, em súplice espera, a Ressurreição do Senhor.


Vamos nos juntar à devoção com que Maria, o discípulo amado, Maria Madalena e as santas mulheres recolheram, em seus braços, o corpo de Jesus descido da cruz por José de Arimateia e Nicodemos. Com que ternura e amor Maria considera todas as suas chagas, olha todo o seu corpo dilacerado, beija todas as suas feridas! E o discípulo amado, como se projeta sobre aquele peito em que havia repousado a cabeça na noite anterior! Como O beija e se acende de vontade de se enterrar naquele peito aberto! E Madalena, como abraça os sagrados pés, de quem recebera o perdão; como os lava com as suas lágrimas e os enxuga com os seus cabelos! Entremos nos piedosos sentimentos dessas almas santas.

I - O QUE NOS ENSINA O ENTERRO DE NOSSO SENHOR

Este mistério nos ensina primeiro COMO DEVEMOS COMUNGAR. Depois que o adorável corpo foi deposto da cruz, Nicodemos trouxe cem libras de um perfume precioso, composto de mirra e aloés, para embalsamá-lo. José de Arimateia ofereceu-se para envolvê-lo em linho branco e para levar o corpo até um sepulcro novo, talhado na rocha, que ainda não tinha sido utilizado; depois, a entrada do túmulo foi fechada por uma pedra, ficando sob a guarda da autoridade pública e a custódia de soldados. 

QUANDO O CORPO DE NOSSO SENHOR CHEGA ATÉ NÓS NA SAGRADA COMUNHÃO, DEVEMOS TAMBÉM ENVOLVÊ-LO COM O PERFUME DAS SANTAS INTENÇÕES, COM O PERFUME DAS BOAS OBRAS, COM A APRESENTAÇÃO DE UM CORAÇÃO PURO DA INOCÊNCIA, FIGURADA NAQUELE LINHO SEM MANCHA; COM UMA RÍGIDA DETERMINAÇÃO DE FAZER O BEM TAL QUAL A PEDRA DO SEPULCRO; UMA CONSCIÊNCIA INTEIRAMENTE RENOVADA PELA PENITÊNCIA; E, DEPOIS DA COMUNHÃO, DEVEMOS CERRAR AS PORTAS DO NOSSO CORAÇÃO COM A PEDRA E O SELO DO NOSSO RECOLHIMENTO, FRENTE A MODÉSTIA, MESURAS E ATENÇÃO COM NÓS MESMOS, COMO GUARDAS VIGILANTES PARA IMPEDIR QUE NOS ARREBATEM O TESOURO PRECIOSO QUE ACABAMOS DE RECEBER.

É assim que fazemos? Este mistério nos ensina, em segundo lugar, AS TRÊS PREMISSAS QUE CONSTITUEM A MORTE ESPIRITUAL A QUE ESTÁ CHAMADO TODO CRISTÃO, segundo a doutrina do Apóstolo: 'tomai-vos por mortos, porque mortos estais e vossa vida está escondida com Cristo em Deus'. O primeiro dessas premissas é AMAR A VIDA OCULTA; estar como morto, em relação a todas as coisas que podem ser ditas ou pensadas sobre nós, não buscar nem ver o mundo, nem ser visto por ele. Jesus, na noite do seu sepultamento, dá-nos esta lição. Que o mundo nos esqueça e até nos possa pisar, pouco nos importa. Nós não devemos nos preocupar com isso, mais do que se importa um morto. A felicidade de uma alma cristã é se esconder em Jesus e em Deus. Nossa perversa natureza se compraz em deleitar-se, em querer ser louvado, amado, ser distinguido de reputação e amizades; não lhe façamos caso; quanto mais sensível e extremado sejamos ao apreço dos outros, mais indigno este se torna e maior é a nossa necessidade de privar-nos dele. Que se nos livre da reputação, para que em nada nos levem em conta, que nem pensem em nós, que nos olhem com horror. Faça-se, Senhor, Vossa Santa Vontade! 

A segunda premissa da morte espiritual é USAR OS BENS SENSÍVEIS POR NECESSIDADE, SEM DAR-LHES NENHUMA IMPORTÂNCIA; não nos deleitar com a preguiça nem com os prazeres da vida, nem os prazeres da gula, nem a satisfação da curiosidade que quer ver e saber de tudo; estar, em suma, como mortos para os prazeres dos sentidos. Nesta segunda premissa é preciso juntar O ABANDONO DE SI MESMO À DIVINA PROVIDÊNCIA, abandono que, tal como um cadáver, nos deixamos levar, sem argumentar e nem querer ou desejar qualquer coisa, indiferentes a todas as coisas e a todas as ocupações. Quando deixarei de me amar desordenadamente? Quando morrerei em mim para viver somente em Vós?

II - O QUE NOS ENSINA A DESCIDA DA ALMA DE JESUS AO LIMBO

Este mistério nos ensina, em primeiro lugar, O AMOR DE JESUS AOS HOMENS. Ao deixar o sagrado corpo, sua santa alma poderia ter-se apresentado diante de Deus para descansar ali todas as suas dores; mas o seu amor para os homens O inspirou a descer ao limbo para consolar os Patriarcas e anunciar-lhes que, dentro de quarenta dias, eles O iriam acompanhar ao paraíso. É assim, pois, que o amor de Jesus não tem repouso. Após sua morte, como em sua vida, fez todo o bem possível aos homens. Obrigado, ó Jesus, mil vezes obrigado por este esforço em nos fazer tanto bem. 

Este mistério nos ensina, em segundo lugar, O NOSSO AMOR A JESUS. À vista dessa santa alma, os justos retidos não podem conter o seu júbilo e entoam cânticos de louvor, gratidão e amor, e entregam todos os seus corações ao Deus libertador. Eis aí os nossos modelos: Por que teríamos menos gratidão e amor, uma vez que Jesus morreu por nós e por eles, porque nos ama como amou a eles e, como a eles, nos prometeu seu Paraíso?

(Excertos da obra 'Meditações para todos os dias do ano para uso do clero e dos fieis', de Pe. Andrés Hamon, Tomo II).