sábado, 24 de outubro de 2020

VERSUS: DEUS X ALMA

A alma se coloca tão acima do corpo que, entre todas as criaturas da terra, somente ela tem vestígios visíveis das perfeições de Deus: ela é mais elevada que o Céu, mais profunda que o abismo, mais vasta que o universo e tão duradoura quanto a própria eternidade.

  1. Deus é espírito, e a alma é espírito;
  2. Deus é simples e indivisível, e a alma é simples e indivisível;
  3. Deus é imóvel, tudo põe em movimento e vivifica, e a alma age igualmente em relação ao corpo ao qual anima;
  4. Deus é inteligente, e a alma é inteligente;
  5. Deus quer, e a alma quer;
  6. Deus ama-se, e a alma, amando a Deus, ama-se verdadeiramente a si mesma;
  7. Deus fez todas as coisas, e a alma opera e os limites de sua ação não se podem assinalar;
  8. Deus é livre e domina todas as coisas criadas, e a alma tem o livre arbítrio, e segundo sua vontade, move os membros do corpo;
  9. Deus tudo tem presente em sua memória, e a alma possui também esta faculdade;
  10. Deus é onipotente, e o homem, se o quer, dispõe do poder divino, faz coisas admiráveis e compreende outra multidão de coisas na extensão de seu espírito;
  11. Deus é o fim de todas as coisas, e o homem é o fim de todas as criaturas;
  12. Deus está todo no mundo e todo em cada parte do mundo; e a alma também rege o corpo, e está inteira no corpo, e inteira em cada um de suas partes.
(Cornélio à Lápide)

250 DOGMAS DE FÉ DA IGREJA CATÓLICA (VIII/Final)

PARTE XIV - O MATRIMÔNIO

228. O casamento é um sacramento verdadeiro e distinto instituído por Deus.

229. Do contrato sacramental do casamento emerge a Aliança do Casamento, que liga ambos os parceiros do casamento para uma comunidade de vida indivisível até o fim da vida.

230. O sacramento do matrimônio confere graça santificante sobre as partes contratantes.


PARTE XV - A UNÇÃO DOS ENFERMOS

231. A unção dos enfermos é um sacramento verdadeiro e distinto instituído por Jesus Cristo.

232. A matéria remota da Unção dos Enfermos é o óleo.

233. A forma consiste na oração do sacerdote para a pessoa doente para quem se realiza a unção.

234. A Unção dos Enfermos dá a pessoa doente graça santificante a fim de animar e fortalecê-la.

235. A Unção dos Enfermos efetiva a remissão de pecados graves ainda remanescentes e os pecados veniais. 

236. A Unção dos Enfermos efetiva algumas vezes a restauração da saúde corpórea, se isso resulta numa vantagem espiritual.

237. Apenas os bispos e os sacerdotes podem administrar validamente a Unção dos Enfermos.

238. A Unção dos Enfermos pode ser recebida apenas pelos fiéis que estão seriamente doentes.


PARTE XVI - OS NOVÍSSIMOS

239. Na presente ordem da salvação, a morte é um castigo para o pecado.

240. Todo o ser humano sujeito ao pecado original é sujeito à lei da morte.
(A única exceção foi Maria, que nasceu sem a culpa original. Mesmo assim, para não ser diferente de seu Filho, também ela desejou passar pela morte, embora tenha sido levada aos céu de corpo e alma)

241. As almas dos justos que, no momento da morte, estão livres de toda a culpa do pecado e castigo do pecado entram no Céu.

242. A felicidade do Céu dura por toda a eternidade.

243. O grau da perfeição da Visão Beatífica concedida para o justo é proporcional ao mérito de cada um. 

244. As almas daqueles que morrem na condição de grave pecado pessoal entram para o Inferno. (Deve-se sempre ter em mente, que como disse São Bernardo, entre o momento da morte e a eternidade, existe ainda um abismo de misericórdia).
 
245. O castigo do inferno dura por toda a eternidade.

246. As almas dos justos que, no momento da morte, estão carregadas de pecados veniais ou castigos temporais devido aos pecados, entram no purgatório. 

247. No fim do mundo, Cristo voltará novamente na glória para pronunciar o julgamento.

248. Todos os mortos se levantarão novamente no último dia com os seus corpos.

249. Todo morto se levantará novamente com o mesmo corpo que ele teve sobre a terra.

250. O Cristo, na sua segunda vinda, julgará todos os homens

(Compilação da obra 'Fundamentos do Dogma Católico', de Ludwig Ott)

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

ORAÇÃO: VEXILLA REGIS

Vexilla Regis constitui um dos mais belos hinos da liturgia da Igreja. O hino é de autoria de São Venantius Fortunatus (530-609), bispo de Poitiers,  que o escreveu em homenagem à recepção solene de um fragmento da Santa Cruz, enviada à Rainha Radegunda pelo Imperador Justino II e sua esposa, a Imperatriz Sofia, de Bizâncio. O hino é cantado pela Igreja nos dias solenes da Semana Santa e na festa da Exaltação da Santa Cruz, com a exclusão feita comumente das estrofes II, IV e VII. Alguns dos versos originais do hino foram substituídos pelo Papa Urbano VIII em 1632, para a incorporação do mesmo no Breviário Romano (estes versos estão assinalados em itálico na tradução abaixo, feita pelo autor do blog).


    Vexilla regis prodeunt,      
fulget crucis mysterium,
quo carne carnis conditor
suspensus est patibulo
[qua vita mortem pertulit
et morte vitam protulit]*

Avançam os estandartes do Rei:
refulge o mistério da Cruz:
o Criador da carne, pela carne,
é suspenso no madeiro
[a Vida sustou a morte
e a morte fez surgir a vida]

Confixa clavis viscera
tendens manus, vestigia
redemptionis gratia
hic inmolata est hostia

Com o lado transfixado
e com mãos e pés estendidos,
 a Vítima é oferecida em sacrifício
pelo preço da nossa Redenção

Quo vulneratus insuper
mucrone diro lanceae,
[Quae vulnerata lanceae
mucrone diro criminum]*
ut nos lavaret crimine,
manavit unda et sanguine

Aquele, ferido no lado
pela ponta afiada de uma lança,
[Da ferida pela lança
aberta por ponta afiada,]
para lavar nossos pecados,
fez jorrar sangue e água

Inpleta sunt quae concinit
David fideli carmine,
dicendo nationibus:
regnavit a ligno Deus

Cumpriu-se de forma precisa
a profecia fidedigna que Davi
fez anunciar às nações:
Deus fez da Cruz o seu trono

Arbor decora et fulgida,
ornata regis purpura,
electa, digno stipite
tam sancta membra tangere!

Ó Madeiro formoso e refulgente,
ornado com a púrpura do Rei,
cujo tronco foi digno de sentir
o toque de membros tão nobres!

Beata cuius brachiis
pretium pependit saeculi!
statera facta est corporis
praedam tulitque tartari
[tulitque praedam tartari]*

Lenho bendito de cujos braços
pendeu a restauração do mundo:
e que serviu de berço para o Corpo
que arrebatou as vítimas do inferno

Fundis aroma cortice,
vincis sapore nectare,
iucunda fructu fertili
plaudis triumpho nobili

Verte pela casca um aroma,
suave como o sabor do néctar
inebriante como maduro fruto, 
que exala um triunfo excelso

Salve ara, salve victima
de passionis gloria,
qua vita mortem pertulit
et morte vitam reddidit

Louvor ao Altar, Louvor à Vítima
da glória da Paixão,
pela qual a Vida sustou a morte
e a morte fez restaurar a vida.

O Crux ave, spes unica,
hoc Passionis tempore! 
piis adauge gratiam,
reisque dele crimina

Salve, ó Cruz, única esperança,
neste tempo da Paixão
aumenta a graça aos justos
e perdoa os pecados dos ímpios

Te, fons salutis Trinitas,
collaudet omnis spiritus:
quos per Crucis mysterium
salvas, fove per saecula. Amen.
[quibus Crucis victoriam
largiris, adde praemium. Amen]*

Ó Trindade, fonte de toda salvação!
Que todo espírito vos louve
para que, pela mistério da Cruz, 
sejam salvos para a graça eterna. Amém.
[e que, pelo triunfo da Cruz,
alcancem o prêmio eterno. Amém.]

(* versos alterados pelo papa Urbano VIII)

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

DICIONÁRIO DA DOUTRINA CATÓLICA (XIV)


MAGISTÉRIO DA IGREJA 

É o ofício que a Igreja tem de ensinar a doutrina da religião cristã para santificação e salvação das almas. Jesus Cristo confiou à Igreja o depósito da Fé para que ela, assistida pelo divino Espírito Santo, ensinasse fielmente e guardasse santamente a doutrina revelada. À Igreja, independentemente de qualquer poder civil, compete o direito e o ofício de ensinar a todas as gentes a doutrina proposta pela Igreja de Deus. O magistério é exercido pela palavra do Papa, pelos Concílios, pelos bispos e por seus auxiliares, os simples sacerdotes.

MALDIÇÃO (ou Imprecação)

É uma palavra injuriosa, pela qual se deseja mal a alguém ou a seres inanimados. Se é feita com a intenção de que suceda o mal, pelo menos grave, que se deseja, é pecado mortal. Pode não ser pecado mortal se as palavras não saem do coração; ou se o mal que se deseja é leve; no entanto, é sempre condenável, ainda que saindo só dos lábios.

MALEDICÊNCIA 

Consiste em descobrir, sem razão suficiente, as faltas e os defeitos do próximo, embora verdadeiras, mas ocultas. É um pecado contra a caridade. Há casos, porém, em que não só é permitido, mas é um dever descobrir as faltas do próximo. É um dever revelar à Autoridade a incompetência ou a indignidade de alguém que vai ser empregado em funções públicas, e isto deve-se fazer para o bem público. É um dever descobrir aos superiores as faltas dos seus inferiores para que se corrijam, e isto deve-se fazer para bem dos inferiores. Pode-se descobrir o nome do culpado de um crime que nos é atribuído, quando não temos outro meio de justificar a nossa inocência; e isto deve fazer-se para nosso bem. É um dever informar desfavoravelmente, mas com a verdade, quando somos interrogados por quem deseja tomar um criado, um operário, um empregado, ou deseja confiar valores a alguém ou pretende confiar em determinada pessoa.

MANÍPULO 

É um ornamento (derivado de mappula, sudarium) que o celebrante, diácono ou subdiácono, usam no braço esquerdo durante o santo sacrifício da Missa. O manípulo era próprio dos romanos; era um lenço que servia para cobrir o rosto, limpar o suor e fazer certos sinais; no uso litúrgico reduziu-se à forma que hoje tem. Na liturgia recorda aos que o usam a dor que devem ter dos seus pecados, e o trabalho para expiação dos mesmos. Deve ser benzido.

MANSIDÃO 

É a virtude que modera a ira, segundo a reta razão. É filha da humildade e da fortaleza. Jesus disse que são 'bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra' (dos vivos, que é o Céu) e deu-nos o exemplo, dizendo: 'aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração' (Mt 5,4; Mt 11, 29). Por isso São Paulo escreveu: 'Não convém ao servo do Senhor que se ponha a altercar, mas que seja manso para com todo' (II Tm 2, 25). Com a mansidão se ganha a benevolência dos superiores; se consegue a obediência dos inferiores; se detém o furor dos inimigos; e se conserva a tranquilidade de espírito: vive-se em paz.

MANUSTÉRGIO

É uma toalha diminuta, comumente de algodão, que serve para o sacerdote, durante a missa, enxugar os dedos após o lavabo.

MÁRTIRES

São os cristãos que se deixam matar para não renegar a sua fé em Jesus Cristo. Foram muitos os milhares de mártires nos três primeiros séculos do Cristianismo. Homens, mulheres, jovens, de ambos os sexos e de todas as condições, quiseram antes sofrer os mais atrozes tormentos que os inimigos da religião puderam inventar, do que deixarem de confessar a sua dignidade de cristãos. Depois, em todos os séculos, outros cristãos têm seguido o exemplo dos primeiros, preferindo morrer por amor de Deus, a renegar a sua fé por medo dos homens.

MARTÍRIO

É o ato de máxima perfeição, inspirado pela caridade. Aquele que morre por amor de Deus é mártir de Deus, porque a causa desse martírio é a firmeza na fé, operando pela caridade. O mártir tolera pacientemente o martírio, mas não o deve procurar, porque não deve dar ocasião a que outros procedam injustamente. O martírio, como o batismo, obtém o perdão de todos os pecados.

MATERIALISTA

Sistema que afirma que o homem é um mero organismo corpóreo. Negando a espiritualidade e a imortalidade da alma humana, torna impossível a verdadeira moralidade, e a si mesmo se degrada à condição de vil animal.

MATINAS

Constitui a primeira parte do Ofício Divino, assim chamada porque começou a ser rezada de manhã cedo. Segundo a disciplina atual, podem ser rezadas desde as 14 horas do dia anterior.

METROPOLITA

É o bispo da diocese mais importante de uma província eclesiástica, cuja cidade é sede arquiepiscopal. Na própria diocese, tem os mesmos direitos e as mesmas obrigações que um bispo convencional.

MISSAS GREGORIANAS 

Como nos conta São Gregório Magno (século VI), tendo feito celebrar 30 missas seguidas por alma do monge Justo, teve a revelação de que, ao fim de 30 dias, a sua alma subiu ao Céu. Deste fato resultou o uso de os fiéis mandarem celebrar Trintários de Missas por alguma alma. A Igreja aprova este uso, sem, todavia, ensinar que o Trintário tem uma eficácia infalível. O Trintário só pode ser aplicado por alma de um defunto, tem de ser realizado em 30 dias sucessivos sem interrupção, mas não é necessário que as missas sejam celebradas pelo mesmo sacerdote, nem no mesmo altar, nem com paramentos pretos.

MISSAL

É o livro que contém as missas que os sacerdotes celebram durante todo o ano. A versão promulgada pelo Papa São Pio V em 1570 vigorou na Igreja até o Concílio Vaticano II.

[Com a Constituição Sacrosanctum Concilium do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI criou uma nova edição do Missal Romano, promulgada com a Constituição Apostólica Missale Romanum de 3 de abril de 1969 e que entrou em vigor em 30 de novembro daquele ano. A forma ordinária da celebração da Missa, segundo o rito romano, continua a ser a do Missal Romano, reformado e publicado por Paulo VI. Antes dessa reforma, o Missal Romano previa a celebração da chamada Missa Tridentina, que era a forma anterior do rito romano e cujo uso foi amplamente restaurado pelo Papa Bento XVI, por meio do motu proprio Summorum Pontificum e da instrução Universae Ecclesiae].

MISSÕES

São organizações eclesiásticas em países de infiéis, com o fim de convertê-los à religião católica. Foram instituídas por Jesus Cristo quando disse aos seus Apóstolos: 'Ide, ensinai todas as Nações' e são essenciais à vida da Igreja Católica. A obra das Missões continua, não só nos países que ainda não conheceram Jesus Cristo, mas também nos que foram cristãos e caíram na apostasia ou na heresia. As Missões são sustentadas, materialmente, por esmolas, a maior parte das quais recolhidas pela obra da Propagação da Fé, da Santa Infância e do dinheiro de São Pedro. As Missões, quando se estendem a vastos territórios, são superiormente governadas por um Vigário Apostólico, que em geral é um bispo, governando em nome e por autoridade do Papa. Quando são pouco numerosas, têm geralmente como Chefe um Prefeito Apostólico, nomeado pelo Papa, e que nem sempre tem o caráter episcopal.

MÍSTICA

É a doutrina que nos ensina por que meios Deus atrai e une a alma a Si mesmo e que estuda as graças eminentes que constituem a contemplação infusa, ou que a estão associadas a ela.

MITRA

Constitui um ornamento que o bispo coloca na cabeça, em alguns atos litúrgicos, como símbolo da sua dignidade, e que recorda o seu supremo sacerdócio.

MORTIFICAÇÃO

É uma virtude moral que modera os nossos apetites interiores e os sentidos do corpo, segundo os ditames da razão e da Fé. O nosso corpo tem exigências que não são próprias da natureza racional. Compete à razão ordená-las ou dominá-las inteiramente. Como cristãos, havemos de servir-nos do nosso corpo como instrumento da alma para a prática de ações que agradem a Deus e mereçam recompensa celeste. Sempre que o corpo tenda para o que é contrário à lei de Deus, é nosso dever e nosso interesse contrariar tal tendência; nisso consiste a mortificação. O Apóstolo São Paulo escreveu: 'Castigo o meu corpo (rebelde) e o reduzo à escravidão (servindo inteiramente o espírito) para que não suceda que tendo pregado aos outros (a doutrina da salvação) venha eu a ser reprovado' (ou condenado) ( I Cor 9, 26). Para manter os sentidos do corpo em permanente equilíbrio, torna-se necessário que os tenhamos sempre sujeitos aos ditames da razão e da Fé.

MURÇA

É uma pequena capa redonda, abotoada na frente, que cobre só os ombros, espáduas e peito, tendo atrás um pequeno capuz. É uma veste de origem canonical. Pode ser usada por certas dignidades do clero, pelos doutores em faculdades eclesiásticas e por outros sacerdotes a isso autorizados por quem de direito. É usada sobre a sobrepeliz, mas deve ser retirada quando se administram os sacramentos.

(Verbetes da obra 'Dicionário da Doutrina Católica', do Pe. José Lourenço, 1945)

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

PALAVRAS ETERNAS (VI)

'Qui major honor potuit homini esse, quam ut ad similitudinem sui factoris conderetur?'


Que honra maior pode possuir o homem do que ter sido criado à semelhança do seu Criador?

(Santo Ambrósio, em De Dignitate Conditionis Humanae)

terça-feira, 20 de outubro de 2020

A VIDA OCULTA EM DEUS: MARIA, NOSSA MÃE

 

Maria é verdadeiramente a nossa mãe. Ela nos dá vida, e a protege e defende. O seu papel materno consiste principalmente em gerar Jesus dentro de nós. Ela não pode dar a quem não está preparado e, por isso, ela mesma faz essa preparação. Esta doação externa do Menino Jesus, tantas vezes feita em favor dos santos, é apenas um símbolo desta realeza de Maria. Se não, de que serviria esse gesto, por mais terno que fosse, se fosse tão somente exterior?

Considera a Santíssima Virgem como nossa Mãe, como Mãe de cada um de nós em particular. Fale com ela como uma pessoa viva. Nesse grau de intimidade, pode haver nuances infinitas, como as que encontramos nos santos; podemos nos dirigir e pertencer a ela pelos seus vários títulos.

Maria é a sua mãe. Faça todas as suas ações sob a intercessão de sua graça, em sua amável companhia e sob sua doce influência. Pense nela sempre e renuncie às suas maneiras de ver e fazer as coisas para fazer as dela. Tente isso. Persevere. Peça a ela para lhe conceder Jesus e gerar o Bom Jesus em sua alma.

É uma excelente prática de amor nos oferecer a Deus pelos sentimentos íntimos de Nosso Senhor e da Santíssima Virgem, sem maiores detalhes, pois não os conhecemos. Em momentos de fadiga, simplesmente repouse nos braços de nossa Mãe Celestial. Viva sob o olhar do Divino Mestre e de sua Mãe Santíssima. Tenha confiança nesse amor de Mãe: manifeste frequentemente a ela essa devoção.

Nosso coração, para ser forte, precisa permanecer manso. Seja suave e forte: força e doçura, ternura e firmeza não podem ser dosadas matematicamente. Isso é uma arte e tanto que a Santíssima Virgem possuiu plenamente. Ela sabia que o amor se prova pelo sacrifício e pelas obras, e que a melhor prova de amor que podemos dar a Deus e às almas é a nossa própria imolação.

Podemos ganhar tudo pela nossa devoção a Maria: modelo de perfeição e de boa Mãe! Ela não se sentia apegada a nada neste mundo. Ela foi totalmente transformada em Jesus e por Jesus, que lhe comunicou suas virtudes e a sua vida. E esta vida era uma vida totalmente escondida em Deus. Ela não via nada exceto Ele, ela não queria nada exceto Ele. Sua alma respirava por Ele a cada momento. Em síntese, ela era um só ser em Deus. Qui adhaeret Domino, inus spiritus est [Aquele que está unido a Deus, forma um mesmo espírito com Ele (1 Cor 6,17)]. Deus habitou em Maria. Maria viveu em Deus. Tudo isso era verdade. Mas tudo isso estava escondido.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte I -  O Esforço da Alma; tradução do autor do blog)

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

TESOURO DE EXEMPLOS (25/27)


25. PÃO DOS FORTES

Na guerra da Criméia, um coronel francês recebe a ordem de apoderar-se de um fortim. Sem hesitar um instante, avança à frente de seu regimento, que ficou também eletrizado à vista de tamanha coragem. Calmo e impassível no meio das metralhadoras e baionetas, como se se encontrasse em uma parada militar, tomou de assalto a bateria inimiga, terrivelmente defendida pelos russos. Seu general, admirado por tão prodigiosa calma, exclama perante o Estado Maior:

➖ Coronel, que sangue frio! Onde aprendeste tamanha calma  em meio de tão grande perigo?
 Meu general - responde com toda a simplicidade o coronel - é porque eu comunguei esta manhã.

Honra ao coronel valoroso e cristão, e valoroso justamente porque cristão: e cristão não daqueles que se envergonham de sua fé ou se contentam com a comunhão de Páscoa, mas dos fervorosos que sabem alimentar-se do Pão dos Fortes com frequência e, particularmente, diante as circunstâncias mais difíceis da vida.

26. A FORÇA PARA O SACRIFÍCIO

Em 1901, teve início na França o fechamento de todos os conventos e a expulsão dos religiosos. Foi nesse período que se deu, em Reims, o seguinte caso contado pelo Cardeal Langenieux, arcebispo daquela cidade. Havia em Reims, entre outros, um hospital que abrigava somente os doentes atacados de doenças contagiosas, que não encontravam alhures nenhum enfermeiro que quisesse cuidar deles.

Em tais hospitais somente as Irmãs de Caridade costumavam tratar dos doentes e era essa a razão por que ainda não haviam expulsado as religiosas daquela casa. Um dia, porém, chegou ao hospital um grupo de conselheiros municipais informando à Superiora que precisavam visitar todas as salas e quartos do estabelecimento, porque tinham de enviar um relatório ao Governo. A Superiora conduziu atenciosamente aqueles senhores à primeira sala, em que se achavam doentes cujos rostos estavam devorados pelo cancro.

Os conselheiros fizeram uma visita apressada, deixando perceber, no entanto, em suas fisionomias, quanto lhes repugnava demorar-se ali. Passaram então à segunda sala; mas ai encontraram doentes atacados por doenças piores, sendo obrigados a puxar logo os seus lenços, pois não podiam suportar o mau cheiro. A passos rápidos percorreram as outras salas e, ao deixarem o hospital, aqueles homens estavam pálidos e visivelmente comovidos. Um deles, ao se despedir, perguntou à Irmã que os acompanhara:

➖ Quantos anos faz que a senhora trabalha aqui?

➖  Senhor, já são quarenta anos...

➖ Quarenta anos! - exclamou o outro cheio de pasmo - de onde hauris tanta coragem?

➖ Da santa comunhão que recebo diariamente -  respondeu a Superiora. E lhes digo mais, senhores, que no dia em que o Santíssimo Sacramento cessar de estar aqui, ninguém mais terá forças para ficar nesta casa.

27. O AMOR DOS PEQUENINOS

a) Primeira Comunhão

Perguntaram a uma piedosa jovenzinha:

➖ O que é a Primeira Comunhão?

➖ E' um dia de céu na terra.

Perguntaram-lhe então em seguida:

➖ E o que é o Céu?

➖ E' uma Primeira Comunhão que nunca terá fim - respondeu ela graciosamente.

E respondeu muito bem, porque a felicidade dos Anjos e Santos no Céu consiste em possuir a Deus eternamente. Ora, não é justamente a Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que possuímos pela Santa Comunhão?

b) Dentes de Leite

Escrevia em 1905 um missionário: uma órfãzinha do Orfanato de Trichinopoli, que poderia ter dois palmos de altura, veio um dia suplicar a ele que fosse admitida à Primeira Comunhão.

➖ Que idade tens? perguntei a ela.

➖ Ah ! isso eu não sei.

Recolhida de lugar desconhecido, não se sabia quantos anos teria; nem as Irmãs o puderam descobrir.

➖ Mostra-me os dentes - disse.

Com um sorriso gracioso, descobre a inocentinha duas filas de alvíssimos dentinhos.

➖ Oh! exclamei; os teus dentes de leite dizem-me que não tens nem sete anos. Portanto, este ano não poderás fazer a Primeira Comunhão.

Meu Deus! quem o acreditaria?  Tendo ouvido aquelas palavras, a menina, sem dizer nada a ninguém, corre ao quintal, toma uma pedra e, intrepidamente, faz saltar da boca todos os dentinhos. Depois, com a boca ensanguentada e com ar de triunfo, volta e diz-me:

➖ Dai-me Jesus! Eu o quero agora!

Chorando de comoção, tomei-a em meus  braços e segredei-lhe ao ouvido:

➖ Amanhã, minha filha, amanhã te darei Jesus!

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos', do Pe. Francisco Alves, 1958; com adaptações)

ver PÁGINA: TESOURO DE EXEMPLOS

domingo, 18 de outubro de 2020

EVANGELHO DO DOMINGO

 

'Eu sou o Senhor, não existe outro: fora de mim não há deus...que todos saibam, do oriente ao ocidente, que fora de mim outro não existe. Eu sou o Senhor, não há outro' (Is 45, 5-6)

 18/10/2020 - Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum 

47. 'DAI A DEUS O QUE É DE DEUS'


Os fariseus encontravam-se plasmados em fúria; Jesus lhes dera a conhecer a dureza dos seus corações por meio de diversas parábolas. Tramavam a morte do Senhor, mas não a ousavam praticar de pronto temendo a perda de controle da situação e a insubmissão do povo. Era preciso criar subterfúgios, angariar apoio com encenações hipócritas, mentir e difamar, submeter Jesus a ciladas constrangedoras. Era preciso fazer a perfídia humana assumir a dimensão diabólica de um deicídio.

As velhas serpentes mandam alguns dos seus próprios discípulos e outros tantos coligados a Herodes para, com uma questão aparentemente proposta na forma de um dilema de consequências desastrosas, imporem a Jesus uma prova definitiva de condenação pública e explícita. Depois das adulações fraudulentas - 'Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus... (Mt 22, 16), questionam Jesus se seria lícito ou não pagar o tributo imposto pelo governo romano. Em caso de uma resposta afirmativa, seria um declarado manifesto de submissão ao domínio de Roma; em caso negativo, Jesus seria o potencial mentor de uma sublevação.

Percebendo a malícia diabólica daqueles homens, Jesus os revela publicamente como hipócritas e, tomando nas mãos uma moeda cunhada com a efígie do imperador romano e, em resposta à declaração pública de que a figura e a inscrição presentes na mesma referem-se a César, responde: 'Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus' (Mt 22, 21). Em outros termos, Jesus declara à turba ensandecida dos fariseus: as obras humanas são necessárias, boas em si e devem ser feitas de acordo e ajustadas às circunstâncias e valores do mundo; as obras humanas inseridas na vida plena com Deus, entretanto, tornam-se instrumentos de graças e de salvação eterna.

Na moeda romana, convergem a figura de um homem e o valor de uma dada atividade humana. No espelho da alma, reflete-se em nós a própria imagem de Deus. Possuir e conviver com as coisas do mundo e delas se ocupar no cotidiano de nossas vidas, é vida que segue, é o suor do trabalho de nossa herança adâmica. Buscar as coisas do Alto, e projetar todas as nossas ações e pensamentos para a suprema glória divina, é o triunfo de nossa herança como filhos de Deus. No mundo ou passando pelo mundo, o livre arbítrio nos conduz a vivermos para César ou para Deus.

sábado, 17 de outubro de 2020

A ESCADA DE JACÓ

'Jacó, partindo de Bersabeia, tomou o caminho de Harã. Chegou a um lugar, e ali passou a noite, porque o sol já se tinha posto. Serviu-se como travesseiro de uma das pedras que ali se encontravam, e dormiu naquele mesmo lugar. E teve um sonho: via uma escada, que, apoiando-se na terra, tocava com o cimo o céu; e anjos de Deus subiam e desciam pela escada. No alto estava o Senhor, que lhe dizia: Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão, teu pai e o Deus de Isaac; darei a ti e à tua descendência a terra em que estás deitado. Tua posteridade será tão numerosa como os grãos de poeira no solo; tu te estenderás, para o ocidente e para o oriente, para o norte e para o meio-dia, e todas as famílias da terra serão benditas em ti e em tua posteridade. Estou contigo, para te guardar aonde quer que fores, e te reconduzirei a esta terra, e não te abandonarei sem ter cumprido o que te prometi' (Gn 28, 10 - 15).

250 DOGMAS DE FÉ DA IGREJA CATÓLICA (VII)

PARTE XII - A PENITÊNCIA

200. A Igreja recebeu do Cristo o poder de remir os pecados cometidos após o batismo. 

201. Pela absolvição da Igreja, os pecados são verdadeiramente e imediatamente remidos. 

202. O poder da Igreja de perdoar os pecados estende-se a todos os pecados sem exceção. 

203. O exercício do poder da Igreja para perdoar os pecados é um ato judicial.

204. O perdão dos pecados que tem lugar no Tribunal da Penitência é um sacramento verdadeiro e válido, que é distinto do sacramento do batismo.

205. A justificação extra-sacramental é efetivada pelo perfeito arrependimento apenas quando ele é associado com o desejo para o sacramento (votum sacramenti).

206. A contrição emergindo por motivo de temor é moralmente boa e ação sobrenatural. 

207. A confissão sacramental do pecado é ordenado por Deus e é necessária para a salvação. 

208. Pela virtude da divina ordenança, todos os pecados graves de acordo com espécie e número, assim como aquelas circunstâncias que alteram a sua natureza, são objetos da obrigação da confissão.

209. A confissão dos pecados veniais não é necessária, mas é permitida e é útil. 

210. Nem todos os castigos temporais para o pecado são sempre remidos por Deus da culpa do pecado e do castigo eterno.

211. O sacerdote tem o direito e o dever, de acordo com a natureza dos pecados e a possibilidade do penitente, de impor obras salutares e apropriadas para a satisfação. 

212. As obras penitenciais extra-sacramentais, tais como desempenhar práticas penitenciais voluntárias e suportar pacientemente as provações mandadas por Deus, possuem valor satisfatório.

213. A forma do sacramento da penitência consiste nas palavras da absolvição.

214. A absolvição, em associação com os atos do penitente, efetiva o perdão dos pecados.

215. O efeito principal do sacramento da penitência é a reconciliação do pecador com Deus.

216. O sacramento da penitência é necessário para a salvação daqueles que, após o batismo, caem em pecado grave. 

217. Os únicos proprietários do poder de absolvição da Igreja são os bispos e os sacerdotes.

218. A absolvição dada por diáconos, clérigos ou ordem inferior e leigos não constitui a absolvição sacramental.

219. O Sacramento da penitência pode ser recebido por qualquer pessoa batizada que, após o batismo, cometeu um pecado grave ou venial.

220. O uso das indulgências é útil e salutar para o Fiel. 
(Todas as indulgências concedidas pela Igreja continuam válidas, mesmo as mais antigas).

PARTE XIII - AS SANTAS ORDENS

221. A Santa Ordem é um sacramento verdadeiro e distinto que foi instituído por Jesus Cristo.

222. A consagração dos sacerdotes constitui um sacramento.

223. Os bispos são superiores aos sacerdotes e o Bispo de Roma é o Papa e o chefe de todos.

224. O sacramento da ordem confere graça santificante sobre o receptor. 

225. O sacramento da ordem imprime um caráter sobre o receptor.

226. O sacramento da ordem confere um poder espiritual permanente sobre o receptor.

227. O dispensador ordinário de todos os graus da ordem, tanto sacramental como não-sacramental, é apenas o bispo validamente consagrado.

(Compilação da obra 'Fundamentos do Dogma Católico', de Ludwig Ott)

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

PALAVRAS DE SALVAÇÃO

'Meu filho, foge de todo o mal ou daquilo que se assemelha ao mal. Não sejas irascível: a cólera leva ao crime. Não sejas ciumento, conflituoso nem violento: essas paixões originam mortes. Meu filho, não sejas sensual: a sensualidade é o caminho para o adultério. Não uses de linguagem licenciosa, nem tenhas um olhar atrevido: também isso engendra adultério. Resguarda-te dos encantamentos, da astrologia, das purificações mágicas; recusa-te a vê-las e a ouvi-las: isso seria perderes-te na idolatria. Meu filho, não sejas mentiroso, porque a mentira conduz ao roubo. Não te deixes seduzir pelo dinheiro nem pela vaidade, que também incitam a roubar. Meu filho, não murmures contra os outros: tornar-te-ás blasfemo. Não sejas insolente nem malévolo, pois isso também conduz à blasfêmia. Usa de mansidão: 'Felizes os mansos, porque possuirão a terra' (Mt 5,5). Sê paciente, misericordioso, sem malícia, cheio de paz e bondade. Respeita sempre as palavras que ouviste do Senhor (Is 66,2). Não te engrandeças a ti próprio, não abandones o teu coração ao orgulho. Não te alies aos soberbos, mas frequenta os justos e os humildes. Recebe os acontecimentos da vida como dons, sabendo que é Deus quem dispõe sobre todas as coisas'.
 Da Didaqué (catequese cristã do primeiro século)

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

A FÉ EXPLICADA: O SUICÍDIO PODE SER PERDOADO?


O único pecado para o qual não existe perdão é o pecado contra o Espírito Santo. E em que consiste esse pecado? Consiste em fechar a mente e o coração à ação do Espírito Santo (Lc 12,10). E não é perdoado, porque por não permitir que a pessoa seja influenciada pelo Espírito Santo, ela não pode se arrepender e, sem arrependimento, não pode haver perdão. Na realidade, o pecado contra o Espírito Santo é a rejeição da graça de Deus e do arrependimento final: é a rejeição de Deus até o momento da morte.

O arrependimento ou contrição é essencial para receber o perdão de Deus. É assim que o Catecismo da Igreja Católica define a contrição: 'uma dor da alma e uma aversão ao pecado cometida com a resolução de não pecar novamente' (Catecismo da Igreja Católica: # 1451).

Existe a 'contrição perfeita', que é um dom do Espírito Santo e consiste em escolher Deus e rejeitar o pecado, porque preferimos Deus mais do que qualquer outra coisa. A 'contrição perfeita' brota, então, do amor de Deus acima de todas as coisas. Este tipo de arrependimento perdoa as faltas veniais e também obtém o perdão dos pecados mortais, desde que tenhamos a firme resolução de confessar esses pecados graves no Sacramento da Confissão o mais rápido possível (CIC: # 1452).

Existe ainda a 'contrição imperfeita' ou 'atrição', também impulso do Espírito Santo, pelo qual nos arrependemos de nossos pecados por medo da condenação eterna ou porque podemos apreciar a miséria do próprio pecado. Este tipo de arrependimento, embora imperfeito, é suficiente para obter o perdão dos pecados mortais ou veniais no Sacramento da Confissão (CIC: # 1453).

Por outro lado, o suicídio é gravemente contrário à justiça, à esperança e à caridade, sendo proibido pelo quinto mandamento. O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. Entretanto, ainda que gravíssimo, é um pecado também passível de acolhimento e perdão pela misericórdia divina, como explicitado pelo próprio Catecismo da Igreja: 'Não se deve desesperar pela salvação eterna das pessoas que se mataram. Deus pode ter providenciado a eles, de maneiras conhecidas apenas por Ele, a ocasião de arrependimento salvador. A Igreja reza pelas pessoas que atentaram contra a própria vida' (Catecismo da Igreja Católica: # 2283).

Somente Deus é o dono de cada vida humana. Não podemos dispor de nossa vida e de outras pessoas de acordo com nossos desejos e critérios. O mandamento 'não matar' se aplica à morte para si mesmo e à morte para quaisquer outras pessoas, incluindo bebês que ainda estão no ventre de sua mãe desde o primeiro momento de sua concepção; então o aborto, em qualquer momento durante a gravidez, também é um pecado grave. Outro pecado contra a vida é a eutanásia ou assassinato misericordioso, que consiste em acabar com a vida de um doente terminal. Ninguém tem o direito, nem o paciente nem os médicos, de decidir o momento da morte, por isso o chamado 'suicídio assistido' é também um pecado grave que cometem todos aqueles que colaboram para dar fim a uma vida humana.

Entretanto, por mais graves que sejam esses pecados contra a vida, todos são passíveis do perdão de Deus, se o devido arrependimento for cumprido e manifestado expressamente por meio do sacramento da confissão.

(adaptação de texto originalmente publicado em www.homilia.org)

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

ORAÇÃO: ATO DE CONTRIÇÃO


Meu Deus do meu coração, da minha alma, da minha vida, das minhas entranhas, a quem tanto ofendi: tanto meu Deus, e Senhor, como não tem o mar areias, o céu estrelas, o campo flores, as plantas folhas, cujo número não exceda a multidão sem número de meus pecados, a variedade sem conta dos meus delitos. 

Pequei, Senhor, ofendi-vos, fiz mal na face dos Céus e da terra; afastei-me de vossa Lei, dei as costas à vossa graça, adorei a vossa ofensa, fiz ídolo da minha culpa, corri sem temor nem pejo pelos caminhos do engano, da vaidade, da perdição. Ah meu Deus! quanto me pesa do muito que vos ofendi! Pesa-me do pouco que me pesa, do muito que vos agravei: mais me pesa pela muita ingratidão com que vos tenho agravado, que pelo grande inferno, que tenho merecido. 

Mas que digo, Senhor? nada me pesa, meu Deus: um pesar que me não tira a vida, não é pesar; uma pena que me não arranca esta alma, não é pena; uma dor que me não me parte o coração, ainda não é dor. Quisera ter uma pena das culpas que cometi, tamanha como as minhas culpas. Quisera ter uma mágoa da ofensa. Quisera ter uma dor igual à vossa misericórdia. Quisera com lágrimas de sangue chorar meus grandes pecados, mais pelo que tem de culpa e agravo contra vós, que pelo que tem de dano e perdição contra mim. Quisera, Senhor, que assim como no agravo foi infinita a culpa, fosse no arrependimento infinita a pena. 

Mas onde achei esta ânsia, senão na fonte de vossa graça? Onde acharei esta dor, senão no conhecimento de vossa bondade imensa e de minha maldade infinita? De onde hão de de vir estas lágrimas, senão do mar de Vossa misericórdia? 

Aqui venho aos vossos pés; não olheis o como; não estranheis o quando, não repareis no tarde, olhai somente que venho. Ó que miserável que venho, Senhor! Ó que torpe, ó que abominável! vestido das fealdades de meus pecados, coberto das torpezas de minhas culpas, cheio de abominações e vícios de minha vida! Mas como venho aos vossos pés, confiado venho, meu Deus, de achar em vossa misericórdia porto, em vossa piedade amparo, em vossa clemência refúgio, em vossa bondade remédio. 

Por isso, tremendo de vossa justiça, não me valho de outro seguro, mais que do de vossa clemência: não solicito outro abrigo, senão vossa misericórdia: nesta me fio, meu Deus; porque ainda que eu por minha culpa perdi o ser de filho, vós, Senhor, infinitamente bom não perdestes o ser e condição que tendes de Pai. 

Acabe pois, Senhor, em mim vossa graça infinita esta obra, que começou em mim vossa piedade infinita: acuda vossa clemência a esta miserável criatura e tende dó e compaixão desta pobre alma. Proponho com vossa graça emendar a vida, confessar as culpas, perseverar na emenda, perdoar agravos, esquecer-me de injúrias, aborrecer meus vícios, restituir como posso, satisfazer como devo aos vossos mandamentos. 

Espero, Senhor, em vossa bondade infinita me haveis de perdoar todos os meus pecados, pela morte e paixão de meu Senhor Jesus Cristo: porque, se nas suas chagas tendes a justiça para me castigar, também tendes a misericórdia para me favorecer. Misericórdia. Misericórdia. Misericórdia!

(Frei Antônio das Chagas, pregador apostólico)

terça-feira, 13 de outubro de 2020

250 DOGMAS DE FÉ DA IGREJA CATÓLICA (VI)

PARTE IX - BATISMO

169. O batismo é um verdadeiro sacramento instituído por Jesus Cristo.

170. A matéria remota do sacramento do batismo é a verdade e a água natural.

171. O batismo confere a graça da justificação.

172. O batismo efetiva a remissão de todos os castigos do pecado, tanto eterno quanto temporal.

173. Mesmo recebido imerecidamente, o batismo válido imprime na alma do receptor uma marca espiritual indelével, o Caráter Batismal, e por esta razão, o sacramento não pode ser repetido.

174. O batismo pela água (baptismus fluminis) é, desde a promulgação do Evangelho, necessário para todo o homem sem exceção para a sua salvação.

175. O batismo pode ser validamente administrado por qualquer pessoa.

176. O batismo pode ser recebido por qualquer pessoa em perigo de vida e que ainda não tenha sido batizada.

177. O batismo de uma criança recém-nascida é válido e lícito.


PARTE X - CONFIRMAÇÃO

178. A confirmação é um verdadeiro sacramento propriamente assim chamado.

179. A confirmação imprime sobre a alma uma marca espiritual indelével, e por esta razão, não pode ser repetida.

180. O ministro ordinário da confirmação é somente o bispo. 
(Em casos de força maior, também um padre pode ser nomeado pelo bispo a fim de administrar este sacramento).


PARTE XI - A SANTA EUCARISTIA

181. O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo estão verdadeiramente, realmente e substancialmente presente na Eucaristia.

182. Cristo torna-se presente no Sacramento do Altar pela transformação de toda a substância do pão em seu Corpo e de toda a substância do vinho em seu Sangue.

183. Os acidentes do pão e vinho continuam após a transformação da substância.

184. O Corpo e Sangue de Cristo juntos com a sua Alma e Divindade e, portanto, todo o Cristo, estão verdadeiramente presentes na Eucaristia.

185. O Cristo Completo está presente sob cada uma das duas Espécies.

186. Quando qualquer Espécie consagrada é dividida, o Cristo Completo está presente em cada parte das Espécies.

187. Após o término da Consagração, o Corpo e Sangue estão permanentemente presente na Eucaristia.

188. O Culto da Adoração (latria) deve ser dado ao Cristo presente na Eucaristia.

189. A Eucaristia é um verdadeiro sacramento instituído por Jesus Cristo.

190. A matéria para a consumação da Eucaristia é o pão e o vinho.

191. Para a criança antes da idade da razão, a recepção da Eucaristia não é necessária para a salvação.

192. A comunhão sob duas espécies não é necessária para qualquer membro individual dos fieis, quer pela razão do preceito divino, quer como meio da salvação.

193. O poder da consagração reside apenas nos sacerdotes consagrados validamente.

194. O sacramento da eucaristia pode ser validamente recebido por todas as pessoas batizadas em perigo de vida, incluindo crianças jovens.

195. Para a recepção válida da eucaristia, são necessários o estado de graça e a disposição apropriada e devota.

196. A Santa Missa é um sacrifício verdadeiro e distinto.

197. No Sacrifício da Missa, o Sacrifício de Cristo na Cruz é feito presente, a sua memória celebrada e o seu poder salvífico empregado.

198. No Sacrifício da Missa e no Sacrifício da Cruz, o Dom Sacrifical e o Sacerdote Sacrificante Primário são idênticos; apenas a natureza e o modo de oferecimento são diferentes.

199. O Sacrifício da Missa não é meramente um sacrifício de louvor e ação de graças, mas também um sacrifício da expiação e impetração.

(Compilação da obra 'Fundamentos do Dogma Católico', de Ludwig Ott)