segunda-feira, 31 de agosto de 2020

TESOURO DE EXEMPLOS (19/21)


19. JESUS NÃO FICARÁ SÓ

Robertinho é Cruzado do Santíssimo. Ouvira a Missa, rezara a sua ação de graças e queria voltar para casa, quando ouviu o pároco dizer ao sacristão:

➖ Este ano não haverá exposição do Santíssimo nas Quarenta Horas, durante o carnaval. 
➖ Mas por que, senhor vigário?
➖  Porque o Santíssimo ficará sozinho, como no ano passado.. .
➖ Só, o Santíssimo? - diz Robertinho pesaroso - não pode ser, não será!

De um salto,  põe-se à porta da igreja por onde está o pároco a sair.

➖ O que está acontecendo Robertinho?
➖ Ouvi que o senhor não pretende fazer a exposição do Santíssimo...
➖ Sim, pois temo que deixem Jesus exposto sozinho.
➖ Padre, faça a exposição; eles virão...
➖ Eles, quem?
➖ Os cruzadinhos.
➖ Todos?
➖ Sim, senhor vigário, todos; eu os trarei.
➖ Mas a exposição deve durar o dia inteiro...
➖ Sim, estaremos aqui durante todo o dia.

Em vista da firme resolução do menino, o pároco prometeu fazer a exposição. No dia seguinte, às sete da manhã, todos os Cruzados estavam prontos para a Missa e, depois fariam meia hora de guarda ao Santíssimo, revezando-se em turnos. Preparou-lhes o pároco uns lindos genuflexórios forrados de vermelho.

Revezaram-se os Cruzados até o meio dia, voltando alguns ao seu posto por até três vezes. Robertinho dissera: 'Trarei todos os Cruzados'; mas consigo dizia: 'Virão também as mães, os irmãos maiores e até os pais'. E assim foi realmente. Foi uma beleza!

E' que Robertinho percorrera as casas dos Cruzadinhos convidando-os com ardor para a guarda ao Santíssimo e pedindo-lhes que rezassem, fizessem sacrifícios e pedissem aos seus pais e irmãos que não faltassem. Eis o que pode fazer um Cruzadinho fervoroso.

20. QUE É QUE PEDES A JESUS?

Joei era uma menina que as Irmãs de Caridade encontraram abandonada pelos pais às margens do Rio Amarelo da Grande China. Estava a criancinha a morrer de fome de frio, quando as Irmãs a levaram para o hospital. Logo que a vestiram e a alimentaram, dando-lhe leite quente, começou a pequenina a  recuperar a vida e a saúde.

Foi batizada e logo brilhou a inteligência em seus olhinhos vivos e começou a conhecera Deus e a aprender as coisas do Céu. Andava já pelos oito anos e gostava de assistir à doutrina com as crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Mas a sua memória não acompanhava o seu coração e, quando o missionário foi examiná-la, teve que dar-lhe a triste notícia de que não seria admitida à primeira comunhão enquanto não soubesse melhor a doutrina.

Julgava o padre que essa determinação a deixaria indiferente. Mas não foi assim. Daquele dia em diante, notou-se uma mudança extraordinária no comportamento da menina. Em lugar de brincar, como antes, com as crianças de sua idade, Joei começou a passar seus recreios na capela aos pés de Jesus! Um dia, estando Joei diante do Santíssimo, o padre acercou-se dela devagarinho e ouviu que ela repetia com frequência o nome de Jesus.

➖ Que é que estás fazendo aí?
➖ Estou visitando o Santíssimo Sacramento.
➖ Visitando o Santíssimo? Mas tu nem sabes quem é o Santíssimo...
➖  E' o meu Jesus, respondeu Joei.
➖ Bem; e o que pedes a Jesus?

Então, com as mãos postas e sem levantar a cabeça, com lágrimas nos olhos, a menina respondeu com indizível doçura:

➖ Peço a Jesus que me dê Jesus.

E a pequena  Joei teve então a licença para fazer a sua primeira comunhão.

21. QUERO SER PADRE!

Aquele que havia de ser o fundador da Congregação do Santíssimo Sacramento, Pe. Julião Eymard, parecia predestinado desde pequenino a ser um grande devoto da Eucaristia. Quando a sua mãe,l levando-o nos braços, ia à bênção do Santíssimo,  o menino não se cansava de olhar para Jesus na custódia.

Ele ia com a mãe em todas as visitas à igreja e não se cansava e nem pedia para sair antes dela. A sua irmã Mariana, que tinha dez anos mais e era como sua segunda mãe, costumava comungar com frequência. O irmãozinho, invejando-a, dizia:

➖ Oh! como você é teliz, podendo comungar tantas vezes; faça-o alguma vez por mim.
➖ E o que pedirei a Jesus por você?
➖ Peça-lhe que eu seja muito mansinho e puro e me dê a graça de ser padre.

As vezes, desaparecia durante horas inteiras. Procuravam-no então e iam encontrá-lo ajoelhado num banquinho perto do altar, rezando com as mãos juntas e os olhos pregados no sacrário. Antes mesmo do uso da razão, ansiava por confessar-se; mas não o admitiam. Quando tinha nove anos, quis aproveitar a festa do Natal para 'converter-se',  como dizia. Apresentou-se ao vigário e depois ao coadjutor mas, como estavam muito ocupados, não o atenderam.

Partiu, pois, com um companheiro, em jejum e, fazendo uma caminhada de oito quilômetros sobre a neve, foi a uma paróquia vizinha e lá conseguiu confessar-se. 'Como sou feliz' - dizia - 'como estou contente; agora estou puro'! Mas, que grandes pecados havia cometido? 'Ai! cometi muitos pecados em minha infância: roubei um boné numa loja e, depois, arrependido, voltei e deixei-o em cima do balcão...'

Para preparar-se para a primeira comunhão, começou a lazer penitências: colocava uma tábua em baixo do lençol, jejuava e, quando a fome apertava, corria a fazer uma visita ao Santíssimo para esquecê-la. Enfim, a 16 de março de 1823, chegou para ele o grande dia. Que se passou neste seu primeiro abraço com Jesus? Quando apertava Jesus ao coração, fez esta promessa e esse pedido: 'Quero ser padre!'

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos', do Pe. Francisco Alves, 1958; com adaptações)

ver PÁGINA: TESOURO DE EXEMPLOS

domingo, 30 de agosto de 2020

PÁGINAS COMENTADAS DOS EVANGELHOS DOS DOMINGOS


'Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito(Rm 12, 1-2)

sábado, 29 de agosto de 2020

9 PECADOS VENIAIS QUE NOS AFASTAM DE DEUS

A alma deve evitar todos os pecados veniais, especialmente os que abrem caminho ao pecado grave. Não há nada que nos possa dar uma tal certeza de salvação eterna do que uma preocupação constante em evitar o pecado venial, por insignificante que seja, e um zelo definido e geral, que alcance todas as práticas da vida espiritual — zelo na oração e nas relações com Deus; zelo na mortificação e na negação dos apetites; zelo em obedecer e em renunciar à vontade própria; zelo no amor de Deus e do próximo. 

Para alcançar este zelo e conservá-lo, devemos querer firmemente evitar sempre os pecados veniais, especialmente os seguintes:

1. O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo. 

2. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos dose outros ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente. 

3. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de as cumprir com negligência voluntária. 

4. O pecado de manter um afeto desregrado por alguém. 

5. O pecado de ter demasiada estima por si próprio ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito. 

6. O pecado de receber os Santos Sacramentos de forma descuidada, com distrações e outras irreverências, e sem preparação séria. 

7. Impaciência, ressentimento, recusa em aceitar desapontamentos como vindo da Vontade de Deus, porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós. 

8. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza. 

9. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direção da obediência.

(Santo Antônio Maria Claret)

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

28 DE AGOSTO: SANTO AGOSTINHO DE HIPONA


"...Inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti."

Dia 28 de agosto é a festa de um dos grandes santos da Igreja, um dos fundadores da chamada Patrística (a fase inicial da formação da Teologia Cristã e seus dogmas). Santo Agostinho nasceu a 13 de novembro de 354, na pequena cidade de Tagaste, perto de Hipona, na Numídia (atual Argélia), filho de Patrício e Mônica (santa da Igreja Católica, cuja festa é celebrada em 27 de agosto). Da vida promíscua ao desvario da sua inclusão em seitas maniqueístas, Santo Agostinho experimentou desde a indiferença até a descrença completa nas coisas de Deus. A resposta da sua mãe, profundamente dolorosa diante a perspectiva da perda eterna da alma do filho amado, foi sempre a mesma: oração, oração, oração!

E a conversão de Agostinho foi lenta e profunda: no ano de 382, em Milão, então com 32 anos de idade, o santo foi finalmente batizado, junto com um amigo e o seu filho Adeodato (que morreria pouco tempo depois) por Santo Ambrósio. E que conversão! Sobre o tapete dos pecados passados, da vida desregrada da juventude (que descreveria com imenso desgosto em sua obra máxima ‘Confissões’), nasceria um santo dedicado por inteiro à glória de Deus, pregando como sacerdote e, mais tarde, como bispo de Hipona, que a verdadeira fonte da santidade nasce, renasce e se fortalece na humildade. Combateu com tal veemência as diversas frentes de heresias do seu tempo, incluindo o arianismo e o maniqueísmo, que foi alcunhado de Escudo da Fé e Martelo dos Hereges. Santo Agostinho, Doutor da Igreja e Defensor da Graça, morreu em 28 de agosto de 430, aos 76 anos de idade.

Excertos da Obra: 'Confissões', de Santo Agostinho:

'Amo-te, Senhor, com uma consciência não vacilante, mas firme. Feriste o meu coração com a tua palavra, e eu amei-te. Mas eis que o céu, e a terra, e todas as coisas que neles existem me dizem a mim, por toda a parte, que te ame, e não cessam de o dizer a todos os homens, de tal modo que eles não têm desculpa. Tu, porém, compadecer-te-ás mais profundamente de quem te compadeceres,e concederás a tua misericórdia àquele para quem fores misericordioso: de outra forma, é para surdos que o céu e a terra entoam os teus louvores. Mas que amo eu, quando te amo? Não a beleza do corpo, nem a glória do tempo, nem esta claridade da luz, tão amável a meus olhos, não as doces melodias de todo o gênero de canções, não a fragrância das flores, e dos perfumes, e dos aromas, não o maná e o mel, não os membros agradáveis aos abraços da carne. Não é isto o que eu amo, quando amo o meu Deus, E, no entanto, amo uma certa luz, e uma certa voz, e um certo perfume, e um certo alimento, e um certo abraço, quando amo o meu Deus, luz, voz, perfume, alimento, abraço do homem interior que há em mim, onde brilha para a minha alma o que não ocupa lugar, e onde ressoa o que o tempo não rouba, e onde exala perfume o que o vento não dissipa, e onde dá sabor o que a sofreguidão não diminui, e onde se une o que o que a saciedade não separa. Isto é o que eu amo, quando amo o meu Deus'.

'Aterrorizado com os meus pecados e com o peso da minha miséria, tinha considerado e meditado no meu coração fugir para a solidão, mas tu proibiste-me e encorajaste-me, dizendo: Cristo morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que morreu por eles. Eis, Senhor, que eu lanço em ti a minha inquietação, a fim de que viva, e considerarei as maravilhas da tua Lei. Tu conheces a minha incapacidade e a minha fragilidade: ensina-me e cura-me. O teu Unigênito, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, redimiu-me com o seu sangue. Não me caluniem os soberbos, porque penso no preço da minha redenção, e como, e bebo, e distribuo, e, pobre, desejo saciar-me dele entre aqueles que dele se alimentam e saciam: e louvam o Senhor aqueles que o procuram'.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

DICIONÁRIO DA DOUTRINA CATÓLICA (X)


ECUMÊNICO

Termo que significa universal, e diz-se particularmente de um Concílio, quando se quer dar a entender que é reconhecido por toda a Igreja.

EMOLUMENTOS PAROQUIAIS 

São os lucros eventuais que o pároco tem direito a receber dos seus paroquianos pelos serviços que lhes presta, segundo o costume aprovado, ou legítima taxação. Não deve, em regra, o pároco deixar de receber o que lhe pertence como pároco, nem fazer favores que possam vir a prejudicar o seu sucessor. Os emolumentos temporais recebidos pelo pároco não são salários do seu ministério, que é espiritual; são simplesmente subsídios para a sua sustentação, e a eles tem direito ainda que possua outros bens. É obrigado, porém, a distribuir o supérfluo pelos pobres ou por obras pias. Àqueles que não puderem pagar por falta de meios, não deve o pároco negar o seu ministério gratuito.

ENCÍCLICA 

É uma Carta Circular dirigida pelo Papa a todos os bispos, ou aos bispos de uma determinada nação, versando algum assunto de interesse geral para a comunidade cristã.

EPIFANIA 

É a festa que a Igreja celebra no dia 6 de janeiro, para comemorar a manifestação de Jesus Cristo aos gentios, nas pessoas dos reis de nações pagãs. Esses Reis que segundo a tradição eram três — Melchior, Gaspar e Baltazar — viram aparecer no Oriente uma estrela de extraordinário brilho. Resolveram seguir a direção da estrela e, guiados por ela, foram a Belém, onde tinha nascido e ainda estava o Menino Jesus. Adoraram Jesus, ofereceram-lhe valiosos presentes — ouro, mirra e incenso — e voltaram para os seus países anunciando que tinha nascido Jesus, o Filho de Deus, que era esperado como Salvador do mundo. O dia da Epifania é dia Santo de Guarda.

EPISCOPADO 

É uma ordem sagrada e suprema, que confere a quem a recebe o poder de confirmar os fiéis, ordenar os ministros do altar e consagrar as coisas pertencentes ao culto religioso. Os bispos na sua ordenação recebem a plenitude do Poder Sacerdotal: Poder de Ordem, para ordenarem os ministros do altar; Poder de Jurisdição, para governarem a Igreja. Embora o Papa seja o Chefe da Igreja Católica e superior aos bispos, não é dele que recebem a jurisdição e sim do Espírito Santo, que os estabeleceu bispos para governarem a Igreja de Deus como sucessores dos Apóstolos. Também se entende por Episcopado o Corpo Episcopal, isto é, os bispos considerados como um corpo moral.

EREMITAS 

Eram ascetas cristãos que aspiravam a uma vida mais perfeita no Cristianismo, e que se separavam da convivência social para viverem no deserto. Faziam voto de castidade, abstinham-se do uso de carnes e de vinho, repartiam os seus bens com os pobres, e viviam pobremente.

ESCAPULÁRIO

Para os religiosos, é uma tira larga de pano que estes trazem sobre o hábito e que, dos ombros, desce ao longo do peito e das costas. Para os simples fiéis, o escapulário consta de dois bocados de pano unidos por dois cordões que se suspendem ao pescoço, ficando uma parte para o lado do peito e outra para o lado das costas. O escapulário é um distintivo para os fiéis que entram em alguma Ordem Terceira ou Confraria que concede esse privilégio, e ao seu uso andam anexas muitas indulgências. Para lucrá-las é necessário receber nos ombros o escapulário, benzido por um sacerdote que tenha a faculdade de benzê-lo, trazê-lo ao pescoço dia e noite, e ter o nome inscrito no Registro da Ordem Terceira ou da Confraria. Só o primeiro escapulário — o da imposição — tem de ser benzido; qualquer outro que o substitua não carece de benção, exceto o das Ordens. O escapulário de algumas Associações pode ser substituído por uma medalha de metal, tendo de um lado a imagem do Coração de Jesus, e do outro lado a imagem de Nossa Senhora. A medalha tem de ser benzida por quem tem o privilégio de benzer o escapulário. Aquele que tendo recebido o escapulário o tivesse deixado, mesmo por tempo considerável, não carece de nova imposição (a não ser que o tivesse repelido por desprezo ou impiedade), para tornar a trazê-lo e lucrar as indulgências. Estando deteriorado o escapulário ou tendo-se perdido, é preciso substituí-lo por outro igual, quer benzido quer não. A medalha que substitui o escapulário pode trazer-se ao pescoço ou de outro modo qualquer e, se for perdida, deve ser substituída por outra, que há de ser benzida.

ESTOLA 

Entre os romanos, constituía um pano de linho muito fino e muito limpo, que as pessoas de distinção usavam em volta do pescoço. Como ornamento sacerdotal, é uma longa faixa de seda com uma cruz no meio e duas nas extremidades, que o sacerdote usa, caindo dos ombros sobre o peito, quando exerce alguma função sagrada. Em regra não deve ser usada senão nos atos litúrgicos em que é exigida pelas rubricas. É permitida, mas não é preceituada ao sacerdote para pregar, se esse for o costume.

EXCOMUNHÃO 

É uma censura eclesiástica ou pena canônica, pela qual o cristão delinquente e contumaz é privado dos bens espirituais de que a Igreja é dispensadora. Disse Jesus: 'Se teu irmão pecar contra ti... diga-o à Igreja, e se não ouvir a Igreja, tenham-no por um pagão ou um publicano', isto é, como um separado da Igreja (Mt 18, 17). A excomunhão é a maior pena que a Igreja impõe aos seus súditos. Os bens espirituais de que o excomungado fica privado são: a) a participação das orações públicas que a Igreja faz por todos os fiéis: b) administrar e receber os sacramentos; c) assistir aos ofícios divinos, exceto aos sermões; d) ser sepultado com honras litúrgicas. A Igreja excomunga ou afasta os indignos, não para que se percam, mas para que se convertam e se salvem; para que se conserve a disciplina eclesiástica, e para que os fiéis não se corrompam com os maus exemplos do excomungado. Só os bispos e prelados maiores podem excomungar, porque só eles têm jurisdição no foro judicial.

EXÉQUIAS 

São as honras litúrgicas que a Igreja presta àquele que faleceu em paz com Deus. 

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS 

São práticas, por meio de exames de consciência, de oração vocal e mental, e de outros atos de vida espiritual, que têm por fim preparar e dispor a alma para tirar de si todas as afeições desordenadas e, depois de tiradas, procurar conhecer a vontade divina para segui-la, conformando com ela a vida. Os exercícios espirituais são feitos no silêncio do recolhimento, onde não cheguem as notícias mundanas, nem as ocasiões de dissipação do espírito. São os meios mais aptos para cada um se conhecer e conhecer a vontade de Deus a seu respeito. Quem os faz, com as devidas disposições, ganha sempre em perfeição espiritual.

EXORCISMOS

São orações que o sacerdote reza, invocando o nome de Deus, para expulsar o demônio do corpo dos obsessos. Ninguém, nem mesmo o sacerdote, pode ler os exorcismos aos obsessos sem licença expressa do bispo e essa licença só é concedida depois de ter averiguado, por meio de uma investigação cuidadosa e prudente, que a pessoa esteja realmente obsessa.

(Verbetes da obra 'Dicionário da Doutrina Católica', do Pe. José Lourenço, 1945)

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

A VIDA OCULTA EM DEUS: O AMOR


64. Invoque Santa Teresa do Menino Jesus para pedir um amor simples, confiante, generoso e que sorri para Deus. Eis o que foi a sua graça particular! Que espírito de sacrifício e que amor sem consolo sensível o seu! Ore para que ela lhe ensine a amar a Deus com confiança e com total abandono à doce Vontade do Pai.

65. São Francisco de Sales diz que, para aprender a amar a Deus, não há nada a fazer a não ser amar. E enquanto se espera para amá-lo de verdade, deve-se fazer 'como se já o amasse'. Eu vos amo, meu Deus, mas não é o bastante. Vosso amor é ciumento e deseja todo o meu coração. Para que ele fosse todo vosso, seria necessário que todos os seus movimentos, todos os seus impulsos, mesmo os mais iniciais, não tivessem outro começo ou outro fim que não em Vós. Meu poder de amar, não só como espírito, mas também como ser sensível, deve ser orientado exclusivamente para Vós. Em suma, seria necessário que o encanto de sua infinita beleza exercesse o controle absoluto sobre o meu coração. Quando chegará, ó meu Deus, o momento em que todo o meu ser ficará plenamente submetido ao influxo do Vosso amor?

66. O amor da alma interior é um amor fiel. O seu coração pertence exclusivamente a Deus e para sempre. Deus pode se esconder, pode parecer até que a despreza, até mesmo que a rejeita, mas não deixa nunca de amá-la. Porque Ele ainda é Deus e o Deus dela. Ele é sempre digno de toda afeição e de todo amor. E isso é o suficiente para Ele. Talvez a alma sinta o aguilhão de uma inquietação misteriosa que lhe penetra nas profundezas: 'Meu Deus me ama?' Mas ela não se detém na resposta pois, quaisquer que sejam as disposições de Deus para com ela, a alma ela sabe que deve amá-lo, amá-lo sempre, amá-lo mais e a cada dia mais. E isso é o bastante. Ama-se ainda, e mais do que nunca. O que melhor pode expressar a fidelidade da alma que ama, ó meu Deus, senão a perfeita serenidade com que ela se atém ao lugar onde Vós a colocastes e ao estado interior que a ela foi imposto? Vós a quereis assim. Ela sabe disso e que não precisa de mais nada além disso. E, assim, há de permanecer pelo tempo que for da Vossa Vontade. 

Como uma pomba, ela não se move e apenas espera. E, nesta espera solitária, ela canta uma doce canção, uma canção que é sempre a mesma. Algumas palavras, algumas notas; isso é tudo. Mas como agrada ao Vosso Coração essa canção de amor que não acaba nunca! Seja qual for a estação do ano, seja qual for o tempo lá fora ou dentro do peito, nada é capaz de silenciar essa canção da alma que Vos ama: 'Eu Vos amo, ó meu Deus... Deus do meu Coração! Meu Deus e meu Tudo ...'.

(Excertos da obra 'A Vida Oculta em Deus', de Robert de Langeac; Parte I -  O Esforço da Alma; tradução do autor do blog)

terça-feira, 25 de agosto de 2020

AS CINCO PETIÇÕES DE JESUS POR NÓS


No capítulo 17 de São João, em oração fervorosa e sublime dirigida a Deus Pai, Jesus faz cinco petições amorosas em nosso favor, seus fieis discípulos nessa terra: 'Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus' (Jo 17,9). Cinco petições a Deus em favor de todos os seus filhos - de ontem, hoje e amanhã: 'Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim' (Jo 17,20).

1. Unidade dos Cristãos

'Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós' (Jo 17,11)

'Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste' (Jo 17,21). 

'Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um' (Jo 17,22)

2. Plenitude da Alegria Cristã

'Mas, agora, vou para junto de ti. Dirijo-te esta oração enquanto estou no mundo para que eles tenham a plenitude da minha alegria' (Jo 17,13)

3. Proteção contra o Mal

'Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal' (Jo 17,15)

4. Santificação pelo Amor à Verdade

'Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade. Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade' (Jo 17, 17-19)

5. Herança da Glória Eterna

'Pai, quero que, onde eu estou, estejam comigo aqueles que me deste, para que vejam a minha glória que me concedeste, porque me amaste antes da criação do mundo' (Jo 17,24).

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

FOTO DA SEMANA

'Guardarei constantemente a vossa Lei, para sempre e pelos séculos dos séculos' (Sl 118, 44)

domingo, 23 de agosto de 2020

PÁGINAS COMENTADAS DOS EVANGELHOS DOS DOMINGOS


'Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são inescrutáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos! De fato, quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem se antecipou em dar-lhe alguma coisa, de maneira a ter direito a uma retribuição? Na verdade, tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória para sempre. Amém!(Rm 11, 33-36)

sábado, 22 de agosto de 2020

POR QUE HESITAIS, SOLDADOS DE CRISTO?


Vós não podeis ignorar que vivemos num período de castigo e de ruína. O inimigo da humanidade soprou um bafo de corrupção que paira sobre todas as regiões. Nós não encontramos senão a impiedade impune. As leis dos homens e as leis da religião não têm mais suficiente poder para conter a depravação dos costumes e o triunfo da iniquidade. O demônio da heresia tomou posse da cátedra da verdade, e Deus fez descer a maldição sobre o seu santuário.

Eia, pois, vós que me ouvis, apressai-vos para apaziguar a ira do Céu, deixando de implorar seus benefícios por meio de pedidos vãos. Revesti-vos não com o saco dos penitentes, mas recobri-vos com armaduras impenetráveis. O exercício das armas, os perigos, os esforços, as fatigas da guerra são as penitências que Deus vos impõe. 

Apressai-vos a expiar vossos pecados obtendo vitórias sobre os infiéis, e que a liberação dos locais santos seja o fruto de vosso arrependimento. Se vos fosse anunciado que o inimigo invadiu vossas cidades, vossos castelos e vossas terras; que ele raptou vossas mulheres e filhas e profanou vossos templos — quem de vós não pegaria em armas?

Bem, então, todas essas calamidades, e calamidades ainda maiores, caíram sobre nossos irmãos na família de Jesus Cristo, que é a vossa. Por que hesitais na hora de reparar tantos males? Em vingar tantos ultrajes? Permitireis que os infiéis contemplem em paz os estragos que cometeram contra o povo cristão? Lembrai-vos que o triunfo deles será tido como objeto de censura em todas as épocas e como um eterno opróbrio para a geração que o permitiu.

Sim, o Deus vivo encarregou-me de anunciar-vos que Ele quer punir aqueles que não o terão defendido contra seus inimigos. Voai, pegai nas armas, deixai-vos inflamar por uma santa cólera na luta, e fazei vibrar o mundo cristão com estas palavras do profeta: 'Maldito aquele que não ensanguenta a sua espada!' Não acrediteis que a mão do Senhor perdeu seu poder pelo fato de vos convocar para defender sua herança. Não poderia Ele enviar doze legiões de anjos ou sussurrar uma simples palavra para que seus inimigos se desintegrem como areia?

Mas Deus levou em consideração os filhos dos homens e quis abrir uma estrada para a sua graça. Sua bondade permitiu que hoje amanhecesse para vós um dia de salvação, vos convocando para vingar a sua glória e o seu nome. Guerreiros cristãos, quem deu a sua vida por vós, hoje vos pede a retribuição. Esses são os combates dignos de vós, batalhas em que é glorioso conquistar e vantajoso morrer.

Ilustres cavaleiros, generosos defensores da Cruz, lembrai o exemplo de vossos pais que conquistaram Jerusalém, e cujos nomes estão inscritos no Céu. Abandonai, pois, as coisas perecíveis para ganhar palmas imperecíveis e conquistar um Reino que jamais terá fim.

(São Bernardo de Claraval, excertos do Sermão para a Segunda Cruzada)

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

TESOURO DE EXEMPLOS (16/18)


16. MENINOS MÁRTIRES

O acontecimento que vamos narrar, passou-se na Rússia, nos piores tempos do comunismo que vem varrendo do seu território todas as religiões, mormente a católica. Numa vila, perto de Petrogrado, havia um asilo de órfãos com uma capela católica. Os vermelhos (comunistas) fecharam a casa alegando que não havia recursos para sustentá-la e expulsaram o capelão.

Aqueles maus soldados tiveram a sinistra ideia de converter a capela em salão de baile e, como a mesma estava fechada, resolveram arrombar a porta e profanar o que havia dentro. Tomaram essa resolução numa cantina, onde casualmente três meninos católicos ouviram a conversa. Compreenderam que se tratava de profanar a casa de Deus e logo tomaram a resolução de defendê-la do melhor modo que pudessem.

À noite, os três meninos e mais alguns colegas penetraram na igreja por uma janela e montaram guarda junto do altar. Os soldados, tendo arrombado a porta e penetrado a capela, ordenaram que os meninos saíssem imediatamente nenhum, porém, se moveu e nem se arredou do seu lugar. Os perversos comunistas atiraram, então, e mataram dois meninos. Quiseram, em seguida, arrastar os outros para fora, mas os meninos preferiram morrer a deixar de 'proteger com seus corpos a casa de Deus'. Os comunistas, ainda mais furiosos, dispararam de novo e o sangue daqueles inocentes escorreu pelos degraus do santo altar. A mãe de um  deles, tomando nos braços o filho agonizante, perguntou-lhe:

➖ Meu filho, o que fizeste?
➖ Defendemos a Jesus - respondeu  - e os maus não se atreveram a tocar nEle.

17. O PRIMEIRO MÁRTIR DA EUCARISTIA

Era nos primeiros tempos do cristianismo. Os cristãos eram perseguidos, lançados às feras e mortos. Quase todos procuravam antes receber a santa comunhão. Os sacerdotes tinham de esconder-se porque eram os mais procurados pelos inimigos. Um dia, depois de celebrar os divinos mistérios nas catacumbas, o padre, voltando-se para os fiéis reunidos, mostrou-lhes a Hóstia e disse:
➖Amanhã muitos dos nossos serão conduzidos às feras. Quem de vós, menos conhecido do que eu, poderá levar-lhes secretamente o Pão dos fortes?

A estas palavras, aproxima-se um menino de dez anos, chamado Tarcísio, que parecia ter roubado. aos anjos a pureza da alma e a formosura do rosto e, ajoelhando-se diante do altar, estendia os braços para o sacerdote sem pronunciar palavra, parecendo querer dizer:
➖ Eu mesmo levarei Jesus aos irmãos encarcerados. 
➖ És muito pequeno - disse o padre - como poderei confiar-te tamanho tesouro?
➖ Sim, padre; justamente por ser pequeno me aproximarei dos mártires sem que ninguém desconfie.

Falava com tanto ardor e candura que o padre lhe confiou os 'Mistérios de Jesus'. O pequeno, radiante de alegria, aperta ao peito o seu tesouro e diz:
➖ Antes que me façam em pedaços ninguém haverá de o arrebatar de mim.

Partiu pressuroso para o cárcere mas, ao atravessar a praça, eis que um grupo de rapazes o cerca e quer obrigá-lo a tomar parte em seus brinquedos.
➖ Não posso - dizia Tarcísio - não posso, estou com pressa.

Os outros, vendo que ele conservava as mãos sobre o peito, suspeitaram tratar-se dos mistérios dos cristãos. Gritando como possessos, lançaram por terra o pobrezinho, deram-lhe golpes , atiraram-lhe pedras, deixaram-no prostrado. O sangue corria dele, principalmente da boca, mas as mãos não se desprenderam do peito.

Nisto passou por ali um oficial cristão, por nome Quadrato que, saltando no meio dos rapazes, dá golpes à direita e à esquerda e dispersa a quadrilha malfeitora. Como uma mãe carinhosa, toma com todo o respeito o pequenino mártir da Eucaristia e leva-o em seus robustos braços até às catacumbas onde o sacerdote, ao ver o menino, não pôde conter as lágrimas. Tarcísio, o defensor de Jesus, expirou ali mesmo em seguida.

18. A HONRA DE AJUDAR À MISSA

Foi em 1888, ano jubilar do Santo Padre Leão XIII. Num dos altares da Basílica de São Pedro, encontravam-se dois sacerdotes: um era prelado romano e cônego da Basílica Vaticana; o outro era o bispo duma diocese italiana, vindo a Roma para assistir às festas jubilares. O prelado romano, que se dispunha para celebrar a missa, olhava inquieto ao redor, porque seu ajudante não aparecia. O bispo, que estava ajoelhado ali perto, aproximou-se com grande simplicidade e disse:

➖ Permita-me, Monsenhor, que seja eu o ajudante de sua missa?
➖ Não, Excelência, não o permitirei: não convém a um bispo se fazer de coroinha.
➖ Por que não? garanto-lhe que darei conta.
➖ Disso não duvido, Excelência; mas seria muita humilhação. Não, não o permitirei.
➖ Fique tranqüilo, meu amigo. Depressa ao altar e comece: Introibo...

Dito isto, o bispo ajoelhou-se e o prelado teve que ceder. Assistido por seu novo ajudante, o prelado romano prosseguia a sua Missa com uma emoção sempre crescente. Terminada a Missa, o celebrante se desfez em agradecimentos perante o bispo. Aquele pio e humilde ajudante, vinte anos mais velho que o prelado romano, era a glória da diocese de Mântua, Dom José Sarto, o futuro Papa Pio X, hoje canonizado por Pio XII. Para o Cruzadinho, amigo fervoroso de Jesus Eucarístico, não deve haver honra nem glória maior do que poder ajudar devotamente o sacerdote aos pés do altar.

(Excertos da obra 'Tesouro de Exemplos', do Pe. Francisco Alves, 1958; com adaptações)

ver PÁGINA: TESOURO DE EXEMPLOS




quinta-feira, 20 de agosto de 2020

CANTOS DA MISSA TRADICIONAL (VII): KYRIE

A primeira parte da Santa Missa é uma preparação para o grande mistérios da transubstanciação e da comunhão eucarística. Esta primeira parte da Missa, chamada Missa dos Catecúmenos, é dedicada ao louvor a Deus por graças tão extraordinárias e à compunção interior dos fieis diante de tão grandes mistérios. Todos os eventos e ritos praticados nesta parte, incluindo os cantos, devem estar, portanto, intimamente associados a estes preceitos, como elementos de profundo recolhimento e adoração, num contexto de plena afirmação, crescimento e maturação da nossa fé católica. Símbolos máximos deste espírito devocional na Santa Missa são as recitações ou os cantos do Kyrie, do Gloria e do Credo (constantes do Ordinário da Missa). 

O Kyrie (palavra de origem grega) é uma invocação dirigida ao Senhor e contempla uma breve ladainha compondo uma tríplice invocação às três Pessoas Divinas (que são pronunciadas três vezes e não duas vezes no rito tridentino).  Nos livros de canto gregoriano, o conjunto de composições para o Ordinário da Missa é chamado de Kyriale, embora não contenha apenas peças para o Kyrie. Estes cânticos são subdivididos em dezoito ordinários, contendo ainda várias peças complementares, indicadas para períodos específicos do tempo litúrgico sem, entretanto, ter tal obrigatoriedade formal. O Kyrie mais simples é o de número XVI (praticamente silábico), indicado primariamente para os dias de semana do Tempo Comum. O Kyrie VIII, por exemplo, é próprio da chamada Missa dos Anjos.

(Kyrie VIII)



(Kyrie XVI)

Kyrie eleison.
Christe eleison.
Kyrie eleison.

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A VISÃO DOS ESPÍRITOS INFERNAIS PELO PAPA LEÃO XIII

Papa Leão XIII (1810 - 1903)

Uma das mais famosas experiências sobrenaturais envolvendo os papas da Igreja refere-se à visão que o Papa Leão XIII (1878 - 1903) teria tido, durante a celebração de uma missa, sobre um período futuro de extremada ação demoníaca sobre a Igreja de Cristo. A visão teria ocorrido em alguma data entre 1884 e 1886 e, desde então, foi objeto de diferentes versões e muitas descrições fantasiosas.

Na obra 'Um Exorcista Conta-nos', do Pe. Gabrielle Amorth, famoso exorcista do Vaticano, encontra-se a transcrição de um texto do Pe. Domenico Pechenino, publicado em 1955 na revista  Ephemerides Liturgicae, que relata os fatos ocorridos na condição de uma testemunha ocular dos mesmos e descritos da seguinte forma:

'Não me lembro exatamente do ano. Uma manhã, o grande Pontífice Leão XIII tinha celebrado a santa Missa e estava a assistir a uma outra de ação de graças, como de costume. De repente, o papa virou energicamente a cabeça e passou a fixar intensamente alguma coisa acima da cabeça do celebrante. Manteve-se assim imóvel por algum tempo, sem pestanejar, mas com uma expressão de terror e de admiração, tendo o seu rosto mudado de cor'. 

Finalmente, voltando a si, o papa bateu ligeira mas energicamente com a mão, e levantou-se. Dirigindo-se ao seu escritório particular, seguido por auxiliares preocupados e ansiosos, isolou-se ali e assim teria redigido as chamadas orações leoninas, uma dedicada a Nossa Senhora e a outra dedicada a São Miguel Arcanjo, como medidas de proteção da Igreja contra a ação das forças malignas. Em seguida, promoveu a rápida divulgação destas orações em todo o mundo, conclamando a sua oração contínua pelos fieis, prostrados de joelhos e ao final de cada Santa Missa, e por toda a Igreja. Mais tarde, elaborou ainda um próprio e específico ritual de exorcismo, que frequentemente utilizou durante o seu pontificado.

Todos estes fatos demonstram que o Papa Leão XIII teve certamente uma visão espantosa dos espíritos infernais naquela ocasião e, com tal intensidade e clareza sobre eventos próximos e deletérios sobre a Igreja oriundos da mesma, que o levou a escrever de pronto as orações e até mesmo um ritual de exorcismo. A visão, por outro lado, certamente produziu um grande impacto no Santo Padre, a ponto de fazê-lo resguardar da mesma como um segredo quase particular. Assim, é bastante razoável assumir a veracidade e o caráter extraordinário da visão; outra coisa é expressar o real conteúdo da visão.

Em carta pastoral dirigida à comunidade de Bolonha, na quaresma de 1946, o cardeal Natalli Rocca menciona explicitamente que ouviu, por várias vezes, do Mons. Rinaldo Angeli, que exercera a função de secretário particular do Papa Leão XIII, que o papa era realmente o autor das orações e que Leão XIII tivera uma visão de uma legião de espíritos infernais precipitando sobre a cidade de Roma. Esta revelação é bastante pertinente com o contexto das mensagens de Fátima e com aquilo que o Papa Paulo VI referiu-se como sendo a 'fumaça de Satanás' adentrando o vértice da Igreja.

No contexto da visão, o Papa Leão XIII teria sido testemunha também de um espantoso diálogo entre Jesus e Satanás, no qual o demônio teria solicitado a Jesus mais tempo e poder para destruir a Igreja na terra e que o Senhor teria concedido esse poder e esse tempo (fixado comumente como tendo sido um período de 100 anos) para o inferno exercer a sua ação demoníaca extremada sobre a Igreja de Cristo. Não existe uma fonte confiável para os termos deste diálogo sobrenatural e a descrição comumente publicada parece ser bastante inverossímil.  

Mais recentemente,  Kevin Symonds realizou uma exaustiva reavaliação histórica destes fatos na obra 'Papa Leão XIII e a Oração a São Miguel' (ainda sem versão em português), na qual apresenta, em primeira mão, uma homilia sobre a visão do Papa Leão XIII atribuída ao Cardeal Pedro Segura y Saenz.  Nesta homilia, o cardeal assegura que o diálogo é verdadeiro (não necessariamente nos termos comumente publicados) e que nele Satanás, movido pela soberba diabólica, teria proposto a Jesus o desafio de destruir a Igreja na terra, se lhe fosse outorgado mais tempo e poder sobre as criaturas sob a sua influência maligna. Jesus, então, concede ao demônio tais condições, cujo propósito sabe ser inútil e inepto. Entretanto, o autor mencionou na homilia que o tempo pedido e posteriormente concedido não teria sido 100 anos como normalmente exposto (ou 75 anos, em outras versões), mas de 60 anos.

A extrapolação direta deste evento e de suas clássicas interpretações no contexto da história da Igreja ao longo dos séculos XX e atual parecem desdizer os fatos, pelo menos em termos. O prazo de 60 anos parece ser bastante irrazoável no conjunto destas previsões. Mas há que se considerar não apenas o prazo em si, mas o próprio início desse prazo. Parece que o próprio Papa Leão XIII aludiu para essa questão, quando afirmou que o diálogo referia-se a um tempo futuro e não ao tempo em que fora dado a conhecer. Isso parece bem coerente: se, de um lado, Jesus concedia ao inferno a sua obra satânica de tentativa de destruição da Igreja, dava à Igreja o conhecimento dessa propensão do inferno, no sentido dela se preparar para enfrentar as ciladas do Maligno. Isso é bem explicitado pela ação imediata do Papa Leão XIII na elaboração da oração a São Miguel e de um exorcismo ritual, como armas espirituais prévias da Igreja contra a ação futura do inferno contra ela. 

Outra consideração relevante é fazer, na total impossibilidade humana de se tentar compreender a natureza e o desfecho de um tal diálogo sobrenatural, uma abstração destes fatos à luz de potenciais eventos bíblicos correlatos. Embora excepcionais, são registradas nas Sagradas Escrituras arguições diretas entre o demônio e os Céus, como nos casos das tentações de Jesus no deserto (Mt 4, 1-11) e das provações impostas a Jó: 'Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles' (Jó 1,6). 

Satanás pediu a Deus submeter Jó à prova e recebeu do Senhor poder para isso, de modo que pudesse atentar contra todos os seus bens, mas não à sua própria pessoa (Jó 1,12). Diante de todas as fatalidades que se seguiram contra os seus bens e contra os seus filhos, 'Jó não cometeu pecado algum, nem proferiu contra Deus blasfêmia alguma (Jó, 1,21). Uma segunda vez, Satanás retornou à presença do Senhor (Jó, 2,1), depois de 'passear pelo mundo' (Jó 2,2) e incitou novamente a Deus a perda do seu servo, se lhe fosse possível infringir o mal 'nos ossos e na carne' (Jó 2,5). Dado esse poder, Satanás vai ferir Jó com uma úlcera maligna, 'desde a planta dos pés até o alto da cabeça' (Jó 2,7). Jó superou, mais uma vez, essa provação tremenda e foi contemplado por Deus com bens e valores muito maiores que os de antes; Jó teve outros sete filhos e três filhas e, depois disso, 'viveu ainda cento e quarenta anos e conheceu até a quarta geração dos filhos de seus filhos. Depois, velho e cheio de dias, morreu' (Jó 48, 16-17).

Neste contexto, a provação da Igreja tenderá a ser, por analogia, semelhante a de Jó e, portanto, será tremenda. Mas, como Jó, a Igreja triunfará no final: 'Porque guardaste a palavra de minha paciência, também eu te guardarei da hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da terra' (Ap 3,10); e ainda: 'Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro' (Ap 7,14). Ou, nas palavras de Nossa Senhora em Fátima: 'Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará'.

A provação da Igreja deverá, nesta analogia, ocorrer também em duas etapas distintas (e, neste caso, a visão do Papa Leão XIII referir-se-ia ao primeiro diálogo de Satanás com Jesus sobre a destruição da Igreja e que contemplaria, portanto, um primeiro tempo de provações de 60 anos). O prazo total concedido seria, portanto, de 120 anos: primeiro, as provações afetariam os bens da Igreja (particularmente incidindo sobre a doutrina católica e os fundamentos da fé cristã) e os filhos da Igreja (os fieis da Igreja Militante). O cenário propício à ação diabólica neste primeiro tempo seria, então, o advento das grandes heresias, a perseguição aos cristãos, o vilipêndio da sã doutrina, as duas grandes guerras e os infindáveis conflitos e matanças que se disseminaram pelo mundo inteiro. Mas a Igreja continuou sendo ainda a Igreja de Cristo; mas abandonou a Oração de São Miguel; mas abandonou o exercício dos exorcismos, que passaram a ser vistos como práticas excepcionais ou obsoletas; mas abandonou os contrapontos dos Céus ao influxo das forças diabólicas.

Eis que se abriram então as portas para um segundo cenário de provações, muitíssimo mais tormentosas e difíceis, pois tratam-se agora de provações que atingem a Igreja na sua carne e nos seus ossos, desde a planta dos pés até o alto da cabeça, ou seja, afeta o fiel mais desavisado até o vértice do poder eclesiástico; é interna, abrangente e profundamente dolorosa (como uma úlcera maligna).  Não foi provavelmente neste contexto a mensagem mais angustiante dada por Nossa Senhora em Fátima? (a data de 1960, a qual se referiu, não teria sido uma data limite das primeiras provações?).

Os ataques e as perseguições já não são mais externos; nascem e se alimentam dos cismas internos e da dilapidação crescente dos valores da sã doutrina pelos seus próprios expoentes; a indiferença ao pecado é joio que consome e asfixia o trigo; a perplexidade é imensa e a fé tornou-se frágil e vacilante em muitíssimos. Neste terreno minado, a perda de acesso aos sacramentos e a supressão do Santo Sacrifício durante a atual pandemia parecem constituir uma inflexão ainda mais tenebrosa no apogeu dessa tormenta. Será que os eventos não tenderão a uma precipitação tremenda nestes nossos tristes tempos? 120 anos não parece ser hoje, muito próximo, o nosso limite de tempo da visão do Papa Leão XIII? Pode ser que estes tempos estejam ainda além um pouco. A única certeza de tudo isso é que a barca de Pedro vai atravessar este mar revolto e chegar, enfim, num dia glorioso, a um porto seguro. 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

O JOIO E O TRIGO DEVEM CRESCER JUNTOS


Nosso Senhor foi um modelo incomparável de paciência: suportou um 'demônio' entre os seus discípulos até à sua Paixão (Jo 6,70). Dizia Ele: 'Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo' (Mt 13,29). Tendo a rede como símbolo da Igreja, predisse que esta traria para a praia, quer dizer, até ao fim do mundo, toda a espécie de peixes, bons e maus. E deu a conhecer de muitas outras maneiras, tanto abertamente como através de parábolas, que haveria sempre essa mistura de bons e maus. E, no entanto, afirmou que é necessário vigiar pela disciplina na Igreja quando disse: 'Se o teu irmão pecar, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te der ouvidos, terás ganho o teu irmão' (Mt 18,15) 

Mas hoje vemos pessoas que só tomam em consideração os preceitos rigorosos, que mandam reprimir os que causam perturbação, que ordenam que 'não se deem aos cães as coisas santas', que se 'tratem como aos publicanos' aqueles que desprezam a Igreja, que se repudiem do seu corpo os membros escandalosos (Mt 7,6; 18,17; 5,30). O seu zelo intempestivo causa muita tribulação à Igreja, porque desejariam arrancar o joio antes do tempo e a sua cegueira faz deles próprios inimigos da unidade de Jesus Cristo. 

Tomemos cuidado em não deixarmos entrar no nosso coração estes pensamentos presunçosos, em não procurarmos destacar-nos dos pecadores para não nos sujarmos com o seu contato, em não tentarmos formar como que um rebanho de discípulos puros e santos. Sob o pretexto de não frequentarmos os maus, conseguiríamos apenas romper a unidade. Pelo contrário, recordemo-nos das parábolas da Escritura, dessas palavras inspiradas, desses exemplos tocantes, onde se nos demonstra que os maus estarão sempre misturados com os bons na Igreja, até ao fim do mundo e até ao dia do juízo, sem que a sua participação nos sacramentos seja prejudicial aos bons, desde que estes não participem dos pecados daqueles.

(Santo Agostinho)

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

DICIONÁRIO DA DOUTRINA CATÓLICA (IX)


DEÍSMO

Sistema filosófico que, em religião, admite somente a existência de Deus, negando a revelação divina, a possibilidade dos milagres e a intervenção de Deus nos acontecimentos particulares da vida humana.

DESESPERAÇÃO

É a voluntária desconfiança de conseguir a felicidade eterna, ou os meios necessários para consegui-la. O pecado de desesperação, que é mortal, procede principalmente da luxúria e da preguiça. Da luxúria porque, pela afeição aos prazeres carnais, o pecador se desgosta dos bens espirituais, e já não os espera por lhe parecer coisa muito difícil. Da preguiça porque, sendo ela uma tristeza que abate e afrouxa o espírito, mostra-lhe a felicidade eterna como fora de toda a esperança. Aos que querem, na verdade, caminhar para o Céu e fazem por isso, Deus concede as graças necessárias para vencerem as dificuldades, e chegam ao fim desejado.

DEVOÇÕES

Há uma grande variedade de devoções na vida cristã, mas nem todas podem ser facilmente praticadas por todos os cristãos, nem todas são igualmente recomendadas pela Igreja, nem convém que os cristãos embaracem as suas obrigações com as devoções. As principais são: a) ao Santíssimo Sacramento, devoção que se manifesta pela Comunhão frequente, pela visita ao Sacrário, pelo respeito na Igreja, por tomar parte nas procissões em sua honra; b) ao Sagrado Coração de Jesus: os seus devotos fazem parte da Associação do Apostolado da Oração, comungam na primeira sexta-feira de cada mês, e fazem a devoção do mês de junho; c) À Virgem Maria: os seus devotos rezam o Terço do Rosário todos os dias, assistem à Missa nos dias das festas, fazem a devoção do mês de maio e do mês de outubro; d) Às almas do Purgatório, pelas quais se deve mandar celebrar a Santa Missa e fazer outros sufrágios, particularmente no mês de novembro; e) A Via Sacra, devoção que consiste em fazer a visita de 14 Estações diante de 14 cruzes suspensas na parede de uma igreja, meditando na paixão e morte de Jesus.

DIAS SANTOS DE GUARDA

São os seguintes, além dos domingos: Natal, Circuncisão (l de Janeiro), Epifania (6 de Janeiro), Ascensão, Corpus Christi, Imaculada Conceição (8 de Dezembro), Assunção (l5 de Agosto), São José (19 de Março), São Pedro (29 de Junho), Todos os Santos (1 de Novembro). Nestes dias os cristãos, a partir dos 7 anos, têm obrigação de ouvir Missa e de se abster de trabalhos servis e de atos forenses. Os trabalhos servis são proibidos nestes dias, não porque sejam maus, mas porque distraem do serviço de Deus e afastam do culto divino, que é o principal fim do preceito. 

[Atualmente no Brasil: Natal; Epifania do Senhor, transferida para o domingo seguinte; Ascensão de Jesus ao Céu; Corpus Christi; Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, dia 1 de janeiro; Festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, dia 8 de dezembro; Assunção de Nossa Senhora, dia 15 de Agosto; transferida para o domingo mais próximo; São José, dia 19 de março e 1 de maio; São Pedro e São Paulo, dia 29 de junho; transferida para o domingo seguinte; Festa de Todos os Santos, dia 1 de novembro, transferida para o domingo seguinte].

DIOCESE

É o território atribuído pela Santa Sé a cada bispo, para o exercício do seu Poder Ordinário. A um grupo de certo número de dioceses dá-se o nome de Província Eclesiástica, da qual é Superior o bispo da cidade principal, com o nome de Metropolita e o título de Arcebispo, que quer dizer Chefe dos Bispos, seus sufragâneos. Cada diocese é formada por várias paróquias com o clero respectivo, sob a obediência do próprio bispo.

DIRETOR ESPIRITUAL 

É um sacerdote por meio do qual Deus conduz as almas no caminho da perfeição. O modo ordinário porque as almas se hão de conduzir na vida espiritual é confiarem-se à direção de um sacerdote. Diz São Vicente Ferrer: 'quem tem Diretor e a ele se sujeita no pouco e no muito, chegará mais fácil e prontamente à perfeição do que governando-se por si mesmo, seja qual for o seu talento, e quaisquer que sejam os livros que possua sobre as virtudes e o modo de adquiri-las'.

DÍZIMO

É a porção de bens materiais que os fiéis devem aos párocos, para a sua decente sustentação e à Igreja, para as despesas do culto e para a sua conservação. É uma obrigação imposta pelo V Mandamento da Igreja.

DOGMA CATÓLICO 

É uma verdade divina que a Igreja propõe à nossa fé e na qual devemos crer, sob pena de cairmos em heresia. Os principais dogmas da nossa Fé estão contidos no Símbolo dos Apóstolos ou Credo. Não pode ser considerado católico aquele que nega alguma das verdades ensinadas pela Igreja como dogma católico ou verdade divinamente revelada.

DOTES DOS CORPOS GLORIOSOS 

São disposições próprias dos corpos ressuscitados que fazem com que o corpo se sujeite perfeitamente à sua alma. São quatro: I. Claridade — O vidro é feito de areia; a areia não brilha; feita vidro e recebendo a luz do sol, brilha, reflete o mesmo; assim será o nosso corpo ressuscitado quando receber a glória que a alma goza. II - Sutileza — O nosso pensamento penetra, entra por toda a parte e o nosso corpo agora fica onde está. Quando ressuscitar segue a alma, vai a toda a parte como agora o nosso pensamento; III - Agilidade — Como o vento leva uma palha, assim a alma levará o corpo onde ela quiser e em tempo imperceptível; IV - Impassibilidade — O corpo ressuscitado para o céu não sofrerá, não morrerá; gozará a vida eternamente feliz da alma junto de Deus.

DOUTORES DA IGREJA

Dá-se este nome aos escritores eclesiásticos que se distinguiram dos outros pela excelência da doutrina que ensinaram. São quatro na Igreja Ocidental ou Latina: Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho e São Gregório Magno. São quatro na Igreja Oriental ou Grega: Santo Atanásio, São Basílio, São Gregório Nazianzeno, São João Crisóstomo. Além destes, que são maiores, há outros Doutores da Igreja, que são mais recentes: Santo Tomás de Aquino, São Boaventura, etc. A doutrina, deles goza de grande autoridade na Igreja, pela ciência que possuem e pelo zelo da verdade.

(Verbetes da obra 'Dicionário da Doutrina Católica', do Pe. José Lourenço, 1945)