segunda-feira, 22 de julho de 2019

22 DE JULHO - SANTA MARIA MADALENA


Maria Madalena. Para se fazer distinção do nome Maria tão comum entre os habitantes de Israel (esse era o nome, por exemplo, da irmã de Moisés), os textos bíblicos nomeavam as diferentes Marias por um acréscimo singular do personagem - assim, Maria Madalena é a Maria de Magdala, povoado situado às margens do Lago da Galileia e próximo à cidade de Tiberíades. Eis as pouquíssimas referências a ela nas Sagradas Escrituras:

[Lc 8, 2-3]: 'Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses'.

[Jo 19, 25]: 'Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena'.

[Mc 15,40-41; 47]: 'Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galileia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém... Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o depositavam'.

[Mc 16, 1; 5-6; 9-10]: 'Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus... Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram... Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios. Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos'.

[Jo 20, 1-2; 18]: 'No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram! ... Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado'.

Ela é a figura bíblica 'Maria de Magdala', da qual Jesus havia expulsado sete demônios. Esta acepção não implica a interpretação direta de 'uma grande pecadora'. O fato de ter-se livrado de 'sete demônios' (sete é o número da perfeição, da plenitude) implica que ela foi curada de todos os seus males tanto físicos (enfermidades) como espirituais (pecados, estes de naturezas quaisquer). É absolutamente forçada e despropositada a conjectura de que Maria Madalena pudesse ter sido uma 'prostituta' na sua condição pregressa antes do seu encontro com Jesus. Desta interpretação espúria, nasceram inúmeras outras lendas e desdobramentos fantasiosos da participação e do envolvimento desta mulher singular na vida pública de Jesus e dos seus apóstolos. 

domingo, 21 de julho de 2019

SÓ UMA COISA É NECESSÁRIA

Páginas do Evangelho - Décimo Sexto Domingo do Tempo Comum


Em meio às suas muitas viagens e peregrinações, em certa ocasião, Jesus parou para descansar na pequena comunidade de Betânia e ali se hospedou numa casa de propriedade de Marta. Marta era irmã de Maria e Lázaro, família religiosa e de posses, pela qual Jesus nutria grande apreço e amizade. Desta feita, aparentemente já se passara algum tempo sem Jesus ter estado com eles, pois, diante de sua chegada, Maria não arredava pé de sua Santa Presença, ouvindo com admiração e profunda alegria as palavras do Mestre.

Tão absorta e tão entretida estava Maria com a chegada do Senhor, que relegara ao completo esquecimento quaisquer outras tarefas ou atribuições, ainda que motivadas pela chegada de visitante de tal honra. Honra maior do que servi-lO ou preparar-Lhe a refeição, era amá-lO, era estar envolvida pela sua presença, era encher o coração de graça e de se deleitar na graça do Senhor. Atitude diversa tivera a sua irmã Marta. Na praticidade e nas exigências das ações humanas, movia-se de esforços concentrados em dar ao Mestre a refeição mais ligeira e mais substanciosa. E, nesse intuito, estava imersa por completo em mil afazeres e preparativos, moldada pelo intento de oferecer uma generosa hospitalidade e propiciar uma acolhida calorosa ao Senhor em sua casa. Santas e gratas intenções do coração humano!

Foi, pois, movida por tais preocupações imediatas, que Marta abordou Jesus, buscando a sua intervenção em induzir Maria a ajudá-la nas tarefas a cumprir: 'Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!' (Lc 10, 40). A hospitalidade e a docilidade da acolhida são afligidas pelas queixas e uma certa admoestação a Jesus no pedido de Marta: 'não importas?';  'manda'... Diante de Deus, Maria se alimenta do Verbo Encarnado; diante de Deus, Marta se apequena nas suas próprias tribulações humanas.

Jesus vai conduzi-las ambas a Si. Com Maria, mediante as palavras e os ensinamentos que o Evangelho não transcreveu. Com Marta, com as palavras que ressoam para todos nós: 'Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária' (Lc 10, 41-42). Todas as ações humanas podem ser belas e santas, desde que comecem no espírito da Santa Presença de Deus. Por Cristo, com Cristo, em Cristo: tudo em Cristo para a glória de Deus! Maria escolheu a melhor parte porque fez a acolhida do Senhor Que Vem primeiro na alma. E esta escolha, ratificada por Jesus, é outra verdade que ressoa para cada um de nós, no agora da vida humana e no depois da eternidade: a melhor parte definitivamente 'não lhe será tirada' (Lc 10, 42).

sábado, 20 de julho de 2019

A MEDIDA DOS PECADOS NÃO É IGUAL PARA TODOS

Dirá talvez o pecador que Deus é Deus de misericórdia… Quem o nega? A misericórdia do Senhor é infinita; mas, apesar dela, quantas almas se condenam todos os dias? Deus cura os que têm boa vontade (Is 61,1). Perdoa o pecado, mas não pode perdoar a vontade de pecar.

Replicará o pecador que ainda é muito jovem… És moço? Deus não conta os anos, conta as culpas. Ora, a medida dos pecados não é igual para todos. A um perdoa Deus cem pecados; a outro, mil; outro, ao segundo pecado, se verá precipitado no inferno. A quantos condenou após o primeiro pecado! Refere São Gregório que um menino de cinco anos, por ter proferido uma blasfêmia, foi lançado no inferno. Segundo revelou a Santíssima Virgem à bem-aventurada Benedita de Florença, uma menina de doze anos fora condenada por seu primeiro pecado. Outro menino, de oito anos de idade, também morreu com o primeiro pecado e se condenou. 

Lemos no Evangelho de São Mateus que o Senhor, a primeira vez em que achou a figueira sem fruto a amaldiçoou, e a árvore secou (Mt 21,19). Em outro lugar diz o Senhor: 'Depois das maldades que o povo de Damasco cometeu três e quatro vezes, eu não mudarei o meu decreto' (não revogarei os castigos que lhe tenho decretado) (Am 1,3). 

Algum temerário talvez ouse perguntar por que Deus perdoa a tal pecador três culpas e não quatro. Neste ponto é preciso adorar os inefáveis juízos de Deus e exclamar com o Apóstolo: 'Ó profundidade das riquezas da sabedoria e ciência de Deus! Quão incompreensíveis são seus juízos e imperscrutáveis seus caminhos' (Rm 11,33). 'O Senhor sabe', diz Santo Agostinho, 'a quem há de perdoar e a quem não. Àqueles a quem se concede misericórdia, gratuitamente se concede a mesma, e àqueles a quem se lha nega, com justiça lhes é negada'.

Replicará a alma obstinada que, tendo ofendido tantas vezes a Deus, e Deus lhe tendo perdoado, espera que ele ainda lhe perdoará um novo pecado… Mas porque Deus não o tem castigado até esta hora, segue-se que sempre há de proceder assim? Encher-se-á a medida e o castigo virá. Sem interromper as relações com Dalila, esperava Sansão salvar-se das mãos dos filisteus, como antes tinha feito (Jt 16,20); mas nesta última vez foi preso e perdeu a vida. 'Não digas' — exclama o Senhor — 'pequei, e qual a adversidade que me sobreveio? Porque o Altíssimo, ainda que nos tolere, dá-nos o que merecemos' (Ecl 5,4), isto é: chegará o dia em que tudo lhe pagaremos e, quanto maior tiver sido a misericórdia, tanto maior será a pena. 

Afiança-nos São João Crisóstomo que há mais para recear quando Deus tolera um pecador obstinado, do que quando lhe aplica o castigo sem detença. Com efeito, observa São Gregório, todos aqueles a quem Deus espera com mais paciência, são depois, se perseverarem na sua ingratidão, castigados com mais rigor; e, muitas vezes, acontece, acrescenta o mesmo santo, que os que foram por mais tempo tolerados por Deus, morrem de improviso sem ter tempo de se converter. Especialmente, quanto maiores tenham sido as luzes que Deus te haja dado, tanto maiores serão tua cegueira e obstinação no pecado, se a tempo não fizeres penitência.

'Era-lhe melhor' — diz São Pedro — 'não ter conhecido o caminho da justiça que, depois do conhecimento, voltar-lhe as costas' (2Pd 2,21). São Paulo diz que é (moralmente) impossível que uma alma ilustrada por luzes celestes, quando reincidir no pecado, se converta de novo (Hb 6,4.6). Terríveis são as palavras do Senhor contra aqueles que não querem atender a seu convite: 'Já que vos chamei e dissestes: não… eu também me rirei na hora da vossa morte e vos escarnecerei' (Pr 1,24-26). Note-se que as palavras eu também significam que, assim como o pecador zombou de Deus, confessando-se, fazendo propósitos e não os cumprindo nunca, assim o Senhor zombará dele na hora da morte.

O sábio diz além disso: 'Como cão que volta ao que vomitou, assim é o imprudente que recai na sua loucura' (Pr 26,11). Dionísio, o Cartuxo, desenvolve este pensamento e diz que tão abominável e asqueroso como o cão que devora o que tinha vomitado, se faz odioso a Deus o pecador que volta a cometer os pecados de que se arrependeu no sacramento da Penitência.

AFETOS E SÚPLICAS

Eis me aqui, Senhor, a vossos pés. Sou como o cão repugnante e asqueroso, que tantas vezes voltei a deleitar-me com o que antes tinha detestado. Não mereço perdão, meu Redentor. O precioso sangue, porém, que por mim derramastes, me alenta e me obriga a esperar… Quantas vezes vos ofendi e vós me perdoastes! Prometi não tornar a ofender-vos e daí a pouco de novo recaí, e vós outra vez me concedestes perdão! 

Que devo esperar, pois? Que me envieis ao inferno ou que me abandoneis aos meus pecados, castigo maior que o próprio inferno? Não, meu Deus; quero emendar-me, e, para vos ser fiel, ponho em vós toda minha confiança e prometo recorrer sempre a vós quando me vir assediado de tentações. No passado fiei-me em minhas promessas e resoluções, olvidando encomendar-me a vós nas tentações. Daí proveio a minha ruína. 

Mas, de hoje em diante, sereis vós minha esperança, minha fortaleza e assim tudo me será possível (Fp 4,13). Dai-me, pois, meu Jesus, por vossos méritos, a graça de encomendar-me sempre a vós, e de pedir vosso auxílio em todas as minhas necessidades. Amo-vos, Sumo Bem, digno de ser amado sobre todos os bens e só a vós amarei se me ajudais para isso. Vós também, ó Maria, Mãe nossa, auxiliai-me por vossa intercessão; abrigai-me debaixo de vosso manto; fazei que vos invoque sempre na tentação, e vosso nome dulcíssimo será minha defesa.

(Excertos da obra 'Preparação para a Morte', de Santo Afonso Maria de Ligório)

sexta-feira, 19 de julho de 2019

OREMUS (200)

A sequência completa destes pensamentos e reflexões é publicada diariamente na Página OREMUS na Biblioteca Digital deste blog.

19 DE JULHO

Adhortamini invicem! [animai-vos mutuamente! (Hb 3,13)]

Este é o conselho que o Apóstolo nos dá ut non obduretur quis ex vobis fallacia peccati [para que nenhum de vós seja obscurecido pela sedução do pecado (Hb 3, 13)]. Sempre, em toda parte, eu devo realizar o apostolado do bom exemplo. E se esse apostolado deve atingir a todos, de um modo especial deve ele chegar aos meus colegas de sacerdócio. Eles têm direito ao meu bom exemplo.

Não os posso desanimar, contagiando-os com o meu pessimismo, com o meu espírito negativo, que tudo censura e destrói. Não lhes devo ser uma pedra no caminho, com certas ideias ou hábitos que mais pregam a tibieza do que o fervor. Com a palavra e com o exemplo, tenho que ser um estímulo para todos.

Não posso ignorar que os mais novos, e menos experientes, olham para mim como para um modelo. Com minha tibieza, eu poderia contribuir para que eles não fossem o que deveriam ser. Vale também para mim aquela palavra: confirma fratres tuos [fortalece os teus irmãos (Lc 22, 32)]. Será esse o fruto do meu bom exemplo. A caridade, a discrição, o zelo, a obediência, o desapego, enfim, o fervor, eis o que eu desejo ver nos meus colegas e o que eles também querem ver em mim. Timeamus, ne forte relicta pollicitatione introeundi in requiem eius, existimetur aliqui ex vobis deesse [embora subsista a promessa de entrar no seu repouso, cuidemos para que alguns não sejam excluídos (Hb 4,1)].

(Oremus — Pensamentos para a Meditação de Todos os Dias, do Pe. Isac Lorena, 1963, com complementos de trechos traduzidos do latim pelo autor do blog).

quinta-feira, 18 de julho de 2019

ORAÇÃO PARA A MINHA MORTE


Não me sepulteis com aromas suaves, 
porque essa honra de nada me serve. 
Nem useis incensos e perfumes, 
porque essa honra não me traz benefícios.

Queimai incenso no lugar sagrado; 
quanto a mim, 
acompanhai-me somente com vossas orações.

Oferecei vosso incenso a Deus; 
e enviai hinos para o lugar onde eu estiver. 
Em vez de perfumes e aromas,
lembrai-vos de mim em vossas orações...

Foi decretado 
que eu não possa me demorar aqui por muito tempo. 
Dai-me, como provisão para a viagem, 
vossas orações, salmos e sacrifícios...

(Santo Efrém, o Sírio)

quarta-feira, 17 de julho de 2019

O PENSAMENTO VIVO DE MONSENHOR FULTON SHEEN

O ateu moderno não descrê por causa do seu intelecto, mas por causa da sua vontade. Não é o conhecimento que o torna um ateu, mas a perversidade. A negação de Deus brota de um desejo do homem de não ter um Deus – da sua vontade de que não haja justiça por trás do universo, de modo que as suas injustiças não receiem retribuição; do seu desejo de que não haja lei, de modo que não possa ser julgado por ela; do seu querer que não haja bondade absoluta, para que ele possa continuar a pecar com impunidade. É por isso que o ateu moderno se mostra sempre encolerizado quando ouve dizer alguma coisa a respeito de Deus e da Religião... O ateu pós-cristão sabe que Deus existe, mas deseja que Ele não existisse.

O mundo gosta do que é medíocre e assim é que tanto odeia o que é extremamente bom como o que é demasiadamente mau. O que é muito bom, constitui vergonha para o medíocre, e o que é muito mau afigura-se-lhe aborrecimento e até perigo.

Se as almas não forem salvas, nada se salvará. Não poderá haver paz no mundo, se não houver paz de alma. As guerras mundiais não passam de projeções dos conflitos travados dentro das almas dos homens modernos, pois nada acontece no mundo exterior que não haja primeiro acontecido dentro de uma alma. 

É uma ilusão supor que a guerra é sempre um erro e que o mundo se poderá ver livre dela. Isto é falso. A guerra deve existir sempre; mas não a guerra exterior: a interna. Quando travamos guerra, contra o mal em nós, diminuem ao mesmo tempo as guerras exteriores. A razão por que vivemos num século de guerras exteriores é a de nos descurarmos no travar da batalha interior contra as forças que destroem a mente e a alma. Aquele que não descobrir o inimigo dentro de si, encontrá-lo-á, sem dúvida alguma, fora...Se a mente estiver no erro, então o mundo será uma loucura.

O homem mau fará coisas erradas, tais como enganar, roubar, difamar, matar, violar; mas ainda assim, admitirá a existência da lei... O homem perverso pode não fazer nenhuma destas coisas más... mas o seu desejo é o de destruir completamente a bondade, a religião e a moralidade, com um fanatismo louco... Procura fazer uma transmutação de valores em que a noite pareça dia e o dia pareça noite; o bem pareça o mal e o mal pareça o bem.

terça-feira, 16 de julho de 2019

GLÓRIAS DE MARIA: MÃE E FORMOSURA DO CARMELO


No dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava a intercessão de Nossa Senhora  para resolver problemas da Ordem Carmelita quando teve uma visão da Virgem que, trazendo o Escapulário nas mãos, lhe disse as seguintes palavras:

"Filho diletíssimo, recebe o Escapulário da tua Ordem, sinal especial de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem com este Escapulário não padecerão o fogo do Inferno. É sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos, e aliança de paz para sempre". 



Imposição e Uso do Escapulário

- Qualquer padre pode fazer a bênção e imposição do Escapulário à pessoa.

2 - A bênção e a imposição valem para toda a vida e, portanto, basta receber o Escapulário uma única vez.

- Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo.

- Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não sendo necessária outra bênção.

5 - Uma vez recebido, o Escapulário deve ser usado em todas as ocasiões (inclusive ao dormir), preferencialmente no pescoço.

6 - Em casos de necessidade de retirada do Escapulário, como no caso de doenças e/ou internações em hospitais, a promessa de Nossa Senhora se mantém, como se a pessoa o estivesse usando.

7 - Mesmo um leigo pode fazer a imposição do Escapulário a uma pessoa em risco de morte, bastando recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já bento por algum sacerdote.

8 - O Escapulário pode ser substituído por uma medalha que tenha, de um lado, o Sagrado Coração de Jesus e, do outro, uma imagem de Nossa Senhora (por autorização do Papa São Pio X).
Oração a Nossa Senhora do Carmo
     Ó Virgem do Carmo e mãe amorosa de todos os fiéis, mas especialmente dos que vestem vosso sagrado Escapulário, em cujo número tenho a dita de ser incluído, intercedei por mim ante o trono do Altíssimo. 

          Obtende-me que, depois de uma vida verdadeiramente cristã, expire revestido deste santo hábito e, livrando-me do fogo do inferno, conforme prometestes, mereça sair quanto antes, por vossa intercessão poderosa, das chamas do Purgatório.

        Ó Virgem dulcíssima, dissestes que o Escapulário é a defesa nos perigos, sinal do vosso entranhado amor e laço de aliança sempiterna entre Vós e os vossos filhos. Fazei, pois, Mãe amorosíssima, que ele me una perpetuamente a Vós e livre para sempre minha alma do pecado. 

       Em prova do meu reconhecimento e fidelidade, ofereço-me todo a Vós, consagrando-Vos neste dia os meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e todo o meu ser. E porque Vos pertenço inteiramente, guardai-me e defendei-me como filho e servidor vosso. Amém.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

COMPÊNDIO DE SÃO JOSÉ (XVI)


76. Qual é a voz do magistério da Igreja a respeito do pai de Jesus? 

É preciso dizer que não apenas os teólogos e devotos interessaram-se pela teologia Josefina, mas também o magistério da Igreja. Pio IX, com o decreto Inclytus Patriarcha Joseph, de 10 de setembro de 1847, estendeu a festa do Patrocínio de São José para toda a Igreja. Da mesma forma, com um outro decreto: Quemadmodum Deus, de 08 de dezembro de 1870, proclamou-o Patrono universal da Igreja. O papa Leão XIII colocou o seu pontificado sob a 'proteção poderosíssima de São José' e, em inúmeros documentos, encíclicas e decretos, lembrou a presença de São José. Dentre todos, destacamos a encíclica Quamquam Pluries, de 15 de agosto de 1889, onde expôs a doutrina sobre São José. Os papas Pio X e Bento XV, em vários documentos, não deixaram de lembrar e de mencionar a importância de São José para os cristãos. Pio XI, na sua alocução de 19 de março de 1928, sustentou a superioridade de São José sobre São João Batista e São Pedro e, na alocução de 19 de março de 1935, mostrou a ligação de São José com a união hipostática. Também na sua alocução de 19 de março de 1928, deu-lhe o título de 'onipotente', assim como em vários outros documentos ressaltou a figura grandiosa do Santo Patriarca. Pio XII destacou em vários documentos os aspectos da figura de São José, particularmente na encíclica Haurietis Aquas, de 15 de maio de 1956, descreveu o relacionamento familiar de Jesus com São José, salientando que o coração de Jesus palpitava de amor pelo seu pai a quem obedecia e ajudava no trabalho da carpintaria. João XXIII em sua carta apostólica Le voci, de 19 de março de 1961, nomeou São José o Protetor do Concílio Ecumênico Vaticano II. 

Paulo VI apresentou a figura cristalina e edificante de São José em seus inúmeros documentos e pronunciamentos; na constituição Lumen Gentium, de 21 de novembro de 1964, salientou que, no sacrifício eucarístico, veneramos sobretudo a memória da Bem-aventurada Virgem Maria e também do Bem aventurado José. Exaltou a sua grandeza, colocou-o em relação com o mundo do trabalho, apontou-o como o introdutor do Evangelho das bem-aventuranças, anunciou-o como programa para a redenção da humanidade, apresentou-o como ponto referencial para as famílias… João Paulo II em sua encíclica Redemptor hominis, de 04 de março de 1979, inseriu-o no coração da nossa redenção. Propô-lo como modelo para todos os pastores e ministros da Igreja. Na encíclica Laborem Exercens, de 14 de setembro de 1981, colocou-o ao lado de Jesus, explicitando-o como 'o evangelho do trabalho'. No prefácio do novo Código de Direito Canônico, de 25 de janeiro de 1983, confiou a reta observância das normas, impetrando a beatíssima Virgem Mãe da Igreja e o 'seu esposo São José, Patrono da Igreja'. Além de lembrá-lo em muitos outros documentos, por fim escreveu a exortação apostólica Redemptoris Custos, em 15 de agosto de 1989, um verdadeiro tratado de Josefologia, onde ilustra a figura e a missão de São José na vida de Cristo e da Igreja. Este é o pronunciamento do Magistério da Igreja mais completo e atual que até agora possuímos. 

77. Como foi o desenvolvimento do culto a São José ao longo dos séculos? 

Já destacamos algumas figuras que contribuíram, com seus escritos e reflexões, para a devoção ao culto de São José, contudo reportamos breves exemplos sobre a difusão de seu culto. Uma das primeiras referências que possuímos a respeito, nos vem de Arculfo, bispo da Gália, o qual relata que em 670 havia em Nazaré uma igreja onde se encontrava a casa em que Nosso Senhor foi nutrido e uma outra no lugar em que o Anjo Gabriel entrou e falou à Bem-aventurada Maria. Há uma outra referência à pessoa de São José em Belém, na Basílica da natividade, onde se encontra a inscrição (I) Ioseph (V) Virum (M) Mariae:  'José esposo de Maria'; há também uma pequena igreja dedicada a São José que surgiu em cima das ruínas de uma antiga igreja do tempo das cruzadas. O culto a São José floresceu na Europa a partir do século X, começando pela Itália e espalhando-se, com numerosos oratórios, basílicas, igrejas, capelas, abadias, conventos e mosteiros dedicados ao nosso santo. É impossível mencionar todos os templos dedicados a ele a partir de então porque são inumeráveis e espalhados por toda a Europa e no mundo, inclusive no Brasil, onde as paróquias dedicadas ao nosso protetor ocupam o terceiro lugar, perdendo apenas para Nossa Senhora e Santo Antônio.

78. Além do culto nas igrejas, São José é venerado em outras organizações? 

Sim, além das igrejas, basílicas, santuários, catedrais, oratórios e capelas, São José também é cultuado nas inúmeras confrarias e arquiconfrarias, em mosteiros, em ordens religiosas, em congregações e institutos de vida religiosa, assim como em inúmeras irmandades e associações, sendo que uma das mais antigas associações data do ano de 1345 em Rabat, na Ilha de Malta. Todas estas, em número incontável, surgiram na Europa e se difundiram por todo o mundo. 

79. Prescindindo do culto, São José é lembrado ainda de outra maneira? 

Há um número considerável de nações, regiões, localidades, cidades, dioceses e variados estabelecimentos e organizações que escolheram São José como Protetor. Ele foi proclamado Patrono especial do reino da Boêmia em 1665 por Ferdinando III e, em 1675, foi escolhido como Patrono dos domínios austríacos e, no ano seguinte, dos territórios germânicos. Tornou-se Protetor da China, da Espanha, do Peru, das Filipinas. Foi designado Patrono de Nápoles, Gênova, Turim, Florença, Verona, Veneza, Palermo, Avinhão, Manila, Cracóvia… e no Brasil, existem cerca de 90 municípios catalogados com seu nome. São inúmeras também as dioceses que o têm como seu protetor. Algumas dentre as quais são: Orvieto, Ottawa, Harós, Wladislávia, Liverpool, São José na Califórnia, São José de Costa Rica, Caacupé no Paraguai, Cúguta na Colômbia, Maracai na Venezuela, Santa Fé na Argentina, Tapachula no México; no Brasil, lembramos as dioceses de Fortaleza, Mariana, Garanhuns, Macapá, Campo Mourão, São José dos Campos… Estas poucas indicações dentre inúmeras outras, são apenas uma pálida referência do quanto São José é amado e reconhecido no mundo inteiro. 

80. Pode-se indicar algumas festas e reconhecimentos do nosso santo na liturgia? 

Já lembramos que o culto a São José, ao contrário daquele a Maria, permaneceu por muitos séculos esquecido com apenas algumas lembranças dos traços de sua figura aqui e ali, por alguns devotos ou algumas Ordens Religiosas. Contudo, a partir do século VIII no Ocidente, São José era celebrado no dia 19 de março na Abadia de Winchester e no Oriente, a partir do século X, São José era comemorado no dia de Natal e também no dia 26 de dezembro com a festa de 'Maria e José, seu esposo'. No século XIV, no mosteiro austríaco de São Floriano, havia um missal com uma missa votiva ao 'Pai Putativo do Senhor'. Ao longo dos séculos, estas festas e comemorações em honra a São José desenvolveram-se de muitas maneiras até chegar a 1917, com o Código Direito Canônico, a festa denominada 'Comemoração solene de São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria' foi incluída como preceito para toda a Igreja. Outra festa litúrgica, celebrada com solenidade, foi aquela do 'Patrocínio de São José', estendida para toda a Igreja em 1847 por Pio IX e fixada para o terceiro domingo depois da Páscoa. Esta festa antes fora celebrada por muitas ordens religiosas: a partir de 1680 pelos Carmelitas; depois a celebraram os Augustinianos, os Barnabitas, etc. Também muitas dioceses, desde aquela do México em 1703, depois as de Puebla, Los Angeles, Palermo, De la Plata, Pavia, Colônia, Orvieto, Asti, Acqüi, etc. Esta festa foi substituída pela chamada 'São José Operário', instituída por Pio XII para o dia 1º de maio. Paulo VI, na promulgação do Missal Romano, inseriu nele três missas em honra de São José: a solenidade de 19 de março: 'São José, esposo da Bem aventurada Virgem Maria', a festa de 'São José Operário' em 1º de maio e uma missa votiva. Além disso, São José é celebrado na 'Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José', no domingo dentro da oitava do Natal.

('100 Questões sobre a Teologia de São José', do Pe. José Antonio Bertolin, adaptado)

domingo, 14 de julho de 2019

O BOM SAMARITANO

Páginas do Evangelho - Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum


'Quem é o meu próximo?' (Lc 10, 29). Diante da pergunta capciosa do mestre da lei, Jesus não responde diretamente. Era preciso um ensinamento maior: para quem pratica a caridade, o próximo são todas as outras pessoas; para quem se exalta na malícia do pecado, o próximo é algo tão intangível quanto a enorme soberba do douto perscrutador do evangelho deste domingo, tão cheio de artimanhas, tão  farto de arrogância.

E Jesus, então, lhes conta uma pequena história: 'Certo homem descia de Jerusalém para Jericó...' (Lc 10, 30). Um certo homem... provavelmente um judeu como eles, deslocando-se de Jerusalém para Jericó, a cerca de 30 km e em altitude bem mais baixa que Jerusalém. Sem dúvida, tratava-se de um homem de posses e descuidado de sua segurança, pois viajava sozinho. E eis que, então, o homem é assediado por assaltantes, tem os seus bens saqueados e, mais que isso, é espancado e ferido brutalmente, até ser abandonado semimorto à beira da estrada.

E no local da encenação deste drama comovente, vão passar três personagens singulares: um sacerdote, um levita e um samaritano. Os dois primeiros, anestesiados pelos seus interesses e preocupações mundanas e imbuídos do frio calculismo dos incômodos e perturbações que uma tal ação de socorro poderia lhes causar, vão passar insensíveis ao largo do homem ferido. Muito diferente será a reação do viajante samaritano que, não apenas pára para socorrer o pobre homem, como alivia as suas dores e, mais ainda, assume a responsabilidade pelo completo restabelecimento da sua saúde e pela cura dos seus ferimentos.   

'Quem é o meu próximo?' não foi, afinal, a pergunta certa feita pelo mestre da lei, o mesmo que antes dera resposta correta a outra pergunta de Jesus: 'Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!' (Lc 10, 27). 'Amar o próximo como a ti mesmo' significa em todos 'amar a Deus com todo o coração e com toda a alma'. Todos são próximos de todos. Os dons e os talentos de cada um devem ser compartilhados com todos. E esta partilha se faz com as mãos estendidas da humildade e da misericórdia. Este é o legado de Jesus para nós: 'Vai e faze a mesma coisa' (Lc 10, 37). Fazendo a mesma coisa, todos os outros serão apenas um: o próximo, que nos coloca dentro do Coração de Deus!

sábado, 13 de julho de 2019

'DEUS ME DISSE: NÃO...'


Eu pedi a Deus para tirar a dor que me aflige tantas vezes.
Deus me disse: NÃO; se eu a tirar de você, você vai Me perder...

Eu pedi a Deus que me desse a chance de retomar a vida que eu tinha.
Deus me disse: NÃO; eu lhe dei uma vida não para acalentar seus anos, mas para guiar você até à eternidade junto de Mim...

Eu pedi a Deus que me desse algum tempo livre de qualquer sofrimento.
Deus me disse: NÃO; o que Eu preciso e quero livre de amarras é o seu amor ao mundo e aos tempos dos homens...

Eu pedi a Deus para que tanto sofrimento fosse breve pelo menos.
Deus me disse: NÃO;  para chegar a Mim, é preciso percorrer um caminho e não pequenos atalhos... 

Eu pedi a Deus que me desse a santidade da paciência então.
Deus me disse: NÃO; se Eu lhe desse a paciência sem que você a buscasse, você não se santificaria...

Eu pedi a Deus finalmente a graça de aceitar então e sempre, por toda a minha vida, a Sua Santa Vontade.
Deus me disse: NÃO BUSQUEI EM VÃO A MINHA OVELHA PERDIDA.

(Arcos de Pilares)

13 DE JULHO - SANTA TERESA DOS ANDES


Joana Fernandes Solar nasceu em Santiago do Chile, em l3 de julho de l900, no seio de uma família tradicional e teve a infância marcada por uma intensa vida mariana, que proporcionou a ela uma sólida base para uma vida cristã autêntica. Desde tenra idade, experimentou uma extraordinária relação sobrenatural com Jesus: 'desde que fiz minha Primeira Comunhão, Nosso Senhor me falava sempre, depois de eu comungar' e com Nossa Senhora: 'minha devoção especial era à Virgem; contava-lhe tudo'.

Aos dezenove anos de idade, em maio de 1919, entrou para o mosteiro das carmelitas dos Andes, tomando o nome de Teresa de Jesus. Sua santidade era óbvia para todos que conviviam com ela, particularmente nos tempos do Carmelo. Viveu no mosteiro dos Andes por apenas onze meses, pois contraiu febre tifoide, vindo a falecer em 12 de abril de 1920, na sua cidade natal. Os seus restos mortais estão depositados na cripta do Santuário de Auco - Rinconada, em Los Andes, no Chile. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 13 de abril de 1987, em Santiago do Chile e canonizada, pelo mesmo papa, na Basílica de São Pedro, no dia 21 de março de 1993, tornando-se a primeira santa do Chile e do Carmelo da América Latina.
(cela no Carmelo e jazigo no Santuário de Auco - Rinconada)

terça-feira, 9 de julho de 2019

SUMA TEOLÓGICA EM FORMA DE CATECISMO (XXXIII)

XLV

DA PACIÊNCIA, LONGANIMIDADE E CONSTÂNCIA

Qual é a característica da virtude da paciência?
Suportar as tristezas e tribulações que o decorrer da vida, a cada momento, nos proporciona e de uma maneira especial as que nos ocasiona o trato com os nossos semelhantes, com olhos postos na vida futura, objeto da caridade (CXXXVI, 1-3)*.

Identifica-se a paciência com a longanimidade e a constância?
Não, Senhor; porque, se bem que estas virtudes nos dispõem a suportar as tribulações da vida, a paciência nos sustém nas contrariedades ocasionadas pelo trato diário com os homens, a longanimidade nos sustém contra a tristeza de ver como se afasta ou desvanece um bem intensamente desejado e a constância contra o desgosto e desfalecimento que podem assaltar-nos na prática continuada do bem (CXXXVI, 5).

XLVI

DA PERSEVERANÇA — VÍCIOS OPOSTOS: MOLEZA OU DESÂNIMO E PERTINÁCIA

Tem alguma coisa de comum a perseverança com as virtudes de que acabamos de falar?
O fim da perseverança não é entrar em reação contra a tristeza, senão contra a fadiga e o desânimo que, em determinadas ocasiões, nos assaltam na prolongada prática da virtude (CXXXVII, 1, 3).

Opõe-se a ela algum vício?
Sim, senhor; o desânimo ou moleza que faz perder o ânimo e desistir das empresas diante das dificuldades e fadigas que se preveem; e a pertinácia, vício dos que se obstinam em não ceder quando seja útil e razoável (CXXXV-III, 1, 2).

XLVII

DO DOM DA FORTALEZA CORRESPONDENTE À VIRTUDE DO MESMO NOME

Existe algum dom do Espírito Santo correspondente à virtude da fortaleza?
Sim, Senhor; o dom conhecido com o mesmo nome (CXXXIX).

Em que se diferençam o dom e a virtude da fortaleza?
Ambos têm por objeto o temor e, de certo modo, a audácia; porém; ao passo que o temor e a audácia, que a virtude da fortaleza modera, dizem respeito aos perigos que o homem pode com suas forças afastar, o temor e a confiança, que o dom correspondente excita, consideram males e perigos que de maneira alguma podem evitar-se; tal é, por exemplo, a dolorosa separação que a morte impõe entre o homem e os bens da vida presente; sem dar por isso a única dádiva que poderia supri-los ou compensá-los seria a posse efetiva da vida eterna. A ação própria e exclusiva do Espírito Santo é dar a vida eterna em troca das misérias da vida temporal, apesar de todos os inconvenientes e dificuldades que se interponham, inclusive a morte. A Ele, por conseguinte, incumbe infundir no homem desejos desta troca e permuta, inspirando-lhe tal confiança que o faça desprezar os maiores perigos e, de certo modo, desafiar a morte, não para sucumbir na luta, senão para obter o triunfo definitivo sobre ela. Este é o efeito do dom de fortaleza e, se quisermos declarar qual o seu objeto próprio, poderemos dizer que é a vitória sobre a morte (CXXXIX, 1).

XLVIII

DOS PRECEITOS RELATIVOS À FORTALEZA

Existem na lei divina preceitos relacionados com a virtude da fortaleza?
Sim, senhor; e estão dados na forma mais conveniente, porque, suposto que a lei divina e especialmente a Nova, está destinada a fixar a alma em Deus, vemos que convida o homem com preceitos negativos a não temer os males terrenos e, com mandatos positivos, a combater sem trégua nem descanso o seu mortal inimigo (CXL, 1).

São tão sábios como estes os preceitos das demais virtudes relacionadas com a fortaleza?
Sim, senhor; porque, a respeito da paciência e da perseverança que têm por objeto as lutas ordinárias da vida, há preceitos positivos; porém, tratando-se da magnificência e da magnanimidade, virtudes que moderam atos perfeitos, não existem mandatos, senão conselhos (CXL, 2).

XLIX

DA TEMPERANÇA, ABSTINÊNCIA E JEJUM — VÍCIO OPOSTO: A GULA

Qual é a quarta virtude moral necessária para não nos extraviarmos no caminho de retorno a Deus?
A virtude da temperança (CXLI-CLXX).

Que entendeis por virtude da temperança?
Aquela que mantém o apetite sensitivo sujeito aos ditames da razão, para evitar que se exceda nos prazeres, especialmente do tato, nos atos necessários à conservação da vida corporal (CXLI, 1-5).

Que prazeres são estes?
Os da mesa e os do matrimônio (CXLI, 4).

Que nome recebe a virtude da temperança quando se aplica a por em ordem os prazeres da mesa?
Chama-se abstinência ou sobriedade (CXLIX).

Em que consiste a abstinência?
Em governar conforme a razão o desejo imoderado de manjares e bebidas (CXLVI, 1).

Qual é a maneira própria de praticar a virtude da abstinência?
O jejum (CXLVII).

Em que consiste?
Em suprimir parte da alimentação normal (CXLVII, , 1, 2).

Não será ilícito e prejudicial?
Pelo contrário, pode ser de grandes benefícios, porque serve para reprimir a concupiscência, de modo que o espírito se eleve com maior liberdade à contemplação das mais sublimes verdades e serve também para satisfazer pelos pecados.

Que condições há de reunir o jejum para ser salutar e meritório?
As de ser dirigido e ordenado pela prudência e discrição, não comprometendo a saúde e nem sendo obstáculo para o cumprimento das obrigações do próprio estado (CXVII, 1, ad 2).

Estão obrigados a jejuar todos os que chegam ao uso da razão?
Nem todos os homens estão obrigados ao jejum eclesiástico, porém todos são obrigados a privar-se de alimento, na medida que o exija a prática das virtudes morais (CXLVII, 3, 4).

Que entendeis por jejum eclesiástico?
O prescrito pela Igreja, em determinados dias e a partir da idade por ela marcada (CXLVII,5-8).

Em que consiste?
Em não fazer mais que uma só refeição no dia (CXLVII, 6).

É necessário fazê-la na hora fixa?
Não, Senhor; pode fazer-se no meio dia ou à noite.

Pode tomar-se alimento fora da comida?
Pode tomar-se uma quantidade módica, pela manhã, como desjejum, e outra à noite como complementar (Código, 1251).

Quem está obrigado ao jejum eclesiástico?
Todos os batizados, desde a idade de vinte e um anos até os cinquenta e nove completos (Código, 1254).

Que causas dispensam do jejum?
Motivos de saúde ou de trabalho e, em caso de dúvida, a dispensa concedida pela autoridade legítima (CXLVII, 4).

Quem pode dispensar?
Praticamente basta a dispensa do superior eclesiástico imediato.

Em que dias há obrigarão de jejuar?
No Brasil, a Santa Sé costuma conceder que sejam os seguintes: todas as sextas-feiras da quaresma e quarta-feira de cinzas, jejum com abstinência de carne; todas as quartas-feiras da quaresma, quinta-feira da semana Santa e sexta-feira das têmporas do advento, jejum sem abstinência de carne.

Em que consiste a lei eclesiástica da abstinência?
Em abster-se de carnes e caldos preparados com elas.

Em que dias obriga?
No Brasil, segundo costuma conceder a Santa Sé, só na quarta-feira de cinzas e em todas as sextas-feiras da quaresma e nas vigílias do Espírito Santo, Assunção de Nossa Senhora, de todos os Santos e do Natal.

Quem está obrigado à lei da abstinência?
Todos os fiéis que tenham completado sete anos (Código 1254).

Que vício se opõe à abstinência?
O da gula (CXLVIII).

Que entendeis por gula?
O apetite desordenado de comer e beber (CXVIII, 1).

Contém este vício várias espécies?
Sim, senhor; pode cometer-se, umas vezes, atendendo à natureza, quantidade ou qualidade dos manjares, modo de condimentá-los e, outras vezes, na maneira de consumi-los, já antecipando a hora sem necessidade, já tomando-as com excessiva avidez e glutoneria (CXLVIII, 4).

É a gula um vício capital?
Sim, senhor; visto que facilita os prazeres que com mais força solicitam e arrastam o homem (CXLVIII, 5).

Quais são as filhas da gula?
Torpeza e estupidez do entendimento, alegria injustificada, intemperança na linguagem, chocarrice e impureza (CXLVIII, 6).

Por que estes vícios repugnantes provêm especialmente da gula?
São repugnantes porque degradam e quase extinguem a razão e provêm da gula porque o entendimento, obscurecido e adormecido com os vapores dos manjares, perde o governo e abandona a direção dos nossos atos (Ibid).

referências aos artigos da obra original

('A Suma Teológica de São Tomás de Aquino em Forma de Catecismo', de R.P. Tomás Pègues, tradução de um sacerdote secular)

domingo, 7 de julho de 2019

APOSTOLADO E ORAÇÃO

Páginas do Evangelho - Décimo Quarto Domingo do Tempo Comum


Eis a missão: levar a Boa Nova do Reino de Deus a todas as criaturas. Eis a síntese do apostolado cristão para os homens de sempre: anunciar o Evangelho de Cristo ao mundo inteiro. Ser missionário e se fazer apóstolo, aí estão as marcas de identidade de um cristão no mundo. De todos os cristãos: os primeiros doze apóstolos, os outros setenta e dois, os cristãos de todos os tempos, eu e você. Porque 'a messe é grande e os trabalhadores são poucos' (Lc 10, 2) e a nossa oração sincera é semente profícua que faz brotar novos apóstolos e novos missionários no Coração do Senhor da Messe.

Como cordeiros entre lobos, como emissários da paz entre promotores das guerras, os cristãos estão no mundo para torná-lo um mundo cristão. O apostolado começa com o bom exemplo, expande-se com o amor ao próximo, multiplica-se pela caridade. Não é preciso levar alforge ou vestimenta especial, apenas a entrega complacente à Santa Vontade de Deus. É imperioso o serviço da vocação; os frutos pertencem aos ditames da Providência. 

O reino de Deus deve ser proclamado para todos, em todos os lugares, mas a Boa Nova será recebida com jubilosa gratidão num lugar ou indiferença profunda em outro; aqui vai gerar frutos de salvação, mais além será pedra de tropeço. Em outros lugares ainda, será rejeitada simplesmente e, nestes, a sentença não será velada: 'Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós' (Lc 10, 11).

Operários da grande messe do Senhor, nós, os cristãos, não podemos dispor das comodidades do mundo para vivermos a planura das alegrias efêmeras das calmarias. Não há amor sem sofrimento. Não há graça corrompida pelo respeito humano. Não há frutos de salvação em palavras amenas e solícitas. Deus nos quer valorosos combatentes da fé, pregadores perseverantes da Verdade Plena. À luz do Evangelho de Cristo, somos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5, 13-14). E ainda que sejamos capazes de domar a natureza e realizar prodígios, a felicidade cristã não está nos eventos temporais aqui na terra, mas na Eterna Glória daqueles que souberam combater o 'bom combate' (2Tm 4,7) e os quais Jesus nomeou como santos de Deus: 'vossos nomes estão escritos no céu' (Lc 10,20).

sábado, 6 de julho de 2019

ORAÇÃO, JEJUM E MISERICÓRDIA...

Há três coisas, irmãos, pelas quais se confirma a fé, se fortalece a devoção e se mantém a virtude: a oração, o jejum e a misericórdia. O que pede a oração, alcança-o o jejum e recebe-o a misericórdia. Oração, jejum e misericórdia: três coisas que são uma só e se vivificam mutuamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Ninguém tente dividi-las, porque são inseparáveis. Quem pratica apenas uma das três ou não as pratica todas simultaneamente na realidade não pratica nenhuma delas. Portanto, quem ora, jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede, pois aquele que não fecha os seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, entenda bem o que é o jejum: seja sensível à fome dos outros, se quer que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso, se espera alcançar misericórdia; compadeça-se, se pede compaixão; dê generosamente, se pretende receber. Muito mal suplica quem nega aos outros o que pede para si. Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a prontidão que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e prontidão.

Façamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única operação sob três formas distintas. Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não o saber apreciar; imolemos pelo jejum as nossas almas, porque nada melhor podemos oferecer a Deus, como ensina o Profeta: sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido porque Deus não despreza um coração contrito e humilhado.

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo fica em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos se podem oferecer a si mesmos.

Mas para que esta oferta seja aceita por Deus, deve ser acompanhada pela misericórdia; o jejum não dá fruto se não for regado pela misericórdia; seca o jejum se secar a misericórdia; o que a chuva é para a terra é a misericórdia para o jejum. Por muito que se cultive o coração, purifique-se a carne, exterminem-se vícios e se semeiem virtudes, nenhum fruto recolherá quem jejua se não abrir os caudais da misericórdia.

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu o não possuirás.

(Sermões de São Pedro Crisólogo)