domingo, 31 de julho de 2016

A VERDADEIRA RIQUEZA ESTÁ EM DEUS

Páginas do Evangelho - Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum


'Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo' (Lc 12,13). Alguém, no meio da multidão, fez este pedido a Jesus. Um pedido movido por razões absolutamente terrenas e dirigido a alguém que era julgado apenas na dimensão da sabedoria humana. Um apelo, potencialmente justo, afeto às demandas de um juiz dotado de isenção e discernimento, bastava ao postulante. Mas, diante dele, estava Deus entre os homens e não um mero sábio das contendas humanas. Àquele homem, Jesus destinou então um ensinamento muito mais profundo, muito além da busca desenfreada da aquisição de bens materiais, mas centrado num caminho de heranças eternas. 

É preciso primeiro buscar as coisas do Alto. Os legítimos interesses humanos devem ser pautados pelo equilíbrio e pela moderação, para não ser instrumentos de afeições desmedidas e descontroladas, sementes de ganância. Jesus é enfático neste conselho: 'Tomai cuidado contra todo tipo de ganância' (Lc 12, 15). A abundância de bens é uma fonte de preocupações contínuas e a soberba do possuir é mera vaidade: 'Tudo é vaidade' como diz o Livro do Eclesiastes (Ecl 1,2). 

Para ilustrar a insensatez do homem que busca acumular tesouros na terra, Jesus apresenta, então, a parábola do homem rico. Entusiasmado por uma farta colheita, planeja em detalhes multiplicar sua riqueza com a construção de celeiros muito maiores, armazenar grandes quantidades de trigo, viver uma vida de gozo e tranquilidade. Mas, tolo entre tolos, não cuida que seus dias estão contados e não terá usufruto algum de tanta riqueza acumulada: 'Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo' (Lc 12, 21). A ganância de querer sempre mais e a ânsia de ser ainda mais rico aviltam a legitimidade do bem possuído aos domínios da cobiça mórbida. 

Deus não tem lugar no coração abrasado de poder de tal homem porque o nosso coração permanecerá inquieto enquanto não repousar em Deus. A paz interior nasce da partilha, no ato de compartilhar os bens e os dons disponíveis com todos. Dispor o que se recebe, repartir o que se tem: eis a regra de ouro para se almejar as heranças eternas e acumular tesouros nos Céus. A verdadeira riqueza é aquela que se guarda no Coração de Deus.

31 DE JULHO - SANTO INÁCIO DE LOYOLA


Ad Maiorem Dei Gloriam 


Para a Maior Glória de Deus

O fundador da Companhia de Jesus e autor dos 'Exercícios Espirituais' buscou a via da santidade pelo completo despojamento de si, pelo abandono completo de sua vontade aos desígnios da Divina Providência, abstraindo-se de todo comodismo humano na sua caminhada espiritual para Deus. Eis aí a santidade das atitudes extremas, das decisões moldadas por uma fé intrépida, pela ação de um 'sim' sem rodeios ou incertezas. Uma vida de conversão e de entrega generosa a Deus, testemunho eloquente da fé cristã coerente e tenaz, levada às últimas consequências. 

Inácio Lopez nasceu na localidade de Loyola, atual município de Azpeitia, no País Basco/Espanha, em 31 de maio de 1491. De família rica, levou vida mundana até ser ferido gravemente numa perna na batalha de Pamplona. Na longa convalescença e pela leitura da vida de grandes santos, decidiu abandonar os bens terrenos e viver para a glória de Deus, quando tinha então 26 anos. Entre 1522 a 1523, escreveu os chamados 'Exercícios Espirituais', uma síntese de sua própria conversão e método de evangelização para uma vida espiritual em plenitude. Em 1528, ingressou na Universidade de Paris e a 15 de agosto de 1534, com mais seis companheiros, entre eles São Francisco Xavier, fundou a Companhia de Jesus, tornando-se sacerdote e assumindo o cargo de superior-geral da ordem jesuítica em 1540, com a aprovação do Papa Paulo III. Santo Inácio morreu em Roma, em 31 de julho de 1556, aos 65 anos de idade. Foi canonizado em 12 de março de 1622 pelo Papa Gregório XV. Em 1922, o Papa Pio XI declarou Santo Inácio padroeiro dos Retiros Espirituais.

ORAÇÃO DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA

Tomai Senhor, e recebei
Toda minha liberdade,
A minha memória também.
O meu entendimento
E toda minha vontade.
Tudo que tenho e possuo,
Vós me destes com amor.
Todos os dons que me destes,
Com gratidão vos devolvo:
Disponde deles, Senhor,
Segundo vossa vontade.
Dai-me somente 
O vosso amor, vossa graça.
Isto me basta,
Nada mais quero pedir.

sábado, 30 de julho de 2016

BREVIÁRIO DIGITAL (XL) - ANNE DE BRETAGNE (I)

LIVRO DE ORAÇÕES DE ANNE DE BRETAGNE* (1477 - 1514) - PARTE I

* esposa de dois reis sucessivos da França, Charles VII e Luís XII


AUTORIA DAS ILUMINURAS: JEAN POYER 


I.1 - Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são representados por Poyer na forma de três homens jovens e de cabelos compridos, sentados no trono da Realeza Divina e carregando esferas encimadas por cruzes, que representam o mundo sob a tutela da redenção de Cristo. 


I.2 - A Anunciação: a Virgem Maria (sob uma concepção visual da própria Anne de Bretagne) recebe o anúncio do Anjo Gabriel. O mistério da Anunciação é revelado pela ação conjunta da Santíssima Trindade: Poyer retrata Deus Pai, segurando uma esfera e enviando o Menino Jesus que, carregando uma cruz, acompanha o Espírito Santo, representado em forma de pomba, em meios a raios dourados que são emitidos em direção à futura Mãe de Deus (iconografia clássica deste evento a partir do século XIV). A iluminura é acompanhada pela parte inicial da Ave Maria em latim, truncada pelo termo et, abreviatura de etcetera - 'e o resto'), em função da indisponibilidade do espaço na iluminura para o texto completo da oração. 


I.3 - O Apóstolo Pedro e o Profeta Jeremias: iluminura inicial de uma série de outras doze, que representam sempre a figura de um apóstolo, identificado sob um halo e um atributo específico, junto a um profeta do Antigo Testamento, segurando um rolo de pergaminho. A série começa com o apóstolo Pedro - o príncipe dos apóstolos -  e com o profeta Jeremias. As iluminuras são complementadas por partes do texto do Credo. A presença destes textos - raríssimos em livros medievais por se tratar de orações que todos os cristãos sabiam de cor - demonstra que a obra foi dirigida ao catecismo de uma criança (no caso, Charles-Orland (1492–1495), filho de Anne).



I.4 - O Apóstolo André e o Profeta Davi: o primeiro apóstolo chamado por Jesus é representado carregando uma cruz em forma de X, símbolo do seu martírio. Davi é representado com vestes luxuriantes, provavelmente representando a sua vida passada de pecado. A inscrição do rolo de pergaminho define os desígnios divinos sobre a sua pessoa (Sl 2, 7): D(omi)n(u)s dixit a(d) me filius  - Disse-me o Senhor: 'Tu és o meu filho'.


I.5 - O Apóstolo Tiago Maior e o Profeta Isaías: o apóstolo é representado como um peregrino tipificado com atributos típicos como chapéu, calçado, bordão e sacola. O profeta Isaías, assim como todos os demais profetas expostos nas iluminuras, carrega um rolo de pergaminho. Os dois personagens encontram-se representados como em um diálogo envolvendo elevadas reflexões teológicas.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

O PRIMEIRO FILHO ESPIRITUAL DE SANTA TERESA DE LISIEUX


Em 17 de março de 1887, um crime terrível chocou toda a cidade de Paris. No famoso 'crime da Rue Montaigne', foram assassinadas brutalmente três mulheres: Claudine-Marie Regnault, mulher rica e conhecida como 'Madame de Montille', na época com 40 anos; sua empregada de 38 anos, Annette Grémeret e a filha desta, Marie, então com doze anos. O assassino usara um instrumento cortante para lacerar o pescoço das vítimas enquanto dormiam e, neste ato, praticamente decapitara a vítima mais jovem.

As investigações levaram à prisão do assassino, um sujeito chamado Henri Pranzini, de origem italiana, mas nascido em Alexandria em 1856. Aventureiro destemido, o homem havia viajado por muitos países, que incluíam o Sudão,  a Birmânia e o Afeganistão. Chegara a Paris em 1886 e passara a ter relacionamentos amorosos com várias mulheres, entre elas 'Madame de Montille' até que, obcecado pela ideia de roubar a sua rica e tristemente célebre cortesã, cometera o triplo assassinato. Julgado e condenado à morte pelos bárbaros crimes, nunca reconheceu a sua culpa, e dedicou os últimos dias de sua vida deprimente a cometer blasfêmias, insultos e bravatas de toda natureza. Seria possível imaginar uma alma mais decaída e mais destinada à condenação eterna?

E, mesmo aqui, no lamaçal de todas as desonras, prevalece os insondáveis desígnios da Providência Divina. Os terríveis acontecimentos daqueles dias chegaram ao conhecimento de uma humilde adolescente chamada Thérèse Martin da cidade de Lisieux - mas nada mais, nada menos que a futura santa da Igreja, Teresa de Lisieux ou Santa Teresinha do Menino Jesus. Movida já à época por um intenso desejo de salvar as almas do inferno, Teresa se dedicou, então, à tarefa gigantesca de implorar a Deus pela salvação eterna da alma de um assassino brutal.

Neste propósito, prostrou-se, com grande perseverança, em orações e sacrifícios e mandou inclusive celebrar missa nessa intenção. Com absoluta resolução interior, confiou à Misericórdia Divina a salvação eterna da alma de um criminoso ignóbil, de um assassino covarde, de um pecador impenitente e blasfemador. Em 31 de agosto de 1887, Pranzini foi conduzido ao cadafalso e executado na guilhotina.

No dia seguinte à execução, Teresa abriu avidamente o Le Croix, um jornal local, para se inteirar dos fatos ocorridos. Eis a transcrição dos fatos conforme os seus manuscritos: 'No dia seguinte da execução, eu abri rapidamente o jornal ... e o que eu vi? Lágrimas traíram de imediato a minha emoção. Fui obrigada a correr para fora da sala. Pranzini tinha subido ao cadafalso sem se confessar ou receber a absolvição ... mas, virando-se rapidamente, tomou nas mãos o crucifixo que o sacerdote estava oferecendo a ele e beijou as Santas Chagas de Nosso Senhor três vezes... Eu tinha obtido o sinal que havia pedido e que foi para mim especialmente jubiloso. Pois não foi quando vi o Preciosíssimo Sangue fluir das Chagas de Jesus que a sede da salvação das almas tomou pela primeira vez posse de mim?..... A minha oração havia sido acolhida ao pé da letra'.

A 'pescadora de almas' chamaria este pecador de 'meu primeiro filho' espiritual em seus manuscritos autobiográficos e, durante muitos anos, encomendaria missas pela alma de Pranzini, a cada dia 31 de agosto, aniversário da execução do condenado.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

NO LIMIAR DO SOBRENATURAL (V)

(abadia de Einsiedeln)

Em setembro de 948, Eberhaad, o  abade do Convento de Einsiedeln na Alemanha, solicitou a São Conrado, Bispo de Constância, que se dignasse fazer a consagração da igreja de sua abadia. Na noite da cerimônia prevista, São Conrado e outros religiosos deram início às orações prévias da consagração no interior da igreja, enquanto o povo esperava do lado de fora.

De repente, a igreja ficou inteiramente iluminada por uma luz celeste e São Conrado teve a seguinte aparição: Jesus Cristo, acolitado pelos quatro evangelistas, celebrava no altar o oficio da dedicação, enquanto anjos espargiam perfumes à direita e à esquerda do Divino Pontífice; o apóstolo São Pedro e o Papa São Gregório seguravam as insígnias do pontificado; e diante do altar se achava a Santa Mãe de Deus, circundada de uma auréola de glória. Um coro de anjos, regido por São Miguel, fazia vibrar as abóbadas do templo com seus cantos celestiais, enquanto Santo Estêvão e São Lourenço, os mais ilustres mártires diáconos, desempenham as suas funções. 

Num dado momento, São Conrado foi instado por alguns religiosos para dar início formal à solenidade da dedicação da igreja. Sem sair do seu lugar de oração, o santo revelou a todos o teor completo da estupenda visão que tivera. Sua narração fez supor que ele estivesse sob a ilusão de um sonho. Finalmente, o santo Bispo, cedendo às instâncias, concordou com o acesso do povo ao interior da igreja e dispôs-se a dar início ao ritual da consagração da igreja. Neste momento, todos os presentes ouviram, em claríssima pronúncia, uma voz angélica em diferentes repetições: 'Cessa, cessa, frater, capella divinitas consecrata est - detende-vos, detende-vos, meu irmão, a capela já foi divinamente consagrada'.

(São Conrado)

Dezessete anos mais tarde, São Contado, Santo Ulrico e outras testemunhas oculares do acontecimento, encontrando-se reunidos em Roma, prestaram acerca dele um solene testemunho que, depois de rigoroso processo jurídico, foi tornado público pelo papa Leão VIII por meio da publicação de uma bula especial, posteriormente ratificada pelos papas Inocêncio IV, Martinho V, Nicolau IV, Eugênio VI, Nicolau V, Pio II, Júlio II, Leão X, Pio IV, Gregório XIII, Clemente VII, Urbano VIII e, finalmente, pelo Papa Pio VI em 15 de maio de 1793.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

HÁ UMA PONTE QUE LIGA A TERRA AO CÉU

Por não estar em Mim, o pecado não merece amor. Quem o faz, ofende toda criação e odeia-Me. O homem tem obrigações de Me querer bem. Sou imensamente bom, dei-lhe o ser, numa chama de caridade. Todavia, os maus fogem de Mim. Mas, por justiça ou misericórdia, ninguém escapa das Minhas Mãos.

Eis o Meu plano: criar o homem à Minha imagem e semelhança para que alcançasse a vida eterna, participasse do Meu Ser e experimentasse a Minha suma, eterna e doce bondade. O pecado veio impedir-lhe de atingir essa meta. O homem deixava de realizar o Meu plano, pois a culpa lhe fechara o céu e a porta da Minha misericórdia. O pecado fez germinar na humanidade espinhos e sofrimentos, tribulações numerosas, rebelião interna.

Ao revoltar-se contra Mim o homem criava a rebelião dentro de si. Em consequência da perda do estado de inocência, a carne se revoltou contra o espírito. Imediatamente brotou um rio tempestuoso, cujas ondas continuam a açoitar a humanidade. São as misérias e males provenientes do próprio homem, do demônio e do mundo. Nele todos se afogavam; ninguém mais, graças a virtudes pessoais, atingia a vida eterna. Para remediar tantos males, construí a Ponte no Meu Filho, que permitiria a travessia do rio sem perigo de afogar-se. O rio é o tempestuoso mar desta tenebrosa vida.

Quero que contemples a Ponte do Meu Filho, que vejas a sua grandiosidade. Ela se estende do céu à terra, pois nela a terra da vossa natureza humana está unida à divindade sublime, graças à encarnação que realizei no homem. Todos vós deveis passar por esta Ponte, louvando-Me através do trabalho pela salvação dos homens e tolerando muitas dificuldades, a exemplo do Meu doce e amoroso Verbo Encarnado. Não há outro modo de chegar até Mim.

Cada pessoa tem uma vinha, a vinha da própria alma. Nela trabalha com a vontade pessoal, livre, durante o tempo desta vida. Acabado este tempo nenhum outro trabalho será ali realizado, seja para o bem, seja para o mal. Começareis por purificar-vos com a contrição interior, desapegando- vos e desejando a virtude. Sem esta predisposição, exigida na medida de vossas possibilidades como ramos unidos à Videira, que é Meu Filho (Jo 15,1). nada recebereis.

Dizia Meu Filho: 'Eu sou a videira verdadeira e vós os ramos; Meu Pai é o agricultor' (Jo 15,5). Sim, Eu Sou o agricultor, de Mim se originam todos os seres. Tenho um poder incalculável, pelo qual governo o universo; nada Me escapa. Fui Eu o agricultor que plantou a verdadeira vinha, Cristo, no chão da humanidade, para que vós, unidos a Ele, possais frutificar. Quem não produzir ações santas e boas, será cortado da videira; e secará. Separado, perderá a vida da graça e irá para o fogo eterno.

Sabes que os mandamentos da Lei se reduzem a dois: sem eles nenhum outro é observado. São eles: amar-Me sobre todas as coisas e amar o próximo como a ti mesma. Eis o começo, o meio e o fim dos mandamentos da lei. Todavia esses dois não se reúnem em Mim sem os 'três', isto é, sem a unificação das três faculdades da alma: a memória, a inteligência e a vontade. A memória há de recordar-se dos Meus benefícios e da Minha bondade; a inteligência pensará no amor inefável revelado em Cristo, pois Ele se oferece como objeto de reflexão, para manifestar a chama do Meu amor; a vontade unindo-se às faculdades anteriores, Me amará e desejará como seu fim.

O coração humano, ao ser atraído pelo amor, leva consigo todas as faculdades da alma: Quando são harmonizadas e reunidas tais faculdades, todas as ações humanas - corporais ou espirituais - ficam-Me agradáveis, pois unem-se a Mim na caridade. Foi exatamente para isso que Meu Filho se elevou na cruz, trilhando o caminho do amor cruciante. Ao dizer 'Quando Eu for elevado, atrairei a Mim todas as coisas', Ele queria significar: quando o coração humano e as faculdades forem atraídas, todas as demais faculdades e suas ações o serão.

É muita estreita a união dessas três faculdades. Quando uma delas Me ofende, as outras também o fazem. Como disse, uma apresenta à outra o bem ou o mal, conforme agrada ao livre arbítrio. O livre arbítrio, se acha na vontade e a move como quer, em conformidade ou não com a razão. Possuis a razão, sempre unida a Mim, a menos que o livre arbítrio a afaste mediante o amor desordenado, e tende em vós uma lei perversa, que luta contra o espírito. 

Ensinou o apóstolo Paulo em sua carta (C1 3,5) a mortificar o corpo e a destruir a vontade própria, ou seja, refrear o corpo mortificando a carne, quando ela se opõe ao espírito. Tendes, então, duas partes em vós mesmos: a sensualidade e a razão. A sensualidade foi dada como servidora, a fim de que as virtudes sejam exercidas e provadas através do corpo. O homem é livre, já que Meu Filho o libertou com o Seu Sangue. Ninguém pode dominar a pessoa humana quanto à vontade, pois ela possui o livre arbítrio. Este se identifica com a vontade, concorda com ela. Fica, pois, o livre arbítrio entre a sensualidade, e a razão, e inclina-se ora de um lado ora de outro, conforme preferir. Quando a pessoa tenta livremente reunir as três faculdades, memória, inteligência e vontade, em Mim, na maneira explicada, todas as atividades espirituais e corporais humanas ficam unificadas. O livre arbítrio se afasta da sensualidade, tende para o lado da razão.

Ninguém pode vir a Mim, senão por meio de Cristo. Esta a razão pela qual fiz d'Ele uma Ponte de três degraus. Esses três degraus representam os três estados espirituais do homem. O pavimento desta ponte é feito de pedras, a fim de que a chuva (da justiça divina) não retenha o caminhante. As pedras são as virtudes verdadeiras e reais. Antes da Paixão do Meu Filho, elas ainda não tinham sido assentadas, motivo pelo qual os antigos não atingiam o céu, mesmo que vivessem piedosamente. O Paraíso ainda não fora aberto com a chave do Sangue, e a chuva da justiça divina impedia a caminhada.

Quando aquelas pedras foram assentadas no Corpo do Meu Filho - por Mim comparado a uma ponte - foram embebidas, amalgamadas e assentadas com sangue. Em outras palavras: o sangue (humano) foi misturado com a cal da divindade e fortemente queimado no calor da caridade. Tais pedras foram postas em Cristo por Mim, mas é n'Ele que toda virtude é comprovada e vivificada. Fora de Jesus ninguém possui a vida da graça. Ocorre estar n'Ele, trilhar suas estradas, viver a sua mensagem. Somente Ele faz crescer as virtudes, somente Ele as constrói como pedras vivas, cimentando-as com o próprio Sangue.

Nele, todos os fiéis caminham na liberdade, sem o medo da justiça divina, pois vão cobertos pela misericórdia, descida do céu no dia da encarnação. Foi a chave do Sangue de Cristo que abriu o céu. Portanto, esta ponte é ladrilhada; e seu telhado é a misericórdia. Possui também uma despensa, constituída pela hierarquia da Santa Igreja, que conserva e distribui o Pão da Vida e o Sangue. Assim, Minhas criaturas, viandantes e peregrinas, não fraquejam de cansaço na viagem. Para isto ordenei que vos fosse dado o Corpo e o Sangue do Meu Filho, Homem Deus.

Disse Jesus: 'Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; quem vai por Mim não caminha nas trevas, mas na luz' (Jo, 8,12)... Quem vai por tal caminho é filho da verdade, atravessa a ponte e chega até Mim, verdade eterna, oceano de paz. Quem não trilha esse caminho, vai pela estrada inferior, no rio do pecado. É uma estrada sem pedras, feita somente de água, inconsistente; por sobre ela ninguém vai sem afundar. É o caminho dos prazeres e das altas posições, daqueles cujo amor não repousa em Mim e nas virtudes, mas no apego desordenado ao que é humano e passageiro. Tais pessoas são como a água sempre a escorrer. À semelhança daquelas realidades, vão passando.

Eles acham que são as coisas criadas, objeto de seu amor, que se vão; na realidade, também eles caminham continuamente em direção à morte. Bem que gostariam de deter-se, reter na vida as coisas que amam. Seriam felizes se as coisas não passassem. Perdem-nas todavia, seja por causa da morte, seja pelos acontecimentos com que faço, escapar-lhes das mão, os bens deste mundo.

Com o retorno de Meu Filho ao céu, enviei o Mestre, o Espírito Santo. Ele veio no Meu poder, na sabedoria do Filho, e na própria clemência. É uma só coisa Comigo e o Filho. Por sua vinda fortaleceu o Caminho - Mensagem deixado no mundo por Jesus. O Espírito Santo é qual uma mãe a nutrir no Divino Amor. Ele liberta o homem, torna-o dono de si, isento da escravidão e do egoísmo. A chama da Minha caridade (o Espírito Santo) não sobrevive junto ao egoísmo.

Assim, todos os homens, recebem luzes para conhecer a verdade. Basta que cada um o queira, que não destrua a luz da razão, pelo egoísmo desordenado. A mensagem de Jesus é verdadeira e ficou no mundo qual pequena barca para retirar os pecadores do rio do pecado e conduzi-los ao porto da salvação. Primeiro, coloquei Meu Filho como Ponte - Pessoa, a conviver com os homens; após Sua morte, ficou a Ponte - Mensagem possuindo o Meu poder, a sabedoria do Filho e o amor do Espírito. O poder fortifica os caminhantes, a sabedoria ilumina e ajuda a reconhecer a Verdade, o Espírito Santo infunde o amor que aperfeiçoa, que destrói o egoísmo e conserva no homem o apego ao bem.

O Verbo encarnado, Meu Filho único e ponte de glória, deu aos homens vida e grandeza. Eram escravos do demônio e Ele os libertou. Para que cumprisse tal missão, tornei-O servo; para cobrir a desobediência de Adão exigi que obedecesse; para confundir o orgulho, humilhou-se até a morte na cruz. Por Sua morte, destruiu o pecado. No intuito de livrar a humanidade da morte eterna, fez do Seu Corpo uma bigorna. No entanto os pecadores desprezam o seu Sangue, pisoteiam-no com um amor desordenado. Esta é a injustiça, este o julgamento falso a respeito do qual o mundo é e será repreendido até o dia do juízo final. Tal repreensão começou quando enviei o Espírito Santo sobre os apóstolos; são três as repreensões: a voz da Igreja, o Juízo Particular e o Juízo Final.

(Revelações de Deus Pai a Santa Catarina de Sena)

terça-feira, 26 de julho de 2016

26 DE JULHO - SÃO JOAQUIM E SANTA ANA

Sagrada Família com São Joaquim e Santa Ana (Nicolás Juarez, 1699)

De acordo com a Tradição Católica e documentos apócrifos antigos, os pais de Maria foram São Joaquim e Santa Ana. Ana, em hebraico Hannah, significa 'Graça' e Joaquim equivale a 'Javé prepara ou fortalece'. Ambos os nomes indicam, portanto, a  missão divina de realização das promessas messiânicas, com o nascimento da Mãe do Salvador. Segundo a mesma Tradição, os pais de Maria teriam nascido na Galileia, transferindo-se depois para jerusalém, onde Maria nasceu e onde ambos morreram e foram enterrados.

O culto aos pais de Maria Santíssima é antiquíssimo na Igreja Oriental (como revelados nos escritos de São Gregório de Nissa e Santo Epifânio, em hinos gregos e em homilias dos Santos Padres). Os túmulos de São Joaquim e Santa Ana em Jerusalém foram honrados até o final do Século IX, numa igreja construída no local onde viveram. No Ocidente, o culto de Santa Ana é muito mais recente, com sua festa litúrgica tendo início na Idade Média, sendo formalizada no Missal Romano apenas em 1584, no tempo de Gregório XIII. A devoção a São Joaquim foi ainda mais tardia no Ocidente.

Como pais de Nossa Senhora, São Joaquim e Santa Ana são nossos avós espirituais e o calendário litúrgico instituiu a festa conjunta destes dois santos em 26 de julho, que ficou também conhecida como 'dia dos avós'. Eles são também os santos protetores da Ordem dos Carmelos Descalços (fundada no Século XVI por Santa Teresa de Ávila). No dia dos avós, o blog presenteia os nossos irmãos mais velhos com estas duas orações.

Oração a Santa Ana

Santa Ana, mãe da Santíssima Virgem, pela intercessão da Vossa Filha e do Meu Salvador, dai-me obter a graça que Vos peço, o perdão dos meus pecados, a força para cumprir fielmente os meus deveres de cristão e a perseverança eterna no amor de Jesus e de Maria. Amém.

Oração a São Joaquim

Senhor! Pela intercessão de São Joaquim, pai da Santíssima Virgem, velai pelos Vossos filhos idosos, especialmente... (nomes) que, tendo cumprido na Terra uma vida longa, possa(m) merecer de Vós a Vida Eterna no Céu. Senhor, dai-lhes o conforto de uma idade avançada, saúde do corpo e da alma, a sabedoria de envelhecer e um coração inquieto enquanto não repousar em Vós. Amém.  

segunda-feira, 25 de julho de 2016

SANTOS E MÁRTIRES (VII)

SÃO CRISTÓVÃO


Embora seja um dos santos mais venerados da Igreja, pouco se conhece historicamente da vida de São Cristóvão. A sua referência tem origem em lendas que se perdem no tempo e que o descrevem como um gigante que, prostrado à beira de um rio muito caudaloso, fazia valer a sua força e a sua altura para ajudar as pessoas a atravessá-lo.

Eis que de uma certa feita, tal travessia lhe foi solicitada por um menino muito formoso. E, acostumado à tarefa, o gigante se dispôs de imediato a fazê-la. À medida que avançava pelas águas, porém, o peso da criança tornava-se assustadoramente maior, a ponto de submergi-los. Arfando e espumando de cansaço sob o peso descomunal e, amparado em um longo bastão em que se apoiava no fundo do rio, o gigante conseguiu reunir todas as suas forças remanescentes e finalmente depositar a criança em segurança na margem oposta, após uma luta tremenda contra os seus próprios músculos e resistência.

Limpando o suor do rosto em fogo, com as narinas dilatadas e sorvendo sofregamente o ar que lhe fugia dos pulmões, Cristóvão virou-se para o menino com voz entrecortada:

'O mundo não é mais pesado do que tu!'

E o menino, sorrindo-lhe docemente, retrucou:

'Tu levaste sobre os ombros mais do que o mundo todo, levaste o seu próprio Criador e Aquele a quem deves servir'.

E assim se deu a conversão de Cristóvão - 'aquele que carrega o Cristo'. O santo é retratado comumente levando o menino Jesus às costas e passou a ser invocado como o protetor dos condutores de veículos e pelos viajantes de maneira geral. O Martirológio Romano confirma de forma resumida o martírio desse varão católico: tendo sido ferido com varas de ferro e preservado da violência do fogo pelo poder de Jesus Cristo, foi finalmente transpassado por flechas e recebeu o martírio pela decapitação.

domingo, 24 de julho de 2016

VIDA DE ORAÇÃO

Páginas do Evangelho - Décimo Sétimo Domingo do Tempo Comum


Jesus em oração. Nos Evangelhos, são inúmeros os exemplos que mostram Jesus em silente oração na intimidade com o Pai. O Filho de Deus Vivo feito homem mostra e reafirma, em sua condição humana, a necessidade da oração contínua e suplicante a Deus. Nestas ocasiões, Jesus se afastava do burburinho dos homens, para rezar com piedade, recolhimento e devoção, no exemplo do modelo da oração perseverante que se eleva da terra e encontra acolhida e reflexos nos céus. É preciso rezar sempre, é preciso sempre rezar bem.

E Jesus ensina aos discípulos a Oração do Pai Nosso, síntese da perfeição da oração cristã. Em São Lucas, os Evangelhos transcrevem uma versão mais resumida da forma integral da oração como expressa por São Mateus (Mt 6, 9-13). Nas suas sete petições, suplicamos e louvamos de forma perfeita a glória e a misericórdia de Deus, assumimos a condição de criaturas necessitadas de alimento físico e espiritual para ascendermos à eternidade com Deus, definitivamente libertados do pecado e de todas as insustentáveis fragilidades da nossa natureza humana. 

Rezar bem, com perseverança, insistentemente, oportuna e inoportunamente, como Abraão diante o perdão de Sodoma (Gn 18, 20-32), como Jesus ilustra com a parábola do pedido inoportuno do amigo insistente em plena madrugada: 'Amigo, empresta-me três pães...' (Lc 11,5). Deus não se cansa, Deus não se aflige, Deus não reclama de horários inapropriados ou da falta de cortesias humanas. Deus quer ouvir a nossa oração sempre, a qualquer hora, em qualquer lugar: 'Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá' (Lc 11, 9-10). A oração bem feita é a certeza concreta de que nossas súplicas tocaram o Coração de Deus.

A insistência e a perseverança da oração rendem frutos de graças. O poder da oração agradável a Deus é capaz de remover montanhas, obstáculos julgados intransponíveis, e de superar todos os limites conhecidos da condição humana; é capaz de realizar milagres: 'Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!' (Lc 11, 13). O tempo de Deus conosco é a nossa vida em oração.

sábado, 23 de julho de 2016

POR QUE NOSSA SENHORA CHORA?

Catedral da Imaculada Conceição do Rio Quarto, sul da província de Córdoba, na Argentina, nos dias atuais. Uma imagem da Mãe Imaculada do Divino Coração Eucarístico de Jesus manifesta-se em lágrimas. O pároco da catedral, Pe. José Luis Benfatto, declarou-se surpreso e emocionado ao constatar como a imagem tem derramado pequenas lágrimas e pela presença de uma umidade constante sob os olhos da Virgem (ver vídeo abaixo). 

Por que Nossa Senhora chora? Chora porque o Coração Divino do seu Filho continua  a ser chagado pelos que se dizem católicos, porque rezamos pouco e mal, por causa de tantas comunhões sacrílegas, por causa de tanto hedonismo, corrupção, maldade e blasfêmias. Nossa Senhora chora porque ousamos trocar os valores eternos das coisas de Deus pelas quinquilharias humanas e pelos apelos do mundo. Nossa Senhora chora porque milhões de almas se perdem no inferno que os insensatos postulam que não existe. Nossa Senhora chora porque ela é a Mãe de uma humanidade pecadora e cada vez mais afastada da Cruz de Cristo.



(vídeo em espanhol)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

22 DE JULHO - SANTA MARIA MADALENA


Maria Madalena. Para se fazer distinção do nome Maria tão comum entre os habitantes de Israel (esse era o nome, por exemplo, da irmã de Moisés), os textos bíblicos nomeavam as diferentes Marias por um acréscimo singular do personagem - assim, Maria Madalena é a Maria de Magdala, povoado situado às margens do Lago da Galileia e próximo à cidade de Tiberíades. Eis as pouquíssimas referências a ela nas Sagradas Escrituras:
[Lc 8, 2-3]: 'Os Doze estavam com ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o assistiram com as suas posses'.

[Jo 19, 25]: 'Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena'.

[Mc 15,40-41; 47]: 'Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé, que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galileia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém... Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde o depositavam'.

[Mc 16, 1; 5-6; 9-10]: 'Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus... Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram... Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios. Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos e chorosos'.

[Jo 20, 1-2; 18]: 'No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram! ... Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado'.

Ela é a figura bíblica 'Maria de Magdala', da qual Jesus havia expulsado sete demônios. Esta acepção não implica a interpretação direta de 'uma grande pecadora'. O fato de ter-se livrado de 'sete demônios' (sete é o número da perfeição, da plenitude) implica que ela foi curada de todos os seus males tanto físicos (enfermidades) como espirituais (pecados, estes de naturezas quaisquer). É absolutamente forçada e despropositada a conjectura de que Maria Madalena pudesse ter sido uma 'prostituta' na sua condição pregressa antes do seu encontro com Jesus. Desta interpretação espúria, nasceram inúmeras outras lendas e desdobramentos fantasiosos da participação e do envolvimento desta mulher singular na vida pública de Jesus e dos seus apóstolos. 

quinta-feira, 21 de julho de 2016

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO


São Cipriano (séc. III): 'Não há salvação fora da Igreja'

Credo de Santo Atanásio (séc. IV), oficial da Igreja Católica: 'Todo aquele que queira se salvar, antes de tudo é preciso que mantenha a fé católica; e aquele que não a guardar íntegra e inviolada, sem dúvida perecerá para sempre (...) esta é a fé católica e aquele que não crer fiel e firmemente, não poderá se salvar'.

Papa Inocêncio III (1198 - 1216): 'De coração cremos e com a boca confessamos uma só Igreja, que não de hereges, só a Santa, Romana, Católica e Apostólica, fora da qual cremos que ninguém se salva'.

IV Concílio de Latrão (1215), infalível, Cânon I: '...Há apenas uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual absolutamente ninguém é salvo...'

Papa Bonifácio VIII (1294 - 1303): 'Por apego da fé, estamos obrigados a crer e manter que há uma só e Santa Igreja Católica e a mesma apostólica e nós firmemente cremos e simplesmente a confessamos e fora dela não há salvação nem perdão dos pecados (...) Assim o declaramos, o decidimos, definimos e pronunciamos como de toda necessidade de salvação para toda criatura humana'

Concílio de Florença (1438 - 1445): 'Firmemente crê, professa e predica que ninguém que não esteja dentro da Igreja Católica, não somente os pagãos, mas também, judeus, os hereges e os cismáticos, não poderão participar da vida eterna e irão para o fogo eterno que está preparado para o diabo e seus anjos, a não ser que antes de sua morte se unirem a Ela...'

O Concílio infalível de Trento (1545 - 1563) além de condenar e excomungar os protestantes, reiterou tudo o que os Concílios anteriores declararam, e ainda proferiu: '... A nossa fé católica, sem a qual é impossível agradar a Deus..."

Papa Pio IV (1559 - 1565), um dos papas do Concílio de Trento: '... Esta verdadeira fé católica, fora da qual ninguém pode se salvar...' (Profissão de fé da Bula Iniunctumnobis de 1564)

Papa Benedito IV (1740 - 1758): 'Esta fé da Igreja Católica, fora da qual ninguém pode se salvar...'

Papa Gregório XVI (1831 - 1846), Mirari Vos: 'Outra causa que tem acarretado muitos dos males que afligem a Igreja é o indiferentismo, ou seja, aquela perversa teoria espalhada por toda a parte, graças aos enganos dos ímpios e que ensina poder-se conseguir a vida eterna em qualquer religião, contanto que se amolde à norma do reto e honesto. Podeis com facilidade, patentear à vossa grei esse erro tão execrável, dizendo o Apóstolo que há um só Deus, uma só fé e um só batismo (Ef 4,5): entendam, portanto os que pensam poder-se ir de todas as partes ao Porto da Salvação que, segundo a sentença do Salvador, eles estão contra Cristo, já que não estão com Cristo (Lc 11,23) e os que não colhem com Cristo dispersam miseravelmente, pelo que perecerão infalivelmente os que não tiverem a fé católica e não a guardarem íntegra e sem mancha (Simb. Sancti Athanasii).

Erros condenados pelo Papa Pio IX (1846 - 1878), no Syllabus:

15a 'É livre a qualquer um abraçar e professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira'.

16a 'No culto de qualquer religião podem os homens achar o caminho da salvação e alcançar a mesma eterna salvação'

17a 'Pelo menos deve-se esperar o bem da salvação eterna daqueles todos que não vivem na verdadeira Igreja de Cristo'

18a 'O protestantismo não é senão outra forma da verdadeira religião cristã na qual se pode agradar a Deus do mesmo modo que na Igreja Católica'.

(...) 'não temem fomentar a opinião desastrosa para a Igreja Católica e a salvação das almas, denominada por Nosso Predecessor, de feliz memória, de ‘loucura’ (Mirari Vos) de que a ‘liberdade de consciência e de cultos é direito próprio e inalienável do indivíduo que há de proclamar-se nas leis e estabelecer-se em todas as sociedades constituídas; (...) Portanto, todas e cada uma das opiniões e perversas doutrinas explicitamente especificadas neste documento, por Nossa autoridade apostólica, reprovamos, proscrevemos e condenamos; queremos e mandamos que os filhos da Igreja as tenham, todas, por reprovadas, proscritas e totalmente condenadas' (Pio IX, em Quanta Cura)

Papa Leão XIII (1878 - 1903), encíclica Libertas Praestantissimum: ... 'oferecer ao homem liberdade (de culto) de que falamos, é dar-lhe o poder de desvirtuar ou abandonar impunemente o mais santo dos deveres, afastando-se do bem imutável, a fim de se voltar para o mal. Isto, já o dissemos, não é liberdade, é uma escravidão da alma na objecção do pecado'

Papa Pio XI (1922 - 1939), em Mortalium Animus: 'Os esforços [do falso ecumenismo] não têm nenhum direito à aprovação dos católicos porque eles se apoiam sobre esta opinião errônea que todas as religiões são mais louváveis naquilo que elas revelam, e traduzem todas igualmente, se bem que de uma maneira diferente, o sentimento natural e inato que nos leva para Deus e nos inclina ao respeito diante de seu poder (...) Os infelizes infestados por esses erros sustentam que a verdade dogmática não é absoluta, mas relativa, e deve pois, se adaptar às várias exigências dos tempos e lugares às diversas necessidades das almas'

São Pio X (1903 - 1914), no Catecismo Maior:

149 - Que é a Igreja Católica?

A Igreja Católica é a sociedade ou reunião de todas as pessoas batizadas que, vivendo na terra, professam a mesma fé e a mesma lei de Cristo, participam dos mesmos sacramentos, e obedecem aos legítimos Pastores, principalmente ao Romano Pontífice.

153 - Então não pertencem à Igreja de Jesus Cristo as sociedades de pessoas batizadas que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe?

Todos os que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe, não pertencem à Igreja de Jesus Cristo.

156 - Não poderia haver mais de uma Igreja?

Não pode haver mais de uma Igreja, porque, assim com há um só Deus, uma só fé e um só Batismo, assim também não há nem pode haver senão uma só Igreja verdadeira.

168 - Pode alguém salvar-se fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana?

Não. Fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana, ninguém pode salvar-se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da Arca de Noé, que era figura desta Igreja.

terça-feira, 19 de julho de 2016

INSENSATEZ É NÃO ACREDITAR EM DEUS

Entre todas as verdades, em primeiro lugar deve-se acreditar que Deus existe. Além disso, deve-se considerar o que significa este nome - Deus. Significa precisamente Aquele que governa e cuida de todas as coisas. Acredita na existência de Deus quem acredita que todas as coisas deste mundo são governadas e estão subordinadas à sua Providência. 

Quem pensa que todas as coisas originam-se do acaso, não acredita na existência de Deus. Seria insensato não crer que a natureza seja governada por alguém, vendo que tudo se processa a seu tempo, com ordem. Vemos o Sol, a Lua, as estrelas e muitos outros elementos da natureza obedecerem um determinado curso. Ora, isso não aconteceria se houvesse caos. Eis por que é insensato não acreditar na existência de Deus, como lembra o salmista: 'O insensato diz em seu coração: não há Deus' (Sl 13,1).

Há alguns que acreditam que Deus governa e ordena coisas naturais, mas não acreditam que governe os atos humanos. Pensam assim porque vêem no mundo os bons sofrerem e os maus prosperarem e concluem que a Providência de Deus não atinge os homens. Afirmar tal coisa seria grande insensatez. Seria como pensar que se o médico dá a um doente um remédio e a outro doente outro remédio, tudo é por acaso e não por motivo ponderado. Seria pensar que o médico é insensato. 

Pois Deus também age como médico. Por motivo justo e pela sua Providência, dispõe Ele as coisas necessárias aos homens, quando aflige alguns bons e permite que os maus prosperem. Acreditar que isto é obra do acaso é, evidentemente, insensato. Assim pensa porque desconhece a maneira de Deus agir e razão pela qual dispõe de todas as coisas. 

Lê-se em Jó:' Oxalá Ele te revele os segredos da sua sabedoria e a multiplicidade dos seus planos' (Jo 11,6). E no Livro dos Salmos: 'Disseram os maus: Deus não vê. O Deus de Jacó não percebe as coisas. Compreendei agora, ó néscios, ó estultos, até quando sereis insensatos? Aquele que nos deu orelhas, não ouve? Aquele que nos deu olhos, não vê? O Senhor conhece o pensamento dos homens' (Sl 103, 7-10). Deus vê todas coisas, os pensamentos, segredos dos homens. Como diz São Paulo: 'Tudo está nu e descoberto aos seus olhos' (Hb 4, 13).

(Sermão sobre o Credo, de Santo Tomás de Aquino)

FOTO DA SEMANA

'O insensato diz em seu coração: não há Deus' (Sl 13,1)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

INVOCAÇÃO À NOSSA SENHORA

Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria. 

Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.


Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação da tua alma, levanta os olhos para Maria.

Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do Juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despenhar no abismo do desespero, pensa em Maria.


Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. 

Que o seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencieis os exemplos de sua vida.


Seguindo-a, não te transviarás; rezando a ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro. 

Se ela te sustenta, não cairás; se ela te protege, nada terás a temer; se ela te conduz, não te cansarás; se ela te é favorável, alcançarás o fim.


E, por fim, verificarás por tua própria experiência com quanta razão foi dito: 'E o nome da Virgem era Maria'.


(São Bernardo)

domingo, 17 de julho de 2016

SÓ UMA COISA É NECESSÁRIA

Páginas do Evangelho - Décimo Sexto Domingo do Tempo Comum


Em meio às suas muitas viagens e peregrinações, em certa ocasião, Jesus parou para descansar na pequena comunidade de Betânia e ali se hospedou numa casa de propriedade de Marta. Marta era irmã de Maria e Lázaro, família religiosa e de posses, pela qual Jesus nutria grande apreço e amizade. Desta feita, aparentemente já se passara algum tempo sem Jesus ter estado com eles, pois, diante de sua chegada, Maria não arredava pé de sua Santa Presença, ouvindo com admiração e profunda alegria as palavras do Mestre.

Tão absorta e tão entretida estava Maria com a chegada do Senhor, que relegara ao completo esquecimento quaisquer outras tarefas ou atribuições, ainda que motivadas pela chegada de visitante de tal honra. Honra maior do que servi-lO ou preparar-Lhe a refeição, era amá-lO, era estar envolvida pela sua presença, era encher o coração de graça e de se deleitar na graça do Senhor. Atitude diversa tivera a sua irmã Marta. Na praticidade e nas exigências das ações humanas, movia-se de esforços concentrados em dar ao Mestre a refeição mais ligeira e mais substanciosa. E, nesse intuito, estava imersa por completo em mil afazeres e preparativos, moldada pelo intento de oferecer uma generosa hospitalidade e propiciar uma acolhida calorosa ao Senhor em sua casa. Santas e gratas intenções do coração humano!

Foi, pois, movida por tais preocupações imediatas, que Marta abordou Jesus, buscando a sua intervenção em induzir Maria a ajudá-la nas tarefas a cumprir: 'Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!' (Lc 10, 40). A hospitalidade e a docilidade da acolhida são afligidas pelas queixas e uma certa admoestação a Jesus no pedido de Marta: 'não importas?';  'manda'... Diante de Deus, Maria se alimenta do Verbo Encarnado; diante de Deus, Marta se apequena nas suas próprias tribulações humanas.

Jesus vai conduzi-las ambas a Si. Com Maria, mediante as palavras e os ensinamentos que o Evangelho não transcreveu. Com Marta, com as palavras que ressoam para todos nós: 'Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária' (Lc 10, 41-42). Todas as ações humanas podem ser belas e santas, desde que comecem no espírito da Santa Presença de Deus. Por Cristo, com Cristo, em Cristo: tudo em Cristo para a glória de Deus! Maria escolheu a melhor parte porque fez a acolhida do Senhor Que Vem primeiro na alma. E esta escolha, ratificada por Jesus, é outra verdade que ressoa para cada um de nós, no agora da vida humana e no depois da eternidade: a melhor parte definitivamente 'não lhe será tirada' (Lc 10, 42).

sábado, 16 de julho de 2016

GLÓRIAS DE MARIA: MÃE E FORMOSURA DO CARMELO


No dia 16 de julho de 1251, São Simão Stock suplicava a intercessão de Nossa Senhora  para resolver problemas da Ordem Carmelita quando teve uma visão da Virgem que, trazendo o Escapulário nas mãos, lhe disse as seguintes palavras:

"Filho diletíssimo, recebe o Escapulário da tua Ordem, sinal especial de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas. Aqueles que morrerem com este Escapulário não padecerão o fogo do Inferno. É sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos, e aliança de paz para sempre". 



Imposição e Uso do Escapulário

- Qualquer padre pode fazer a bênção e imposição do Escapulário à pessoa.

2 - A bênção e a imposição valem para toda a vida e, portanto, basta receber o Escapulário uma única vez.

- Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo.

- Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não sendo necessária outra bênção.

5 - Uma vez recebido, o Escapulário deve ser usado em todas as ocasiões (inclusive ao dormir), preferencialmente no pescoço.

6 - Em casos de necessidade de retirada do Escapulário, como no caso de doenças e/ou internações em hospitais, a promessa de Nossa Senhora se mantém, como se a pessoa o estivesse usando.

7 - Mesmo um leigo pode fazer a imposição do Escapulário a uma pessoa em risco de morte, bastando recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já bento por algum sacerdote.

8 - O Escapulário pode ser substituído por uma medalha que tenha, de um lado, o Sagrado Coração de Jesus e, do outro, uma imagem de Nossa Senhora (por autorização do Papa São Pio X).
Oração a Nossa Senhora do Carmo
     Ó Virgem do Carmo e mãe amorosa de todos os fiéis, mas especialmente dos que vestem vosso sagrado Escapulário, em cujo número tenho a dita de ser incluído, intercedei por mim ante o trono do Altíssimo. 

          Obtende-me que, depois de uma vida verdadeiramente cristã, expire revestido deste santo hábito e, livrando-me do fogo do inferno, conforme prometestes, mereça sair quanto antes, por vossa intercessão poderosa, das chamas do Purgatório.

        Ó Virgem dulcíssima, dissestes que o Escapulário é a defesa nos perigos, sinal do vosso entranhado amor e laço de aliança sempiterna entre Vós e os vossos filhos. Fazei, pois, Mãe amorosíssima, que ele me una perpetuamente a Vós e livre para sempre minha alma do pecado. 

       Em prova do meu reconhecimento e fidelidade, ofereço-me todo a Vós, consagrando-Vos neste dia os meus olhos, meus ouvidos, minha boca, meu coração e todo o meu ser. E porque Vos pertenço inteiramente, guardai-me e defendei-me como filho e servidor vosso. Amém.