segunda-feira, 31 de agosto de 2015

SOFRER E AMAR

Quer queira, quer não, há que se sofrer. Há uns que sofrem como o bom ladrão, e outros como o mau; ambos sofriam igualmente. Mas um soube tornar os seus sofrimentos meritórios e o outro expirou no desespero mais horrendo.

Há dois modos de sofrer: sofrer amando e sofrer sem amar. Os santos sofriam tudo com paciência, alegria e perseverança, porque amavam. Nós, nós sofremos com cólera, despeito e enfado, porque não amamos. Se amássemos a Deus, seríamos felizes de poder sofrer por amor d'Aquele que se dignou sofrer por nós. No caminho da cruz, meus filhos, só o primeiro passo custa. É o temor das cruzes que é a nossa maior cruz...

Não se tem a coragem de carregar a própria cruz, ou se faz isso muito mal; porquanto, façamos o que fizermos, a cruz nos apanha, não lhe podemos escapar. Que temos então a perder? Porque não amarmos as nossas cruzes e não nos servirmos delas para irmos para o céu? Ao contrário, a maioria dos homens voltam as costas às cruzes e fogem diante delas. Quanto mais correm, tanto mais a cruz os persegue, tanto mais os fustiga e os esmaga de pesos.

Se o bom Deus nos manda cruzes, nós nos agastamos, nos queixamos, murmuramos, somos tão inimigos de tudo o que nos contraria, que quereríamos sempre estar numa caixa de algodão; mas é numa caixa de espinhos que deveríamos estar.

É pela cruz que se vai para o céu. As moléstias, as tentações, as penas são outras tantas cruzes que nos conduzem ao céu. Tudo isso em breve terá passado. Vede os santos que chegaram antes de nós; o bom Deus não pede de nós o martírio do corpo, pede-nos só o martírio do coração e da vontade.

Nosso Senhor é nosso modelo; tomemos a nossa cruz e sigamo-lo. Façamos ainda como os soldados de Napoleão. Era preciso atravessar uma ponte sobre a qual atiravam a metralha; ninguém ousava passar. Napoleão tomou a bandeira e marchou por primeiro.

A cruz é a escada do céu. Como é consolador sofrer sob os olhos de Deus, e poder dizer a si, a noite, no exame de consciência: 'Eis, minha alma, tiveste hoje duas ou três horas de semelhança com Jesus Cristo: foste flagelada, coroada de espinhos, crucificada com ele!' Ó que tesouro para a morte! Como é bom morrer quando se viveu na cruz !

Se alguém vos dissesse: 'Eu bem queria ficar rico, que devo fazer?'; vós lhe responderíeis: 'É preciso trabalhar'. Pois bem, para ir para o céu é preciso sofrer. Sofrer! Que importa? É só um momento. Se pudéssemos passar oito dias no céu, compreenderíamos o valor desse momento de sofrimento. Não acharíamos cruz bastante pesada, nem provação que fosse bastante amarga...

(São Cura D'Ars)

DA VIDA ESPIRITUAL (84)




Se Maria não fosse Maria, Deus seria exatamente o que seria, mas do Infinito Amor do Pai por nós, nenhum homem verdadeiramente perceberia...

domingo, 30 de agosto de 2015

PUROS DE CORAÇÃO

Páginas do Evangelho - Vigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum


Jesus veio ao mundo para trazer a Boa Nova do Evangelho, para nos despir do homem velho e nos revestir do homem novo, partícipes da Santidade de Deus que é a Verdade Absoluta e para nos libertar de toda sombra do pecado, de toda malícia humana, de todo o obscurantismo de uma fé moldada pelas aparências e pela exterioridade supérflua de práticas inócuas e vazias... No Evangelho deste domingo, nos deparamos, mais uma vez, como esta passagem do velho homem para o novo homem é um primado de rejeição para os que se aferram sem tréguas aos valores humanos. 

Com efeito, os escribas e os fariseus, presenças constantes no Templo e submissos ao extremo das más interpretações da lei mosaica, ficaram petrificados pelo zelo dos costumes antigos, arraigados a práticas absurdas e a minúcias ridículas que transformavam as atividades cotidianas mais simples em complexos rituais de purificação: 'os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre' (Mc 7, 3 - 4). Divinizaram os preceitos humanos, impuseram como dogmas hábitos comezinhos, exteriorizaram ao extremo as abluções e os banhos para se resgatarem, da impureza das mãos ou do corpo, como homens livres do pecado...

Estes homens velhos, empedernidos e envilecidos por normas decrépitas e insanas, ansiosos por denunciar o Mestre, questionam Jesus: 'Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?' (Mc 7, 5). Estes hipócritas, que postulavam princípios externos cheios de melindres que não suportam o menor testemunho interior de fidelidade à graça, vão receber de Jesus as palavras de recriminação oriundas do profeta Isaías: 'Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’ (Mc 7, 6 - 7). E adiante, pela definitiva reprovação: 'Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens' (Mc 7, 8).

Jesus chama para si a multidão e decreta aos homens de boa fé que a fonte de todas as impurezas é o coração humano, entregue a toda sorte de males, quando órfão da graça: 'Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem' (Mc 7, 21 - 23). Domar o coração e manter a serenidade da alma sob o domínio da graça, eis aí a fonte da água viva que faz nascer, no interior do homem, as sementeiras da vida eterna.

sábado, 29 de agosto de 2015

29 DE AGOSTO - MARTÍRIO DE SÃO JOÃO BATISTA


Ilustre precursor da graça e mensageiro da verdade, João Batista, tocha de Cristo, torna-se evangelista da Luz Eterna.

O testemunho profético que não cessou de dar com a sua mensagem, com toda a sua vida e a sua atividade, assinala-o hoje com o seu sangue e o seu martírio.


Sempre tinha precedido o Mestre: ao nascer, anunciara a sua vinda a este mundo.

Ao batizar os penitentes do Jordão, tinha prefigurado Aquele que vinha instituir o seu batismo.


E a morte de Cristo redentor, seu Salvador, que deu a vida ao mundo, também João Batista a viveu antecipadamente, derramando o seu sangue por Ele, por amor.


Bem pode um tirano cruel metê-lo na prisão e a ferros; em Cristo, as correntes não conseguem prender aquele que um coração livre abre para o Reino.

Como poderiam a escuridão e as torturas de um cárcere sombrio dominar aquele que vê a glória de Cristo, e que recebe Dele os dons do Espírito?
 

Voluntariamente oferece a cabeça ao gládio do carrasco; como pode perder a cabeça aquele que tem a Cristo por seu chefe?

Hoje sente-se feliz por completar o seu papel de Precursor com a sua partida deste mundo.


Aquele de quem dera testemunho em vida, Cristo que vem e que já aqui está, hoje proclama a sua morte.

Poderia a mansão dos mortos reter esta mensagem que lhe foge?


Alegram-se os justos, os profetas e os mártires, que com ele vão ao encontro do Salvador.

Todos eles rodeiam João com amor e louvores. E com ele suplicam a Cristo que venha finalmente ter com os seus.

Ó grande Precursor do Redentor, Ele não tarda, Aquele que te libertará para sempre da morte.

Conduzido pelo teu Senhor, entra na glória com os santos!

('Hino ao Martírio de São João Batista', de São Beda, o Venerável, Doutor da Igreja, 673 - 735)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

28 DE AGOSTO: SANTO AGOSTINHO DE HIPONA


"...Inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti."

Dia 28 de agosto é a festa de um dos grandes santos da Igreja, um dos fundadores da chamada Patrística (a fase inicial da formação da Teologia Cristã e seus dogmas). Santo Agostinho nasceu a 13 de novembro de 354, na pequena cidade de Tagaste, perto de Hipona, na Numídia (atual Argélia), filho de Patrício e Mônica (santa da Igreja Católica, cuja festa é celebrada em 27 de agosto). Da vida promíscua ao desvario da sua inclusão em seitas maniqueístas, Santo Agostinho experimentou desde a indiferença até a descrença completa nas coisas de Deus. A resposta da sua mãe, profundamente dolorosa diante a perspectiva da perda eterna da alma do filho amado, foi sempre a mesma: oração, oração, oração! E a conversão de Agostinho foi lenta e profunda: no ano de 382, em Milão, então com 32 anos de idade, o santo foi finalmente batizado, junto com um amigo e o seu filho Adeodato (que morreria pouco tempo depois) por Santo Ambrósio. E que conversão! Sobre o tapete dos pecados passados, da vida desregrada da juventude (que descreveria com imenso desgosto em sua obra máxima ‘Confissões’), nasceria um santo dedicado por inteiro à glória de Deus, pregando como sacerdote e, mais tarde, como bispo de Hipona, que a verdadeira fonte da santidade nasce, renasce e se fortalece na humildade. Combateu com tal veemência as diversas frentes de heresias do seu tempo, incluindo o arianismo e o maniqueísmo, que foi alcunhado de Escudo da Fé e Martelo dos Hereges. Santo Agostinho, Doutor da Igreja e Defensor da Graça, morreu em 28 de agosto de 430, aos 76 anos de idade.

Excertos da Obra: 'Confissões', de Santo Agostinho:

'Amo-te, Senhor, com uma consciência não vacilante, mas firme. Feriste o meu coração com a tua palavra, e eu amei-te. Mas eis que o céu, e a terra, e todas as coisas que neles existem me dizem a mim, por toda a parte, que te ame, e não cessam de o dizer a todos os homens, de tal modo que eles não têm desculpa. Tu, porém, compadecer-te-ás mais profundamente de quem te compadeceres,e concederás a tua misericórdia àquele para quem fores misericordioso: de outra forma, é para surdos que o céu e a terra entoam os teus louvores. Mas que amo eu, quando te amo? Não a beleza do corpo, nem a glória do tempo, nem esta claridade da luz, tão amável a meus olhos, não as doces melodias de todo o gênero de canções, não a fragrância das flores, e dos perfumes, e dos aromas, não o maná e o mel, não os membros agradáveis aos abraços da carne. Não é isto o que eu amo, quando amo o meu Deus, E, no entanto, amo uma certa luz, e uma certa voz, e um certo perfume, e um certo alimento, e um certo abraço, quando amo o meu Deus, luz, voz, perfume, alimento, abraço do homem interior que há em mim, onde brilha para a minha alma o que não ocupa lugar, e onde ressoa o que o tempo não rouba, e onde exala perfume o que o vento não dissipa, e onde dá sabor o que a sofreguidão não diminui, e onde se une o que o que a saciedade não separa. Isto é o que eu amo, quando amo o meu Deus'.

'Aterrorizado com os meus pecados e com o peso da minha miséria, tinha considerado e meditado no meu coração fugir para a solidão, mas tu proibiste-me e encorajaste-me, dizendo: Cristo morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que morreu por eles. Eis, Senhor, que eu lanço em ti a minha inquietação, a fim de que viva, e considerarei as maravilhas da tua Lei. Tu conheces a minha incapacidade e a minha fragilidade: ensina-me e cura-me. O teu Unigênito, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência, redimiu-me com o seu sangue. Não me caluniem os soberbos, porque penso no preço da minha redenção, e como, e bebo, e distribuo, e, pobre, desejo saciar-me dele entre aqueles que dele se alimentam e saciam: e louvam o Senhor aqueles que o procuram'.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

PALAVRAS DE SALVAÇÃO




'Sintamos aborrecimento por nós mesmos quando pecamos, porque os pecados aborrecem a Deus. Já que não estamos sem pecado, ao menos nisto sejamos semelhantes a Deus: o que lhe desagrada, desagrade também a nós. Em parte tu te unes à vontade de Deus, por desagradar em ti aquilo mesmo que odeia Aquele que te fez'.

(Santo Agostinho)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ORAÇÃO: VEXILLA REGIS PRODEUNT

Vexilla Regis prodeunt: Fulget Crucis mysterium,
Quae vita mortem pertulit, Et morte vitam protulit.

Quae vulnerata lanceae Mucrone diro, criminum
Ut nos lavaret sordibus, Manavit unda et sanguine.

Impleta sunt quae concinit David fideli carmine,
Dicendo nationibus: Regnavit a ligno Deus.

Arbor decora et fulgida, ornata Regis purpura,
Electa digno stipite tam sancta membra tangere.

Beata, cuius brachiis Pretium pependit saeculi:
Statera facta corporis, tulitque praedam tartari.

O Crux ave, spes unica, hoc Passionis tempore!
Piis adauge gratiam, reisque dele crimina.

Te, fons salutis Trinitas, collaudet omnis spiritus:
Quibus Crucis victoriam largiris, adde praemium. Amen.




Avançam os estandartes do Rei:
O mistério da Cruz ilumina o mundo.
Na cruz, a Vida sustou a morte, 
E na Cruz, a morte fez surgir a vida.

Do lado ferido 
pelo cruel ferro da lança,
para lavar nossas máculas, 
jorrou água e sangue.

Cumpriram-se então
Os fiéis oráculos de Davi,
quando disse às nações:
'Deus reinará desde o madeiro'.

Ó Árvore formosa e refulgente, 
Ornada com a púrpura do Rei!
Tu foste digna de tocar
Tão nobres membros.

Ó Cruz feliz, porque de teus braços 
Pendeu o preço que resgatou o mundo.
Tu és a balança onde foi pesado
o corpo que arrebatou as vítimas do inferno.

Salve ó Cruz, única esperança nossa,
Neste tempo de Paixão 
aumenta nos justos a graça
e dos crimes dos réus obtende a remissão.

Ó Trindade, fonte de toda salvação!
Ó Jesus, que nos dás a vitória pela Cruz,
Acrescentai para nós 
O prêmio de Vossa celeste mansão. Amém.

A LEITURA DA BÍBLIA EM 100 DIAS

terça-feira, 25 de agosto de 2015

TU ÉS PEDRO! (PAPA JOÃO VIII)


João VIII foi o 108º papa da Igreja, sendo eleito em 13 de dezembro de 872, como sucessor do papa Adriano II. João VIII nasceu em Roma, em 820. Promoveu uma importante reorganização da cúria papal à época e tentou, sem sucesso, em grande parte devido ao auxílio pífio dos monarcas europeus, expulsar os sarracenos (muçulmanos) da Itália, pelo que teve de lhes pagar pesado tributo. Defendeu São Metodio contra aqueles que se opunham ao uso da língua eslava na liturgia e, em 879, reconheceu a legitimidade de Fócio (condenado em 869 pelo Papa Adriano II) como patriarca de Constantinopla. Em 878, coroou Luis II, rei da França, e dois imperadores do Sacro Império Romano: Carlos II e Carlos III. Morreu em 16 de dezembro do ano de 882, depois de 10 anos de um fecundo pontificado, marcado por uma farsa injuriosa e abominável ao longo da história - a suposta existência da papisa Joana*. 


Dos seus documentos pontifícios:

'Certamente não é contra a fé e a doutrina cantar a missa em língua eslava, ou ler os santos Evangelhos ou os escritos do Novo ou do Antigo Testamento, bem traduzidos e interpretados, ou cantar os outros ofícios de horas, pois Aquele que fez as três principais línguas, o hebraico, o grego e o latim, criou também as outras línguas para seu louvor e sua glória'.

(Papa João VIII, Bula Industriae Tuae, ano 880, em defesa dos santos Cirilo e Metodio, monges gregos que evangelizaram os povos eslavos no século IX na língua eslava e que, por causa disso, haviam sido acusados de heresia por alguns bispos francos)


'Vós tendes nos manifestado humildemente o desejo de saber se aqueles que morreram recentemente na guerra, combatendo em defesa da Igreja de Deus e pela preservação da religião e do Estado cristãos, ou aqueles que podem no futuro cair pela mesma causa, podem obter a indulgência de seus pecados.

Com toda segurança, nós vos respondemos que aqueles que, por amor à religião cristã, morram na batalha lutando bravamente contra os pagãos ou incrédulos, ganharão a vida eterna. Porque o Senhor disse pela boca de seu profeta: 'Qualquer que seja a hora em que um pecador se converta, eu não lembrarei mais de seus pecados'. Pela intercessão de São Pedro, que tem o poder de abrir e fechar no Céu e na terra, eu absolvo, em toda à medida que me é possível, todos eles e os encomendo com as minhas orações ao Senhor'.

(Papa João VIII, aos bispos do reino de Luiz II da França, proclamando solenemente a indulgência pelo perdão dos pecados para aqueles que morriam nas cruzadas em defesa da fé cristã)

* Essa lenda afirma ter existido uma papisa na história da Igreja (com milhares de versões esdrúxulas e repetidas à exaustão na internet) e diferentes versões atribuem a sua aparição em algum momento nos séculos nono, décimo ou décimo primeiro. Na variante mais radical, a papisa teria inclusive dado à luz em pleno percurso público, morrendo no parto ou sendo morta (juntamente com o seu filho) pelo 'povo revoltado'. As duas referências mais explícitas à chamada Papisa Joana a colocam entre os anos de 855 e 857, eleita como 'João Ânglico' ou em 872, na pessoa do papa João VIII que, na verdade, não seria 'ele', mas 'ela'. 

No primeiro caso, é muitíssimo bem documentada a sucessão imediata do Papa Leão IV (falecido em junho de 855) pelo Papa Bento III (sem lacuna possível para a tal papisa). No segundo caso, a crendice ganha ares de pantomina, porque este papado, que sucedeu o de Adriano II, teve início em 13 de dezembro de 872 e prolongou-se até o ano de 882, por longos dez anos do que teria sido uma farsa colossal. E, para compartilhar ainda o imaginário já fantasioso ao extremo, este papa teria sido a primeira vítima de magnicídio (nome que se dá ao assassinato de um papa), uma vez que teria sido envenenado por um parente ou por um membro do seu convívio direto. Um relato em particular revela que, em virtude da lenta ação do veneno, o papa teria tido a cabeça esmagada por marteladas, sem entrar muito no mérito da ação de trocar um meio escuso (veneno) por outro absolutamente explícito, visando, sabe-se lá por quê, acelerar o processo mortal já em andamento! 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

ORÁCULO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO (III)

No mês de setembro de 1870, uma religiosa do Mosteiro das Irmãs Redentoristas de Malines, na Bélgica, sentiu repentinamente uma profunda tristeza que não a deixava dia e noite. A pobre Soror Maria Serafina do Sagrado Coração tornou-se um enigma para si própria e a comunidade. Pouco depois, chega a notícia da morte do pai da boa Irmã, nos campos de combate. Desde este dia, a religiosa começou a ouvir gemidos angustiosos e uma voz que lhe dizia sempre: 'Minha filha querida, tem piedade de mim! Tem piedade de mim!'

No dia 4 de outubro, novos tormentos para a Irmã e uma dor de cabeça insuportável. No dia 14 à noite, ao deitar-se, viu ela entre a cama e a parede da cela o pai cercado de chamas e imerso numa tris­teza profunda. Não pôde reter um grito de dor e de espanto. No dia 15, à mesma hora, ao recitar a Salve Rainha, viu de novo o pai entre chamas. A esta vista, perguntou a Irmã ao pai se havia ele cometido algu­ma injustiça nos seus negócios: 'Não', respondeu ele, 'não cometi injustiça al­guma. Sofro pelas minhas impaciências contínuas e outras faltas que não te posso dizer'.

No dia 27, nova aparição. Desta vez não estava cercado de chamas. Queixou-se de que não era aliviado porque não rezavam bastante por ele. 'Meu pai, não sabes que nós religiosas não po­demos rezar o dia todo, temos os trabalhos da Regra?' — 'Eu não peço isto', disse ele, 'quero que apliquem por mim as intenções, as indulgências. Se não me ajudares, eu te hei de atormentar. Deus o permitiu! Ó minha filha, lembra-te que te ofereceste a Nosso Se­nhor como vítima. Eis a consequência. Olha, olha, mi­nha filha, esta cisterna cheia de fogo em que estou mergulhado! Somos aqui centenas. Ó se soubes­sem o que é o purgatório, haviam de sofrer tudo, tudo para evitar e para aliviar as almas que lá estão ca­tivas. Deves ser uma religiosa muito santa, minha filha, e observar bem a Santa Regra, ainda nos pon­tos mais insignificantes. O purgatório das religio­sas é uma coisa terrível, filha!

Soror Maria Serafina viu, realmente, uma cister­na em chamas donde saíam nuvens negras de fumo. E o pai desapareceu como que abrasado, sufocado horrorosamente, sedento, a abrir a boca mostrando a lín­gua ressequida: 'Tenho sede, minha filha, tenho sede!' No dia seguinte a mesma aparição dolorosa: 'Minha filha, há muito tempo que eu não te vejo!' — 'Meu pai, ontem mesmo...' — 'Ó parece-me uma eternidade... Se eu ficar no purgatório três meses, será uma eternidade. Estava condenado a diversos anos, mas devo a Nossa Senhora, que intercedeu por mim, ficar reduzida a minha pena a alguns meses apenas'.

Esta graça de poder vir pedir orações, o bom homem alcançou pelas suas boas obras, pois era extremamente caridoso e devoto de Maria. Comunga­va em todas as festas da Virgem e ajudou muito na fundação de uma casa de caridade das Irmãzinhas dos pobres da Diocese. Soror Maria Serafina fez diversas perguntas ao pai: 'As almas do purgatório conhecem os que re­zam por elas e podem rezar por nós?' — 'Sim, minha filha'. — 'Estas almas sofrem ao saberem que Deus é ofendido no meio de suas famílias e no mundo?' — 'Sim'.

A Irmã, orientada pelo seu confessor e pela Superiora, continuou a interrogar o pai: 'É verdade, meu pai, que todos os tormentos da terra e dos mártires estão muito abaixo do sofri­mento do purgatório?' — 'Sim, minha filha, é bem verdade tudo isso...' Perguntou se todas as pessoas que pertencem à Confraria do Carmo são libertadas no primeiro sába­do depois da morte do purgatório. — 'Sim', respondeu ele, 'mas é preciso ser fiel às obrigações da Confraria'. '— É verdade que há almas que devem ficar no purgatório até cinquenta anos?' — 'Sim. Algumas estão condenadas a expiar os seus pecados até o fim do mundo. São almas bem culpadas e estão abandonadas. Há três coisas que Deus pune e que atrai a maldição sobre os homens: a violação do dia do domingo pelo trabalho, o vício impuro que se tornou muito comum, e as blasfêmias. Ó minha filha, as blasfêmias são horríveis e pro­vocam a ira de Deus'.

Desde este dia até à noite de Natal, sempre aparecia a Soror Maria Serafina a alma atormentada do seu bom pai, pela qual ela e a comunidade oravam e faziam penitências. Na primeira missa do Natal, a boa Irmã viu seu pai à hora da elevação, brilhante como o sol, de uma beleza incomparável. '— Acabei meu tempo de expiação, filha, venho te agradecer e às tuas Irmãs as orações e sufrágios. Rezarei por todas no céu'. E ao entrar na cela, de madrugada, viu a Irmã Serafina mais uma vez a alma do pai resplandecente de luz é de beleza, dizendo: 'Pedirei para tua alma, filha, perfeita e em conformidade com a vontade de Deus, a graça de entrar no céu sem passar pelo purgatório'. E desapareceu num oceano de luz e de beleza.

Estes fatos se deram de outubro a dezembro de 1870 e passaram pelo crivo de um severo e rigoroso exame das autoridades eclesiásticas antes de serem publicados e divulgados amplamente pela Obra Expiató­ria de Nossa Senhora de Montiglion, na França.

(Excertos da obra 'Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!' de Monsenhor Ascânio Brandão, 1948)

domingo, 23 de agosto de 2015

'TU ÉS O SANTO DE DEUS'

Páginas do Evangelho - Vigésimo Primeiro Domingo do Tempo Comum


Jesus acabara de dizer aos seus discípulos: 'Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós' (Jo 6, 53). Na incompreensão dos mistérios da Eucaristia, muitos já haviam se perguntado: 'Como poderá este dar-nos a sua carne para comermos?' (Jo 6, 52) e agora ainda murmuravam: 'Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?' (Jo 6, 60). Sob a luz irradiante de revelações tão profundas, como poderiam homens de fé tão dúbia entender os divinos mistérios?

E o passo seguinte e natural daqueles homens foi a rejeição. Diante de 'palavras tão duras', onde o pensamento racional não conseguia sustento e amparo, os homens de pouca fé se dispersaram, voltaram atrás e não andavam mais com Jesus. Para eles, era inconcebível Jesus se revelar como 'pão', como 'carne' a ser comida, como 'sangue' a ser bebido, como primícias de vida eterna. O milagre da transubstanciação implica não o aceno morno dos sentidos, mas a experiência definitiva da fé em plenitude.

Jesus vai indagar, então, aos que o cercam: 'Isto vos escandaliza?' (Jo 6, 61) e também aos doze apóstolos em particular: 'Vós também quereis ir embora?' (Jo 6, 67). O caminho do livre arbítrio deve mover o coração humano à acolhida da graça e, por isso, já os alertara previamente: 'É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai' (Jo 6, 65). Ninguém pode ir a Jesus pela metade, aprisionado às mazelas do mundo, subjugado pelos ditames dos sentidos; a vida em Deus exige a entrega total, conformada pela crença definitiva de que Jesus de Nazaré é realmente a Verdade, o Caminho e a Vida: 'As palavras que vos falei são espírito e vida' (Jo 6, 63).

E a plenitude da Verdade é conclamada por todos os seus verdadeiros discípulos pela voz de Pedro: 'A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus (Jo 6, 68 - 69). Eis aí a profissão da autêntica fé cristã que todos nós, apóstolos e discípulos de Jesus, continuamos a entoar através dos tempos: nós cremos, Senhor, que Vós sois verdadeiramente o Santo de Deus, o Filho de Deus Vivo, a Hóstia da Eterna Salvação, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade presentes na Santa Eucaristia, que nos é dada, à luz da fé, para que possamos ser e viver, a cada dia na terra, como novos Cristos a caminho dos Céus.

sábado, 22 de agosto de 2015

LUZ!

Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8, 12)

Tenha Deus piedade de nós e nos abençoe, faça resplandecer sobre nós a luz da sua face (Sl 66, 2)

Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes (Ef 5,8)
 
Hás de refulgir qual esplêndida luz, e todos os povos da terra te venerarão (Tb 13, 13)
  
Os que tiverem sido inteligentes fulgirão como o brilho do firmamento, e os que tiverem introduzido muitos (nos caminhos) da justiça luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor (Dn 12, 3)


Vós, que temeis o Senhor, amai-o, e vossos corações se encherão de luz. (Ecl 2, 10)

Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele (Jo 1,7).

Iluminai meus olhos com vossa luz, para eu não adormecer na morte, para que meu inimigo não venha a dizer: Venci-o. (Sl 12, 5)

 Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus (Mt 5, 16).

Eu te estabeleci para seres luz das nações, e levares a salvação até os confins da terra (Is 49, 6; At 13, 47)

Seu esplendor é deslumbrante como a luz, das suas mãos brotam raios; ali está o véu de seu poder (Hc 3, 4)


 Das trevas brilhe a luz, é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo (II Cor 4, 6)

O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo?  (Sl 26, 1)

BREVIÁRIO DIGITAL (XXVIII)







(Catecismo Ilustrado de 1910, parte XXIII)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

21 DE AGOSTO - SÃO PIO X

Instaurare omnia in Christo 

Restaurar todas as coisas em Cristo

Pio X (02/06/1835 - 20/08/1914)

No início do Século XX, inúmeras heresias associadas ao Modernismo (movimento precursor do atual Progressismo Católico) tentavam minar a Igreja. Neste quadro de graves dificuldades, a Providência Divina legou à cristandade um Papa Santo, até muito recentemente o único papa canonizado do Século XX. Em 04 de agosto de 1903, o Cardeal Giusepe Sarto de Veneza foi eleito como Pio X, 259º sucessor de São Pedro, sucedendo a Leão XIII, sendo coroado para o Sumo Pontificado cinco dias depois. No seu pontificado de apenas 11 anos (faleceu em 20/08/1914), Pio X promoveu uma guerra sem tréguas às heresias do Modernismo (que condenou por inteiro na Encíclica Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907), coordenou a compilação de um novo Código Canônico, restaurou as bases da música sacra e promulgou várias ações e documentos relacionados a uma melhor e mais perfeita devoção aos sacramentos eucarísticos. Foi canonizado pelo Papa Pio XII em 03/09/1954. Celebra-se a sua festa de santidade em 21 de agosto.

Excertos da Encíclica Pascendi Dominici Gregis - 08/08/1907 (de São Pio X): condenação explícita do Movimento Modernista na Igreja Católica

Não se afastará, portanto, da verdade quem os tiver como os mais perigosos inimigos da Igreja. Estes, em verdade, como dissemos, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos conselhos; e por isto, é por assim dizer nas próprias veias e entranhas dela que se acha o perigo, tanto mais ruinoso quanto mais intimamente eles a conhecem. Além de que, não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as mesmas raízes que são a fé e suas fibras mais vitais, é que  meneiam eles o machado.

Batida pois esta raiz da imortalidade, continuam a derramar o vírus por toda a árvore, de sorte que coisa alguma poupam da verdade católica, nenhuma verdade há que não intentem contaminar. E ainda vão mais longe; pois pondo em obra o sem número de seus maléficos ardis, não há quem os vença em manhas e astúcias: porquanto, fazem promiscuamente o papel ora de racionalistas, ora de católicos, e isto com tal dissimulação que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto; e sendo ousados como os que mais o são, não há consequências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos. Acrescente-se-lhes ainda, coisa aptíssima para enganar o ânimo alheio, uma operosidade incansável, uma assídua e vigorosa aplicação a todo o ramo de estudos e, o mais das vezes, a fama de uma vida austera. Finalmente, e é isto o que faz desvanecer toda esperança de cura, pelas suas mesmas doutrinas são formadas numa escola de desprezo a toda autoridade e a todo freio; e, confiados em uma consciência falsa, persuadem-se de que é amor de verdade o que não passa de soberba e obstinação.

Efetivamente, o orgulho fá-los confiar tanto em si que se julgam e dão a si mesmos como regra dos outros. Por orgulho loucamente se gloriam de ser os únicos que possuem o saber e, dizem desvanecidos e inchados: nós cá não somos como os outros homens. E, de fato, para o não serem, abraçam e devaneiam toda a sorte de novidades, até das mais absurdas. Por orgulho repelem toda a sujeição, e afirmam que a autoridade deve aliar-se com a liberdade. Por orgulho, esquecidos de si mesmos, pensam unicamente em reformar os outros, sem respeitarem nisto qualquer posição, nem mesmo a suprema autoridade. Para se chegar ao modernismo não há, com efeito, caminho mais direto do que o orgulho. Se algum leigo ou também algum sacerdote católico esquecer o preceito da vida cristã, que nos manda negarmos a nós mesmos para podermos seguir a Cristo, e se não afastar de seu coração o orgulho, ninguém mais do ele se acha naturalmente disposto a abraçar o modernismo! 

Nada, portanto, Veneráveis Irmãos, se pode dizer estável ou imutável na Igreja, segundo o modo de agir e de pensar dos modernistas. Para o que também não lhes faltaram precursores, esses de quem o nosso predecessor Pio IX escreveu: 'estes inimigos da revelação divina, que exaltam com os maiores louvores o progresso humano desejariam, com temerário e sacrílego atrevimento, introduzi-lo na religião católica, como se a mesma não fosse obra de Deus, mas obra dos homens, ou algum sistema filosófico, que se possa aperfeiçoar por meios humanos' (Encíclica Qui pluribus, de 9 de novembro de 1846). 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

FOTO DA SEMANA



Ruínas da catedral de Urakami, em Nagasaki/Japão arrasada, cerca de dois meses depois do lançamento da bomba atômica pelos EUA (em 9 de agosto de 1945)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

SÃO DOMINGOS E A ORAÇÃO DO ROSÁRIO


I. Dom Pero, primo de São Domingos, levava uma vida muito devassa. Sabendo que muitos ouviam os sermões de seu santo primo, resolveu ouvi-lo também. Ao vê-lo, durante o sermão, São Domingos empenhou-se para fazer ver ao primo o estado lamentável em que este se encontrava. Empedernido no pecado, este não se converteu.

No dia seguinte, São Domingos vendo-o entrar novamente, para tocar seu coração endurecido resolveu fazer algo de extraordinário. E gritou em alta voz: 'Senhor Jesus, fazei ver a todos desta igreja o estado em que se encontra este homem que acaba de entrar'. Os fieis, voltando-se para Dom Pero, viram-no rodeado de uma multidão de demônios em formas de animais horríveis, que o prendiam a correntes de ferro. Horrorizados, tentaram fugir, mas, impedidos por São Domingos, permaneceram na igreja.

Ele então prosseguiu: 'Conhece, desgraçado, o deplorável estado em que te encontras. Ajoelha-te aos pés da Santíssima Virgem, toma este Rosário e reza-o com arrependimento e devoção, e muda a tua vida'. Ele se pôs de joelhos, rezou o Rosário e sentiu o desejo de confessar-se. O santo o atendeu em confissão e instou-o a rezar o Rosário todos os dias. Na saída, da cara assustadora com que antes entrara, nem resquícios havia. Pelo contrário, brilhava como a de um anjo. E assim morreu.

II. Em Roma havia uma fervorosa senhora cuja piedade edificava até os mais austeros monges. Certa vez foi confessar-se com São Domingos, que lhe impôs como penitência rezar um Rosário, e depois aconselhou-a rezá-lo todos os dias de sua vida. Ela resmungou que rezava muitas outras orações, que não gostava do Rosário, e que já fazia muitas penitências.

São Domingos insistiu até que, irritada, ela saiu do confessionário. Um dia, estando em oração, ela foi arrebatada em êxtase, e sua alma foi obrigada a comparecer diante do supremo Juiz. São Miguel apresentou uma balança, onde de um lado colocou todas as suas penitências e outras orações, e de outro lado seus pecados e imperfeições. O prato das boas obras não conseguiu contrabalançar o outro. Alarmada, recorreu a Nossa Senhora, pedindo misericórdia. A Santíssima Virgem colocou sobre a balança das boas obras um único Rosário, o que ela havia rezado por penitência.

Foi tão grande o peso, que venceu o dos pecados. Foi repreendida então pela Santíssima Virgem por não haver seguido o conselho do seu servidor Domingos, de rezar o Santo Rosário todos os dias. Quando voltou a si, foi ajoelhar-se diante de São Domingos, contou o ocorrido, pediu-lhe perdão pela sua incredulidade e prometeu rezar o Rosário todos os dias. Chegou por este meio à perfeição cristã, à glória eterna.

III. São Domingos, ao visitar Santa Branca de Castela, Rainha de França, casada havia doze anos, mas ainda sem filhos, aconselhou-a a rezar o Rosário. Ela assim o fez, e nasceu Felipe, seu primogênito, que cedo morreu. Além de redobrar as orações, ela distribuiu rosários por todo o Reino. Deus a cumulou de graças e, no ano de 1215, veio ao mundo São Luís, glória da Cristandade e modelo dos reis católicos.

(excertos de texto publicado originalmente em oracoesemilagresmedievais.blogspot.com.br)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

ORAÇÃO DO ANJO DE PORTUGAL


'Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e Vos amo. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação aos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores'.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

DOS RITOS BIZANTINOS (I)

PARAKLESIS* À SANTA MÃE DE DEUS (ODES VII, VIII e IX)

* exortação, súplica

Os jovens, vindos da Judeia 
e outrora em Babilônia, 
pisaram sobre a chama da fornalha 
com sua fé na Trindade, 
enquanto cantavam:
'Tu és bendito, ó Deus de nossos pais!' 
Santíssima Mãe de Deus, salva-nos! 

Quando quiseste por em ação
teu plano de salvação, 
moraste, ó Salvador, no seio da Virgem, 
designando-a socorro do mundo. 
Tu és bendito, ó Deus de nossos pais! 
Santíssima Mãe de Deus, salva-nos! 

Insiste agora, Mãe pura, 
junto a quem geraste, 
tão inclinado à misericórdia, 
que livre da culpa e manchas da alma 
aqueles que com fé proclamam: 
'Tu és bendito, ó Deus de nossos pais!' 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. 

Sacrário de salvação e fonte de incorrupção, 
constituíste aquela que um dia te deu à luz, 
baluarte seguro e porta da penitência 
para os que clamam: 
'Tu és bendito, ó Deus de nossos pais!'
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém. 

Com tua altíssima proteção, ó Mãe de Deus, 
digna-te curar as dores dos corpos 
e as enfermidade da alma 
dos que recorrem com amor a Ti, 
aquela que nos deu o Cristo, Salvador! 

Cantai ao Rei dos Céus, 
a quem louvam os angélicos exércitos, 
enaltecei-o por todos os séculos!
Santíssima Mãe de Deus, salva-nos! 

Não desprezes, ó Virgem, 
os que invocam o teu auxílio, 
cantando teus louvores e te enaltecem, 
ó Donzela, pelos séculos! 
Santíssima Mãe de Deus, salva-nos! 

Tu, ó Virgem, 
derramas abundante auxílio 
sobre os com fé, 
a Ti entoam louvores 
enaltecendo teu inefável juramento. 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. 

Cura as enfermidades de minha alma 
e as dores de meu corpo, ó Virgem, 
para que te glorifique, ó Cheia de Graça! 
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém. 

Tu pões em fuga os assaltos das tentações 
e os ataques das paixões. 
Por isso, ó Virgem, 
nós te louvamos pelos séculos. 
Nós, por Ti remidos, ó Virgem pura,  
confessamos-te verdadeira Mãe de Deus,  
e te enaltecemos com todos os coros angélicos.  
Santíssima Mãe de Deus, salva-nos! 

Não despreze as torrentes de minhas lágrimas, 
Tu que deste à luz o Cristo, 
e que sempre enxugaste 
as lágrimas de todas as faces.
Santíssima Mãe de Deus, salva-nos! 

Inunda minha alma de alegria, ó Virgem, 
Tu que abrigaste a plenitude da alegria, 
dissipando a tristeza do pecado. 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. 

Os raios de tua luz, ó Virgem, 
ilumine os que, com piedade, 
te proclamem Mãe de Deus 
e dissipem as trevas da ignorância. 
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém. 

Cura de seu mal, ó Virgem, 
os que jazem alquebrados 
em seus leitos de enfermos, 
transforma em força a sua fraqueza. 

Honremos com cantos e hinos 
a mais excelsa dos Céus, 
a mais pura que o esplendor do sol, 
a que nos livrou da maldição, 
a Rainha do mundo. 

Verdadeiramente é digno e justo 
que te bendigamos, 
ó bem-aventurada Mãe de Deus. 
Tu, mais venerável que os querubins 
e, incomparavelmente, 
mais gloriosa que os serafins; 
deste a luz ao Verbo de Deus, 
conservando intacta a glória da tua virgindade. 
Nós te glorificamos, 
ó Mãe de nosso Deus! 

Por causa de meus muitos pecados 
estão enfermos meu corpo e minha alma; 
e a Ti me dirijo, ó Cheia de Graça, 
esperança dos desesperados: socorre-nos! 
Senhora, Mãe do Redentor, 
acolhe as súplicas de teus indignos servos, 
intercede junto daquele que nasceu de Ti. 
Rainha do mundo, sê nossa medianeira. 
Com ardor e alegria cantamos este hino, 
Mãe de Deus, digna de todo louvor. 

Com o Precursor e com todos os santos, 
implora, ó Divina Mãe, 
que alcancemos misericórdia. 
Emudeçam os lábios dos ímpios, 
que não veneram teu nobre ícone, 
a Odighitria* que São Lucas pintou. 
Exércitos de todos os Anjos, 
Precursor do Senhor, 
coro dos Apóstolos e de todos os Santos, 
intercedei junto à Mãe por nossa salvação. Amém.

* A virgem Odighitria, 'aquela que indica o caminho', ícone no qual a Mãe de Deus indica, com a sua mão direita, o menino Jesus, que é o Caminho e a Verdade e que, segundo a tradição, teria sido um dos ícones de Nossa Senhora pintados pelo evangelista São Lucas.

(tradução do Pe. André Sperandio e Pe. Paulo Augusto Tamanini)