quinta-feira, 30 de abril de 2015

DAS CARTAS DE SANTA CATARINA DE SENA

'Sobretudo os sacerdotes, que Deus chama de 'ungidos', devem ser anjos, não homens! E realmente o são, quando não recusam a iluminação divina. O sacerdote desempenha o ofício dos anjos! (…) Assim, os sacerdotes na hierarquia dão-nos o corpo e o sangue de Cristo crucificado, Deus e homem pela união da natureza divina com a humana; em Jesus a alma estava unida ao corpo; a alma e o corpo estavam unidos à divindade, em natureza igual à de Deus Pai. Mas o sangue e o corpo de Jesus devem ser ministrados por pessoas retamente iluminadas por Deus na ardente chama da caridade, para suas almas não serem devoradas pelo lobo infernal. Sacerdotes assim alimentam-se de virtudes, que depois são dadas às almas para a vida na graça, como frutos de uma caridade perfeita e verdadeira.

Como dissemos antes, agem diversamente os que cultivam na alma a árvore do egoísmo. Toda sua vida é corrompida, uma vez que corrompida está a raiz principal, a afeição da alma. (…) Tratando-se de religiosos ou sacerdotes, suas vidas não imitam a vida dos anjos, nem a dos homens, mas a dos animais, que rolam na lama. Às vezes são piores que leigos! De que ruína e castigo são dignos! A linguagem humana é incapaz de os descrever. No dia do juízo, o que a alma experimentará! Tais pessoas desempenham o papel dos demônios, que procuram afastar as almas de Deus para levá-las consigo ao falso descanso. Também eles abandonaram a vida reta e santa, perderam a iluminação divina, vivem na maldade'.

Catarina, Carta II ao Pe. Vitroni

'É preciso entender na fé que Deus é bondade suprema e eterna, que somente quer o nosso bem. O desejo de Deus é que nos santifiquemos. Tudo o que Ele nos manda ou permite tem esta finalidade. Se duvidarmos disto, erramos. Basta pensar no sangue do humilde e imaculado cordeiro, trespassado pela lança, sofredor, atormentado. Entenderemos que o Pai eterno nos ama. Por causa do pecado tínhamo-nos tornado inimigos de Deus. Amorosamente, o Pai deu-nos o Verbo, o seu filho Unigênito. Este último entregou por nós a sua vida, correndo para uma vergonhosa morte na cruz. Por que razão? Por amor à nossa salvação. Como vedes o sangue de Jesus dissipa toda a dúvida em nós, de que o Pai queira outra coisa além da nossa santificação. Aliás, como poderia Deus querer algo fora do bem? Impossível! 

Como poderia o supremo Bem descuidar-se de nós? Ele que nos amou antes de existirmos, Ele que por amor nos criou à sua imagem e semelhança, não poderia deixar de nos amar e de prover às necessidades da nossa alma e do nosso corpo. O criador sempre nos ama como criaturas suas. Somente o pecado Deus detesta em nós. Durante esta vida, na medida das nossas necessidades, Ele permite dificuldades quanto aos bens materiais. Como sábio médico, ministra-nos o remédio de que precisa a nossa enfermidade. Deus age assim para eliminar os nossos defeitos aqui na terra de maneira que tenhamos que sofrer menos na vida futura; ou para pôr à prova a nossa paciência'. 

Catarina, Carta XIII

'Bem vedes, reverendo pai! Jesus, que é amor, morre de sede e fome pela nossa salvação. Por amor a Cristo crucificado, peço que mediteis sobre tal sede do Cordeiro. Minha alma gostaria de vos ver morrendo de desejo santo, ou seja, tudo fazendo com amor pela glória de Deus e pela salvação das almas, pela exaltação da Santa Igreja. Gostaria de vos ver crescendo em tal sede e por causa dela morrendo, como fez Jesus. Que morressem a vontade pessoal e o amor sensível. Que morrêsseis às honras, satisfações sociais e todo tipo de grandeza humana. 

Tenho certeza de que, se olhardes para o vosso íntimo, compreendereis que nada sois; entendereis que tudo vos foi dado por Deus numa grande chama de amor; vosso coração não oporia resistência ao ímpeto da caridade, mas eliminaria, todo amor próprio, não procuraria o que é útil à própria pessoa. Vós amaríeis a Deus por ele mesmo e também amaríeis o próximo, não por interesses pessoais, mas a fim de promover sua salvação eterna e a glória divina. Deus ama demais a humanidade. Também os servos de Deus devem amá-la, imitando o Criador. É condição da amizade que eu ame tudo aquilo que meu amigo ama. E os servos querem bem a Deus, não por interesse pessoal, mas porque Deus, bondade infinita, merece ser amado'.

Catarina, Carta XVI

'Ouvi‐me, Deus, doce amor! Erguei, Papa, presto o estandarte da santíssima cruz, e vereis os lobos tornarem‐se cordeiros. Paz, paz, paz! ... Ouvi‐me, Pai, eu morro de dor, e não posso morrer. Vinde, vinde e não façais mais resistência à vontade de Deus que vos chama; e às famintas ovelhas vos esperam, que vindes tomar e possuir o lugar do vosso antecessor e campeão, apóstolo Pedro. Porquanto vós, como vigário de Cristo, deveis repousar no lugar que vos é próprio. Vinde, então, vinde, e não mais tardeis; e confortai‐vos, e não temais de nenhuma coisa que possa acontecer, porque Deus será convosco'.

Catarina, Carta XXII a Gregório XI, 1376

'Ouvi‐me, desventurada minha alma, causa de todos estes males! Entendi que os demônios encarnados elegeram, não Cristo na Terra, mas fizeram nascer o Anticristo contra vós, Cristo na Terra; o qual confesso, e não o nego, que sois vigário de Cristo, que tendes as chaves do celeiro da Santa Igreja, onde está o sangue do imaculado Cordeiro; e que vós sois o administrador, mau grado de quem quer dizer o contrário, e apesar da confusão da mentira, a qual Deus confundirá com a sua doce verdade; e nela vos libertou e à vossa doce esposa… Escondei‐vos no peito de Cristo crucificado, que é uma gruta (...); banhai‐vos no seu dulcíssimo sangue.

E eu, como escrava remida com o sangue de Cristo, e todos aqueles que estão prontos a dar a vida pela verdade, os quais Deus me deu para amar com singular amor, e cuidar da sua salvação, estamos prontos todos a ser obedientes à V. S. e sustentar até à morte; ajudando‐vos com as armas da santa oração, e com o semear e anunciar a verdade em qualquer lugar que for da doce vontade de Deus e de V. S. Nada mais digo sobre esta matéria. Rodeai‐vos de bons e virtuosos pastores; e ao vosso lado decidi ter os servos de Deus. A vossa esperança e a vossa fé não sejam postas na ajuda humana, que pouco vale; mas só no adjutório divino, o qual não mais será retirado de nós; entretanto, esperemos esse adjutório; assim seremos tão providos de Deus, quanto dele esperamos. Então, nele, esperamos com todo o coração, com todo o afeto, com todas as nossas forças. Permanecei na santa e doce predileção de Deus!'

Catarina, Carta a Urbano VI, 1378

quarta-feira, 29 de abril de 2015

29 DE ABRIL - SANTA CATARINA DE SENA


Santa Catarina de Sena nasceu Caterina di Giacomo di Benincasa na cidade de Sena / Itália, em 25 de março de 1347, de família humilde e numerosa. Desde tenra idade foi cumulada pela Providência Divina de visões místicas e dons sobrenaturais, que incluíram mais tarde a manifestação de estigmas semelhantes aos de Nosso Senhor. Ofereceu-se a Deus desde a infância e, ainda muito jovem, já havia recebido o hábito de penitente da Ordem Terceira de São Domingos.

Reclusa em sua cela, em orações e jejuns constantes, Catarina passou por inúmeras experiências sobrenaturais, que culminaram com a celebração de suas núpcias místicas com o Senhor, na cela de sua reclusão, nas vésperas da Quarta-Feira de Cinzas do ano de 1367. Acostumada a uma vida de rígida abstinência, a comunhão era, muitas vezes, o seu único alimento por vários dias. Mas, segundo o seu confessor e primeiro biógrafo, Raimundo de Cápua, Jesus vai demandá-la a abandonar a vida reclusa e a dedicar-se totalmente a uma missão pública em favor da Igreja.

A Europa à época de Santa Catarina estava marcada pela peste, pela violência e por uma grave crise da Igreja. O papado estava recolhido na cidade francesa de Avignon, sob influência política de diversos reinos e ducados. Catarina tornou-se, então, a servidora humilde de todos, cuidou dos doentes, pregou um apostolado intensivo e lutou incessantemente pelo restabelecimento da paz, mediante visitas pessoais ou envio de cartas a diferentes políticos e governantes, conclamando o próprio papa - Gregório XI - a retomar o seu pontificado a partir de Roma. 

E o retorno do papa a Roma ocorreu em janeiro de 1377. Neste período, tem início os primeiros registros das conversações entre a sua alma e Deus, mais tarde transcritas na obra hoje conhecida como 'Diálogo'. Mas a paz na Igreja não seria longa, sendo marcada por novas revoltas e a morte em seguida de Gregório XI. Em Roma, os cardeais elegem Urbano VI; em Avignon, alguns cardeais franceses dão origem ao Grande Cisma do Ocidente, não aceitando o novo papa de Roma e elegendo o antipapa Clemente VII. 

A angústia e aflição diante destes fatos e da incerteza sobre o futuro da Igreja a acompanhariam até à sua morte prematura, ocorrida em 29 de abril de 1380, aos 33 anos de idade. Sua cabeça foi separada do corpo e é venerada na Basílica de San Domenico em Siena e o corpo encontra-se na Igreja de Santa Maria Sopra Minerva, em Roma. Catarina foi canonizada em 1461 pelo papa Pio II e declarada 'doutora da Igreja' pelo papa Paulo VI em 1970, apenas alguns dias depois da concessão da primeira e igual honraria dada à Santa Teresa de Ávila.

(cabeça preservada e túmulo de Santa Catarina de Sena)

terça-feira, 28 de abril de 2015

28 DE ABRIL - SÃO LUÍS DE MONTFORT

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Missionário do Espírito Santo e da Virgem Santíssima, São Luís Maria Grignion de Montfort foi o portador da graça divina de uma mensagem de transcendência extraordinária: a necessidade de uma devoção ardente à Mãe de Deus e do conhecimento da missão ímpar de Nossa Senhora no Segundo Advento do seu Filho.

Nasceu em 31 de janeiro de 1637 em Montfort (França), sendo ordenado sacerdote em 1700. Em 1706, foi recebido pelo Papa Clemente XI que, confirmando a sua vocação missionária, outorgou-lhe o título de 'Missionário Apostólico'. Nesta missão, combateu duramente a doutrina jansenista na França, que, crendo na predestinação, apresentava um Deus tirânico e sem misericórdia. 

Fundou três instituições religiosas: a Companhia de Maria (congregação de sacerdotes missionários), as Filhas da Sabedoria (freiras dedicadas à assistência aos doentes nos hospitais e à instrução de meninas pobres) e os Irmãos de São Gabriel (congregação de leigos voltados para o ensino). Escreveu várias obras, dentre ela o 'Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem', referência básica da mariologia cristã. Morreu em 28 de abril de 1716, aos 43 anos e apenas 16 anos como sacerdote, em Saint-Laurent-sur-Sèvre (França). Foi beatificado em 1888 e canonizado em 1947, pelo Papa Pio XII.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

GLÓRIAS DE MARIA: NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO


'Sou a Rainha das Vitórias e a Mãe do Bom Sucesso'

Esta imagem milagrosa de Nossa Senhora do Bom Sucesso é venerada no Monasterio Real de La Limpia Concepción, primeiro convento de monjas contemplativas da América do Sul, fundado em 1577 em Quito / Equador, sob os auspícios do rei Filipe II da Espanha. Em 2 de fevereiro de 1610, Nossa Senhora se manifestou a uma das oito religiosas fundadoras do mosteiro - Madre Mariana de Jesus Torres, apresentando-se como a 'Rainha das Vitórias e Mãe do Bom Sucesso', dando início a uma série enorme de eventos milagrosos e revelações extraordinárias (ver postagem anexa):


(Madre Mariana de Jesus)

'Rezava insistentemente Madre Mariana à primeira hora da madrugada, prostrada ao solo no coro, pelas necessidades de seu mosteiro, da colônia espanhola da América e da Igreja, quando notou a presença de uma Senhora de extraordinária formosura, sustentando no braço esquerdo um Menino belo como a aurora. Emocionada, a religiosa perguntou:

Quem sois, linda Senhora, e que desejais de mim, que sou só uma sofrida monja?

— Sou Maria do Bom Sucesso, a Rainha dos Céus e da Terra. Porque me invocaste com terno afeto, venho do Céu consolar teu aflito coração. Tuas orações, lágrimas e penitências são muito agradáveis a nosso Pai Celestial. Na mão direita, tenho o báculo que vês, pois quero governar este meu mosteiro como Priora e Mãe. Satanás quer destruir esta obra de Deus, mas não o conseguirá, porque Eu sou a Rainha das Vitórias e a Mãe do Bom Sucesso, sob cuja invocação quero fazer prodígios em todos os séculos.

É vontade de meu Filho Santíssimo que mandes confeccionar uma imagem, tal como me vês, e que a coloques no trono da abadessa. Na minha mão direita porás o báculo e as chaves da clausura, em sinal de minha propriedade e autoridade. Em minha mão esquerda porás meu Divino Filho. Eu mesma governarei este meu Mosteiro.

— Senhora —ponderou a religiosa — como realizar tudo isso, se até desconheço Vossa estatura?

— Dá-me o cordão franciscano que trazes à cintura.

A Santíssima Virgem o tomou e colocou uma de suas extremidades na mão de seu Divino Filho, que o aplicou à cabeça da Mãe, indicando a Madre Mariana que, com a outra ponta, tocasse seus pés.

O cordão milagrosamente se esticou, até alcançar a estatura exata da Santíssima Virgem.

— Aqui tens, minha filha, a medida de tua Mãe do Céu. Meu servo Francisco del Castilho, a quem explicarás minhas feições e minha postura, talhará minha imagem, pois tem reta consciência e observa religiosamente os mandamentos de Deus e da Igreja. De tua parte, ajuda-o com orações e humildes sofrimentos'.


Francisco del Castillo preparou-se com penitências, para tão alto encargo: confessou-se, comungou, e no dia 15 de setembro de 1610 iniciou a confecção da imagem. Quando faltavam apenas os retoques finais, certo de que a imagem, embora satisfatória, nem de longe representava o que Madre Mariana havia visto, resolveu não só fazer mais penitência, mas saiu de viagem em busca das melhores tintas para concluir o trabalho.

De regresso, surpreendeu-se ao encontrar já concluída a imagem. Diante do bispo, fez juramento escrito para testemunhar que a imagem não era obra sua, e que a havia encontrado, ao voltar, com uma forma muito diferente da que havia deixado, seis dias antes.

Madre Mariana de Jesus descreve assim os acontecimentos: rezava às três horas da madrugada do dia 16 de janeiro de 1611, no coro, onde estava a imagem que ia sendo esculpida por Francisco del Castillo, quando viu os arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, os quais se apresentavam diante do trono da Rainha dos Céus.

São Miguel, saudando-a, disse: 'Ave Maria, Filha de Deus Pai'; São Gabriel acrescentou: 'Ave Maria, Mãe de Deus Filho' e São Rafael concluiu: 'Maria Santíssima, Esposa puríssima do Espírito Santo'. Nesse momento apareceu São Francisco de Assis e se uniu aos três arcanjos. Seguidos da milícia celeste, acercaram-se da imagem semi-acabada, transformando-a e refazendo-a, dando-lhe uma beleza inigualável que mão humana jamais poderia conferir.

A Virgem estava totalmente iluminada, como se estivesse no meio do sol. Do alto, a Santíssima Trindade olhava comprazida o que acontecia, e os anjos entoavam suas melodias. No meio de todas essas alegrias, a Rainha do Céu penetrou pessoalmente na imagem, como raios de sol que se introduzem em um cristal. Como que tomando vida, tornou-se resplandecente, e com celestial melodia cantou o Magnificat. Os anjos entoaram o hino Salve Sancta Parens (Ave, ó Santa Progenitora). 

Salve sancta parens 
Enixa puerpera Regem 
Qui celum terramque regit 
In saecula saeculorum

Eructavit cor meum 
Verbum bonum 
Dico ego opera mea Regi

Gloria patri et filio 
Et spiritui sancto 
Sicut erat in principio 
Et nunc et semper 
Et in saecula saeculorum

Amen

Nossa Senhora do Bom Sucesso, rogai por nós!

domingo, 26 de abril de 2015

O BOM PASTOR

Páginas do Evangelho - Quarto Domingo da Páscoa


No Quarto Domingo da Páscoa, Jesus se apresenta como o Bom Pastor: 'Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas' (Jo 10, 11). Jesus acabara de curar um cego de nascença e os fariseus o condenavam por ter praticado um milagre tão extraordinário num sábado. Mas o cego, superando a obstinação, a hipocrisia e as ameaças daqueles homens, não apenas viera reencontrar Jesus mas, como ovelha do Bom Pastor, prostrou-se diante dele e o adorou. Diante da multidão perplexa por estes fatos, Jesus projeta no cego curado as ovelhas do seu rebanho, e se apresenta como o Bom Pastor que acolhe as suas ovelhas com doçura extrema e infinita misericórdia, e que é capaz de dar a sua vida por elas. 

Jesus, o Bom Pastor, conhece e ama, com profunda misericórdia, cada uma de suas ovelhas desde toda a eternidade: 'Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas' (Jo 10, 14 - 15). Nada, nem coisa, nem homem, nem demônio algum, poderá nos apartar do amor de Deus. Porque este amor, sendo infinito, extrapola a nossa condição humana e assume dimensões imensuráveis. Ainda que todos os homens perecessem e a humanidade inteira ficasse reduzida a um único homem, Deus não poderia amá-lo mais do que já o ama agora, porque todos nós fomos criados, por um ato sublime e extraordinariamente particular da Sua Santa Vontade, como herdeiros dos céus e para a glória de Deus: 'Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele a glória por toda a eternidade!' (Rm 11, 36).

A missão do Bom Pastor é universal, porque o rebanho é universal e só um verdadeiramente é o Bom Pastor, que não abandona nunca as suas ovelhas: 'Haverá um só rebanho e um só pastor' (Jo 10, 16). Todos aqueles que ainda não se encontram no redil do Bom Pastor, a Santa Igreja, devem ser buscados como ovelhas desgarradas, para que se unam ao único rebanho e que, sob a voz do Bom Pastor, sejam conduzidas com segurança às fontes da água da vida (Ap 7, 17): 'Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância' (Jo 1, 10). Jesus nos convoca, assim, à missão de um apostolado universal, delegando a todos nós, os batizados, a enorme tarefa da evangelização para que se faça, no redil da terra, um só rebanho e um só Pastor.

Reconhecer-nos como ovelhas do rebanho do Bom Pastor é manifestar em plenitude a nossa fé e esperança em Jesus Cristo, Deus Único e Verdadeiro: 'Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia!' (Sl 117). Como ovelhas do Bom Pastor, a pedra angular (At 4, 11) que nunca nos será tirada, não nos basta ouvir somente a voz da salvação; é preciso segui-Lo em meio às provações da nossa humanidade corrompida, confiantes e perseverantes na fé, pois 'desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é (1 Jo 3, 2).

TU ÉS, SENHOR, O MEU PASTOR...


Pelos prados e campinas verdejantes eu vou 
É o Senhor que me leva a descansar 
Junto às fontes de águas puras repousantes eu vou
Minhas forças o Senhor vai animar 

Tu és, Senhor, o meu pastor 
Por isso nada em minha vida faltará 
Tu és, Senhor, o meu pastor
Por isso nada em minha vida faltará. 

Nos caminhos mais seguros junto d'Ele eu vou 
E pra sempre o Seu nome eu honrarei 
Se eu encontro mil abismos nos caminhos eu vou
Segurança sempre tenho em suas mãos. 

Num banquete em sua casa muito alegre eu vou 
Um lugar em Sua mesa me preparou 
Ele unge minha fronte e me faz ser feliz 
E transborda a minha taça em Seu amor. 

Bem à frente do inimigo, confiante eu vou
Tenho sempre o Senhor junto de mim
Seu cajado me protege e eu jamais temerei 
Sempre junto do Senhor eu estarei. 

(Com alegria e esperança caminhando eu vou 
Minha vida está sempre em suas mãos
E na casa do Senhor eu irei habitar 
E este canto para sempre irei cantar).

sábado, 25 de abril de 2015

HORA SANTA DE ABRIL


Em uma Hora Santa como esta, hora de silêncio e de oração íntima, Jesus-Eucaristia confiou os desejos ardentes do seu Coração a Margarida Maria, sua discípula e primeira apóstola. Ó que momento de ventura, que solene instante aquele, em que a terra voltou a ressoar a súplica ardorosa do Deus-Homem proclamada nas planícies da Samaria e nas montanhas da Galileia, lamentando e implorando o nosso amor como fez no Getsêmani e no Calvário! Sim, naquela noite em Paray-le-Monial, uma noite radiante e gloriosa, Ele nos pediu o nosso amor e nos deu em troca, não os tesouros que já nos havia dado; ó não, Ele nos ofereceu mais que o Céu ou os tesouros redentores do Calvário... Ele nos deu pra sempre o seu Adorável Coração!

Cantemos: 'Hosana no mais alto dos céus!' De ora em diante, o Coração de Jesus é nosso por inteiro! E que também o pobre, o doente, o triste, o fraco, possam cantar: 'Hosana aqui também na terra!' O Coração de Jesus é nosso aqui nesta vida e será nosso além das sombras da morte! Hosana! Oremos, meus irmãos, e se realmente amamos Jesus, vamos dar a Ele um grande louvor de fé e caridade, para que nos revele, nesta Hora Santa, os providenciais desígnios do seu Sagrado Coração! Senhor, aqui estão os vossos amigos fieis e mais íntimos; revela-nos, pois, como confidentes privilegiados, vossos veementes desejos e o triunfo de louvor que encerrastes nesta sublime devoção.

Dizei, ó Mestre, o que pedis? Dizei-nos, com a autoridade do vosso soberano direito, o que exige a realização dos vossos planos? Vós que contemplais os recessos mais íntimos dos corações, vede as almas dos vossos amigos sedentas pelas vossas palavras! Vós nos honrastes com a vocação de consoladores do Vosso Sagrado Coração. Queremos, então, oferecer-Vos, em cada coração, um leito perfumado de rosas, onde possais descansar vossa cabeça exangue! Sim, aceitai este nosso consolo; aceitai nossos braços estendidos como suporte frágil de vossa santa agonia como aceitastes o consolo do anjo na agonia do Getsêmani!

Jesus, olhai para nós nesta noite com maior amor do que olhastes para Verônica, pois Vos oferecemos algo muito mais rico que um véu, nós vos oferecemos as nossas almas! Estamos sozinhos convosco, Senhor, vossos amigos fieis e e de confiança, aqueles que velam esta hora junto ao Vosso Coração agonizante. Abri os Vossos lábios divinos, dizei-nos, ó Mestre Amado; porque somos aqueles que agora circundam o Gólgota do Vosso altar, para implorar a graça, a honra e, mais que isso, a glória imerecida de carregar, como amorosos Cireneus, a vossa cruz...

Coração de Jesus, neste momento de confidência íntima, dizei-nos sobre o vosso desejo de propagação do Vosso reino espiritual e de vossa entronização neste mundo rebelde... Ordenai, Senhor, que morramos por Vosso amor e nós morreremos... Falai-nos por meio da ferida do Vosso lado, que está conquistando o mundo, especialmente durante os últimos três séculos, pela ternura e misericórdia. Que as criaturas guardem silêncio e que apenas Vós, ó Jesus, nos possais falar na Eucaristia... e assim viveremos! 

(Pausa) 

(Pedi a Jesus a grande graça de ouvir a sua divina voz)

Voz de Jesus 

Aproximai-vos, alma querida; sou Eu, não temais! Vede! Eu próprio me despojei do esplendor da majestade que teria vos feito tremer. Olhai para mim! Venho a vós ainda mais pobre do que sois. Venho sozinho e despojado de tudo. Eu mantive apenas a glória das minhas chagas, e nenhum outro tesouro que não seja meu Coração que vos amou tanto. Olhai-me de perto, o Nazareno que nasceu em um estábulo, o filho de pessoas simples, que quer vos conhecer. Eu era um pobre, um humilde artesão na oficina de José, o carpinteiro; que caminhava com os pés descalços e vivia uma vida de simplicidade e trabalho duro por amor aos mais humildes e fracos. Quero reinar sobre eles, eu nasci e escolhi reinar sobre eles!

Ó sim, eu gostaria que os pobres, os trabalhadores, e todos os que sofrem e labutam, aceitem o benigno e consolador reino do meu Coração Divino. Anseio vê-los aos meus pés completamente conquistados pela minha manjedoura e pela minha cruz. Eu reivindico para mim, como minha herança escolhida, a multidão dos que choram, dos que sofrem por fome da verdade e sede da justiça. Ó dia feliz que há de vir quando eu finalmente vê-los ajoelhando-se e cantando diante de Mim a sua fé, a sua esperança, o seu amor! 

Vós todos, meus amigos íntimos, estejam prontos para esta grande Páscoa; estejam prontos para o trono e a coroa deste dia glorioso. Implorai esta graça aqui diante do altar; orai sem cessar em obtê-la... ó, trazei-me de volta aquelas almas que me foram roubadas pelos renegados que, por seus esforços malignos, insistem em me roubá-las para sempre! Fazei com que os pobres venham até Mim; entronizai-me em vossas casas; porque eu sou Jesus, aquele divino Pobre de Nazaré, vosso amigo.


(Pausa) 


As almas

Sim, Jesus, Vós reinareis entre os pobres; aqueles que venceram pela bondade do Vosso Sagrado Coração Vos proclamarão como Rei! Recebei a oração em Vosso louvor que ressoará neste momento das profundezas silentes do Vosso Tabernáculo. Pelas lágrimas que Vós derramastes na humilde gruta de Belém:

(Todos, em voz alta) 

Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!

Pelas lágrimas que Vós derramastes em segredo na vossa muito amada Nazaré...
Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!
Pelas lágrimas que Vós derramastes por ocasião da morte do Vosso amigo Lázaro...
Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!
Pelas lágrimas que Vós derramastes pela ruína do vosso povo e da vossa pátria ingrata...
Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!
Pelas lágrimas de sangue que Vós derramastes no Jardim do Getsêmani, mil vezes venturoso...
Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!
Pelas lágrimas amargas que Vós derramastes pela traição de Judas...
Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!
Pelas lágrimas de tristeza profunda que Vós derramastes pela tripla negação de Pedro e pelo abandono dos Vossos Apóstolos...
Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!
Pelas lágrimas de desolação que Vós derramastes ao ver a Vossa Mãe esmagada pela tristeza no caminho do Calvário...
Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!
Pelas últimas lágrimas que Vós derramastes na despedida desta terra, especialmente pelos mais pobres, os vossos amigos...
Reinai, Coração de Jesus, sobre os vossos amigos, os pobres!

(Pausa) 

Voz de Jesus 

Almas amorosas, meu coração vos abençoa pela consolação destas súplicas ardorosas! Sim, Eu triunfarei pois Eu sou rei. Eu vim para salvar o mundo, sujeitando-o ao amor do meu Coração. Como um mar tempestuoso, este mundo ingrato me rejeita com furor; na minha barca, a Igreja, eu perpasso pelos séculos, oferecendo aos homens a calma, a liberdade, a paz. Ai de mim! A tempestade redobra a sua fúria; há governantes que desejam o naufrágio da Igreja, a arca da salvação... São muitos os ricos, os sábios e os poderosos que, seguindo o exemplo do Sinédrio iníquo de Jerusalém, conspiram contra Mim, trabalhando para destruir o meu sacerdócio e para arruinar a minha Igreja. Meu Vigário é perseguido...

Minha soberania é quase por toda parte oficialmente ignorada. Um furacão de ódio dispersou os meus Apóstolos e os meus amigos. Este ódio tem profanado muitos santuários de retiro e de oração e conspurcado os meus direitos e a minha lei! No entanto, Eu sou e permaneço Rei, porque Eu sou Jesus, o Filho do Deus Vivo! Ah, vós que verdadeiramente amais a glória do meu nome, pelo menos vós, meus amigos, implorais ao Céu pela vitória da Santa Igreja. Não vos esqueçais que a agonia dela também é minha; aqueles que a ultrajam também me ultrajam e ferem o meu Divino Coração!

(Pausa) 

As almas

Senhor, ouvimos o clamor das blasfêmias contra Vós e a Vossa Santa Igreja. Ouvimos também o pranto de dor que oprime o Vosso Coração pela ingratidão de nações que devem a sua cultura e liberdade ao Vosso Santo Evangelho e pela ingratidão dos poderosos que somente o são pela outorga de Vossa autoridade. Perdão, ó rei escarnecido; confundais e converteis os vossos inimigos. Nós Vos pedimos isto de todo o nosso coração: pela pobreza e abandono do vosso maravilhoso nascimento...


(Todos, em voz alta) 

Triunfai em Vossa Igreja, ó Sagrado Coração!

Pela Vossa fuga para o Egito e pelos sofrimentos do Vosso exílio, sob a perseguição de inimigos implacáveis...
Triunfai em Vossa Igreja, ó Sagrado Coração!
Por tantos anos passados ​​na vida obscura e venturosa em Vossa oficina de Nazaré...
Triunfai em Vossa Igreja, ó Sagrado Coração!
Pela Vossa vida de retiro, oração e penitência durante os 40 dias passados ​​na solidão do deserto...
Triunfai em Vossa Igreja, ó Sagrado Coração!
Pelo desprezo com que os doutores da lei de Israel o trataram e pelos muitos insultos com que receberam o Vossos Evangelho...
Triunfai em Vossa Igreja, ó Sagrado Coração!
Pelas feridas de ingratidão praticadas por tantos que foram beneficiados com as Vossas bênçãos e mesmo com milagres extraordinários...
Triunfai em Vossa Igreja, ó Sagrado Coração!
Pela tristeza mortal causada pela cegueira do Vosso povo, que Vos condenou a uma morte de cruz...
Triunfai em Vossa Igreja, ó Sagrado Coração!

(Pausa) 

Voz de Jesus 

Almas fervorosas! Se ao menos Eu pudesse, tão triste e perseguido, encontrar aconchego no coração das famílias, no abrigo seguro dos lares! Ai de mim! Este santuário cairia em ruínas se satanás e o mundo pudessem me desterrar daí, Eu que sou o puro Amor! Perguntai a Lázaro, a Marta, a Maria, aos meus amigos de Betânia, se há mal que não seja sanado, tristeza que não seja adoçada, feridas que não sejam curadas quando Eu, Jesus, estabeleço meu reino de amor em um lar e uma família que me amam e me adoram! Padres que estais vergados por uma vida brumosa e exaustiva sob o peso de tantas ansiedades e responsabilidades, deixai-me entrar em vossas casas! Eu sou o sol que traz paz e temperança; Eu sou a alma de uma nova vida...


Mães sobrecarregadas, que sofrem por vós e por vossos filhos; mães aflitas, como a minha Mãe de ternura, por que vós não me convidais para abençoar a aurora e o crepúsculo, a paz e a tribulação, as alegrias e as lágrimas do vosso amado lar? Vós, que sois as testemunhas privilegiadas da agonia mística do meu Coração no Sacrário, sabeis que o vosso apostolado poderia abrir a Mim as portas das casas que, tantas vezes, são cruelmente fechadas diante de Mim. Vigiai e orai para que os meus direitos familiares e sociais sejam reconhecidos e peçais, apesar de satanás, que o meu Coração possa triunfar e conduzir as vossas famílias!

(Breve Pausa) 

As almas

Jesus, adorável Peregrino, vagando em busca de amor, permanecei, não no limiar de nossas casas: vosso cabelo e roupas estão úmidas com o orvalho da noite. Entrai...Sejais, em espírito e verdade, o Rei das nossas famílias que Vos amam. Sim, Jesus, nosso Esposo; Jesus, nosso Irmão; Jesus, nosso Amigo... Vinde! Reinai em todas as nossas casas, imploramos a Vós! Pelo amor filial que manifestastes à Vossa Mãe Santíssima; pelas ternuras e vigílias do Vosso Imaculado Coração...

(Todos, em voz alta)  

Triunfai nas famílias, ó Rei de Amor!

Pelo afeto que manifestastes ao humilde carpinteiro a quem chamastes de pai, e pela santa intimidade que vivestes com ele...
Triunfai nas famílias, ó Rei de Amor!
Pelo amor de predileção que manifestastes em Vosso coração para com João, o Apóstolo de vossas inefáveis confidências...
Triunfai nas famílias, ó Rei de Amor!
Pela simpatia que manifestastes aos mais apequenados do rebanho, pelas crianças, pelos vossos amigos fieis...
Triunfai nas famílias, ó Rei de Amor!
Pela invejável e deliciosa amizade que manifestastes em Betânia, onde apenas um sofrimento insuportável - Vossa ausência - era sentido...
Triunfai nas famílias, ó Rei de Amor!
Pela delicada bondade que manifestastes no casamento de Caná e por Vossa ternura para com Madalena penitente...
Triunfai nas famílias, ó Rei de Amor!
Pela deferência que manifestastes com Zaqueu e Simão, o fariseu e, finalmente, pela sede de justiça que impusestes na alma da feliz samaritana...
Triunfai nas famílias, ó Rei de Amor!

(Pausa) 

Voz de Jesus 

Um vez que vós viestes me consolar, não terminem esta Hora Santa sem recordar aqui, aos Meus pés, aqueles que são os favoritos do Meu Coração misericordioso: os caídos, os filhos pródigos, aqueles que se desviaram da aprisco. Um sem número deles passam diante desta Hóstia Consagrada sem levantarem os olhos para Mim! Passam os soberbos que insultam o meu aniquilamento; os blasfemos que me cobrem com o seu opróbrio; os apóstatas e os ímpios, que chegam até Mim com a ousadia do sarcasmo nos lábios! 

Ai de mim! Quão grande é a legião dos ingratos, daqueles que me fazem sofrer com a sua indiferença glacial! Quem pode contá-los? Vejo-os do Meu Sacrário; entre eles estão também meus ex-amigos... os traidores e os desleais... E há também crianças! Ouvi-me, mães! Sim, há crianças que traem o Coração de Jesus, o grande amigo delas!

A minha alma está triste até a morte com a perda de tantos pobres pecadores. E, nesta mesma hora, muitos estão em sua agonia final... Portanto, vós, Meus apóstolos, ficai de joelhos e fazei uma fervorosa oração para que sejam fechadas as portas do inferno e que se abra para eles o Céu do Meu Coração, que os espera com o perdão e misericórdias infinitas! Salvai-os! Eles são almas que pertencem a Mim. Eu confio a vós a salvação delas!

(Pausa) 

As almas

Obrigado, ó Bom Jesus, por nos deixar compartilhar convosco a preocupação com estas almas desgarradas. Vamos acolhê-las como nosso tesouro; vamos amá-las pelas lágrimas que elas Vos têm custado! Elas não estarão perdidas para sempre enquanto a Divina Chaga do Vosso Coração não estiver fechada.  Ah, que esta Divina Ferida, fonte do perdão, assim como o Céu, permaneça aberta para elas! Recebei, pois, em Vossa bondade inesgotável, esta oração, que nós Vos oferecemos por meio do Coração de Todas as Dores de Maria, em favor dos miseráveis pecadores e, particularmente, Jesus, não Vos esqueçais daqueles que estão em nossas próprias casas...

(Todos, em voz alta) 

Convertei os pecadores, ó Sagrado Coração!

Por Vossas mãos perfuradas porque nos abençoaram e nos perdoaram...
Convertei os pecadores, ó Sagrado Coração!
Por Vossos divinos pés transpassados, porque deixaram na terra as marcas da paz e da misericórdia...
Convertei os pecadores, ó Sagrado Coração!
Por Vossos lábios que falavam a língua de misericórdia e sentiram uma sede ardente pelas nossas almas doentias...
Convertei os pecadores, ó Sagrado Coração!
Pelos Vossos olhos divinos, iluminados com a luz do Paraíso, que derramaram muitas lágrimas para lavar as nossas faltas e apagá-las para sempre...
Convertei os pecadores, ó Sagrado Coração!
Pelo Vosso Sagrado Corpo, tornado uma chaga viva, para dar vida a um mundo que insiste em transgredir a Divina Lei...
Convertei os pecadores, ó Sagrado Coração!
Pelo Vosso Lado aberto, no qual queremos nos refugiar durante a vida, na hora da morte, e por toda a eternidade...
Convertei os pecadores, ó Sagrado Coração!

(Pausa) 

Voz de Jesus 

Não vos afastais do Meu Sacrário, amigos do Meu Sagrado Coração, sem que Eu vos possa recordar uma queixa pungente, sempre viva, a sangrar da ferida aberta do meu Lado por um pecado... uma ferida maior que todas, pois provocada pelos bons que se dizem Meus amigos! Ó como me ferem cruelmente os que me regulam o seu amor! Ah, se vós soubésseis as lágrimas de angústia que eu choro quando os filhos de minha própria casa tratam-me com cortesia indiferente e uma frieza respeitosa como a um estrangeiro distinto. Eles se atrevem a agir dessa forma para com o Deus de amor, o Salvador misericordioso, que os convida a sentar-se diariamente num banquete de graças abundantes. É um exército inteiro, milhares de almas que seriam santas de pronto, se tivessem mergulhado generosamente no abismo do Meu Coração. Ai, quão pouco o Meu amor é compreendido e quão mal é retribuído por eles...

Todas essas almas pertencem a Mim, por direito, pelo mais sagrado dos direitos, mas a tibieza os abate e paralisa a ascensão dos seus corações. Elas são almas belas, mas não vibram pelos interesses da minha glória. Por falta de generosidade, falta-lhes o zelo em seu amor. Elas me veem padecer na cruz mas, por falta de meditação e oração, não compartilham a minha dor. Elas me veem preso e abandonado em minha prisão eucarística, mas a minha solidão não sensibiliza os seus corações; pelo contrário, isto as aborrece e, assim, elas não conseguem dedicar uma só palavra de ternura para o Deus escondido no altar. Como são infelizes essas pobres almas! Um frio glacial as aniquilam e fere a Mim ao mesmo tempo. E não sabendo o que dizer ao Prisoneiro do Amor, elas se vão e, como os Apóstolos, abandonam-me sozinho com a minha agonia e os meus anjos...

Mas vós outras, almas como Verônica, sedentas pela minha glória, expiais nesta noite a ferida cruel feita em meu Coração pela falta de delicadeza, de generosidade, e de zelo por tantos dos meus próprios filhos! Para dissipar a tristeza que eles me causam, Vós me cantais hinos de amor ardentes e de reparação...por vossa causa, anseio esquecer as ofensas destes meus filhos ingratos! Olhai uma vez mais essa ferida aberta e profunda que me fazem aqueles da minha própria casa... 

Vós que ardeis com um fogo celestial de amor e zelo, tende piedade de mim, vosso Jesus, porque Eu busco em todos os lugares por almas fieis e apóstolos em quem possa confiar, mas não os encontro! Sabeis por quê? É porque Eu ensino, resgato e santifico as almas na cruz. Mas quantos que se dizem meus amigos seguram esta cruz com repulsa! Mas vós, vós que me amais sinceramente, me prestais uma grande consolação... pelo vosso fervor, vosso espírito de sacrifício, vosso desejo de santidade!

(Pausa) 

As almas

Senhor Jesus, eu também tenho sido uma alma tíbia que tem-se mantido distante do Vosso Coração por medo do sacrifício. Eu também tenho receado as santas exigências do vosso amor e ternura; eu também tenho temido prender-me às redes do vosso amor; tenho resistido em me acolher em vossos braços e em render-me para sempre e sem reservas ao vosso Coração vencedor! Ó, Jesus, perdoai tanta covardia!

Perdoai, também, e esqueçais essa culpa de apatia, esta falta de um amor generoso, esta indecisão pelo sacrifício, de muitos dos vossos amigos que estão predestinados à santidade e a uma grande glória. Perdoai-nos, Jesus, e triunfai, santificando os justos! Por vossas primeiras palavras de ternura que, quando criança, fizestes vossa Mãe sorrir de felicidade...

(Todos, em voz alta) 

Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!

Pelas vossas palavras das bem aventuranças no Sermão da Montanha...
Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!
Pelas vossas palavras de consolo e de doce intimidade manifestadas a vossos amigos e discípulos...
Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!
Pelas vossas palavras de salvação confirmadas aos doze Apóstolos, futuro e esperança de fundação da vossa Igreja...
Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!
Pelas vossas palavras de bênção dirigidas às crianças, almas de vossa predileção...
Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!
Pelas vossas palavras de caridade e esperança levadas aos doentes, aos aflitos, e aos pobres...
Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!
Pelas vossas palavras de confiança imprimidas na alma dos simples, humildes e desamparados deste mundo...
Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!
Pelas vossas palavras de despedida, palavras de infinita doçura, proclamadas na noite da Quinta-feira Santa...
Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!
Pelas vossas sete últimas palavras no Calvário, pelas quais nos legastes o vosso Espírito e nos destes a vossa Mãe...
Reinai e santificai os justos, ó Sagrado Coração!


(Pausa) 

Voz de Jesus 

Eu vim para lançar fogo sobre a terra; e o que mais quero é que possa arder em chamas! Que vós possais tornar realidade este meu desejo; olhai e vede aqui, na Hóstia Consagrada, o Coração que tanto amou os homens, amou-os até o sacrifício perpétuo do altar, da Eucaristia! Por vós, Eu me mantenho acorrentado à terra, mas a terra relegou-me a um outro cativeiro bem diferente: o da indiferença, do desprezo e de uma cruel negligência! Ó nessa prisão Eu sofro mortalmente de frio; onde estão aqueles que foram redimidos? Onde estão as almas consoladas e libertadas da morte; onde estão aqueles que foram alimentados com o pão milagroso no deserto? O que aconteceu com os cegos de alma e os leprosos de coração, curados na fonte milagrosa do meu transpassado Coração?

Ah, lamentai comigo, vós, os meus amigos, que interromperam com os seus louvores o silêncio doloroso desta minha prisão. Eu sou vosso Prisioneiro e viestes me visitar! Ó não me abandonem mais, tornai-me o Cativo de vossos corações amorosos! E, depois, voltai ao mundo e dai a conhecer a todos o meu amor e o abandono no qual me encontro. Trazei-o a Mim... deixai-o vir a Mim, este mundo infeliz, tão carente e ansioso por consolo. Trazei as almas a Mim; excitai nelas a sede pela Santa Comunhão! Pregai a todos a minha Eucaristia e glorificai a Hóstia em que Eu, o mesmo Jesus de Nazaré, de Betânia e do Calvário, estou vivo! Vinde a mim, neste sacramento;, honrar-me sob os véus eucarísticos... amai e fazei o Amor amado!

(Pausa) 

As almas

Ó Jesus da Eucaristia, a nossa única ambição é arrastar as almas, muitas almas, ao Vosso Sacrário e que possamos inspirar nelas tal amor que elas se inflamem em buscar o abrigo eterno do Vosso Sagrado Coração. Para isso, nós colocamos no Coração Imaculado de Maria uma oração que possa enternecer a amargura da Vossa prisão. Ouvi-nos, ó Jesus-Eucarístico: pelo amor inefável que vos fizestes suportar os ultrajes no Jardim do Getsêmani e a iniquidade do beijo de Judas traidor...

Reinai pela Santa Eucaristia, ó Sagrado Coração!

Pela vossa mansidão quando recebestes o golpe cruel que profanou a beleza da Vossa face divina...
Reinai pela Santa Eucaristia, ó Sagrado Coração!
Pela vossa infinita paciência sob a zombaria cruel e a ironia da corte, que padecestes por toda a noite da Quinta-feira Santa...
Reinai pela Santa Eucaristia, ó Sagrado Coração!
Pela vossa doçura admirável diante da ignomínia da flagelação, uma punição reservada para escravos e para a qual a covardia de Pilatos Vos condenou...
Reinai pela Santa Eucaristia, ó Sagrado Coração!
Pelo Vosso silêncio compassivo diante a terrível afronta infligida à Vossa Pessoa divina, quando vestido e tratado como um louco...
Reinai pela Santa Eucaristia, ó Sagrado Coração!
Pela vossa extremada humildade quando fostes submetido à odiosa afronta de equiparação a um criminoso vil e ainda ser preterido em favor dele, por uma multidão...
Reinai pela Santa Eucaristia, ó Sagrado Coração!
Pelo vosso amor supremo quando aceitastes mansamente nos lábios agonizantes, o fel da nossa ingratidão...
Reinai pela Santa Eucaristia, ó Sagrado Coração!

(Pequena Pausa) 

Senhor, apesar de satanás e seus sequazes, Vós reinareis por Vosso Divino Coração; sim, Vós reinareis segundo a vossa promessa. As pessoas serão vossas; Vós as possuireis pelo vosso cetro de mansidão e de misericórdia e, na calmaria ou na tempestade, elas não deixarão de Vos louvar e Vos proclamar como Rei. Apressai, Jesus, a hora do triunfo prometido pelo Vosso Coração que é puro amor!

Senhor, Vós reinareis glorificado pela Vossa Santa Igreja. Ela vai dispor em Vossa Fronte um diadema de almas e Vós sereis exaltado acima de todos os poderes do céu, da terra, e do abismo. Apressai, Jesus, a hora do triunfo prometido pelo Vosso Coração que é puro amor! Senhor, Vós reinareis, louvado e abençoado pelos lares forjados em vossos sofrimentos e santificados pela Vossa Mãe. Vós sereis entronizado neles como Rei; Vós neles permanecereis sempre como Amigo e em cuidados de ternura. Apressai, Jesus, a hora do triunfo prometido pelo Vosso Coração que é puro amor!

Senhor, Vós reinareis, atraindo ao Vosso Coração, fonte da vida, os pecadores obstinados, que insistem em recusar-Vos o tributo do seu arrependimento e adoração. Vós quebrareis as suas cadeias e concedereis a eles a liberdade para torná-los felizes cativos do Vosso amor. Apressai, Jesus, a hora do triunfo prometido pelo Vosso Coração que é puro amor!

Senhor, Vós reinareis na Hóstia Consagrada, Vós vencereis pelo Vosso Sacrário irradiante; Vós dominareis a terra pela onipotência amável da Santa Eucaristia. Sim, graças à Santa Eucaristia, Vós atraireis de novo para Vós, os homens conquistados pelo amor do Vosso sangue derramado, até a morte de cruz, até aos extremos de Vossa imolação eucarística. Apressai, Jesus, a hora do triunfo prometido pelo Vosso Coração que é puro amor!

Pai-Nosso e Ave-Maria pelos agonizantes e pecadores.
Pai-Nosso e Ave-Maria pedindo o reinado do Sagrado Coração em todo o mundo, mediante a comunhão frequente e diária, a Hora Santa e a Cruzada da Entronização do Rei Divino em lares, sociedades e nações.
Pai-Nosso e Ave-Maria pelas intenções particulares dos presentes.
Pai-Nosso e Ave-Maria pelo nosso país.
Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória pela intenção do Santo Padre.
Pai-Nosso e Ave-Maria pelas intenções particulares dos presentes.

(Cinco vezes)

Sagrado Coração de Jesus, venha a nós o vosso reino!


(Três vezes)

Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!

São José, rogai por nós!
Santa Margarida Maria, rogai por nós!


ATO FINAL DE CONSAGRAÇÃO

Jesus Amado, o divino fogo que viestes atear na terra acendeu-se em nossas almas, e tomados por Ele, já não sabemos pedir nem desejar senão a Vossa glória e o reinado do Vosso Sagrado Coração. Vós dissestes à Santa Margarida Maria que esta revelação misericordiosa era o supremo e o último recurso para a nossa redenção. Confiantes, pois, em Vossas palavras, viemos ao Vosso altar em busca de graças de vida eterna, e ao Vosso Coração adorável, ardentemente desejosos de beber da água viva prometida à mulher samaritana, água divina que há de regenerar o mundo.

Sede Rei de tantos ingratos que Vos olham como o soberano destronado de suas almas infelizes. Tomai de volta e confirmai o Vosso império sobre eles, Jesus, pelo cetro do perdão. Reinai sobre os apóstatas, que, renovando os ultrajes da noite da Quinta-feira Santa, se locupletam de escárnios e riem, desdenhosos, da Vossa divina realeza. Dai-lhes de novo a luz perdida da fé e Jesus, Misericórdia que sois, vingai-Vos de suas ofensas perdoando-lhes as traições. Sede Rei, ó Jesus, das multidões que, por sórdidos interesses e induzidas ao erro por tantos sinedristas modernos que Vos desprezam, se amotinaram e se insurgiram contra Vós. Acalmai com um gesto de piedade esse oceano de almas pervertidas e desorientadas; reconquistai pelo Vosso Evangelho o coração destes infelizes e fazei imperar sobre eles o amor do Vosso Sagrado Coração!

Sede Rei de tantas almas boas e virtuosas, mas que são, infelizmente, tímidas, mornas, apáticas... que temem exagerar no tributo à dívida de caridade para convosco. Derretei o gelo destes corações, sacudi da sonolência a que se entregam tantos cristãos descuidados, enquanto o mundo se apressa em Vos julgar e condenar. Sede Rei nas famílias, com todo o esplendor da Vossa glória, com toda a munificência do Vosso Amor. Confiai a Vós os lares, a vida de trabalho, os amores e os sofrimentos destas famílias, que Vos outorgaram o lugar de honra e o trono espiritual no seio delas.

Sede Rei, enfim, sede rei nos Sacrários. Ó Jesus, eis que é chegada a hora em que um hino imenso, universal, um hino das famílias, de povos e nações mas, acima de tudo, um hino de louvor e adoração, seja cantado até aos confins da terra para Vos libertar do silêncio da vossa prisão eucarística: 'Aclamado seja o Divino Coração, por quem alcançamos a salvação; para Ele, a glória e a honra pelos séculos dos séculos! Que venha a nós o Vosso Reino!'

(Hora Santa de Abril, pelo Pe. Mateo Crawley - Boevey, tradução integral pelo autor do blog)