sábado, 28 de fevereiro de 2015

OS TRÊS TIPOS DE SANTIDADE


A doutrina revelada sobre a morte, sobre o juízo particular, sobre o inferno, sobre o purgatório e o céu, leva-nos a pressentir o que é a outra vida e manifesta-nos a grandeza da alma humana que só Deus visto face a face pode irresistivelmente atrair e encher. O que nos faz tender para o céu, nosso destino, é a graça santificante, germe de vida eterna, e as virtudes infusas que dela derivam, sobretudo a fé, a esperança e a caridade acompanhadas dos sete dons do Espírito Santo.

Note-se, que estas três grandes virtudes teologais são hoje, por vezes, completamente desfiguradas. A fé em Deus, a esperança em Deus e o amor a Deus e às almas por ele, foram substituídas em muitos meios modernos pela fé e esperança na humanidade, pelo amor teórico da humanidade. Nesses meios, a fraseologia ocupou o lugar da doutrina sagrada. A arte de fazer frases substituiu a doutrina revelada acerca de Deus e da alma. Quando é assim, a falsidade não tem remédio.

Em certas lojas maçônicas lê-se nas paredes: 'Fides, spes, caritas'. Chesterton afirmou sobre este ponto: 'Grandes ideias que se tornaram loucas'... 'As grandes ideias tornadas loucas' são as ideias religiosas que perderam significado superior e vieram a desarticular-se e a desequilibrar-se de todo. É o que acontece quando se substitui a fé em Deus, que não pode enganar-se nem nos enganar, pela fé na humanidade, apesar de todas as suas aberrações. E assim como a verdadeira fé, esclarecida pelos dons do Espírito Santo, pelos dons da inteligência e da sabedoria, constitui o principio da contemplação mística, a fé degenerada e desarticulada torna-se o principio de uma falsa mística, aprovada na paixão pelo progresso da humanidade.

A antiguidade clássica não conheceu um tão profundo desequilíbrio. Depois dela, veio o Cristianismo, a elevação sobrenatural do Evangelho, e, quando alguém se separa dele, a queda é tanto mais rápida quanto se cai de mais alto. A descida começou com Lutero, pela negação do sacrifício da Missa, do valor da absolvição sacramental, e, portanto, da confissão, pela negação, também, da necessidade de cumprir os mandamentos de Deus para obter a salvação. A queda acelerou-se depois, com os enciclopedistas e filósofos do século XVIII, com o 'cristianismo corrompido' de Jean Jacques Rousseau, que subtraiu ao Evangelho o seu caráter sobrenatural e reduziu a religião ao sentimento natural que se encontra mais ou menos alterado em todas as religiões. A Revolução Francesa propagou por toda parte estas ideias. 

Na mesma época, Kant sustentou que a razão especulativa não pode provar a existência de Deus. Fichte e Hegel ensinam que Deus não existe fora e acima da humanidade; surge em nós e por nós e não é outra coisa senão o próprio progresso da humanidade, como se este, de tempos em tempos, não fosse acompanhado de um terrível retrocesso para a barbárie. O Liberalismo pretende ocupar, entre o Cristianismo e estes erros monstruosos, uma posição eclética e não chega a conclusão alguma válida para a ação. Vê-se logo substituído pelo radicalismo na negação, depois, pelo socialismo e, finalmente, pelo comunismo materialista e ateu, como previa Donoso Cortès. Este comunismo representa a negação de Deus, da família, da propriedade, da pátria e conduz a uma servidão universal, graças a mais terrível das ditaduras. 

...

Só há um caminho para voltar a subir: a verdadeira santidade. Mas é preciso encará-la de uma maneira realista. A santidade, como demonstra Santo Tomás, tem dois caracteres essenciais: a ausência de toda mancha, isto é, ausência de todo pecado, e uma firmíssima união com Deus. Esta santidade atinge sua perfeição no céu, mas começa na terra. Manifesta-se concretamente, sobre as quais queremos insistir aqui. 

Realmente, há três grandes deveres para com Deus: conhecê-Lo, amá-Lo e servi-Lo. Cumpri-los é ganhar a vida eterna. Há almas que têm, sobretudo, por missão, amar a Deus e fazer com que ele seja muito amado; são as almas de vontade forte, que recebem graças de amor ardente. Há outras que tem por missão dá-Lo a conhecer; nelas predomina claramente a inteligência e recebem, sobretudo, graças de luz. Finalmente, há almas que tem por missão, sobretudo, servir a Deus mediante a fidelidade ao dever cotidiano. É o caso da maioria dos bons cristãos, que empregam a memória e a atividade prática para serem fiéis ao dever de cada dia. Estas três formas de santidade parecem estar representadas em três apóstolos privilegiados: São Pedro, São João e São Tiago.

(Excertos da obra 'O Homem e a Eterndade', do Pe. Garrigou-Lagrange)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

TIPOS DE CRUZES (V)

61. CRUZ POTENÇADA

Distingue-se da cruz transversa por não incluir simplesmente remates transversais, mas por ser uma cruz de natureza composta, formada pela justaposição pela base de quatro cruzes em forma de Tau (símbolo 8). Esta simbologia representa comumente os quatro cantos do mundo (pontos cardeais), domínio correspondente à expansão e à difusão do catolicismo e, por isso, muito utilizada nas cruzadas.

62. CRUZ DAS CRUZADAS (VARIANTE)

Cruz potençada incluindo quatro pequenas cruzes gregas ou quadradas (símbolo 6) nos espaços internos, simbolizando a difusão dos quatro evangelhos pelo mundo; outra interpretação associa as 5 cruzes (as quatro internas e a cruz potençada) às cinco chagas de Jesus Cristo no calvário. Diferentes cores simbolizam diferentes nações envolvidas nas cruzadas.

63. CRUZ DAS CRUZADAS (VARIANTE)

Variante da cruz anterior em que as quatro cruzes internas também são cruzes potençadas e não quadradas. 


64. CRUZ VERMELHA

Cruz quadrada espessa e preenchida em vermelho, adotada como símbolo pela Cruz Vermelha Internacional, sociedade destinada à assistência humanitária às pessoas afetadas por guerras, conflitos ou desastres naturais.


65. CRUZ RECORTADA 


Cruz quadrada espessa com cantos arredondados por recortes na forma de pequenos setores circulares. 


66. CRUZ ENQUADRADA 

Cruz quadrada espessa sobre cujo centro é projetado (enquadrado) um quadrado preenchido e com lados ligeiramente maiores que os braços da cruz, formando pequenos 'degraus' nos cantos internos. 


67. CRUZ VAZADA

Cruz quadrada espessa cujo centro é vazado, sendo conformada, assim, por quatro quadrados iguais e justapostos pelos vértices.
 


68. CRUZ DIVERGENTE (PATÉ)

Cruz estilizada, em que os braços são encurvados (símbolo do martírio do calvário) na forma de lentes divergentes, ou seja, mais delgados no centro e mais espessos nas bordas (extremidades na forma de patas); utilizada comumente como sinal de distinção de diferentes ordens de cavaleiros, como os templários por exemplo.


69. CRUZ DIVERGENTE (VARIANTE)

Variante da cruz anterior em que as extremidades dos braços são niveladas (extremidades na forma de bases de taças) e não mais côncavas como no caso anterior.


70. CRUZ DIVERGENTE (VARIANTE)


Variante da cruz divergente na qual o efeito do encurvamento central é muito minimizado.


71. CRUZ DIVERGENTE (VARIANTE)

Variante da cruz divergente na qual o efeito do encurvamento central é linearizado, formando extremidades triangulares.



71. CRUZ DIVERGENTE (VARIANTE)


Modelo extremado da variante anterior em que a cruz se assemelha à interconexão de duas ampulhetas.


72. CRUZ DIVERGENTE CIRCULAR

Variante da cruz divergente tradicional, em que as extremidades dos braços são convexas (resultando em uma aparência de uma cruz circular) e não mais côncavas.


73. CRUZ DIVERGENTE (OUTRAS VARIANTES)

Outras variantes em que as extremidades dos braços da cruz são recortadas, filetadas ou estilizadas de formas diversas.


74. CRUZ EMPLUMADA


Cruz formada por braços na forma de plumas que convergem para um disco circular central.


75. CRUZ OCTOGONAL

Cruz de geometria complexa, em que os quatro braços são terminados por arestas bilineares (segmentos duplos), conformando um arranjo octogonal (extremidades com oito arestas).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

SOBRE A PENITÊNCIA

INTRODUÇÃO

A partir da quarta feira de cinzas começa a Quaresma e, com ela, recordamos o jejum de Nosso Senhor Jesus Cristo no deserto durante quarenta dias. Portanto, o caráter deste tempo é o da penitência. Daí a exortação ao jejum, à mortificação e de recolhimento; daí os convites mais prementes aos pecadores para que voltem a Deus, para que se purifiquem dos seus pecados e obtenham o perdão.

Entretanto, em muitos lugares, muitas pessoas de diferentes fés cristãs e inclusive muitos católicos questionam, dizendo: Para que a Quaresma e tanta oração e penitência? Jesus não morreu por todos e pagou todas as nossas dívidas? É um insulto acreditar que não foi o suficiente o que Ele fez para nos salvar a todos. Se já estamos salvos pela morte de Cristo, para que os seus pastores para nos evangelizar? ... Em resposta a essas objeções, somente nos cabe dizer que, como católicos, não devemos nos apegar ao que estes dizem, mas no que Jesus fez e disse. Pois Ele, o nosso único Redentor, é também o nosso mestre e modelo, e como católicos assim o cremos.

E assim é. O Evangelho de S. Mateus (4,2), que é a leitura da Igreja no primeiro domingo da Quaresma, nos diz que o Senhor passou 40 dias em oração e penitência. Por que não devemos de imitá-lO, à nossa maneira, nos quarenta dias da Quaresma?

Além disso, em certa ocasião, os discípulos de João e os fariseus perguntaram a Jesus: 'Por que os teus discípulos não jejuam?" E ele usou a comparação das bodas em que, em se estando com o esposo, não era este o tempo propício para se jejuar. 'Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então jejuarão.' (Mc 2, 20). Como a esposa de Jesus, a Igreja fez e faz depois de sua ascensão.

É verdade que Jesus morreu por todos e pagou toda a dívida do pecado, mas também nos deu por sua Igreja os meios de salvação. Não deveria, pois, os homens usá-los para obtê-la? Exigiu tão claramente que enviou os seus apóstolos para pregar a todas as nações, e fazer-lhes ver o que havia ordenado, dizendo: 'Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.' (Mc 16,16). Quantos se condenaram ou se condenam por não crerem ou não cumprirem este mandato...

Por isso, quando os apóstolos começaram suas pregações, e os judeus, 'compungidos de coração', lhes perguntaram: 'O que devemos fazer ?' não responderam: 'Alegrai-vos, Jesus morreu por todos e sereis salvos' mas o que Pedro falou: 'Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados' (Atos 2, 38). Não lhes bastava a sua fé em Jesus Cristo pela pregação ouvida.

E Paulo ensinou coisas sublimes sobre a nossa redenção: 'Cristo morreu por nós ... deu a si mesmo em resgate por todos ... cancelou o decreto firmado contra nós, etc, etc. Ainda assim, ponderou a necessidade da fé para a justificação e a salvação. Ele certamente tinha uma fé muito grande e muito forte em Cristo, pois pregava que nada nem ninguém poderia separá-lo de seu amor (Romanos 8, 35-39).

Entretanto, disse aos coríntios: 'castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros.' (I Cor 9, 27). Se peço penitência e que se mortifique, é para vencer e garantir a sua salvação! ... Em outra carta, ele diz que, se seus oponentes vangloriam de ser ministros de Cristo, assim também o era, e ainda mais do que eles, pelos trabalhos sofridos por Cristo, pelas muitas fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, freqüentes jejuns, frio e nudez!' (II Cor 11, 27). Antes ele havia assinalado que as privações devem marcar os ministros de Deus (II Cor 6, 5).

Mais ainda, o mesmo Apóstolo chega a dizer aos Colossenses: 'O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo(místico) que é a Igreja.' (Col 1,24).

Isso nos mostra que, apesar de ter Cristo morrido por todos e ter satisfeito todos os nossos pecados, há que se padecer os membros de seu corpo místico, que somos nós. E é isso que deseja a Igreja na Quaresma: que o jejum, a abstinência e outras privações, nestes padecimentos do corpo místico de Cristo, possam assegurar, como diz São Pedro, nossa vocação e eleição, a nossa salvação por meio de boas obras; 'procedendo deste modo, não tropeçareis jamais; assim vos será aberta largamente a entrada no reino eterno' (2 Pe, 10-11).

Até agora temos tratado sobre a correta interpretação que a Igreja dá à penitência; agora vamos analisar o seu conceito, suas classes e sua importância como meio eficaz para realizar a nossa salvação. Para isso, a Igreja recorda-nos que, para se salvar, há dois caminhos: a inocência e a penitência. Para quantos, é este o único caminho! E por causa da importância do mesmo, vamos, com a ajuda de Deus, ilustrar das melhor maneira esta virtude.

A PENITÊNCIA

Esta pode ser considerada como Sacramento, ou como virtude ou ato de virtude; dela nos diz Santo Inácio em seus Exercícios Espirituais - é sentir dor pelos seus pecados, com a firme determinação de não cometer aqueles e nem outros mais. O Concílio de Trento a chama 'contrição': ' uma vez que que ocupa o primeiro lugar entre os atos do penitente, e consiste em uma dor intensa e ódio ao pecado cometido, com o propósito de não pecar mais.'

Dor dos pecados - Esta é um dos principais frutos da Quaresma: condoer-se, arrepender-se dos próprios pecados, com um sincero arrependimento que chegue, embora não se sinta, ao mais íntimo da alma. Para isso, é necessário que se peça ao Senhor e também considerar cuidadosamente o que é o pecado em si mesmo e em relação a Deus, e seus efeitos desastrosos sobre a alma. Quando olhamos os efeitos funestos de certas doenças do corpo, como não as abominarmos? ... Se pudéssemos ver o que faz o pecado na alma! ... O pior é que nem mesmo se quer pensar sobre isso! ... Daí o pouco fruto de nossas poucas confissões e o fracasso de certas 'conversões' ...

Propósito de não pecar - Novamente muitos têm a mesma dificuldade, pelo mesmo motivo de não considerar suficientemente a malícia e as punições do pecado. Às vezes acontece o que sucedeu à cidade de Nínive: seus habitantes aterrorizados ante a ameaça da destruição da cidade, correram a fazer penitência (Jonas 3, 5). Mas quanto tempo dura isso? ...

A PENITÊNCIA EFICAZ

Para isso, recordemos outra vez o que dizia São Paulo: ' castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros.' (I Cor 9, 27). Se isso fazia São Paulo, o que nós devemos fazer? ... Para fazer uma penitência eficaz, é essencial:

Combater o pecado - 'Cada um é tentado, atraído e lisonjeado pela própria concupiscência", diz Santiago (I, 14). A raiz do pecado está em nós mesmos e a luta para evitá-lo deve começar pelo 'escravizar a carne', ou seja, dominar as próprias paixões. São Paulo chega a dizer que 'os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências.' (Gal 5,24). Para isso, eles devem refrear seus instintos e sentidos, que são como janelas por onde entra a morte do pecado (Jer 9,21).

Reparar os efeitos do pecado - 'Fazendo frutos dignos de penitência'. Quais são esses frutos? ... Os que são diretamente contrários ao pecado: reparar o furto ou roubo com a restituição; contra a murmuração e a calúnia, com a restauração da honra e da reputação; da raiva e injúrias, com a humildade da satisfação; contra os pecados da inimizade e do ódio, com a sinceridade da reconciliação, e assim todos os demais. Assim como o remédio é aplicado para sarar a parte doente, a penitência visa corrigir o que está defeituoso. Tem-se a língua demasiado solta? ... Aplica-se a ela o remédio.

Evitar as ocasiões de pecado - Os moralistas distinguem a ocasião próxima e a remota, segundo a facilidade ou dificuldade de cair em pecado diante dela; a voluntária ou a fortuita, etc, etc... Se somos cuidadosos o suficiente para evitar ocasiões que colocam em risco a saúde ou a vida do corpo, por que não as da alma?

A PENITÊNCIA FALSA

Existem vários tipos de penitência falsa:

Penitência Suspeita - A penitência interna, ou seja, a contrição indispensável à confissão, é sempre sincera, verdadeira? Não se reduz, muitas vezes, a uma mera formalidade externa, superficial, inadequada? A rapidez que é praticada e a facilidade com que se volta a cometer os mesmos pecados não são sinais de que tal 'penitência' deixa a desejar? ...

Penitência Frágil - é aquela baseada em motivos sólidos. Durante a Quaresma, muitos se arrependem verdadeiramente, choram, lamentam e detestam os seus pecados e parecem ter um desejo sincero de evitá-los, mas se apoiam em uma sincera convicção de mudar suas vidas para se salvarem ou em impressões fugazes, que logo se desvanecem? ... 'A penitência que evita a ocasião de pecado traz consigo as nuances de uma penitência falsa'.

Penitências Inúteis - Muitos se queixam de que não podem manter o jejum, e às vezes com razão, por razões de trabalho. Porém, quanta 'penitência' é feita hoje em dia em dietas de emagrecimento, para garantir padrões de beleza, para preservar a saúde, em uma palavra, por puras razões temporais... se houvesse mais fé e amor de Deus, não haveria mais espírito de penitência e sacrifício? ...

Peço a Deus que estas reflexões os ajudem, queridos irmãos, para viver da melhor maneira e de acordo com a graça de Deus, esta Quaresma que está apenas começando. 

Sinceramente em Cristo,

Mons. Martin Davila Gandara (Superior de La Sociedad Sacerdotal Trento, tradução do autor)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

LADAINHA DA SANTÍSSIMA VIRGEM (IV)


LITANIAE LAVRETANAE BEATAE MARIAE VIRGINIS (Parte IV)

 Rainha dos Anjos, rogai por nós

 Rainha dos Patriarcas, rogai por nós

 Rainha dos Profetas, rogai por nós

 Rainha dos Apóstolos, rogai por nós

Rainha dos Mártires, rogai por nós

Rainha dos Confessores (da Fé), rogai por nós

 Rainha das Virgens, rogai por nós

 Rainha de Todos os Santos, rogai por nós

Rainha Concebida sem Pecado Original, rogai por nós

 Rainha Assunta ao Céu, rogai por nós

 Rainha do Sacratíssimo (Santo) Rosário, rogai por nós

Rainha da Paz, rogai por nós

 Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor 

 Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor 

 Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós 


V. Ora pro nobis, sancta Dei Genitrix.
R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Oremus. Concede nos famulos tuos, quæsumus, Domine Deus, perpetua mentis et corporis sanitate gaudere: et gloriosa beatæ Mariæ semper Virginis intercessione, a præsenti liberari tristitia, et æterna perfrui lætitia. Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Oremos. Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais aos vossos servos perpétua saúde de alma e de corpo; e que, pela gloriosa intercessão da sempre bem aventurada Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

(Ilustrações da obra 'Litanies de la Très-Sainte Vierge', de M. L'Abbé Édouard Barthe, 1851)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

23 DE FEVEREIRO - SÃO POLICARPO DE ESMIRNA



São Policarpo nasceu no ano de 69 em Esmirna, cidade grega situada no litoral da Ásia Menor (hoje Izmir, na Turquia). Teve contato direto com alguns dos primeiros apóstolos de Jesus e foi discípulo de São João Evangelista, que o nomeou pessoalmente como bispo de Esmirna, função na qual se destacou como um defensor incansável da unidade da Igreja Primitiva, contra inúmeras heresias da época, as quais combateu duramente, envolvendo-se em várias questões teológicas polêmicas. 

Por ocasião da quarta grande perseguição romana, nos tempos do imperador Marco Aurélio, o Cristianismo foi duramente atacado na Ásia Menor e São Policarpo foi perseguido, preso e conduzido ao martírio pelo fogo. Milagrosamente, porém, o fogo não lhe consumiu as carnes, fazendo um arco em torno do corpo do santo que foi, então, morto a espada. O martírio de São Policarpo foi descrito um ano depois de sua morte, em uma carta datada de 23 de fevereiro de 156, enviada pela igreja de Esmirna, e este documento constitui o registro mais antigo do martirológio cristão existente. Os fatos da sua morte e os eventos milagrosos que se sucederam foram posteriormente ratificados pelos escritos de Santo Irineu de Lyon, o maior dos discípulos deste grande santo da Igreja Primitiva.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O RETIRO NO DESERTO

Páginas do Evangelho - Primeiro Domingo da Quaresma


Jesus acabara de se submeter ao batismo nas águas do Jordão, evento que deflagara, então, pela manifestação expressa nas palavras do Pai e pela ação do Espírito Santo descido do céu na forma de uma pomba, o início do tempo de sua pregação pública, na investidura messiânica do Filho de Deus Vivo. E, diante desta missão portentosa, a primeira medida do Espírito Santo é conduzir Jesus ao deserto, para um tempo singular de devoção, oração e profundo recolhimento interior, na consumação da alma elevada à divina perfeição.  

Neste Primeiro Domingo da Quaresma, o Evangelho nos invoca a começar também esse tempo de jejuns e penitência seguindo o exemplo de Jesus, com um retiro no deserto. O deserto para nós representa um lugar de provação, de tentação e de exílio; afastados do cotidiano do mundo, somos desafiados a viver um tempo singular de conscientização e de reflexão sobre a limitação dos valores mundanos e da preparação de almas perseverantes na superação destes limites e indo mais além, para águas mais profundas, na busca dos valores da graça santificante que nos forjam herdeiros dos Céus.

Ir ao deserto afastado do mundo não implica se esconder do mundo. Jesus 'ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás. Vivia entre animais selvagens, e os anjos o serviam' (Mc 1, 13). Quarenta dias é o tempo bíblico de referência para tempos de grande provação; as tentações de satanás no deserto repetem as tentações que nos são impostas pelo demônio durante toda a nossa vida, até no momento da morte; a vida entre animais selvagens caracteriza uma vida no exílio, longe do cotidiano do mundo.

Estar no deserto não significa um isolamento da alma. Deus está presente em nós em todos os momentos, com as graças necessárias para a plena superação de todas as provações, tentações e abatimentos da caminhada e, por isso, 'os anjos o serviam' (Mc 1, 13). Encerrado o tempo de vigília e de preparação no deserto e dado o sinal final da Providência Divina, pela prisão de João Batista, o Antigo Testamento torna-se passado de vez e tem início a pregação da Boa Nova para a salvação da humanidade, evocada com os próprios termos com que o Precursor anunciara os tempos da redenção (conforme Mt 3, 1-2): 'O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!' (Mc 1, 15).

PALAVRAS DE SALVAÇÃO


'O que alegra o inimigo não são tanto as nossas faltas como o abatimento e a perda de confiança na misericórdia divina em que elas nos mergulham. A desconfiança que sentis de vós mesma é boa, desde que sirva de fundamento à confiança que deveis ter em Deus; mas se ela vos conduzir a qualquer desânimo, inquietude, pesar e melancolia, conjuro-vos a rejeitá-la como a tentação das tentações, e a nunca conceder a vosso espírito oportunidade de disputar e replicar em favor da inquietação e do abatimento do coração a que vos sentirdes inclinada.'

(São Francisco de Sales, em uma carta a uma filha espiritual)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

LADAINHA DA SANTÍSSIMA VIRGEM (III)

LITANIAE LAVRETANAE BEATAE MARIAE VIRGINIS (Parte III)

 Virgem Prudentíssima, rogai por nós 

 Virgem Venerável, rogai por nós 

 Virgem Louvável, rogai por nós 

  Virgem Poderosa, rogai por nós 

  Virgem Clemente, rogai por nós 

  Virgem Fiel, rogai por nós 

  Espelho de Justiça (Perfeição), rogai por nós 

  Sede da Sabedoria, rogai por nós 

 Causa (Fonte) de Nossa Alegria, rogai por nós 

Vaso Espiritual, rogai por nós 

 Vaso Honorífico, rogai por nós 
(Tabernáculo da Eterna Glória, rogai por nós)

Vaso Insigne de Devoção, rogai por nós 
(Moradia Consagrada a Deus, rogai por nós)

 Rosa mística, rogai por nós 

 Torre de Davi, rogai por nós 

 Torre de marfim, rogai por nós

 Casa de Ouro, rogai por nós

Arca da Aliança, rogai por nós

 Porta do Céu, rogai por nós

 Estrela da Manhã, rogai por nós

Saúde dos Enfermos, rogai por nós

 Refúgio dos Pecadores, rogai por nós

Consoladora dos Aflitos, rogai por nós 

Auxílio dos Cristãos, rogai por nós

(Ilustrações da obra 'Litanies de la Très-Sainte Vierge', de M. L'Abbé Édouard Barthe, 1851)