domingo, 30 de setembro de 2012

EUCARISTIA - IX


IX -  NÃO PROFANAR OS SANTOS MISTÉRIOS

A Sagrada Eucaristia é a incorporação mística e espiritual da nossa alma com Jesus, tornada possível através do nosso contato físico com as sagradas espécies. Jesus Cristo, por inteiro, corpo, sangue, alma e divindade, está presente na Sagrada Eucaristia, sob as aparências do pão e do vinho, sob a reverberação das palavras do Mestre na sinagoga de Cafarnaum e na última Ceia, diante de seus apóstolos: a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida. O ato eucarístico é, pois, um ato de profunda adoração a Deus e é inadmissível que a adoção de determinadas práticas abusivas e a negligência espiritual  possam comprometer e desfigurar a alma da Igreja de Cristo e o cerne de nossa vida cristã.

Para muitos sacerdotes e leigos, as considerações prévias têm sido objeto de uma descrédito generalizado, associado a um enorme ceticismo e  uma completa inconsciência diante dos fatos e das realidades dos tempos atuais, quando não a um desdém puro e simplesEste impressionante estado de letargia e relaxamento moral tem propiciado um ambiente de profunda deterioração moral, que favorece em larga escala a  perda da verdadeira fé e a difusão de uma apostasia cada vez maior e mais profunda.

Por outro lado, embora em número bem mais reduzido, há igualmente sacerdotes e leigos bastante preocupados com esta avalanche de concessões ilícitas que ofendem direta e gravemente  o Santíssimo Corpo de Jesus. Entretanto, por desânimo ou comodismo, “tocam” o barco e a transposição das reflexões à ação concreta dilui-se nas preocupações cotidianas e no bochorno do fácil anonimato. Para estes, são especialmente dirigidas as palavras de perseverança e de  fidelidade, expressas pelo insistente pedido de São Paulo a Timóteo (2Tm 4,2): “proclama a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina”.

O que não vem de Deus é obra de satanás e ele, mais do que os homens, sabe e reconhece o manancial de graças e de misericórdias que se desprendem dos céus sobre a Terra a cada santa e digna comunhão. Não é de estranhar, portanto, a sua ação diabólica e concentrada sobre o mistério eucarístico, conspurcando os santos costumes  e minando drasticamente as práticas da sã doutrina de Deus e usando para isso, o orgulho, a vaidade e a cegueira impressionantes desta geração de homens tolos e insensatos.

E os céus esperam uma resposta e um “basta” do Corpo Místico de Cristo a esse flagelo de dores e profanações. Em quantas igrejas, tem-se pedido insistentemente pela paz, pela fraternidade e pela justiça? Quantos filhos de Deus têm repetidamente invocado as graças e a misericórdia do Pai sobre o mundo e toda a humanidade? Quanta oração, jejum, penitência são recolhidos diariamente pelo tesouro espiritual da Igreja? Menos pelo mérito humano e muito mais pela misericórdia do Pai, tudo se torna graça abundante, livre para retornar aos filhos de Deus. Que responsabilidades pessoais e comunitárias nos cabem para que a Santa Eucaristia seja uma porta aberta e generosa para canalizar a miríade de graças e dádivas que os céus despejam sobre os homens a cada dia?

Por fim, dois aspectos cruciais, relativos aos ritos da Última Ceia, deveriam merecer de nossa parte absoluta reflexão e ponderação, quando transplantados ao sacramento atual da Sagrada Eucaristia. O primeiro deles se refere à passagem  do aviso da traição de Judas. Embora expresso de forma diferente no Evangelho de São João, é interessante observar e refletir sobre a estranha e sintomática forma que Jesus utilizou para indicar o apóstolo da traição, conforme os relatos dos Evangelhos de São Mateus, São Marcos e São Lucas: “um de vós que come comigo há de me entregar ... (o) que coloca a mão no mesmo prato comigo.” Na sagrada eucaristia, milhares de homens e mulheres tomam também hoje o Santíssimo nas mãos e reproduzem, com malícia diabólica, o gesto tresloucado e suicida da traição de Judas.

O segundo aspecto é ainda mais perturbador para a Igreja atual. Por que Nossa Senhora, presente a cada minuto da vida e da pregação pública de Jesus, das bodas de Caná às dores do Calvário, da Anunciação do Anjo à Páscoa da Ressurreição, como Medianeira Universal e Co-Redentora, poderia estar ausente exatamente no momento crucial da instituição da eucaristia por Jesus? É uma pergunta, como tantas outras, que extrapola a nossa condição humana e se contextualiza nos desígnios do Pai. Mas uma certeza absoluta nós podemos ter, isso não ocorreu por acaso e nem por esquecimento. Seria muito prudente que as mulheres que estão hoje nos altares, tocando e distribuindo as sagradas espécies, ainda que com as melhores intenções, refletissem profundamente sobre este mistério e reavaliassem, no contexto do verdadeiro papel da mulher na Igreja de Cristo,  se não estão sendo causa apenas de juízo e condenação. 

Eucaristia I: Primeira Parte (Primeiro Domingo de Agosto)
Eucaristia II: Segunda Parte (Segundo Domingo de Agosto)
Eucaristia III: Terceira Parte (Terceiro Domingo de Agosto)
Eucaristia IV: Quarta Parte (Quarto Domingo de Agosto)
Eucaristia V: Quinta Parte (Primeiro Domingo de Setembro)
Eucaristia VI: Sexta Parte (Segundo Domingo de Setembro)
Eucaristia VII: Sétima Parte (Terceiro Domingo de Setembro)
Eucaristia VIII: Oitava Parte (Quarto Domingo de Setembro)

sábado, 29 de setembro de 2012

PALAVRAS DE SALVAÇÃO





‘Quem (é) como Deus?’

(SÃO MIGUEL ARCANJO)

29 DE SETEMBRO - SÃO MIGUEL ARCANJO

(São Miguel com elmo e armadura medieval - Catedral de Bruxelas)

'Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu.' (Apoc. 12, 7-8).

'Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo e será tempo de angústia como jamais houve.' (Dan. 12, 1).

Assim como Lúcifer é o chefe dos demônios, Miguel é o maior dentre os anjos, Príncipe das milícias celestes, protetor da Santa Igreja e da humanidade contra as forças do inferno. Assim, a designação de arcanjo (oitavo coro dos anjos) tem sentido genérico e nominativo, pois certamente São Miguel, sendo o primeiro dentre os Anjos, é o maior dos serafins. Dentre os vários santuários destinados ao Príncipe das milícias celestes, destaca-se aquele localizado no Monte Saint Michel na França, cuja foto constitui a abertura e o símbolo deste blog.

(Santuário de São Miguel - Monte Saint Michel/França)


video

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A ORAÇÃO A SÃO MIGUEL ARCANJO (PAPA LEÃO XIII)

Papa Leão XIII (1810 - 1903)

A ‘Oração a São Miguel Arcanjo’, composta pelo Papa Leão XIII, tem origem num fato bastante singular. Em 25 de setembro de 1888, após a missa da manhã, o Papa Leão XIII sofreu um desmaio, e muitos o julgaram morto. Assim que recuperou a consciência,  o Santo Padre descreveu um diálogo espantoso que parecia provir do tabernáculo, cujas vozes identificou claramente como sendo as de Cristo e do demônio. Na conversa, o diabo se vangloriava de que era capaz de destruir a Santa Igreja, desde que lhe fosse concedido um prazo fatídico de 100 anos para fazê-lo e que lhe fosse dado maior poder de influência sobre aqueles que o serviam. Em resposta, tal poder e tempo lhe foram concedidos por Jesus Cristo. Sob o impacto profundo destes fatos, o Papa Leão XIII compôs a ‘Oração a São Miguel’, que incorpora um profundo caráter profético, impondo a sua recitação ao final da Santa Missa, como medida de proteção da Igreja contra a ação das forças malignas. A oração completa de São Miguel é transcrita abaixo.

ORAÇÃO A SÃO MIGUEL ARCANJO

'Ó glorioso príncipe da milícia celeste, São Miguel Arcanjo, defende-nos no combate e na luta terrível contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares (Ef. 6)! Vem em auxílio dos homens que Deus criou imortais, feitos à sua imagem e semelhança e que remiu por alto preço da tirania do demônio (Sab. 2; I Cor. 6). 

Combate neste dia, com o exército dos santos anjos, a batalha que o Senhor outrora combateu contra Lúcifer, o chefe dos orgulhosos, e contra os anjos caídos que foram impotentes para resistir e para os quais não há mais lugar no céu. Sim, este grande dragão, esta antiga serpente chamada demônio ou Satanás, que seduz o mundo inteiro, foi precipitado com os seus anjos no fundo do abismo (Ap 12). Mas eis que agora este velho inimigo, este mesmo homicida, levanta ferozmente a cabeça. Disfarçado como um anjo de luz e seguido pela turba inteira dos espíritos malignos, percorre o mundo inteiro para dele se apoderar e banir o nome de Deus e do seu Cristo, para perseguir, matar e levar à perdição eterna as almas destinadas à glória eterna. Sobre os homens de espírito perverso e de coração corrupto, este dragão do mal derrama também, como uma torrente de lama impura, o veneno de sua malícia infernal, ou seja, o espírito da mentira, da impiedade, da blasfêmia e o hálito envenenado da impureza, dos vícios e de todas as abominações.

Os inimigos cheios de astúcia têm acumulados opróbrios e amarguras à Igreja, esposa do Cordeiro imaculado e lhe dado a beber absinto; sobre seus bens mais sagrados impõem suas mãos criminosas para a realização de todos os seus ímpios desígnios. Lá, no lugar sagrado onde está instituída a sede de São Pedro e a Cátedra da Verdade para iluminar os povos, foi instalado o trono da abominação de sua impiedade, com o desígnio iníquo de ferir o Pastor e dispersar as ovelhas.

Nós te suplicamos, ó príncipe invencível, ajuda o povo de Deus e concede-lhe a vitória contra os ataques destes espíritos dos réprobos. Este povo te venera como seu protetor e padroeiro, e a Igreja se gloria de tê-lo como defensor contra os poderes malignos do inferno. A ti Deus confiou a missão de conduzir as almas para a felicidade celeste. Roga, portanto, ao Deus da paz que submeta Satanás aos nossos pés, tão derrotado e subjugado, que nunca mais possa impor a escravidão aos homens, nem prejudicar a Igreja! Apresenta as nossas orações à vista do Todo-Poderoso para que as misericórdias do Senhor nos alcancem o quanto antes. Submete o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e o precipite acorrentado no abismo para que não mais possa seduzir as nações (Ap 20). Amém.

Desde já confiados à sua assistência e proteção, com a sagrada autoridade da Santa Igreja e em nome de Jesus Cristo, Deus e Nosso Senhor, comprometemo-nos com fé e segurança repelir aos ataques da astúcia diabólica.'

Oremos: ‘Ó Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, nós invocamos vosso Santo Nome e imploramos insistentemente a Vossa clemência para que, pela intercessão da Imaculada sempre Virgem Maria, nossa Mãe, e do glorioso São Miguel Arcanjo, de São José, esposo da mesma Santíssima Virgem, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e de todos os santos, dignai-vos proteger contra Satanás e contra todos os espíritos malignos que vagueiam pela terra para destruir a humanidade e fazer perder as almas. Amém’.

Em 1934, a oração original do Papa Leão XIII foi alterada sem maiores explicações. O trecho relativo ao avanço da apostasia universal até as portas da Igreja, ou seja, ao próprio Vaticano (‘a sede de São Pedro’) foi eliminado (Em La Salette, em 1846, Nossa Senhora já havia vaticinado que ‘Roma perderá a fé e se converterá na sede do Anticristo’, demonstrando, assim, cabalmente, a vinculação profética de La Salette com a ‘visão’ de Leão XIII, bem como a gravíssima situação a que estaria submetida a Santa Igreja). Adicionalmente, a oração completa foi substituída por uma versão bem mais sucinta (dada abaixo), que traduz de forma muito difusa o espírito e a força da oração original:

'São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e a todos os espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém'.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

VERSUS: FALSAS APARIÇÕES X APARIÇÕES AUTÊNTICAS

No acervo enorme das aparições de Nossa Senhora nos últimos tempos, há que se considerar sempre o aspecto da autenticidade de tais eventos. Acreditar ou não em uma determinada aparição?  O problema, na verdade, não é este. O antigo Código Canônico (cânones 1399 e 2318) proibia a edição e a divulgação de manifestações e revelações de natureza particular, mas ambos foram suprimidos pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, no pontificado de Paulo VI. Neste novo cenário, estas mensagens podem ser publicadas e divulgadas publicamente, ainda que sem a licença formal de uma autoridade eclesiástica, desde que estejam em plena conformidade com os ensinamentos da moral cristã, expressa pelas mensagens bíblicas e pela tradição da Santa Igreja. Assim, é tão razoável acreditar quanto não acreditar. 

Por outro lado, as ações do demônio são, substancialmente, as de atacar e violentar as práticas cristãs mais autênticas, particularmente as que trazem mais frutos de graças para a salvação eterna do homem. Os inimigos mortais do demônio são sobejamente conhecidos: o Santo Rosário, a Santa Missa, os Santos Sacramentos, a Vida de Santidade. E, evidentemente, as autênticas manifestações de Maria a alguns de seus filhos muitíssimo privilegiados. Tais ações nunca parecem intrinsecamente más e têm sempre impactos diretos e imediatos no comportamento humano dos crentes em geral, particularmente sobre aspectos emotivos e dos sentimentos mais superficiais, gerando, quase que automaticamente, percepções de 'energia interior', euforia, pseudo-êxtases, palpitações, crises de choro ou de ansiedade, arrebatamentos místicos e outros tantos sinais de 'enlevo espiritual'. Deus nunca age assim: nas revelações sobrenaturais, a natureza humana mantém-se íntegra e a essência da aparição encontra-se nas mensagens. A certos videntes, em caráter muito especial, Deus faz experimentar arrebatamentos e êxtases que extrapolam em muito os limites da natureza humana dos meros sentidos.   

Os sinais mais evidentes das falsas aparições estão, entretanto, associadas a mensagens heréticas (o demônio pode macaquear, mas não reproduzir plenamente os desígnios divinos), entranhadas em mensagens bucólicas e com aparência de douta doutrina católica. Não se pode olvidar a essência diabólica do pai da mentira: a aberração vem edulcorada em mimos religiosos, o vômito perpassa em nuances desapercebidas em mensagens de paz, a manipulação da verdade meandra-se de forma ambígua nos próprios contrafortes da verdade. Aqui, não há exceção, e as evidências não demandam provas: a pasteurização doutrinária ditada por uma única heresia conforma a heresia do todo e bastaria conspurcar o monturo para exalar tantas outras pseudo-revelações.

De uma maneira geral, podem ser sistematizados alguns elementos que podem nortear a caracterização de falsas aparições:
 - centralização do ambiente na figura do vidente ou videntes, com ampla divulgação da ação pessoal (as aparições autênticas geram, ao contrário, uma profunda inflexão na vida do vidente, caracterizadas por um grau elevado de despojamento aos interesses mundanos e valorização extremada da vida de oração);
- mensagens tipicamente centradas em premissas do racionalismo, com direcionamento a uma explicitação  recorrente dos mistérios de Deus em modos de interpretação essencialmente humanos (conceitos genéricos de paz universal, fraternidade, respeito humano, etc);
- aparições repetitivas, contínuas e de longa duração, levando a uma banalização do mistério e a uma perda cabal do foco das mensagens (cada um escolhe a mensagem mais relevante dentre centenas, num processo de livre arbítrio, muito similar ao das seitas protestantes em relação à interpretação dos preceitos bíblicos);
- mensagens específicas em relação a fatos ou lugares em especial, desfocadas de um caráter histórico ou de uma amplitude universal (como o caso da Consagração à Rússia nas mensagens de Fátima), com abordagem detalhada e sistêmica de tais eventos; 
- presença de linguagem estranha à fala nativa do vidente;
- mensagens com forte cunho profético, caracteristicamente apocalíptico ou mediante a condenação explícita de  cunho pessoal (papas, por exemplo); as mensagens autênticas referem-se particularmente à humanidade, a determinados povos, a determinados processos históricos, a determinados pecados vinculados a uma dada classe de homens ou aos homens em geral);
- mensagens de origens e naturezas diversas (as aparições realmente autênticas provêm quase que exclusivamente de Nossa Senhora, feita preanunciadora por excelência da graça divina, como atestado pelos eventos de La Salette, Lourdes e Fátima). 
  
Não é fácil convencer um católico, crente de uma determinada aparição, que tal aparição é falsa: a reação será sempre agressiva e quase sempre sem efeito prático nenhum (um protestante apresenta a mesma reação diante de uma objeção à 'verdade' em que ele tanto acredita). Em geral, os argumentos mais utilizados na defesa de pseudo-revelações são aqueles em que o indivíduo manifesta-se em termos do que ele próprio 'sentiu' e dos possíveis 'frutos de devoção' que ele vê. Péssimo sinal. Se há uma coisa clara, claríssima, na ação do demônio, é o poder de manipular os sentidos e os sentimentos  humanos (definitivamente, somos apenas tolos na escala da inteligência maligna). As aparições autênticas são reduzidas e emblemáticas, e devem apenas ser olhadas e meditadas com os olhos da fé e da alma da maturidade cristã. Sem isso, corre-se apenas os riscos de se transformar ceifadores em semeadores do joio no meio do trigo.
  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

MÃOS ENSANGUENTADAS DE JESUS

Não bastassem todos os escárnios, ofensas e sofrimentos, os verdugos ataram as mãos de Jesus Cristo. E o despiram. E o esbofetearam. E dele blasfemaram. Tudo isso e mais ainda: as mãos de Jesus foram presas, amordaçadas, tolhidas, como instrumento máximo de sujeição, capitulação e imobilidade, de impotência absoluta. As mãos de Jesus foram amarradas na coluna para a infâmia da flagelação. As mãos feridas de Jesus foram liberadas para carregar a cruz na procissão do calvário. As mãos de Jesus foram espalmadas para serem abertas pelos pregos da crucificação e para ligar, na cruz, o amor à misericórdia infinita. Mãos atadas, mãos feridas, mãos ensanguentadas de Jesus!


                 ORAÇÃO ÀS MÃOS ENSANGUENTADAS DE JESUS                                                                                                              (Santa Teresa de Los Andes) 


‘Aqui venho com a fé de uma alma cristã para buscar a vossa misericórdia, em situação tão angustiante para mim. Não me desampares e que as portas abertas no meu caminho sejam as Vossas mãos poderosas que as deixem abertas, para me trazer a paz tão desejada. A vossos pés deixo esta súplica de minha alma angustiada e somente pode vir em meu auxílio as Vossas mãos poderosas. Ajudai-me a ser um bom cristão, a fazer boas obras em palavras e atos e, assim, obter a Vossa infinita misericórdia e o perdão de todos os pecados e faltas cometidas em minha vida.’

Rezar um ‘Pai Nosso’.

Senhor Jesus Cristo, pesa-me de todo o meu coração Vos haver ofendido, tão bom e digno que sois em ser amado; prometo, com a Vossa graça, nunca mais pecar. Amém.

Esta oração deve ser rezada por 15 dias. Após 8 dias, a graça é alcançada, por mais difícil que pareça ser.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

DA VIDA ESPIRITUAL (27)





Muros, trancas, alarmes, cercas eletrificadas... Tudo isso é para fugir do mundo ou para se esconder de Deus?

domingo, 23 de setembro de 2012

ASSIM FALOU O PADRE PIO


Entrevista originalmente publicada na revista Tradition Catolica, n. 141 (novembro/1998).

Padre, o Sr. ama o Sacrifício da Missa?
Sim, porque Ela regenera o mundo.
Que glória dá a Deus a Missa?
Uma glória infinita.                                
Que devemos fazer durante a Missa?
Compadecer-nos e amar.
Padre, como devemos assistir à Santa Missa?
Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.
Padre, que benefícios recebemos ao assistir à Santa Missa?
Não se podem contar. Vê-lo-ás no céu. Quando assistires à Santa Missa, renova a tua fé e medita na Vítima que se imola por ti à Divina Justiça. Não te afastes do altar sem derramar lágrimas de dor e de amor a Jesus, Crucificado por tua salvação. A Virgem Dolorosa te acompanhará e será tua doce inspiração.
Padre, que é sua Missa?
Uma união sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo. (Dizia-o chorando.)
Que devo descobrir na sua Santa Missa?
Todo o Calvário.
Padre, diga-me tudo o que o senhor sofre durante a Santa Missa.
Sofro tudo o que Jesus sofreu na sua Paixão, embora sem proporção, só enquanto pode fazê-lo uma criatura humana. E isto, apesar de cada uma de minhas faltas e só por sua bondade.
Padre, durante o Sacrifício divino o senhor carrega os nossos pecados?
Não posso deixar de fazê-lo, já que é uma parte do Santo Sacrifício. 
O senhor considera a si mesmo um pecador?
Não o sei, mas temo que assim seja.
Eu já vi o senhor tremer ao subir aos degraus do altar. Por quê? Pelo que tem de sofrer?
Não pelo que tenho de sofrer, mas pelo que tenho de oferecer.
Em que momento da Missa o senhor sofre mais?
Na Consagração e na Comunhão.
Padre, esta manhã na Missa, ao ler a história de Esaú, que vendeu os direitos de sua primogenitura, seus olhos se encheram de lágrimas.
Parece-te pouco desprezar o dom de Deus!?
Por que, ao ler o Evangelho, o senhor chorou quando leu estas palavras: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue...”
Chora comigo de ternura!
Padre, por que o senhor chora quase sempre que lê o Evangelho na Missa?
A nós nos parece que não tem importância que um Deus fale às suas criaturas e elas O contradigam e continuamente O ofendam com sua ingratidão e incredulidade.
Sua Missa, Padre, é um sacrifício cruento?
Herege!
Perdão, Padre, quis dizer que na Missa o Sacrifício de Jesus não é cruento, mas a sua participação em toda a Paixão o é. Engano-me?
Não, nisso não te enganas. Creio que tens toda a razão.
Quem lhe limpa o sangue durante a Missa?
Ninguém.
Padre, por que o senhor chora no Ofertório?
Queres saber o segredo? Pois bem: porque é o momento em que a alma se separa das coisas profanas.
Durante sua Missa, Padre, o povo faz um pouco de barulho...
Se estivesses no Calvário, não ouvirias gritos, blasfêmias, ruídos, e ameaças? Havia um alvoroço enorme.
Não o distraem os ruídos?
Em nada.
Padre, por que sofre tanto na Consagração?
Não sejas maldoso... (Não quero que me perguntes isso...)
Padre, diga-me: por que sofre tanto na Consagração?
Porque nesse momento se produz realmente uma nova e admirável destruição e criação.
Padre, por que chora no altar, e que significam as palavras que pronuncia na Elevação? Pergunto por curiosidade, mas também porque quero repeti-las com o senhor.
Os segredos do Rei Supremo não podem revelar-se nem profanar-se. Pergunta-mes por que choro, mas eu não queria derramar essas pobres lagrimazinhas, mas torrentes de lágrimas. Não meditas neste grandioso mistério?
Padre, o senhor sofre, durante a Missa, a amargura do fel?
Sim, muito freqüentemente...
Padre, como pode estar-se de pé no Altar?
Como estava Jesus na Cruz.
No altar, o senhor está pregado na Cruz, como Jesus no Calvário?
E ainda me perguntas?
Como se acha o senhor?
Como Jesus no Calvário.
Padre, os carrascos deitaram a Cruz no chão para pregar os cravos em Jesus?
Evidentemente.
Ao senhor também lhos pregam?
E de que maneira!
Também deitam a Cruz para o senhor?
Sim, mas não devemos ter medo.
Padre, durante a Missa o senhor pronuncia as Sete Palavras que Jesus disse na Cruz?
Sim, indignamente, mas também as pronuncio.
E a quem diz: “Mulher, eis aí teu filho”?
Digo para Ela: “Eis aqui os filhos de Teu Filho”.
O senhor sofre a sede e o abandono de Jesus?
Sim.
Em que momento?
Depois da Consagração.
Até que momento?
Costuma ser até a Comunhão.
O senhor diz que tem vergonha de dizer: “Procurei quem me consolasse e não achei”. Por quê?
Porque nossos sofrimentos de verdadeiros culpados não são nada em comparação com os de Jesus.
Diante de quem sente vergonha?
Diante de Deus e da minha consciência.
Os Anjos do Senhor o reconfortam no Altar em que o senhor se imola?
Pois... não o sinto.
Se não lhe vem o consolo até à alma durante o Santo Sacrifício, e o senhor sofre, como Jesus, o abandono total, nossa presença não serve para nada.
A utilidade é para vós. Por acaso foi inútil a presença da Virgem Dolorosa, de São João e das piedosas mulheres aos pés de Jesus agonizante?
Que é a Sagrada Comunhão?
É toda uma misericórdia interior e exterior, todo um abraço. Pede a Jesus que se deixe sentir sensivelmente.
Quando Jesus vem, visita somente a alma?
O ser inteiro.
Que faz Jesus na Comunhão?
Deleita-se na sua criatura.
Quando se une a Jesus na Santa Comunhão, que quer peçamos a Deus pelo senhor?
Que eu seja outro Jesus, todo Jesus e sempre Jesus.
O senhor sofre também na Comunhão?
É o ponto culminante.
Depois da Comunhão, continuam seus sofrimentos?
Sim, mas não sofrimentos de amor.
A quem se dirigiu o último olhar de Jesus agonizante?
À sua Mãe.
E o senhor para quem olha?
Para meus irmãos de exílio.
O senhor morre na Santa Missa?
Misticamente, na Sagrada Comunhão.
É por excesso de amor ou de dor?
Por ambas as coisas, porém mais por amor.
Se o senhor morre na Comunhão, continua a ficar no Altar? Por quê?
Jesus morto permanecia pendente da Cruz no Calvário.
Padre, o senhor disse que a vítima morre na Comunhão. Colocam o senhor nos braços de Nossa Senhora?
Nos de São Francisco.
Padre, Jesus desprega os braços da Cruz para descansar no Senhor?
Sou eu quem descansa n’Ele!
Quanto ama a Jesus?
Meu desejo é infinito, mas a verdade é que, infelizmente, tenho de dizer nada e me causa pena.
Padre, por que o senhor chora ao pronunciar a última palavra do Evangelho de São João: “E vimos sua glória como do Unigênito Pai, cheio de graça e de verdade”?
Parece-te pouco? Se os Apóstolos, com seus olhos de carne, viram essa glória, como será a que veremos no Filho de Deus, em Jesus, quando se manifestar no céu?
Que união teremos então com Jesus?
A Eucaristia nos dá uma idéia.
A Santíssima Virgem assiste à sua Missa?
Julgas que a Mãe não se interessa por seu Filho?
E os Anjos?
Em multidões.
Padre, quem está mais perto do Altar?
Todo o Paraíso.
O senhor gostaria de celebrar mais de uma Missa por dia?
Se eu pudesse, não quereria descer do Altar.
Disseram-me que traz com o senhor o seu próprio Altar...
Sim, porque se realizam estas palavras do Apóstolo: “Eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus”. “Estou cravado com Cristo na Cruz.” “Castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão...”
Nesse caso, não me engano quando digo que estou vendo Jesus Crucificado!
(Nenhuma resposta)
Padre, o senhor se lembra de mim na Santa Missa?
Durante toda a Missa, desde o princípio até o fim, lembro-me de ti.
A Missa do Padre Pio, em seus primeiros anos, durava mais de duas horas. Sempre foi um êxtase de amor e de dor. Seu rosto estava inteiramente concentrado em Deus e cheio de lágrimas. Um dia, ao confessar-me, perguntei-lhe sobre este grande mistério:
Padre, quero fazer-lhe uma pergunta.
Dize-me, filho.
Padre, queria perguntar-lhe que é a Missa?
Por que me perguntas isto?
Para ouvi-la melhor, Padre.
Filho, posso dizer-te que é a minha Missa.
Pois é isso o que quero saber, Padre.
Meu filho, estamos na Cruz, e a Missa é uma contínua agonia.


23 DE SETEMBRO - SÃO PIO DE PIETRELCINA


Francesco Forgione nasceu em Pietrelcina (Itália) no dia 25 de maio de 1887 e faleceu santamente como Padre Pio, em San Giovanni Rotondo (Itália), em 23 de setembro de 1968. Ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1910, dedicou toda a sua vida ao ministério da confissão e à salvação das almas. Possuía dons extraordinários na forma de estigmas (feridas nas mãos, nos pés e no peito, como as recebidas por Nosso Senhor Jesus Cristo na crucifixão), de milagres diversos e o dom da bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo).


(Vídeo com imagens de Padre Pio, filmado no Convento de Nossa Senhora das Graças dos Capuchinhos, em San Giovanni Rotondo. Mostra cenas do cotidiano dos frades, Padre Pio no refeitório, na igreja e celebrando a Santa Missa em latim; os frades lidando com as centenas de cartas enviadas ao Padre Pio. No final, provocam-no jovialmente com a câmera e ele bate o cinegrafista com seu cinto).

A santidade do Padre Pio é uma expressão da santidade de Deus, não apenas pelos seus tantos carismas particulares, mas pelas inúmeras perseguições que, desde que ele recebeu os estigmas, o acompanharam sempre até a morte (impedimentos e proibições de toda espécie, segregação e injúrias), aceitas com absoluta resignação: “Aceitar as provações que o Senhor permite ou suscita, para nos santificarmos e nos identificarmos com as injúrias sofridas por Cristo em toda sua vida, e particularmente na sua Paixão e Morte na Cruz, para salvar os homens até o fim dos séculos”. Pouco antes de morrer, ao lhe ser solicitado uma última orientação espiritual, assim o fez: "Amate la Madonna. Fatela amare. Recitate la Coronna. Recitatela bene” (Amai a Nossa Senhora. Fazei-a amar. Rezai o Rosário. Rezai-o bem). 

Foi canonizado em 16 de junho de 2002 pelo Papa João Paulo II, na praça de São Pedro. Em 28 de fevereiro de 2008, seu corpo foi exumado – sendo encontrado incorrupto – e colocado numa urna de cristal, onde se encontra atualmente para exposição pública e veneração dos fiéis.


EUCARISTIA - VIII


VIII - AÇÃO DE GRAÇAS

A Eucaristia  significa, acima de tudo, uma ação de graças (da palavra grega eucharistia ou “ação de graças”). É o sacrifício de louvor e reconhecimento ao Pai pela criação, redenção e santificação de todos os homens, ação de graças esta somente possível de ser oferecida por Cristo e com Cristo e para ser aceita em Cristo. Neste sentido, a ação de graças da comunhão possui um caráter de renovação das nossas promessas de louvor, reconhecimento e gratidão a Jesus Sacramentado. Trata-se de um tempo especialmente precioso em que estamos em íntima união com Cristo e em unidade com todos os outros membros do seu Corpo Místico. Nesta presença íntima com Nosso Senhor e Nosso Deus, façamos nossa ação de graças de joelhos, em espírito de profundo silêncio, recolhimento, humildade e adoração. Que não nos perturbem as preocupações mundanas ou as divagações dos pensamentos: ofereçamos estes preciosos minutos a Jesus com todo o nosso amor humano, para a nossa salvação e de toda a humanidade.

As graças inerentes a cada comunhão são infinitas pela presença de Jesus que é infinito, mas a aquisição destas graças por nós é restrita e finita à nossa condição humana. Assim, nenhuma alma tem condições de absorver todas as graças colocadas à sua disposição na ceia eucarística. É preciso entender que, sendo alimento espiritual, Deus concede as graças necessárias, nas sucessivas comunhões, para um crescimento gradual e imperceptível da santidade de cada homem, similarmente ao desenvolvimento orgânico de um corpo em crescimento. Essa maior ou menor santificação vai depender de nossa capacidade de eliminar os obstáculos que se contrapõem à ação das graças disponíveis e à nossa frequência à Santa Eucaristia. 

Estes obstáculos se traduzem no apego a pecados veniais e às imperfeições do nosso amor para com Deus e, também, nas etapas de preparação, participação e ação de graças a cada comunhão. Quantas graças se perdem, a cada comunhão, pela dessacralização e banalização do banquete eucarístico, com tantas distorções, profanações e abusos da cerimônia, por tantas ações de graças mal feitas ou simplesmente  não realizadas! Em quantas missas, não se oferece um ambiente propício e acolhedor a esta interação de graças entre o Criador e suas criaturas? É preciso silêncio e tempo de recolhimento para a ação de graças atuar como um bálsamo sobre as almas consagradas. E quantos destes insensatos reclamam ou questionam o valor das graças recebidas por não perceberem uma “emoção especial” ou uma melhoria acentuada no seu modo de ser e de agir como cristãos num mundo cada vez menos cristão.

Para aqueles que, mesmo cientes de suas limitações e da fragilidade da natureza humana, têm especial empenho na participação digna e na  sacralização da Santa Eucaristia e que sentem, eventualmente, estes mesmas inquietações, a resposta poderia induzir outras duas perguntas: “Estou assim insatisfeito não é exatamente porque estou no caminho certo de uma santificação que somente terá fim no momento da minha morte?” Ou então: “Se me sinto assim insatisfeito, como estaria então sem tantas comunhões?”.

Eucaristia I: Primeira Parte (Primeiro Domingo de Agosto)
Eucaristia II: Segunda Parte (Segundo Domingo de Agosto)
Eucaristia III: Terceira Parte (Terceiro Domingo de Agosto)
Eucaristia IV: Quarta Parte (Quarto Domingo de Agosto)
Eucaristia V: Quinta Parte (Primeiro Domingo de Setembro)
Eucaristia VI: Sexta Parte (Segundo Domingo de Setembro)
Eucaristia VII: Sétima Parte (Terceiro Domingo de Setembro)